Sem Mim...

2 Cap 2 - Prisão do tempo?


Notas iniciais
(Sinto pela extrema demora, fui pesquisar mais algumas coisas pra dar continuidade ai ocorreram varias intempéries e depois veio o fim de ano... Em fim. Agora vai!)

(Um clássico da arte bem famoso são feitiços onde o personagem fica preso repetindo o mesmo dia. Já vi até em forma de terrir (terror e comédia) com “A morte lhe dá parabéns”. Então assim como você o John está tentando adivinhar o que está rolando com base do que já conhece.)

John estava petrificado, congelado.

Quase sem reação…

Splaf!

O som do tapa que o rapaz deu na moça ecoou pela sala, surpreendendo a todos inclusive a ele mesmo. Sua vontade foi de pegar uma arma e atirar naquela criatura que ousava fingir ter tal forma, entretanto não sabia onde…

…estavam suas armas.

— A-abaixa isso! — a moça exclama ao se virar e perceber o irmão mais novo portando uma faca que ela não sabia de onde ele havia conseguido, logo percebendo ser um caco de vidro quebrado, algo que talhava um leve corte em sua mão ao ponto de um sangue escuro pingar no piso de madeira. — O-o que você tem? O que deu em você? — ela se afasta ainda muito assustada, mas o olhar do garoto estava em fúria.

Assim que pôs os olhos nela, John deu um soco na janela arrancando um caco para usar contra a criatura, sabia que dependendo do que se prostrava a sua frente precisaria de algum feitiço elevado então já ter o próprio sangue era útil.


Mas a garota estava visivelmente assustada, nunca viu seu irmão agir assim e não entendia o que estava acontecendo. E Raven podia sentir isso por ser uma empata.

— Calma! — a jovem se impõe ao se colocar entre os dois, entretanto o loiro mal a olha; com isso usa de seus poderes para o fazer sentir todo medo e confusão que sua irmã sentia. — Ela é real! — diz ao demonstrar entender o que ele estava sentido.

Toda a sua raiva e culpa.


Ela praticamente mergulha neste mar de sentimentos que John emanava com tanta incandescência, as memórias de um jovem ainda puro e inocente descobrindo o mundo da magia por conta própria, tentando estudar e aprender mais sobre tudo aquilo; e ao se encantar e desejar provar a sua família acabou por os matar.

Raven podia praticamente ouvir os gritos de agonia de seu pai e irmã morrendo queimados na sua frente, por ele ainda jovem demais para usar magia ter feito um feitiço descontrolado.

O fogo não era a representação do inferno à toa, a dor do fogo é muito maior que qualquer outra já encontrada…


— Não! — ele grita de forma quase animalesca, chegando a salivar de ódio. — Ela está morta! Ela morreu há anos! Não tem como ser ela!

— Sai daqui. Ele ta fora de si! — percebendo o risco a jovem puxa Raven das escadas correndo até a cozinha, mas o feiticeiro as persegue com uma fúria predatória.

— Acredita no seus olhos, é ela. — teima se impondo a sua frente, teimando em tentar o convencer.

Mas John já estava cansado disso.

Se usarem sua dor, seus erros contra ele.

Já não caia mais nessa artimanha barata. Não sabia seja lá quem desejava fazendo aquilo, mas não iria conseguir. Principalmente por…



Rachel estava bem onde deveria estar, e era a única capaz de impedir que o pior acontecesse. Ela podia sentir tudo que ele estava passando naquele momento, o medo e a dúvida, toda dor e culpa, assim como toda raiva e ódio. Contudo toda aquela confusão de emoções era demais para ela; uma vez que nem ele consguia lidar com seus sentimentos ao se afogar entre cigarros, alcool e sexo para distrair a mente.

Como ela poderia?

Mas precisava tentar!


— P-para, para. Paraaaa! — grita de forma desesperada se pondo na frente de John arriscando ser acertada, e o forçando a parar seu golpe mortal. Afinal não queria dor de cabeça depois.

— Você tem merda na cabeça? Arrombada da porra! Sai da merda do meu caminho cassete! Que caralho!

— Me escuta. Tenta me ouvir. — ela entendia bem, ela sentia tudo que ele estava passando naquele momento. Mas não podia deixar cometer esse erro. — Ela é real! Realmente esta aqui! Me ouve! — mas logo seu tom desesperado dá lugar à mudez. Afinal ele demonstrou a conhecer, então fazia todo sentido não confiar nela. — Confia em mim… por favor. — mas seu tom choroso o afeta mais do que os gritos.

John se recorda da garota, de seus poderes e principalmente de seu temperamento e como infelizmente tinham coisas em comum.

