Notas iniciais
Olá! Obrigada pelos comentários, fico feliz por estarem gostando e espero que continuem acompanhando! Boa leitura.

Olhava para as inúteis estrelinhas que o Danilo e o Gustavo colaram no teto do meu quarto quando eu tinha mais ou menos dez anos, já que teimava para ficar na janela vendo as estrelas por que meus pais não deixavam.

Mas aí além de não poder mais ver as estrelas pela janela, também passei a não ver meu irmão, já que o Gustavo foi morar com meu pai quando ele se separou da mamãe.

As estrelas que eu via no céu, foram substituídas pelas estrelas que estão no teto, meu irmão foi praticamente substituído pelo Danilo, mas meu pai... bom, parece que fiquei sem uma figura paterna.

— A dor de cabeça já passou? — Danilo pergunta depois de longos minutos passando a mão por baixo da minha camisola.

— Já... — Respondi sentindo uma onda de calor pelo meu corpo quando ele começou a descer mais a mão. — Danilo?

— Fala anjo... — Seus lábios que antes estavam em meus ombros, agora fazem uma trilha de beijos pelo meu pescoço.

Fechei meus olhos inclinando a cabeça para o lado recebendo vários beijos em meu pescoço.

— Acho que amigos normais não fazem isso. — Ri e enrosquei os dedos em seu cabelo.

— Não somos normais. — Riu. — Além disso, nunca nos beijamos, então não fizemos nada demais.

— Tem razão. — O empurrei, deitando ao seu lado. — Vai dormir comigo hoje?

— Não entendo porque ainda chora por ele. Ele quebrou uma promessa, não foi? Sabe que não foi só a Mari.

— Eu gosto dele... sabe disso. — Fiquei fazendo cafuné, enquanto olhava fixamente para seus olhos dourados.

— Sei sim, também sei que devia parar de gostar dele imediatamente, anjo... — Enlaçou seus braços em minha cintura, apertando. — Só lembra que a Mari estava bêbada ok?

— Eu sei, eu sei.

— O Alex é um babaca, tá legal?

Apenas afirmei, antes de ouvir o seu celular tocar. Jessica. Revirei os olhos e levantei esperando ele terminar de falar com ela.

Como ele conseguia namorar alguém como ela? Era tudo o que eu mais queria saber, afinal, só o que ela tinha era 60% de silicone no corpo, 30% de pó no rosto e os outros 10% eram da química que ela colocava no cabelo.

Posso até não ter aquele corpo magnífico, mas com certeza é melhor que o dela. Depois de várias décadas esperando a conversa acabar, ele finalmente desligou o telefone.

— Meloso demais. — Revirei os olhos novamente.

— Me deixa mais impressionado a cada vez que mostra sua afeição por ela. — Deu um beijo na minha bochecha e colocou a camisa. — Tenho que ir, nos vemos amanhã na escola?

— Se eu sobreviver, sim. — Limpei minha bochecha com as costas da mão. — Vai transar com ela agora?

— Anjo! — Respirou fundo antes de continuar. — Escuta... eu vou na casa dela sim, ok? Ela disse que precisa de mim, sou o namorado, tenho que estar com ela para dar apoio e... — Interrompi.

— E abrir as pernas dela, eu sei, eu sei. Vai lá. — Dei de ombros e me joguei na cama, me cobrindo com o cobertor.

Ele suspirou longamente passando as mãos pelo rosto, veio até mim e depositou outro beijo na minha testa.

— Fica bem, tá? Não chore, por favor. — Deu mais um e saiu.

No dia seguinte, assim que peguei o celular, pouco antes de sair de casa, vi que tinha recebido 24 mensagens da Mari pedindo desculpas pela noite passada. Não me dei o trabalho de responder e segui meu caminho para o inferno.

Assim que pisei — Com muito esforço. — no colégio, fui direto até meu armário e deixei as centenas de livros que eu tinha em mãos lá dentro e pegando apenas o necessário. Assim que fechei, deparei-me com a pessoa que eu menos desejava ver.

— Alex. — Revirei os olhos.

— Fernanda. — Sorriu, se inclinando para beijar minha bochecha, mas o afastei. — Tudo bem então. — Levantou os braços em sinal de rendição e sorriu de lado. — Está brava?

