Sem Respostas
1 Capítulo Único - Sem respostas
Notas iniciais
Byakuya deixou o carro no estacionamento subterrâneo do prédio, e seguiu para o elevador. Ele carregava uma pasta de couro preta, e ajeitava os óculos escuros sobre o nariz. Não havia dormido bem aquela noite, não com a briga que tivera com Grimmjow. Briga essa que não teve sequer uma participação adequada, Grimmjow mais falou do que o moreno. Reclamou, gritou e o ameaçou com aqueles olhos azuis e dentes afiados como um animal prestes a atacá-lo.
O motivo da discussão era o mesmo, um mero equivoco, ciúmes talvez. Não, não era um simples talvez. Ciúmes e possessividade resumia tudo.
E o que Byakuya poderia fazer? Despedir seu assistente somente pelo simples fato de que Grimmjow, acusava-o sem provas, de que era apaixonado por ele? Era uma bobagem.
Assim que saiu do elevador, Byakuya tirou os óculos escuros e desejou bom dia ao assistente sentado em sua mesa.
Abarai Renji imediatamente se levantou da cadeira, partindo para cima do chefe, com toda educação possível é claro. Pegou a pasta, o casaco e até mesmo os óculos, e levou tudo para a sala do chefe.
Byakuya agradeceu, e sentou-se em sua cadeira, girando para observar a janela de vidro. A paisagem vista era a de outros prédios e o céu azul. Ele suspirou e Renji estava lá ainda parado aguardando instruções para o dia. Eles repassaram a agenda do dia e após alguns detalhes e cancelamentos, Renji partiu.
O celular de Byakuya tocou, ele demorou um pouco para atender, mas acabou não resistindo. Grimmjow não parecia inclinado a pedir desculpas. Nunca parecia.
– Aconteceu alguma coisa? – ele perguntou, preocupado.
– Não, porque? Eu preciso de um motivo para te ligar? – Grimmjow rosnou sem necessidade.
– Na verdade sim. – Byakuya fechou os olhos e reclinou-se na cadeira. – Não estou num dia muito bom para brigas. Podemos conversar mais tarde.
– Vamos almoçar juntos. Saio do escritório ao meio dia.
– Hoje não posso, preciso almoçar com alguns clientes. Podemos nos ver em casa a noite.
– É, eu esqueci que você é sempre muito ocupado.
Byakuya não tinha como discordar. – A noite nos falamos, Grimmjow.
Ele desligou.
O dia passou bem rápido, visto que havia muito trabalho para ser feito. Sem a ajuda de Renji, o moreno não sabia se realmente poderia conseguir fazer tudo aquilo sozinho. E a ideia de contratar outro assistente era nula. Ele jamais abriria mão de alguém tão profissional, somente porque seu namorado tinha um problema em aceitar que sim, existem pessoas que gostam de trabalhar, e o fazem não somente por segundas ou terceiras intenções.
Mas naquela noite, Kuchiki Byakuya teve que dar o braço a torcer, mas não iria de jeito algum contar a Grimmjow. Ou seria mais motivos para discussões.
– Senhor, gostaria de saber se existe mais alguma coisa que eu possa fazer.
– Não, não Renji. Agradeço pelo dia. Já pode ir.
Renji virou-se, mas depois retornou a mesa de Byakuya, seus cabelos vermelho sempre eram bem pressos para trás. A primeira vez que viu o ruivo de cabelos soltos, Byakuya quase não pode deixar de olhar por mais tempo que o necessário. Era bonito, tinha que concordar com todos os demais que comentavam o fato obvio, mas mantinha isso para si mesmo. Depois que acostumou-se com o ar exótico do mais jovem, ele então ficou encantado por seu trabalho. Era sem dúvida o mais esforçado de toda a empresa, e merecia, em breve, um aumento de salário e cargo. Mas deveria aguardar mais alguns meses para ser feito.
Byakuya olhou o ruivo parado a sua frente e perguntou se ele precisava de algo.
– Bem, sim. Digo – Renji pigarreou. – Eu gostaria de saber se há possibilidades do senhor aceitar um convite meu.
– Convite? – O moreno arqueou a sobrancelha, sem entender onde iria chegar aquela conversa.
– Sim. É meu aniversário.
– Ah. Sim, sim. Onde será?
– No meu apartamento. Alguns amigos vão aparecer, e eu... – ele engoliu seco, como se estivesse criando forças para continuar a falar. – Gostaria que o senhor fosse. Seria importante para mim.
– E quando é?
– Hoje. – ele respondeu ruborizado.
– Hoje? Esta em cima da hora, não? – Byakuya olhou a hora no celular, já passava das oito da noite. – Se tivesse me dito antes, eu poderia me programar.
– Eu sei, senhor. Me desculpe, eu fiquei sem jeito de chamá-lo antes. Afinal, nunca tivemos esse tipo de conversa. Achei que talvez fosse se sentir ofendido pelo meu atrevimento.
– Não é isso, é que... – Byakuya ia falar que tinha um jantar em seu apartamento com o namorado, mas ninguém sabia daquele fato. – Você esta de carro?
– Não, eu venho de metrô para o trabalho e depois vou para a faculdade de ônibus.
