Notas iniciais
Gosto muito desse capítulo, por que de alguma forma eles vão aparecendo aos poucos na vida da Adele.
E nossa, eu tinha deixado isso desatualizado mesmo! Vou tentar recuperar o tempo perdido. Sorry guys!

Eu estava sentada na minha cama, passando todos números do celular de Greta para o meu a mais de uma hora. Meu braço doía e eu já estava ficando aborrecida.

Era só meu segundo dia, mas eu já tinha passado a tarde toda verificando os frigobares do quarto dos meninos, tentando convencer o gerente do hotel que quando dissemos que queríamos balas de cereja tinham que ser de cereja, e que de menta não “estava bom” e não era “praticamente a mesma coisa”, até que eu mesma tive que percorrer uns quatro mercados buscando as malditas balas de cereja que estavam na lista de Greta (as balas da marca certa).

Depois tive que reservar um carro, que Rick não aprovou, por isso tive que troca-lo de última hora, prometendo para a atendente da concessionária que mandaria um CD autografado pela banda de presente para as duas filhas dela (anoto mentalmente na lista imaginária de coisas para fazer — “Conseguir um CD, pedir para os garotos autografá-lo, enviar para a mulher” — E mais uma anotação “Será que posso sair prometendo coisas em nome da banda?” Acho que não.)

E isso tudo antes de mais dois telefonemas de Greta com outras listas de coisas para fazer. Nada glamuroso, nada divertido, só correr de um lado para o outro fazendo coisas aleatórias como buscar camisas numa loja e levar para Caroline, a estilista (que me pareceu muito simpática e realmente tem uma bebê muito fofa) ou voltar ao shopping e comprar um novo iPhone para Zayn (o-bonitão) que tinha acabado de perder o dele, até finalmente o dia estar acabando e Greta voltar da sessão de fotos e entrevistas com os garotos (de novo eu sequer vi eles chegarem, já que estava com o gerente do hotel confirmando que todos quartos estavam prontos e que o segurança já estava a postos no andar — e isso era meio esquisito. Precisávamos de um segurança o tempo todo no andar, para o caso de alguma fã acabar passando pela portaria do hotel e sorrateiramente subir até os quartos) e agora ela estava deitada na sua cama, já de pijama, passando creme nas mãos e com os olhos vidrados na TV enquanto eu lutava com meu novo celular.

–Ai, ainda bem, eu estava morrendo de vontade de fazer xixi – Greta se levantou da cama de repente, enquanto a tela da TV exibia uma propaganda qualquer, e corre pro banheiro.

Nesse instante o celular de Greta começou a vibrar na minha mão, com o nome de Rick piscando no display.

–GRETA! Seu celular está tocannndo! É o Rick.

–Anele, eu estou no banheiro, não está vendo? –Ela diz entre a parede, a voz abafada. O celular continuava a tremer na minha mão.

–O que eu faço??? – Minha voz não devia soar tão desesperada.

–ATENDA!

–Ótimo. Atender. Parecia um bom plano.

–Alô?

–Greta, checagem noturna. Louis e Harry já voltaram do jogo, quero que veja se eles estão bem e prontos pra ir dormir – Eu abri a boca para dizer que eu não era a Greta, mas Rick não deu tempo – Vá até o quarto deles e me mande um SMS depois confirmando que está tudo ok. Veja se Harry não trouxe ninguém com ele, se tiver trazido mande ela embora.

–Ahn, eu...

E ele já tinha desligado.

–O que ele queria?– Tomei um susto em ver Greta, já ali do meu lado.

–Ele pediu pra você fazer a checagem noturna. Louis e Harry – Eu digo depressa, antes dos nomes fugirem da minha cabeça – Mas pediu para você ir nos quartos e não ligar. E depois pra mandar uma mensagem confirmando. E ver se Harry não trouxe alguém com ele.

–Droga. – Greta suspira, parecendo cansada, e então olha pra TV. O seriado já tinha começado – Eu vou ter que trocar minhas roupas. –O que ela realmente quis dizer foi “Eu vou perder esse episódio...”.

Olhei pra TV e depois pra ela ali parada usando pijama.

Talvez eu me arrependesse por aquilo, mas... Eu queria ser uma boa assistente não queria?

–Se você quiser eu vou.

