Notas iniciais
Oi gente!! Me desculpem mesmo pela demora!! A Paulinha ta sem computador e eu estou mudando de casa, então já viram né?? Esperamos que gostem do Cap!!

O barulho das mãos de Tsunade batendo com força na mesa eram ouvidos de longe.

Sasuke ficou o mais quieto possível, afinal a loira estava com raiva pelo ocorrido com Sakura e poderia descontar tudo nele.

– Esse bairro está muito perigoso.... Assaltada aqui perto, isso é um absurdo — disse um poco histérica pelo nervoso — Minha menina você deve estar em choque. — Continuou em tom mais ameno. — Vá para casa, Sakura.

– Eu vou — Sakura disse tomando mais um gole de água — eu precisava te contar o que aconteceu.

Sasori, que saia naquele instante voltou curioso com a situação, quando viu Sasuke e Sakura entrarem juntos no asilo e a garota tremendo com cara de choro.

– E você nem deu uma surra no cara? — Perguntou para Sasuke indignado.

– Eu não estava perto o suficiente para batér no cara, qualquer reação que eu tivesse poderia acabar com a Sakura baleada. — Retrucou irritado — E eu não tenho peito de aço pra encarar um revólver... Idiota

– Calados, os dois! — Tsunade urrou nervosa — Não diga asneiras, Akasuna. Não se reage a assalto. Sakura, minha querida, vai pra casa que eu vou cuidar dos tramites pra fazer a segunda via dos documentos...

– Obrigada, Tsunade. — Sakura suspirou sentindo os ombros doerem depois de tanta tensão.

Sasuke abriu a porta para a rosada e quis matar Sasori, que enquanto Sakura passava falava em lábios mudos o termo "Pau-mandado".

– Sakura, eu vou chamar um táxi, meu carro está na oficina... — Tsunade começou.

– Não precisa, eu levo ela pra casa. — Murmurou vendo os olhos da loira se arregalarem.

– Uchiha, não acho bom se envolverem fora do trabalho. — Tsunade disse severa e Sakura até olhou confusa para a madrinha.

Sasuke nada disse, esperou pacientemente que Sakura se pronunciasse.

– Dinda, vou me sentir mais segura se ele me levar. — disse sincera.

Sasuke não esperou para ouvir as reclamações de Tsunade, saiu andando de encontro ao próprio carro.

Tsunade suspirou e deu um olhar de aviso para Sakura.

– Vai pra casa e descansa. Amanhã não precisa vir.

– Já estou mais calma, não se preocupa. — Sakura disse com um sorriso agradecido e foi até o carro do Uchiha que esperava já no banco do motorista.

– Eu tenho cara de delinquente? — Perguntou num rompante. — Sua madrinha não gosta de mim..

– Eu juro que Não estou com muito humor agora. Mas me faça essa pergunta depois que lhe darei uma ótima resposta. — Sakura disse com um sorriso fraco colocando o cinto. — Não ligue pra ela. Obrigada pela carona, sério.

Sasuke não fez nenhum outro comentário. Dirigia tranquilamente pela principal quando num ato impensado mudou a rota.

Sakura que estava distraída não percebeu a mudança de rota. Pousou sua cabeça no vidro gelado até perceber que não estava em sua rua quando o carro parou.

– Onde estamos? Essa não é minha casa! — Sakura disse sem entender e Sasuke revirou os olhos para o óbvio.

– Claro, pois é a minha casa. — respondeu saindo do carro.

– Sua casa? — repetiu confusa saindo do carro e seguindo-o – E porquê, exatamente, estamos na sua casa? Eu quero ir pra minha casa.

– Você vai relaxar Sakura, depois eu te levo pra casa.

Sakura olhou desconfiada enquanto ele girava a chave na porta. Olhou ao redor vendo o sol se por e mordeu o lábio.

– Tenho medo do que você considera relaxamento. — confessou vendo-o abrir a porta.

– Primeira porta a esquerda. — Gritou entrando na cozinha.

Sua mãe estava no clube do livro de suas amigas, pelos seus cálculos iria demorar. Eles tinham tempo pra uma bebida.

Sakura olhou ao redor e se sentiu confortável ali. Era uma casa simples, mas aconchegante. Havia muitos vasos de flores e toalhinhas de crochê em cima dos móveis. Havia também fotografias e ela sorriu para uma de dois meninos magrelos, sem camisa e sorridentes ostentando um gato cada.

Ela escutou barulho de copos e despertou seguindo a orientação dele.

Mas nada a preparou para o que encontraria no quarto de Sasuke.

A cama King Size grande, convidando-a se aconchegar. Um armário de mogno em um canto, vários pôsteres de carros, garotas de biquíni e um saco de areia pendurado próximo a cama. Tipicamente masculino.

