Notas iniciais
Olá amores! Desculpem a demora para postar, culpem o Nyah! Que foi trapaceiro comigo. Eu achei que já tinha postado o capítulo, mas não foi. Enfim... Aqui está! Espero que gostem. Boa leitura.

Depois que o meu precioso tempo dentro de uma banheira morna e relaxante acabaram — graças as aterrorizantes ameaças vindas a mim por minha mãe. — Relutantemente saí, me cobrindo com o meu roupão.

Coloquei o desprezível uniforme que precisava usar na desprezível escola onde eu tenho que frequentar quase todos os dias. Amarrei o casaco na cintura e calcei um tênis que não combinava nem um pouco com o conjunto de blusa e saia azul.

Dei de ombros e soltei meu cabelo que até agora estava emaranhado em um coque muito mal feito. Passei meu delineador, rímel e um gloss que achei no meio da bagunça da minha cômoda. Para acabar, passei uma camada de lápis, destacando as duas bolas azuis em minha cara, meus olhos.

Fiquei em frente ao espelho e com todo o orgulho escorrendo pela minha boca, eu disse:

— Pronta para pegar o boy, arrasar e matar todas as inimigas de inveja só jogando o cabelo para o lado. Traduzindo, você está mais que uma merda Fernanda.

Peguei minha bolsa e saí do quarto, descendo as escadas.

— Bom dia Fê! — Minha mãe sorriu, jogando uma maçã em minha direção.

— Oi mãe. — Peguei a maçã e dei uma mordida, saindo de casa.

Como de costume fui até a casa do Danilo — que fica a muitos quilômetros de distância da minha (talvez um metro e meio) e toquei a campainha, tirando o dedo apenas quando vi a mãe dele abrir a porta com um sorriso estampado no meio da cara.

— Bom dia tia! O Danilo já está pronto? — Perguntei tentando sorrir tanto quanto ela para mostrar a quão amável e carismática eu sou.

— Ele já saiu, achei que tivesse ido com você. — E aí o sorriso dela se desfez, sendo substituído por um rosto cheio de preocupação

— Não, ele não estava comigo... obrigada.

Mostrei um sorriso torto e saí, andando até o inferno.

Então é assim? Ele me beija e depois fica fugindo de mim? Adorei Danilo! Melhor impossível!

Na verdade, eu retiro tudo o que eu disse. Assim que piso na sala de aula, dou de cara com o Danilo agarrando a Jessica em cima de uma mesa, com as mãos passeando por dentro da blusa dela... do jeito que ele faz comigo! Com certeza isso foi ainda melhor.

Exalando todo o meu ódio mortal, fui em direção a minha cadeira cativa e sentei. Disfarçadamente, olhei para o Danilo e vi que ele já não estava mais grudado a loira, estava devidamente comportado em seu lugar.

Depois que o professor entrou, pediu para que fizéssemos duplas com o colega ao lado e eu sentei ao lado de uma menina de cabelo rosa. Pelo que meus anos de experiência em lembrar nomes de pessoas que eu via uma vez por ano me proporcionou, seu nome era Melissa.

— Oi? — Tentei ser algo familiarizado a “simpática”. — Sou a Fernanda.

— Cacau. Sei quem é você. — Revirou os olhos colocando na página indicada pelo professor.

— Cacau? Seu nome? Achei que fosse Melissa.

— Para você. — Apontou um dedo em minha direção. — E para todos os outros, é Cacau.

— Tudo bem Cacau.

— Ei, você é a garota que perdeu o namorado para a melhor amiga? — Riu, olhando para trás. — Aquele ali é o cara que te traiu com ela, não é?

Virei e dei de cara com o Alex ao lado da Mariana. Voltei a posição normal e puxei o braço da Cacau, fazendo ela voltar para frente.

— Nós terminamos bem antes deles começarem a ficar, só para deixar claro, ele não me traiu.

— Entendi. — Riu e anotou meu nome no seu caderno, junto com outros dois nomes. Uma lista.

Depois de muito tempo conversando com a Cacau, mudei completamente meu ponto de vista sobre ela. Achava que era uma gótica mal-humorada que tratava todos mal e não se importava com a vida.

Na verdade, ela é engraçada, atenciosa, um pouco (muito) agressiva as vezes, mas ao todo é uma das melhores pessoas que já conheci até agora. É como uma máscara, que ela põe quando está perto de quem não conhece.

Contou-me que ela tinha uma lista onde colocava o nome de pessoas “confiáveis” e nessa lista tinha apenas três nomes, o meu, o da Madu — que se mudou a três meses atrás e foi para outro Estado — E o do Christian, que já está na faculdade, e que aliás, é gay.

— Esse macarrão é uma merda. — Fez uma careta, depois de cuspir o macarrão de volta no prato.

— Não é tão ruim. — Dei mais uma garfada no meu macarrão levando-o até a boca.