Ela me olha e sorri, parecendo a Greta-maluca que eu conheço.

–Vai?

–Sim. –E então a imagem do garoto me olhando assustado passa pela minha cabeça. Droga. Se um deles já tinha se assustado ao entrar no nosso quarto e me encontrar ali, imagina com uma garota estranha batendo na porta do quarto deles aquela hora da noite?

Mas agora parecia ser tarde demais pra voltar atrás. Greta já tinha pulado na cama e parecia feliz demais.

– O Harry está no 102 e o Louis no 103. Obrigadaobrigada!

Ok. Respirar fundo. Eu ia fazer aquilo. Afinal, eu era uma ótima assistente, e Greta tinha que ver que eu era muito legal. Talvez quando Rick falasse para ela ligar para a tal Pine, ela o convencesse que não era necessário, que eu era uma ótima profissional e a tinha ajudado muito.

Me levantei e olhei minha cara no espelho do quarto. Parece de alguém que ficou o dia todo correndo pra cima e pra baixo atrás de balas de cereja. Tento arrumar meu cabelo, e não seria nada mal se eu passasse um pouco de gloss...

–Você está ótima, anda logo – Greta diz, com um toque de impaciência na voz, mas um sorrisinho no rosto.

Ela não entendia. Primeiras impressões eram muito importantes, e eu queria parecer uma assistente capacitada e muito confiável, e não queria, de jeito nenhum, parecer uma fã maluca que ia atacar um deles.

Saio do quarto e mantenho o rosto deles na minha cabeça para não me confundir e acabar chamando o Harry de Louis e o Louis de Harry.

Passo pelo segurança, sempre de prontidão. Tento dar um sorriso de boa noite, mas ele continua olhando para frente naquela pose de guarda da rainha. Provavelmente ele quer passar uma ideia de ser muito competente em seu trabalho, o que eu também deveria fazer, por isso paro de sorrir e sigo até o quarto 102 (Harry), que era o primeiro do corredor, com o que eu pensei ser um andar muito confiante.

“Sou uma assistente séria e estou fazendo meu trabalho” mentalizo, respirando fundo e batendo na porta de forma decidida. “Não é um gloss que vai mudar isso”.

Silêncio. Hum.

Levanto a mão para bater de novo, mas a porta se abre.

E do outro lado, aparece esse garoto, segurando uma toalha branca na cintura, com os cabelos meio molhados e descalço.

Ele me olha, primeiro um pouco como Liam-o-garoto-que-eu-assustei. Claro que ele estava assustado, mas diferente de Liam, ele logo mudou seu olhar para um olhar desafiador, do tipo “Vou chamar o segurança agora”.

–Oi, sou Anele, a nova assistente. Greta me mandou aqui. – Falo depressa, antes que ele realmente grite para o segurança, tentando manter meu olhar no seu rosto e não abaixo do pescoço.

–Quem é? –Uma voz fala de dentro do quarto. Uma voz de garoto.

–Ela diz que é a nova assistente. –Ele se apoia no batente da porta, ainda com aquele olhar desafiador que diz “Mas talvez ela seja uma mentirosa”.

Aquele não parece com Harry. Ele não tem cabelos encaracolados, não parece ter covinhas. Mas o rosto dele me é familiar. Droga, queria poder consultar minha foto.

–Só estou checando se vocês voltaram do jogo.

–Parece que voltamos. – Meu Deus, que garoto insolente. E meu Deus, todos eles tinham aquele abdômen?

Ele continua ali, parado, me olhando e me desafiando a tentar alguma coisa. Gritar, pedir uma foto, ou arrancar aquela toalha. Por um minuto penso sobre o que realmente aconteceria se eu arrancasse a toalha, tirasse uma foto com meu celular, saísse correndo e vendesse depois a foto no Ebay. Provavelmente ganharia mais que meu “salário base”, seja lá quando fosse.

“Perguntar para o Rick afinal de contas quanto é meu salário base” entra na minha lista de coisas a fazer.

–Quer mais alguma coisa? – Ele pergunta, de um jeito um tanto quanto malicioso e arrogante.

–Fecha logo essa porta e manda ela ligar da próxima vez –A voz de dentro do quarto grita de novo.

E então, quem quer que ele fosse, o garoto de toalha olha bem para mim, com os olhos formando uma fenda e bate a porta na minha cara.