Sentou-se na cama esbarrando o pé na mesinha de cabeceira. A gaveta do meio caiu, e uma coleção de camisinhas lhe deu boas vindas.

Sakura riu, apesar do que havia passado, e nervosa começou a juntar os pacotinhos escutando os passos dele se aproximando.

– Mas, que merda... — Sakura resmungou vendo a porta se abrindo.

Jogou tudo de qualquer jeito e fechou a gaveta com força.

– Algum problema? — Entrou o moreno com duas garrafas de álcool e copos para doses.

– Bati o pé... aqui — respondeu rapidamente sem graça até que reconheceu a garrafa nas mãos dele. — Eu não bebo.

Sasuke sabia que a frase dita por Sakura era uma mentira. Não queria embebedar a garota, só queria que o álcool fizesse seu trabalho e amortecesse o trauma do assalto.

– Vamos... Beba uma dose, vai ajudar.

Sakura fechou a cara e mordeu o interior da bochecha.

– É sério, eu não bebo.

Sasuke odiava dar uma de babá, então teve uma ideia.

– Você é curiosa, não? Então, façamos o seguinte... uma dose por pergunta, mas o mesmo vale pra você.

Sakura o encarou surpresa, mas voltou seu olhar para o chão. Cruzou as pernas pensativa. Seus ombros ainda doíam pela tensão.

– Não vale a pena... — disse baixo.

– Tem certeza? — Manteve-se calmo.

Sasuke viu a dúvida passar no rosto da rosada.

Ah, Sakura sabia que aquilo nas maos do Uchiha eram um santo remedio para seus nervos, mas a ideia de ficar bêbada a deixava enojáda... travava uma batalha interna. Os olhos de Sasuke e sua expressão intensa, fazia parecer que estava a hipnotizando a fazer aquilo...

– Droga, paramos antes de ficar bebados. — disse vencida aceitando o copo.

Sasuke estampou seu sorriso mais satisfeito.

Ninguém resistia à um bom whisky doze anos.

– Quem começa?

– Você deu a ideia. Começa revelando. — Sakura disse sentando-se melhor na cama.

Estava com a cabeça tão cheia de coisas que nem percebeu quão estranha era a cena dos dois em cima da cama dele e sozinhos em casa. Simplesmente se deixou ser relaxada por um... conhecido.

– Primeira pergunta... hummm — colocou o dedo na boca pensativa e olhou ao redor. — Por que boxe? — perguntou olhando-o de volta.

– Meu pai lutava boxe na época de escola. Ele me treinou e me ensinou tudo que sei.

Virou uma dose.

– Por que você não gosta de beber?

– Porque já fiz isso demais e me arrependo da maioria das coisas que fiz bêbada. — respondeu rápida virando a dose. — Que curso você faz?

– Pergunta besta... Educação física. — Outra dose garganta a baixo. — Quem era a Sakura há alguns anos atrás?

Sakura olhou séria para ele. Havia abaixado o nível das perguntas achando que poderia se safar, mas ele era persistente e muito observador.

Mexeu-se incomodada e encheu o copo lentamente.

– Uma estudante do colegial. — bebeu fazendo uma careta e logo emendou uma pergunta — Nasceu onde?

– Respondeu vagamente, cadê sua sinceridade?

– Fui sincera. — respondeu encarando-o. — Eu era estudante. Responda a minha pergunta.

– Na maternidade.

Sakura o encarou com uma sobrancelha arqueada.

– Espertinho.

–Estou sendo sincero. — Imitou a rosada com voz fina. — Porque você se esconde?

Sakura o olhou seria e engoliu em seco. Desviou os olhos para os pôsteres na parede.

– Se queria me acalmar esta indo pelo caminho contrário. — murmurou sem olhar para ele.

– Deixo essa pergunta pra quando você estiver bêbada. — Deu de ombros. — Por que trabalha no asilo?

Sakura olhou para o copo e fez uma careta. Não iria ficar bêbada.

– Eu gosto deste tipo de trabalho. Cuidar e ajudar, sabe? — disse contornando o desenho do edredom com o dedo — Precisava de um estagio então eu uni o útil ao agradável. — deu um gole em sua bebida. — Já usou drogas? — perguntou rápido em desafio.

– E ser pego no dopping? Nunca! — Tinha nojo só de falar. — Como conheceu a loira, a peituda e a Konan?

Sakura sorriu para ele gostando da pergunta. Respirou feliz.

– São três perguntas em uma só, mas eu deixo passar. Bom, a loira se chama Ino eu a conheço desde o primeiro ano da facul. Precisava de um lugar pra ficar e vi o anúncio no jornal, desde então dividimos o apartamento. A peituda — Sakura olhou feio para ele — se chama Hinata, a conheci... onde mesmo conheci ela? Ah sim, eu a conheci na feira de profissõe, estava tão perdida coitada — ela riu se lembrando — aliás, ela tá a fim do Naruto. — pontuou dando outro sorriso — a Konan, eu conheci através da Ino, sempre esta la em casa... — respondeu e virou o copo. — preciso de água. — pediu.

