Sem Saída
1 Capítulo 1
Notas iniciais
A sala estava escura, o que me impedia de saber se era grande ou pequena. A única fonte de luz da sala era originária de uma lampada fraca acima de mim. Era exatamente como nos filmes, quando um policial bonzinho faz perguntas com calma e um policial mau grita e ameaça a passar por cima dos meus direitos.
Eu estava com as mãos algemadas, sentado em uma cadeira atrás da mesa. Do outro lado, havia um policial sentado fazendo algumas anotações e um outro andando impaciente em volta da mesa. A falta de luminosidade não deixava que eu enxergasse detalhes do rosto, mas ambos deviam ter por volta de 40 anos, ou seja, tinham anos de experiência. Percebi que não havia como eu ludibriá-los.
- Quem te enviou o dinheiro?- o homem que estava sentando perguntou, sem tirar os olhos do papel.
- Frank Brian, um sargento que estava no Iraque- respondi, falando a verdade.
- Você conhece esse Sargento Brian?
-Não.
- Não há nenhum Frank Brian no exército dos Estados Unidos. Fale a verdade- o homem parou na minha frente e direcionou a lampada para o meu rosto.
- Vocês tem acesso a todo tipo de informação que circula no país, podem ver que eu não estou mentindo a qualquer momento.
- Como você explica a falha no nosso sistema entre 19h21min e 19h27min?
Falha no sistema? Vamos recapitular: Eu recebo um e-mail misterioso de uma pessoa que aparentemente não existe, 10 bilhões de doláres aparecem na minha conta como mágica e o governo americano tem uma falha no sistema no exato momento disso tudo. A coisa é mais complicada do que eu pensei.
- Eu não faço a mínima ideia…
- Mentiroso!- um dos policiais gritou e bateu as duas mãos na mesa, fazendo o barulho ecoar por toda a sala.
Algumas luzes se acenderam e iluminaram todo o local. De um lado havia um parte de vidro na parede e três pessoas assistiam o interrogatório: Um policial, a agente Collins e seu parceiro, o agente Felton.
Collins fez um sinal para que eles saíssem da sala. Os policiais juntaram os papeis da mesa e foram em direção a porta.
- Por enquanto é só, mas saiba que você está muito encrencado- um deles falou.
E eu sabia disso. Sabia que nada que eu falasse adiantaria alguma coisa. Tive a impressão que eles só queriam que eu confessasse para deixar o caso como resolvido, mas eu não iria confessar uma coisa que eu não fiz.
Pelo vidro, consegui ver os dois agentes da NSA conversando. Collins olhou para mim mais uma vez antes de sair, seguida por todos os outros. Pela primeira vez fiquei sozinho nas últimas horas. Se é que eu podia chamar aquilo de sozinho, sendo que estava vigiado pelas câmeras de segurança.
Ouvi um click na porta, que acabara de ser destrancada, esperei por alguns segundos, mas ninguém entrou. Olhei para a câmera de segurança, e o LED vermelho que indicava que elas estava ligada e operando estava apagado. Alguém queria que eu saísse dali, mas quem e por que? Seria o tal Frank Brian?
Fugir poderia complicar a minha situação, mas será que ela podia ficar mais complicada? Eu pensei que não, mas estava completamente enganado.
Uma hora e 53 minutos antes.
Cheguei em casa depois do trabalho. Passei na cozinha para pegar alguma coisa para comer e depois fui para o computador. A primeira coisa que eu fiz foi checar minha caixa de mensagens. Havia muitos spams e outros e-mails sem importância, mas um em especial me chamou a atenção. O nome exibido como remetente era Frank Brian e o assunto era confidencial. Cliquei nele sem hesitar e li a mensagem que apareceu na tela.
Bom noite.
Eu sinceramente peço desculpas por se intrometer em sua privacidade, especialmente em contato com você através deste meio de uma transação comercial desta magnitude. Eu estou entrando em contato via e-mail , porque eu quero que você receba esta mensagem como confidencial e oficial. Por esta razão , nossa comunicação será apenas através deste e-mail por enquanto.
Eu sou o sargento Frank Brian , da 3 ª Divisão de Infantaria do exército dos Estados Unidos. Fui enviado com meu batalhão para o Iraque e posteriormente para o Afeganistão. Agora, estou no Reino Unido para um tratamento. Eu quero que você leia este e-mail com atenção para compreendê-lo.
Em 2010 , meus homens e eu encontramos mais de US $ 60 bilhões em esconderijo de terroristas em Bagdá. O dinheiro foi dividido entre meus homens de confiança e eu mantive a minha parte por um tempo em um lugar seguro . Preciso de alguém que possa me ajudar a receber a minha parte do valor , pois encontrei uma maneira segura de fazer a transferência.
Eu não sei por quanto tempo vou ficar aqui no hospital , fui vítima de três ataques no Afeganistão e por um milagre não estou morto. Preciso que alguém guarde este dinheiro até que eu volte para os Estados Unidos.
O dinheiro já se encontra em sua conta bancária. Como recompensa pelo favor, te darei 30% de todo o valor.
Por enquanto não há mais nada a fazer, mas em breve você receberá novas instruções.
Frank Brian
Na hora pensei “ É só mais um spam ou alguém brincando comigo”. Mesmo tendo quase a absoluta certeza que eu não havia recebido dinheiro coisa nenhuma, entrei no site do banco e loguei com a minha conta. Para minha surpresa, lá estavam 10 bilhões de doláres. Fiquei pais pensar nas coisas que eu poderia comprar, masasmo quando vi todos aqueles zeros depois do numero um. Foi inocência dem fala sério, o que você faria?
Meus devaneios foram interrompidos quando um agente da SWAT entrou voando e quebrando a janela do meu quarto. Logo em seguida ouvi passos pesados nos corredores e o barulho das minhas portas sendo arrombadas.
No minuto seguinte eu estava cercado por agentes armados até os dentes e dois agentes da NSA, uma mulher e um homem.
- Você tem o direito de permanecer calado- desde quando isso é direito?- Você está preso por terrorismo.
Depois disso me algemaram e me levaram para um furgão preto. Algum tempo depois descemos do carro em um enorme estacionamento, pegamos um elevador e passamos por um corredor até chegar na porte de uma sala com a palavra Interrogatório escrita.
- Podem começar- falou a agente Collins para dois policiais.
Hora atual.
Levantei e fui em direção a porta entreaberta. Coloquei a cabeça para fora e dei uma espiada: não havia ninguém ali. Sai e fui para a ante sala, a mesma que os agentes observavam o interrogatório, que por sinal tinha sido breve demais.
Havia uma mesa com alguns equipamentos para gravação, dentre eles um computador que exibia a mensagem “Perda de sinal”, uma arma e uma chave, que era da minha algema. Depois de algum esforço para tentar abrir a algema finalmente consegui. Peguei a arma, disposto a fazer quase qualquer coisa para ficar livre. Aquilo não era mais um um engano, era um jogo, e eu queria ficar vivo.
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