— Tudo isso por causa da vadia da cozinheira que inventou de parir. — Revirou os olhos, empurrando o prato para o meio da mesa.

— Sempre senta aqui sozinha? — Perguntei.

— Não, as vezes eu saio para dividir a comida com o mendigo da esquina.

Parei meus olhos na mesa a minha frente, onde estava o Danilo, Mari, Alex e Jessica. Acho que fiquei semelhante a uma folha de papel agora, porque a Cacau não parava de abanar as mãos na minha frente, me chamando.

— Eu vou indo para a sala, você vem? — Perguntei sem tirar os olhos deles.

— Vamos. — Disse, assim que olhou na mesma direção que eu e levantou.

Saí da cantina e comecei a andar pelos corredores ao lado da Cacau, enquanto pensava no quão burra eu vinha sendo a muito tempo.

— Não, acho que não.

Foi o que respondi quando ela perguntou se eu ainda era melhor amiga do Danilo. Para falar a verdade eu não sabia, digo, que tipo de melhores amigos se beijam em um dia e no outro não se falam de jeito nenhum?

Nosso tipo.

— Não. A resposta é não Fernanda. Ele agora está andando com sua inimiga, ele é um traidor! Devia ficar ao seu lado e não ao lado dela.

Pensando bem, nunca tinha olhado para a Mari como uma inimiga, apenas deixei nossa amizade de lado por causa do que ela fez. Em parte, a Cacau está certa, ele ficou ao lado dela, tanto que ele disse “Lembre-se de que ela estava bêbada”.

Em momento algum ele jogou um mísero pedaço de culpa na Mari, mas também não deu indícios de que estava a favor. Além disso, ele nem olhou na minha cara depois de ontem e isso está me corroendo por dentro.

— Tem razão. — Suspirei sentando ao seu lado. — Mas ainda preciso falar com ele.

— Você quem sabe, mas garanto que vai se arrepender depois.

— Talvez.

Assim que pisei na calçada de minha casa, tive uma brilhante — péssima — ideia. Ir na casa do Danilo. Dei alguns passos até a casa vizinha e toquei a campainha, esperando alguém abrir a porta.

Mais uma vez, quem a abriu foi a mãe do Danilo. Sorri e perguntei se o seu primogênito já estava em casa e ela disse “não”, num ar de decepção, mas me pediu para entrar e esperar no quarto se quisesse.

Subi as escadas e andei pelo corredor, parando na terceira porta a esquerda. Entrei no quarto, relembrando das outras vezes em que estive aqui.

Continuava com o mesmo tom de azul escuro na parede onde fica a cama e cinza no restante da parede. Como de costume, a cama estava uma tremenda bagunça com roupas e papeis embolados nos cobertores.

Olhei em volta e lembrei que ele tinha tirado os pôsteres dos Vingadores, alegando que não tinha mais idade para isso. Abri uma das gavetas da cômoda. Revistas pornô. Fechei e fiz uma careta, voltando a olhar para a porta.

E lá estava ele, com os braços cruzados, apoiado na soleira da porta, a cabeça levemente inclinada para o lado esquerdo, com os olhos vidrados em mim, parecia calmo, me analisando.

— Danilo, podemos conversar?

Colocou as mãos nos bolsos da calça jeans, fazendo sua jaqueta preta abrir um pouco, mostrando apenas a camisa branca que usava. Caminhou em minha direção, me fazendo recuar alguns passos e segurou meus pulsos.

— Apenas esqueça, ok? Não significou nada. — Disse, enquanto me olhava nos olhos.

— Então é assim? Você me beija e acha que no outro dia tudo vai estar bem? — Deixei a raiva falar por mim me soltando de suas mãos.

— Não disse que estava.

— Você é um estúpido! Ontem você me beij... — Me interrompeu, falando:

— Ontem, nos beijamos, mas foi apenas porque eu tinha terminado com a Jessica, eu estava... desamparado, precisava ocupar a cabeça com outra coisa.

— E eu por acaso sou um objeto que você usa quando precisa?!

— Significou algo para você?

— Não. — Falei com a voz baixa.

— Ótimo, muito menos para mim. Sai do meu quarto Fernanda. — Apontou para porta.

Fernanda? Ele disse mesmo Fernanda?

— O que deu em você Danilo? Por que está agindo assim? Ela te traiu esqueceu? Com o Alex!

— Eu sei muito bem o que ela fez e estou te mandando sair do meu quarto. Agora!

— Aproveite o par de chifres, babaca.

Saí do quarto dele, descendo as escadas rápido, enquanto conseguia segurar as lágrimas, mas não deu. Assim que coloquei um pé fora da casa dele, as lágrimas já vieram em monte, incontroláveis.

Entrei em casa, indo para o meu quarto e me joguei na cama, agarrando um travesseiro.

Notas finais
O que acharam? Deixem seus reviews!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.