– Primeiro beba álcool, depois a água. Os Uchiha levam bebida à sério! — Riu percebendo o álcool fazendo efeito em seu organismo.

Sakura fez olhar de súplica e encheu o copo novamente. Não estava sentindo os efeitos ainda, mas sentia que logo estaria.

– Ok, minha pergunta. Onde conheceu Naruto?

– Longa história... Ele foi meio que o salvador da pátria. Nos conhecemos no jardim de infância, era dia de levar o bichinho de estimação e o pequeno Sasuke tropeçou e deixou o aquário quebrar. — Gargalhou lembrando de sua história. — Naruto foi o único a me ajudar, ele correu com um copo de plástico cheio de água e salvou a vida do Teddy.

Sakura gargalhou imaginando aqueles dois marmanjos desesperados com um peixinho prestes a morrer.

– Que lindinhos! — ela disse rindo!

– Lindos? Nós éramos duas pestes! — bebeu percebendo a rosada mais relaxada. — Qual o seu maior arrependimento Sakura?

O sorriso de Sakura murchou. Ela ficou estática olhando para o nada.

Ela ficou absorta em lembranças ruins e não viu quanto tempo passou, mas as palavras escorregaram de sua boca como uma confissão que precisava ser libertada.

– Eu não ouvi ela... — respondeu num sopro. Os olhos arderam, mas ela Não desviou-os do nada, somente deixou as lagrimas caírem.

Sasuke não se moveu, as mãos formulando em curiosidade.

– Quem é ela?

Sakura saiu de seu transe e enxugou o rosto virando o copo com vontade. Sorriu fracamente e encheu o copo do Uchiha, que a encarava.

– Não é sua vez. — disse e suspirou — E você? Qual seu maior arrependimento, Uchiha? — a voz estava mais firme, mas os olhos ainda emanavam tristeza.

– Eu não tenho arrependimentos. — Fez uma careta ao ver que a rosada não acreditou na resposta. — Talvez... se eu pudesse voltar no tempo, teria passado mais tempo com o meu velho.

Sakura sorriu compreensiva.

– Mas você ainda pode passar um tempo com ele.

– Tempo esse que só me traz tristeza. — Respondeu mordaz. — Quem é a garota que você não ouviu?

– Uma amiga — respondeu desconfortável — ela morreu. — virou a dose de uma vez. — Por que quer tanto saber da minha vida? — lançou um olhar diferente para Sasuke, um olhar de ataque.

– Coisas estranhas me deixam bastante curioso. — disse bem mais alegre que antes. — Você é difícil de ler...

Sakura o encarou sem saber o que pensar. Crispou a boca sentindo a cabeça leve.

– Já parou pra pensar que talvez... só talvez, eu não queira ser lida? Que se eu quisesse falar alguma coisa já teria dito? — se levantou arrumando a blusa e olhou estoica para o Uchiha. — Vou pra casa.

– E perder a sua vez de me fazer uma pergunta? — Ironizou. — Vamos lá rosada... mande a pior pergunta de todas.

Sakura estancou na porta e pousou a cabeça na mão.

– Depois dessa você me leva pra casa?

– Isso é óbvio.

– Você já ta bêbado. — ela disse resignada suspirando e sentando na cama novamente. Pegou a garrafa das mãos do rapaz e bebeu duas doses de uma vez fazendo careta e se entregando áquela moleza gostosa derivada do álcool. — Ok, Uchiha, me responda... qual foi o lugar mais doido que você fez sexo? Não vale só eu ter que passar por isso.

– Humm... Na cama dos meus pais, minutos antes do meu pai chegar do trabalho e correndo o risco de levar a maior surra da minha vida. — Gargalhou lembrando das façanhas da adolescência. — Minha vez... Quem é você Sakura?

Sakura ainda estava gargalhando quando foi pega pela pergunta repentina. Depois de tantas doses, já não estava tão bloqueada quanto antes. Olhou-o com os olhos apertados e respirou fundo.

– Sasuke, entenda que isso não me faz bem. Não gosto de ter que lembrar. Mas, já que insiste tanto — suspirou sentindo o nó que sempre a acompanha junto com as lembranças. Logo os olhos arderam novamente, mas as lágrimas não caíram. — Eu fiz coisas que me arrependo. Fiz escolhas ruins e... as consequências foram piores. — ela apertou os lábios olhando para o colo — depois que a minha amiga morreu eu decidi largar aquela vida e fazer algo útil — deu de ombros triste e agora as lágrimas começaram a rolar. — Eu só quero esquecer... por favor... — o apelo saiu falho e cortante.