Lembrou de sentir vontade de se aproximar da menina, de a aconselhar para não acabar como ele. Mas constatou que o melhor que fazia era jamais cruzar o caminho da jovem, que parecia estar conseguindo encontrar sua luz junto de seus amigos.


— Bos- Thaaaaaaa! — grita ao se dar por vencido. — Ok, você é uma empata então sente o que essa coisa sente? E se for um homúnculo que acha que é minha irmã? Ainda pode ser mentira menina! Você é uma guria, acha que só por que é filha do capeta sabe tudo que tem de pior fedelha? Se toca!

— Filha… do capeta? — ela murmura confusa não entendendo do que o jovem a sua frente falava. — Tudo bem, mais vale o risco?

— Aff. O mula, pessoas não voltam a vida ok? Não se deve ir contra essas leis. Só magos burros e inconsequentes que se metem com magias proibidas assim. Caralho. E duvido muito que alguém traga qualquer um a vida por mim sabendo dos riscos disso!

— Mas você consegue mesmo matar ela? Assim a sangue frio? — diz ainda a se pôr na frente do loiro.

— E você acha “mesmo” que já não tentaram usar essa tática antes? Quantas vezes acha que já não tive de matar versões de pessoas que amei? — seus olhos brilham e um vento forte emana de sua magia. Seu estado de fúria não parecia ter fim.

— Por que só não a ignora! Se querem algo pode ser justamente uma reação. — responde usando do fato de entender tudo que ele pensava, contra ele. E assim ele olha para a moça uma última vez antes de desfazer os círculos de magia.


— O que está havendo aqui? Quem é você? O que houve com o John? — a garota pergunta, mas Raven o faz ignorar e este volta ao quarto pois lembrava de ter visto algo ali importante, mas ter esquecido assim que viu a imagem de sua falecida irmã sendo violada daquela forma.

— Eu não sei. Eu… nem consigo me lembrar como vim parar aqui. — Raven responde tentando acalmar a garota. — Mas seu irmão me conhece. Deve estar me ajudando ou… nós dois estamos com problemas. — completa pensativa.


Enquanto isso John tentava se manter controlado, e pensar o que e quem ganharia algo com isso. Volta a olhar o espelho que agora estava quebrado, tendo certeza de que agora estava bem mais novo, voltado a adolescência. Passava a mão no rosto sentindo falta da barba que sempre esquecia de fazer ou deixava mal feita.

— To com cara de neném… que merda. Eu tinha mesmo essa cara de chupador de rola? Porra. Né atoa que implicaram e queriam me enfiar no armário. Eu mesmo enfiaria a mão na minha cara. Cassete. — murmura ao se olhar: os traços delicados de um rosto fino como os descritos nos livros de token para os elfos. Olhos claros marcantes e belos e um cabelo liso e louro. Típicos traços outrora adorados e que hoje eram motivos de ataques. — Aff. Só falta o arco e uma aljava com flexas… — resmunga ao voltar a olhar o quarto que nunca teve, logo parando os olhos sobre uma caixinha.

Esta era de alumínio, destas caixas de biscoito. Mas não se lembrava quem ou como havia conseguido aquilo; não tinha como ter ganho de seu pai; talvez fosse de sua tia. Ou possivelmente roubou para experimentar esses biscoitos.

— O que isso faz aqui? — acaba por falar em voz alta, de tanto que sua mente estava agitada. Sentindo uma vontade intensa de levar o cigarro aos lábios, mas seus bolsos estavam vazios. — Que merda… — se revolta logo notando o perigo de estar com os bolsos vazios.

Assim, olhando em volta em busca de uma clássica mochila escolar cheia de bolsos em um tecido forte, não demorando a encontrar ao pé da cama; abrindo e arrancando algumas folhas para fazer seus rituais mais práticos; aproveitando da mão cortada. Logo jogando a mochila nas costas depois de tirar dela tudo que achava inútil, pondo ali uma jaqueta e outras coisas que achava útil.


— Ta bem. Hora de descobrir quem foi o fodido de merda que aprontou essa comigo. — diz em alto tom ao sair do quarto a fim ser ouvido pela empata.

— Você precisa mesmo falar assim?

— Aff princesa. Jura que… — para de falar olhando o rosto preocupado da irmã, se virando e saindo da casa.

Não precisava a matar, já que não sabia por que aquilo estava acontecendo. Por que o provocaram desta forma.


E Raven por sua vez, apenas se despede da moça com um aceno de cabeça e o segue porta a fora.

— Onde vai?

— Para de me seguir feito um filhote perdido. Vai com a sua turma guria.

— Que turma? Do que está falando? — ela pergunta e ele para de andar olhando em seus olhos percebendo um semblante muito mais inocente do que o rosto sisudo da famosa titã. Também estava mais nova, apesar de menos diferença que ele que já tinha seus trinta e alguns quebrados.