– Sei. – ele olhou novamente o horário, era estranho isso, porque Renji sempre saia tarde, então ele sempre se atrasava na faculdade? – Posso levá-lo até sua casa, hoje. Assim irei me redimir por não poder ficar na festa.
Mesmo relutante, Renji acabou cedendo. Ele sentou no banco do passageiro, e Byakuya ordenou que ele colocasse o cinto de segurança, mais por costume, do que pelo fato de Renji precisar ser lembrado.
O trajeto foi feito ao som de uma música baixa no aparelho, e Byakuya comentando com Renji sobre como foi seu almoço aquela tarde. Ele estava preocupado que algo desse errado na venda da empresa que negociava. Mas como sempre, Renji o animava, dizendo que ele era o melhor no que fazia.
Byakuya sempre agradecia a gentileza, mas dessa vez não o fez. Olhou para o ruivo sentado ao seu lado, com um sorriso nos lábios, olhando por sua vez, para o lado de fora do carro, cantarolando o refrão da música.
– Você gosta? – Byakuya apontou com o nariz na direção do aparelho de som do carro.
– Sim. Muito. – Renji soou como uma criança quando fala de seu desenho favoritos, eles começaram a falar sobre a banda e as músicas preferidas. Por coincidência, eram as mesmas.
Byakuya sentiu-se mais a vontade, quando percebeu também estava sorrindo, discretamente, quando Renji recordou-se de um clipe da banda que era mesmo engraçado, de um certo ponto. Grimmjow achava babaca, como ele mesmo descreveu.
Assim que estacionou o carro, de frente ao prédio que Renji morava (Chegando ali com a ajuda do ruivo que indicava por onde ir), Byakuya tamborilou os dedos sobre o volante do carro. Ele deu uma olhadinha para o lado de fora, estava tudo vazio. A rua era um breu.
– Não se preocupe, aqui é tranquilo. Nunca aconteceu nada com ninguém. – Renji adiantou-se, para que Byakuya se sentisse seguro. – Se quiser, pode subir um pouco, beber alguma coisa. Eu acabei de comprar o último CD da banda, acho que … Ah! O senhor já deve ter, não é?
Na verdade, ele tinha sim. Mas Byakuya não soube porque sua resposta foi saiu. Renji sorriu animado, novamente aquele sorriso, e convidou ele para subiu.
Byakuya ajeitou o casaco sobre os ombros, não estava frio, mas também não fazia calor.
– Ninguém vai mexer no carro, senhor. Eu prometo.
O moreno assentiu com a cabeça e subiu com Renji os três andares pelas escadas. O elevador estava quebrado.
Para a surpresa de Byakuya, ele ficou bem relaxado no apartamento de Renji. Haviam poucos amigos ali. Um rapaz chamado Ichigo, outro chamado Ishida, também haviam duas jovens: Orihime e Rukia.
Todos eram amigos de infância, como dito pela jovem de cabelos negros. Eles pareciam como uma família, e Byakuya não podia deixar de acreditar que Renji era mesmo tudo aquilo que eles afirmavam que fosse. O rapaz ficava tão vermelho quanto seu cabelo a cada elogio e também a cada discussão boba que tinha com o tal Ichigo.
No final da festa, ou melhor, quando Byakuya notou as vinte chamadas não atendidas no celular, Renji o acompanhou até seu carro, que estava do mesmo jeito que havia estacionado.
– Eu disse que nada iria acontecer. – ele comentou, enfiando as mãos nos bolsos, sorrindo e abaixando a cabeça para o chão.
– Esqueci de lhe dar os parabéns. – Byakuya estendeu sua mão e apertou a de Renji. Era quente, e o aperto, apesar de firme, era gentil.
– Posso lhe dar um presente depois, eu fui pego de surpresa.
– Não. – o ruivo balançou a cabeça. – Meu presente foi sua presença aqui hoje.
Eles ficaram em silêncio por um instante, então Renji deu alguns passos para frente, e sem exitar, beijou o chefe, que não desviou do beijo.
Byakuya não mostrou nenhum tipo de resistência, ele passou as mãos pelo pescoço do maior, e aceitou que o beijo aumentasse sua intensidade. Sentiu todo seu corpo corresponder ao toque do abraço de Renji, e quando afastaram seus rostos, buscando ar, Byakuya sentiu o celular vibrar dentro de seu bolso, e aquilo o trazia para o mundo real, um mundo onde a noite seria difícil, e com certeza não iria dormir em paz.
– Senhor... – Renji tentou falar, mas Byakuya já estava longe do alcance de suas mãos. O moreno entrou no carro, e acenou para Renji, dando boa noite.
Ele dirigiu por horas pela cidade, sem coragem de ir para casa. Desligou o celular. Não estava pronto para encarar Grimmjow, pior, não iria conseguir mentir, não quando ele mesmo pedia que o outro fosse 100% verdadeiro. Não era como se precisasse dizer, já que Grimmjow abria a boca e acabava falando mais do que devia.
Mas definitivamente ele não poderia voltar para casa, não enquanto ainda tivesse o gosto de Renji em sua boca... ele não poderia retornar, porque haveriam perguntas e ele não possuía as respostas. Senão, a boa noite que tivera.
Notas finais
Beijos
Fale com o autor