Sasuke voltou a respirar. Havia perdido a contagem do ar ao ouvir o relato da vida da garota. Ele sabia que não devia ter pressionado, mas odiava a primeira impressão que teve da garota.

Na faculdade e até mesmo no asilo, Sakura dava a nítida impressão de ser uma pessoa de dar tédio, mas por dentro da casca chata e banal, havia uma garota inteligente e engraçada.

De certo modo Sasuke, pela primeira vez, quis ser amigo dessa garota.

Ou seja... chega de joguinhos, chega de beijos.

Ele estava decidido, manteria seu pênis dentro das calças e teria uma amizade sincera com a garota.

–Hei.... sua vez de perguntar.

Sakura balançou a cabeça em negativa ainda olhando para o colo e Sasuke a empurrou de leve no ombro fazendo-a chacoalhar e sorrir minimamente.

– Qual foi a coisa mais constrangedora que você já fez?

– Tive sete meses de aulas de dança de salão. — Estremeceu ao relembrar.

Sakura levantou o rosto vermelho na hora e deu um sorriso gigante. O pegou pela mão e se levantou num pulo o puxando para a acompanhar.

– Essa você vai ter que me mostrar!

– Deixa de ser maluca garota. — Sorriu satisfeito com o humor da garota. — Não tem música.

Sakura fungou um pouco olhando para o quarto e indo reto até o rádio. Ligou e uma de suas músicas favoritas tocava já pela metade. Sorriu travessa, um sorriso em contraste com aqueles olhos verdes e tristes.

– Agora ta sem escapatória. — disse marota.

– Preciso de um par...

– Eu sou seu par — ela disse mais humorada o puxando sem vergonha alguma e contornando o pescoço dele com um braço e a outra mão segurou firme na dele.

Where there is desire / Onde há desejo
There is gonna be a flame / Existirá a chama
Where there is a flame / Onde existir a chama
Someone's bound to get burned / Alguém é obrigado a se queimar
But just because it burns / Mas só porque queima
Doesn't mean you're gonna die / Não significa que você vai morrer


Sasuke resmungou e fez careta, mas Sakura insistia em fazê-lo se mexer. Ele viu o sorriso infantil e se sentiu no dever de mantê-lo depois de tê-la feito chorar. Puxou a cintura dela com firmeza e começou a contar.

– 1, 2, 3, 4 — a cada passo para direita e para esquerda que davam — rodopia.

You've gotta get up and try try try / Você tem que levantar-se e tentar, tentar, tentar
Gotta get up and try try try / Tem que levantar-se e tentar, tentar, tentar
You gotta get up and try try try / Você tem que levantar-se e tentar, tentar, tentar
Gotta get up and try try try / Tem que levantar-se e tentar, tentar, tentar
Gotta get up and try try try / You gotta get up and try try try

– Você é bom, pé de valsa. — Sakura riu — Mei vai amar saber que você manja.

Sasuke fez uma careta e riu junto com ela fazendo-a rodopiar novamente.

You gotta get up and try try try / Você tem que levantar-se e tentar, tentar, tentar

Os dois já não seguiam mais ritmo algum. A letra entrava na mente de cada de um jeito diferente, mas tomando mesmas proporções. Se perderam em seus próprios demônios e se esqueceram do mundo.

Sasuke, inconscientemente, puxou a mão de Sakura, ainda agarrada a sua e levou até seu peito, mas continuou balançando, sem mais contar os passos, só alimentando a mente com reflexões.

Sakura movia-se no automático.

Qual era a última vez que se sentiu tão solta? Quando foi a última vez que deixou o passado escapar por sua boca e deixar seu corpo mas leve?

Tudo ali parecia certo e longe de tudo.

Gotta get up and try try try / Tem que levantar-se e tentar, tentar, tentar

(...)

Itachi suspirou cansado. Levar seu pai as consultas com o médico era sua responsabilidade. Sua mãe preferia ir ao clube do livro e esquecer dos problemas do marido.

Pra Itachi era cansativo, mas nunca reclamou.

Ele era o filho mais velho, o primogênito e na "falta" do pai, ele era o homem da casa. Entrou ouvindo a baladinha rock e se surpreendeu com o novo gosto do mais novo.

Seus olhos se arrebataram ao ver o sempre inabalável e frio irmão caçula dançando com o corpo colado em um garota.

Ou melhor, a garota.

"Céus aquela é a Sakura" pensou chocado.

Seu pai estava no carro e Itachi pensava em uma maneira de trazer o pai para dentro sem interromper o momento de dançarino de Sasuke.

Decidiu entrar pela porta de trás e dar uma ajudinha ao irmão.