— Não acredito. Será que apagaram toda a sua memória? — diz ao fazer uma magia de legilimência para tentar sondar a garota, mas a joia em sua testa era um bloqueio poderoso. — Algo mais forte que essa pedra aí conseguiu entrar na sua cachola e passar água sanitária… — murmura pensativo imaginando a força que seja que for que fez isso.

— S-sim… eu não me lembro de nada fora meu próprio nome. Você me chamou de corvo? — responde mesmo desconfortável com a forma que o jovem se comportava.

— Ah? Sim. Raven. Acho que é por causa daquele capuz que você gosta tanto, ou seus poderes. — da de ombros voltando a seguir seu caminho. — Nem sei se foi você que inventou esse nome tosco; você e seus amigos tem cada nome zuado. Mas eu não entendo esse povo que “inventa homenzinhos toscos”. Usar mascara eu entendo. — completa olhando cada detalhe na rua em busca de uma pista. — Ok guria pode colar, mas vai ter que ficar esperta. Seus poderes podem ser muito úteis e não deve estar aqui atoa. {Ou pode ser alguém fingindo ser ela. Melhor eu não abaixar a guarda. Acordar na cama do meu lado foi muito forçado… O que tão querendo?}

— Qual é seu nome?

— John Constantine. Sem nomezinho tosco.

— Como nos conhecemos?

— Não vem ao caso. To focado nesta maquete. — diz ao olhar em volta, percebendo que era uma típica rua de um bairro residencial, digna de uma série de T.v.

— Maquete?

— Eu nunca morei em um bairro tão… limpo. — se polícia um pouco, já que a empata poderosa estava incomodada com seu linguajar. Mas logo da de ombros para tomar esse zelo por ela. — Nem tive um quarto como aquele ou essa casa. Nada aqui faz sentido. Muito menos você: sem memória e mais nova.

— Eu to mais nova?! Por que fariam isso…? — para de falar percebendo só estar repetindo algo obvio, estando agitada e um pouco assustada por pegar as emoções dele, logo se contendo.


— Com dificuldade de se controlar? Interessante. Nunca te vi agir assim. — diz ao parar de andar, novamente sentindo vontade de acender um cigarro; ficando frustrado.

— Assim?

— Sem se conter. — da de novamente ombros voltando a andar. — Você sempre parece enjaulada dentro de si mesma, para conter seus poderes ao máximo. Medo de si, do que pode fazer. — as palavras mostravam como ele realmente a conhecia, tudo aquilo fazia sentido mesmo que não lembrasse. — Pelo menos com o verdinho parece que você pode ser você mesma. Acho que o idiota te faz bem. Não tem medo de você.

— Quem?

— Seu namorado ué. Puts, se lembra de nada mesmo né? Nem forçando assim. Isso é magia da braba mesmo, nem usando de sentimentos puxa a memória de volta. E memorias são ligadas a nossas emoçoes e você é a porra da empata mais forte do mundo! Lascou em. Fodeu forte. — coça a cabeça, pensativo. — {Essa coisa não deve ser ela… preciso pensar rápido como sair dessa.}

— {Meu namorado? Verdinho? Ele usa drogas? Por que ele usou essa cor como se fosse fazer algum sentido?} Desculpa. Mas o que tem nessa bolsa? Tem algo que chama muito a minha atenção. Não consigo evitar sentir. — diz a fim de mudar o assunto da mente se focando no que estava a sua frente.

Mas ele a olha curioso.

Não iria a revelar o que continha na caixa.


Ainda pretendia entender como aquilo havia voltado. Como teriam pego aquilo e o que pretendiam com toda essa presepada.

— Jonny! — o grito de voz aguda feminina o faz virar o rosto em automático, mesmo que não pudesse abaixar a guarda contra Raven não pode ignorar aquela voz.

Justamente a voz que lhe assombrava em um tom tão feliz.


(Empata é o nome dado a uma das classes de poder da Raven. Assim como John ela tem muitas versões e em cada uma aparece com uma classe diferente se não várias somadas. Nesta obra irei trabalhar com cada uma por vez dentro dos ocorridos, para não confundir quem desconhece. Empata vem de sentir o que os demais sentem, um tipo de telepatia a base de empatia. Seu outro poder já é a umbracinese, o controle e manipulação das sombras varia de como um autor compreende ele, uma vez que Shikamaru Nara de Naruto faz isso e muito vilão macabro em filme de terror tbm; chegando a abrir portais pelas sombras etc. Bjs até a próxima nota\o)


Notas finais
(Esse cap foi uma transição entre o cap 1 onde eu pus toda a idéia original desta fick e a nova. Desculpem mesmo mas não estava conseguindo dar continuidade nela presa ao tema do filme. E pra tirar do hiatos e cumprir tudo tive de fazer isso.)