— Nem vou me dar o trabalho de responder essa. — Cruzei os baços. Ele riu.

— Não achei que fosse te encontrar ontem, era o lugar onde eu tinha certeza que não estaria.

— Então seu plano era fazer tudo as minhas costas? Tudo em segredo? — Comecei a elevar a voz.

— Terminamos, não foi? Eu não te traí! Acabou.

— Então por que está aqui me dando satisfações? Por que ficou tão surpreso quando me viu ontem?

— Porque... — Suspirou. — Não me faça admitir, você sabe...

— Também sei que não é homem o bastante para fazer isso.

Dei as costas e segui para a sala de aula, entrei e sentei no canto olhando fixamente para a janela ao meu lado até que sinto uma pontada na cabeça, bolinha de papel. Abri e li o que tinha lá.

Eu sinceramente não sei porque ainda está com raiva! Vocês terminaram, ele foi embora, voltou e está comigo! Qual o problema? Acabou Fernanda, para de ser possessiva e dramática. Aquilo foi para chamar a atenção dele? Ele não se importa mais, deixou claro que o que vocês tinham chegou ao fim a muito tempo.

M.

Respondi:

Já desculpei Mariana, não se preocupe com isso.

F.

Não me dei o trabalho de responder mais nada, ela sempre foi assim. Mari sempre foi uma ótima amiga, sempre esteve ao meu lado, mas quando ela extrapola, ela nunca admite o erro, é tão orgulhosa quanto a mãe, mas não a culpo por isso.

Só que dessa vez, ela exagerou. E se ela pensa que sempre será assim, está muito enganada. Na vida você ganha e perde muitas coisas, e minha amizade, ela acabou de perder.

Assim que o sinal para o intervalo tocou, peguei minha mochila e saí, indo para o refeitório. Comprei um refrigerante e fui direto para o jardim, me jogando no chão, embaixo de uma árvore.

Alguns minutos depois senti a presença de alguém e me virei para ver quem era, torcendo para que fosse o Danilo. Não, me enganei.

— Oi Nanda. — Ele disse se escorando na árvore.

— Me deixa em paz._ Falei sendo um pouco, talvez um pouco rude.

— Eu sei que eu errei, mas...

— Mas nada Alex! Me esquece, ok? Acabou!

Terminei de tomar minha coca e fechei os olhos.

— Não estou pedindo para voltar. — Riu senti que ele deitou ao meu lado. — Só quero uma trégua, não precisa ficar com raiva de mim, ainda podemos ser amigos.

— Amiga de ex.? Acho uma péssima ideia.

— Eu acho uma ótima ideia. Pensa nisso.

E assim ele saiu, um tempo depois o sinal tocou e eu saí também, voltando para a sala. Joguei minha mochila na mesa e sentei. Um pouco mais na frente agora.

Olhando para a direita, conseguia ver o Danilo beijando a Jessica e se olhasse para frente veria o Alex beijando a Mari. Seria um pouco... Talvez muito estranho ficar olhando para trás então minha única saída era o lindo e maravilhoso teto.

Não sei quantas horas passei dentro da sala, mas com esse tempo eu pude pensar em como a minha vida tinha se tornado um inferno por causa de duas pessoas. Alex e Jessica.

Danilo nem sequer olhou na minha cara hoje, o que me deixava um tanto revoltada. Não que eu exija total atenção do meu melhor amigo, mas confesso que toda aquela falta de atenção me causava ciúmes.

Assim que entrei em casa, fui direto para o meu quarto. Tomei um banho demorado e coloquei a camisola. Assim que saí do banheiro tive uma surpresa um tanto... agradável e inesperada.

— Verdade ou consequência? — Ele perguntou.

Ah não.

— Verdade. — Tentei escapar, por mais que no fundo eu não quisesse.

— É verdade que quer me beijar de novo? — Me prensou na parede segurando meus pulsos.

— Consequência. — Respondi rápido.

— Me beije.

Deus me perdoe, mas certas coisas não conseguimos evitar.

Notas finais
O que acharam? Deixem reviews com suas opiniões! Beijos, até o próximo capítulo.