Sasuke era um filho da mãe de sorte, afinal sem saber ele havia pedido ao pai que ficasse no carro até que ele encontrasse o controle da garagem.

Nem imaginava a situação constrangedora em que o menor se colocaria.

Andou à passos leves para a cozinha, faltava pouco e antes que ele entrasse no outro cômodo, sua falta de modos derrubou o amado vaso de flores de Mikoto Uchiha no chão.

Itachi se virou rapidamente, e quase chorou de rir ao ver o desenrolar da cena.

Sasuke largou a garota com tanta rapidez, que não deu a menina tempo suficiente para se equilibrar.

Em segundos Sakura jazia caída no chão.

E para a felicidade de Itachi, o todo poderoso, o perfeito e sem sentimentos, o sempre frio Sasuke Uchiha... estava corado.

– Ai Sasuke — Sakura riu se levantando meio tropega — você dança bem, mas consegue ser um ogro!

Sasuke engoliu em seco.

– Oi Itachi.

Sakura travou e arregalou os olhos vendo o rapaz segurando o riso. Ela deu um sorriso sem graça e ajeitou o cabelo.

– Não é que vocês são irmãos mesmo... — comentou desconfortável e envergonhada com o silencio — Melhor eu ir embora. — sussurrou para Sasuke.

Itachi sorriu, preocupado com os cacos do vaso no chão.

– É, somos sim... Nossa que cheiro de bebida barata.

Sakura deu um cutucão na costela de Sasuke pra que ele se mexesse. A coisa tava ficando mais constrangedora.

– Hum... Vou levar a Sakura. — Disse pegando as chaves do carro.

Itachi parou o irmão e não foi preciso muito para sentir o bafo de álcool.

– Você não vai dirigir assim. Fica em casa com o pai que eu levo ela embora. — disse juntando os cacos e jogando no lixo.

– Eu tô bem... — Reclamou tentando afastar Itachi.

– Sei... tava até dançando — Itachi segurou o riso fazendo sinal para Sakura acompanhá-lo.

– Vai à merda, Itachi.

Itachi riu abrindo a porta da sala e dando passagem para Sakura passar.

– Obrigada, Sasuke. Por tudo. — ela disse acenando e saindo com Itachi.

– Disponha. -Comentou polidamente para não levantar as suspeitas de Itachi.

Sakura não disse nada e Itachi também não.

Os dois andaram até o carro estacionado na calçada e o Uchiha abriu a porta do carona ajudando um fraco Fugaku a sair.

Sakura o reconheceu na hora e o senhor a encarou por um tempo um pouco confuso.

– Ela estava com o Sasuke, pai. — Itachi disse quando viu os dois se encarando. — Sakura, esse é meu pai Fugaku. Pai essa é a Sakura.

Sakura ficou esperando a reação do senhor. Ele olhava fixamente nos cabelos dela com expressão pensativa.



***


Temari estava cansada, o dia de hoje era sua grade de matérias mais longa.

Soltou as chaves do carro na mesa de entrada, estranhando a casa tão silenciosa.

– Kankuro? Gaara? Alguém em casa?

Nenhuma resposta. Ela andou pelo corredor estranhando e viu Gaara parado em frente ao computador esfregando o cabelo com força e exasperação.

Se aproximou sem ser notada e olhou para a tela do computador vendo o perfil de Ino no facebook.

Se surpreendeu com a nova postagem da loira.

"Bom dia Mundo!
Acordei mais loira, linda e sexy.
Pro terror das inimigas!
Agora eu sou solteira e ninguém vai me segurar!

#Aceitaquedoimenos #Melivrandodosencostosdavida #Solteirasimsozinhanunca #AgoraquemNãoquersoueu #Quevenhamosconvites "

– O que você quer? — Gaara perguntou ao perceber que não estava mais sozinho.
Temari foi rápida. Pegou o notebook do irmão e correu pela casa, fazendo questão de ler em alto e bom som as postagens da ex cunhada.

– Decepção não mata, ensina a viver. — Gargalhou pra fúria do ruivo. — Só falta ela colocar que é frase da Clarice Lispector e não será tão piegas quanto é.

– Porra, Temari. Larga essa merda! — gritou correndo atrás da irmã.

– Partiu, beber todas com o Kiba. O que os olhos não vêem, o Facebook mostra. EX bom é EX morto. — Correu esgotando as chances do ruivo de pegar o computador de volta. — Isso definitivamente não é da Clarice.

– Eu vou te quebrar, garota. — Gaara se enfureceu ainda mais com a cara de deboche da irmã ficando roxo. — Larga essa merda!

– Larguei a água de salsicha... agora eu quero filé! — Abriu a porta e o irmão entrou com tudo, dando tempo para a loira fugir para outro cômodo. — Hei Gaara, acho que a salsicha é você.

