Sem Razão
1 Amargo
Ela amava todos — era isso que os sorrisos da ferry girl diziam.
Ela amava todos, e aquilo o fazia sentir amargo.
Hiei era amargo; ela o fazia sentir-se mais ainda.
Hiei não gostava do que era amargo. Mas gostava de se sentir assim. Gostava de se sentir amargo, mas as coisas doces eram mais confortáveis de serem contempladas.
Botan.
Doce como apenas ela conseguia ser.
Ela sempre amaria todos, não importava se um egoísta a amasse. Se ele a quisesse só para si.
E aquele egoísta amava tão pouca coisa, que ela parecia ser tudo.
Ela era tudo? Nunca. A amargura dele não consentiria alguém tão doce para ser seu universo particular.
Hiei.
Egoísta, amargo, como o mundo o desenhara.
O seu tudo era Yukina, ele não ousava duvidar. No seu tudo, reinava apenas a sua irmã.
Ele jamais admitira, nem para si nem para demônio nenhum, que lá também havia uma guia espiritual de cabelos azuis... reinando no seu tudo.
Porque ele era amargo.
- Hiei!
A voz leve de Botan o chamou. Como chamava qualquer outro. Sorrindo um sorriso qualquer. Um daqueles sorrisos que ela dava até para os inimigos.
A amargura contorceu-se dentro do koorime; ele se virou sem olhá-la.
Amargo. Muito mais do que amargo, era como se sentia. O egoísmo lhe fazia amargo.
Por que ela gostava tanto de todos?
Estava sentindo aquilo que as pessoas chamavam de ciúme?
Para ele, não passava de amargura.
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