Estou no meio da floresta, não sei o que faço. Estou a quase duas horas fugindo da polícia. Não sei aonde estou, nem aonde estou indo. Eu não acredito que estraguei a minha vida inteira por causa de uma briga estúpida. Estou sozinho, não tenho mais ninguém, nem minha família, nem meus amigos. Só eu e minha mochila. À minha direita há pinheiros, e à minha esquerda há uma estrada que não parece ter fim. Nenhum carro passa por ela, a única certeza que tenho é que estou literalmente sozinho, andando pela estrada.... Sem rumo.

Uma hora e meia antes

Tinha acabado de chegar da escola, abri a porta de casa e dei de frente com o meu pai.

— E aí, Matt, como foi a aula hoje? — Perguntou meu pai e ao mesmo tempo me dando um abraço.

— A mesma merda de sempre – Respondi dando uma curta risada.

— Olha a língua.... – Falou meu pai. – Faz tempo que não vejo seu amigo Nicholas, como ele tá’?

— Ele tá’ praticamente a mesma coisa, bobão como sempre. – Após falar isso, eu e meu pai começamos a rir. – Então, pai... – Comecei eu, prestes a pedir um pouco de dinheiro para comprar algumas coisas para uma festa que estava indo.

— Quanto você quer? – Me surpreendi com sua frase.

— Nossa, como você sabe? – Perguntei com os olhos arregalados.

— É raro um adolescente de 16 anos não pedir dinheiro aos pais hoje em dia – Respondeu ele dando uma risada.

— Ah, eu só quero um pouco de dinheiro para comprar umas coisinhas de Halloween.... Estou indo à uma festa na casa do Nick – Falei gaguejando.

— Certo.... Te darei vinte.

— Só? – Disse eu com uma cara de decepção.

— Vinte não é o suficiente? Ou você quer mais pra’ comprar bebidas alcoólicas... ou quem sabe... drogas?

— O que? Não! É só... coisas de Halloween.... Nada de drogas. Quer saber? Vinte tá’ ótimo!

— Certo, tome aqui – Falou ele e ao mesmo tempo me dando vinte dólares.

— Valeu, pai. – Então, fui para a geladeira, peguei uns refrigerantes, abri o armário da cozinha, peguei dois salgadinhos e coloquei tudo na minha mochila, estava praticamente pronto para ir à festa. Só restavam alguns minutos para eu sair de casa e ir para a festa.

Minutos depois

Estava quase atrasado, então peguei minha mochila, me despedi do meu pai e sai de casa. Estava com muita sede, então peguei um refrigerante da minha mochila e comecei a toma-lo no caminho. Peguei meu celular para avisar que estava indo e me esbarro em um garoto um pouco mais velho que eu, quando olho para ele percebo que era o meu vizinho e vejo-o de cara feia, daí eu percebo que derramei um pouco de refrigerante em sua camisa.

— Merda! Olha o que você fez, seu idiota! – Gritou ele.

— Me desculpe, estava distraído. – Tentei explicar.

— “Me desculpe” o caralho! Olha! Minha camisa tá’ toda suja por sua causa, mongoloide!

— Do que você me chamou? – Gritei com ele.

— Por acaso estou falando grego?

— Quer saber? Foda-se, ninguém liga pra’ sua camisa estúpida! Saia da minha frente! – Sem nem pensar acabei falando o que não deveria.

— Isso mesmo, vai embora, mongol. Você é um bosta, deve ser por isso que sua mãe te largou! – Não acreditei na hora em que ele disse isso, então eu não consegui a aguentar e acabei dando um soco em seu rosto, deixando uma marca na hora. Ele quase caiu no chão e começou a me encarar com cara de raiva.

— Você tá’ morto, pirralho! – Disse ele e correu em minha direção, me derrubando. Logo me levantei e comecei a socar a barriga dele. Tudo acabou quando eu dei um soco novamente em seu rosto o fazendo cair em uma pequena pedra. Percebi que fiz merda, corri até ele, não parecia nada bem, ele quase não conseguia falar nem respirar. Uma viatura viu nós dois brigando, um policial saiu dela e foi ver o que estava acontecendo logo quando meu vizinho estava se contorcendo lá no chão.

— Tudo bem! Se afaste dele! – Gritou o policial.

— Espera! Ele que começou! – Tentei explicar.

— Quieto! E se afaste! – O policial logo viu ele lá no chão, com o rosto todo inchado tentando falar alguma coisa.

— No chão! Agora! – Gritou o policial apontando uma arma em mim. Fiquei desesperado e tentava explicar o que realmente havia acontecido, mas ele não me ouvia. Meu pai viu eu deitado no chão e correu para ver o que estava acontecendo.

— Ah não! Matt, o que tá’ acontecendo? – Perguntou meu pai e correu até mim.

— Pai! Eu não fiz nada!

— Senhor! No chão! Agora! – Gritou novamente o policial.

— O que tá’ acontecendo? – Perguntou meu pai desesperadamente.

— Pai! Eu não fiz nada!

— Matt, fique quieto. Oficial, escute, meu filho é um bom garoto, ele não fez nada de errado. – Disse meu pai e ao mesmo tempo se aproximando do policial que estava apontando a arma para ele.

— Parado!

— Pai por favor!

— Oficial, me escute!

— No chão! – Logo ouvi um barulho muito alto, e fiquei surdo por alguns segundos, eu pisquei e vi meu pai caindo do meu lado. O policial acabou de atirar no meu pai, eu fiquei chocado, meu coração acelerou imediatamente, senti uma pressão dentro de mim, pedindo para ser liberada, não aguentei e liberei. Logo senti uma explosão vindo direto de mim e desmaio na hora.

Quando finalmente abro os olhos, eu vejo tudo embaçado, minha cabeça doía muito, meu nariz e meus ouvidos estavam sangrando, eu aos poucos me levantei e cocei meus olhos. Olhei ao meu redor e estava tudo destruído, a viatura junto com o policial estavam do outro lado da rua, meu bairro estava quase totalmente destruído. Estava muito assustado, e olhei para o meu lado e vi meu pai com sua camisa toda ensanguentada. Comecei a chorar, tentando acordar meu pai, mas ele estava morto, mataram o meu pai na minha frente. Ouvi sirenes da polícia e sem pensar duas vezes, entrei na casa, peguei minha mochila, e simplesmente fugi, corri o mais longe possível, olhei para trás e vi as viaturas chegando ao local destruído, mas não liguei e continuei correndo, sem parar.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.