– Eu mato você e depois aquela loira! — se viu gritando já tomado pela fúria. Não ia demorar nada para voltarem aos tempos de criança e saírem nos socos. Só faltava o Kankuro pra festa ficar completa.

– Que zona é essa aqui? — Kankuro apareceu segurando Gaara que já ia firme em cima de Temari.

– Oi irmão! — Riu Temari. — Ouça esse post da Ino: Se depender de mim, certo ruivo terá calos.Ame seus dedos, esse é o único sexo quente que você terá.

Kankuro soltou Gaara para gargalhar e acabou levando um chute do mais novo no estômago.

– Seu filho da puta — reclamou o mais velho colocando a mão na barriga — Se fudeu, fica se envolvendo com va.... esse tipinho. — concertou vendo o olhar duro de Temari.

– Opa, melhor parar o discursinho machista agora. — Comentou calma. — Ouçam os comentários... Kiba comentou isso. — limpou a garganta antes de continuar. — Relaxa loira, vermelho não é a sua cor... os morenos tem mais a ver contigo.

– Concordo — Kankuro disse segurando Gaara numa gravata e tapando a boca dele para ouvir a irmã.

– Ok, chega de deixar o pobre Gaara triste. — Largou o notebook. — Anda logo e me diz o que houve.

Kankuro largou o irmão e sorriu esperando a explicação dele.

– Nada. Eu chutei ela, só isso. — respondeu desviando os olhos para o notebook e vendo um foto recém postada em que ela estava fazendo biquinho com roupa de ginastica em frente ao espelho.

– Isso eu sei idiota! Quero saber o porquê dessa raiva na Ino. Vocês já terminaram várias vezes, mas ela nunca foi piadista. O que você fez?

– Ela ouviu o foguinho chamando ela de vadia — Kankuro respondeu rápido para colocar lenha na fogueira.

– Como é que é?! — Gritou irritada.

Assustadoramente quieta ela saiu do quarto e voltou com as mãos enfaixadas. Gaara pensou que ela iria treinar, mas a garota já se postava em posição de luta em sua frente.

– Pensa rápido. — Gritou seguida de um chute nas partes baixas.

Gaara caiu e gritou de dor, montou guarda para um golpe no rosto e ela lhe deu o mais baixo de todos. Kankuro gemeu de dor, se compadecendo da dor do irmão.

Gaara continuava deitado no chão, até que ouviu a voz da irmã de novo.

– Levanta Gaara, vou te ensinar a ser homem.

Gaara ouviu o gemido de Kankuro e depois uma risada.

– Eu disse a verdade, ela que se desse o valor. — respondeu ainda no chão com as mãos no amiguinho.

– Ahh Gaara. Eu vou te ensinar a respeitar uma garota, nem que seja na marra. — Lhe deu um soco no olho. — A Ino te ama... de um jeito estranho e inconveniente. Idiota

Gaara tentou se defender, mas sentiu o soco vindo em cheio. Rolou para o lado e conseguiu se levantar. Armou dois socos na costela dela, sem dó alguma.

– Não fala merda. Era só pegação. — disse entre dentes.

– Mulher não é chiclete, pra comer e jogar fora. — Desviou de um outro soco acertando uma joelhada dolorida no peito irmão. — Vê se cresce.

Gaara caiu de joelhos segurando o peito. Não estava em condições de lutar, sua mente não estava limpa. Arfou olhando para o chão.

– E ela sempre me tratou como o quẽ? — perguntou do nada se arrumando para levantar.

– Ela é patricinha, mas sempre falou de você com orgulho. — Gritou dando um murro na cabeça do mais novo. — Teu problema Gaara, é que você não se decidia...Idiota.

Gaara ficou no chão sentindo a dor das pancadas. Odiava apanhar da irmã, mas foi a primeira vez que não conseguia se levantar.

Kankuro, como o bom irmão do meio, puxou a irmã que já descia outro soco em Gaara.

– Ok, ok, ele já entendeu. — intercedeu pelo irmão — Mas admita Tema, não há certos nessa historia.

– Eu estou tremendamente chateada com você! — Se livrou dos toques de Kankuro. — Idiotas

– Que drama — Kankuro resmungou ao ver Temari saindo do quarto e ajudando o irmão se levantar — Devia ter revidado, você sabe que ela aguenta umas porradas.

– Cala a boca Kankuro, ou eu juro que faço você engolir suas bolas! — A loira rosnou como um cachorro raivoso.

Ele fez careta imitando a irmã e colocando Gaara em pé.

– Chata — resmungou baixinho — Se apronta, irmão, hoje vamos passar o rodo nas novinhas e postar uns selfies no face.

– Eu sou irmã de dois idiotas! — Resmungou. — Só falta colocar hashtag ostentação na foto.

O celular vibrou em seu bolso e a mensagem a fez resmungar.

Oi loira, já sei como quero que pague aquela aposta. Passo na sua casa no sábado às 9 da manhã. Não use salto.
Shikamaru“


"Como se eu fosse ficar gostosa pra você. Vou o mais feia e confortável possível. "

Tsc. Problemática“


(...)



Havia deixado o pai aos cuidados de Sasuke e se segurava para não perguntar algo que a deixasse constrangida, mas a curiosidade...

– Itachi, eu e o Sasuke não fizemos nada. — Sakura disse surpreendendo-o. — Eu sei o que deve ta pensando, mas ele só estava me ajudando, sério.

– O que acontece entre você e meu irmão é algo que apoio! Quem melhor do que você, para ser minha cunhada? — Riu vendo a rosada arregalar os olhos. — A propósito... Vamos dar uma parada na casa da minha namorada.

– Você entendeu errado — ela disse rapidamente em defesa — eu fui... namorada? — se interrompeu ao ver-se parada em frente a casa de Konan. — Nossa, parabéns! — disse genuína pulando para o banco de trás.

Itachi buzinou e em segundos a morena sentou no banco antes ocupado por Sakura.

– Oi Amor! — Se jogou nos braços do moreno. — Nossa que saudade, que tal desistir do jantar... Eu estou de lingerie nova.

Itachi arregalou os olhos e ficou vermelho instantaneamente fazendo um sinal deseperado com a cabeça para o banco de trás.

Sakura segurava o riso se sentindo vingada.

– Quer ir pro banco de trás é? — Riu sapeca passando o dedo pelo pescoço do namorado.

– Eu topo... e Sakura? — Foi a pergunta mesclada com um grito de susto.

– Oi — disse sapeca acenando para a amiga.

– Vocês dois são bonitos e tal, mas eu não curto essas coisas. — disse se divertindo com a cara de Itachi.

– Ela curte Uchihas também. — Retrucou certeiro. — O Sasuke! — Completou rápido.

Konan olhou sem entender para os dois.

– Itachi! — Sakura bateu na cabeça dele e começou a se explicar — eu fui assaltada, aí o Sasuke me ajudou. Foi só isso!

– Aham, sei... — Konan riu ao ver a careta de Sakura pelo retrovisor. — Viu, a Ino tá impossível hoje.

– Sapatos ou homens? — Sakura perguntou franzindo o nariz.

– Homem. — Konan respondeu certeira.

– Ai... tô pensando seriamente num Mènage com vocês... — Sakura disse pensativa e Konan riu da cara de pânico de Itachi.

– Só se for com o Sasuke, né safada? — brincou e Sakura fechou a cara na hora.

Itachi olhou feio para a namorada e ela lhe sorriu com um piscada.

Ao chegarem à casa da rosada ela logo abriu a porta e respirou fundo.

– Muito obrigada pela carona. — agradeceu com um sorriso sincero e os dois esperaram até que ela entrasse no prédio.

– Ela e seu irmão estão tendo alguma coisa? — Konan perguntou de repente empolgada.

– Não sei. — Itachi respondeu sincero olhando para a frente – Mas seria bom, Sakura seria uma boa mulher para Sasuke.

– Sim, Sakura é ótima... — Konan suspirou e logo um sorriso brotou em seu rosto – Temos que juntar os dois!

– Não sei não, o Sasuke é meio arisco... — Itachi comentou desconfiado.

– Só temos que ir com sutileza, meu amor. — ela disse maquinando em sua mente.

Itachi sorriu e olhou para a namorada. Sem querer, viu as coxas desnudas. O vestido se mexia toda vez que cruzava e descruzava as pernas.

Sem pensar duas vezes, o rapaz entrou num beco deserto e desligou o carro. Konan o olhou sem entender até ver a luxúria nos olhos dele.

– Foda-se, vai no carro mesmo. — disse já a puxando para um beijo faminto.

– Adoro quando você fala assim. — a azulada sussurrou sorrindo e o puxando para o banco de trás.

Tinham pouco tempo até que ele tivesse que ir para o segundo emprego, mas iriam aproveitar ao máximo. Nem se importaram que as pessoas passassem na rua e vissem um carro velho chacoalhando no escuro.



(…)



Sakura chegou em casa sentindo seus sentidos a desobedecerem. Não estava bêbada completamente, mas o suficiente para não ter controle por inteiro de si.

Parou no batente do quarto de Ino e viu a amiga com roupa de ginástica, toda maquiada e fazendo biquinho para a celular.

–Tô bonita amiga? — perguntou olhando o próprio reflexo no espelho. — Vou sair com o Kiba.

– E o Gaara? — perguntou reparando no excesso de corretivo em baixo dos olhos da loira.

– Passado! — Gritou pegando outra camada de maquiagem. — Droga Sakura, pra que falar nele? Vai me fazer chorar.

Sakura respirou fundo e foi pegar sua xícara de cafe forte. Bêbada não ia ajudar nada.

– O que ele fez? — fez a pergunta automática meio resignada.

– Me chamou de vadia e disse pro Kankuro que depois de me usar, ele poderia me pegar também. -A loira deu um grito de frustração. — Pois ele vai ver quem é a vadia... Vou pegar um cara diferente por dia, tirar fotos e por no face.

Sakura parou a xícara a meio caminho da boca. Indignação estava estampado em seu rosto. Infelizmente o café ainda não tinha parado os efeitos da bebida. Respirou fundo e olhou séria para a amiga.

– E fazendo isso você não está confirmando a ofensa?

– E desde de quando ser livre é ser vadia? — Irritou- se procurando outro vestido para usar no encontro. — Eu faço o que quiser da minha vida. Não me culpe por ser uma mulher decidida.

O dia de Sakura já não tinha sido os dos melhores e escutar as birutices de Ino extrapolava sua paciência. Esfregou a mão no rosto impaciente.

– Você não precisa fazer isso — disse escolhendo as palavras certas — um dia você vai se arrepender...

– Me arrepender de aproveitar a vida? Eu uso camisinha, não terei nenhum problema. — Respondeu calma. — Ao contrário de você, eu sei meus limites.

– Você acha que sabe! — Sakura aumentou o tom da voz passando a mão pelo cabelo — Você não tem ideia das consequências de suas escolhas até que elas venham até você!

– Suas "consequências" — Fez aspas com as mãos para dar ênfase à palavra. — Se deram pelo fato de você enfiar sua amiga, nos seus problemas. Eu não sou você, se eu cair... irei ao fundo do poço sozinha.

– Eu não enfiei ninguém em lugar nenhum! — Sakura se descontrolou jogando a xícara no chão. — Você sabe muito bem que não foi culpa minha! — As lágrimas de remorso teimavam em cair, mas ela as secava antes que o sentimento a dominasse. — Ino, por favor... Eu... Você é minha amiga, me deixa te ajudar.

– Quem precisa de ajuda aqui é você! — Bateu no espelho com força, quebrando-o. — Merda! As minhas atitudes não prejudicam a ninguém. Responde Sakura, se eu fosse um homem um homem pegando várias garotas, isso seria tão chocante?

Sakura andou para trás e encostou as costas na parede sentindo sua cabeça girar. Nunca havia ido tão longe com Ino, mas não ira parar agora.

– Ino, você sabe que eu diria isso para um homem também. Você não sabe, mas está se prejudicando. — respondeu tentando ser branda — Um dia você vai olhar para trás e... vai ver que tinha como ter mudado e não fez!

– Por Deus, não seja hipócrita. Isso não combina com você. — Esbravejou irritada. — Se um cara fica com um monte de garotas... Ele é um pegador, o topo da escala social masculina, mas se eu faço o mesmo, então sou uma vadia.

– Eu não estou dizendo que você é uma vadia, Ino! Existem muito mais problemas do que o seu status social! — Sakura esbravejou novamente — Você não é uma criança, você deveria saber que suas atitudes implicam em muitos fatores da sua vida! Droga, Ino! Se enxerga!

– Eu me enxergo Sakura, mas do que você imagina. Eu me aceito. Eu sou superficial, eu gosto de caras que me presenteiam, eu amo roupas, maquiagens. Eu sei disso tudo! -Rebateu gritando. — Eu me aceito do jeito que sou, e quem não me aceita que se exploda! Você se aceita Sakura? Você consegue viver sem se importar? Óbvio que não, já que está presa ao passado de sua amiga morta.

Sakura congelou no lugar. Escutar aquilo era o ápice de seu dia. Sentiu as pernas fraquejarem e os olhos arderem. Sua cabeça já doía de qualquer forma, mas parece que todo o peso da situação e de seus problemas caíram sobre ela naquele momento. Abriu a boca e encarou o nada. O corpo todo relaxou e ela sabia que se não saísse dali iria acabar perdendo a consciência por causa dos nervos. Havia passado por situações estressantes o suficiente para uma vida.

Olhou para Ino, mais uma vez mostrando uma dor que não cicatrizava e passou pela loira sem dizer mais nada.

Entrou em seu quarto e deitou-se do jeito que havia chegado.

– Eu te amo minha passarinha engaiolada! — Ino suspirou baixo antes de sair de casa.

Notas finais
Coitada da Saky gente!!!! TT O que acharam do momentinho SasuSaku??? que fofos *--* Vamos deixa-los bebados mais vezes né? hahahaha A música que os dois danaram é Try da Pink *--* Comentem aí o que acharam!! Nos vemos no próximo!! Beijos da Pan e da Paula!