Sem Dó Nem Piedade

5 Cap 5: Mephisto, o Assassino


Notas iniciais
Espero que gostem!

Dia 5 de março de 2012. Acordei mal, minha cabeça latejava e eu sabia que tinha algo errado, tentei me arrumar o mais rápido possível, mas o mais rápido possível era muito devagar. Enfim consegui me arrumar e ir para a delegacia.

Quando cheguei a delegacia algo muito estranho aconteceu, todos abriram caminho para eu passar, mas ninguém me olhava bem, alguns até pareciam estar com medo, ignorei este fato, afinal, a um tempo atrás um cara falou comigo desesperado porque um padrão que eu deduzi estava errado, devia ser mais uma bobagem dessas, quando cheguei a recepção, a recepcionista levantou seu rosto para olhar em meus olhos enquanto me entregava o arquivo, ela parecia irritada mas quando me olhou sua irritação se tranformou em terror então perguntei:

–O que deu em vocês hoje? Por que estam com medo? Estam me zoando é?

Ninguém respondeu, suas expressões só se tornaram mas assustadas, ignorei eles e fui para sala de arquivos. Quando cheguei à sala comecei a entender porque as pessoas estavam assombradas, dentro da sala estava uma foice, estava com sua lámina ensanguentada, na parede tinha escrito com sangue e em letras garrafais o nome do dono da foice: Mephisto.

Aquilo me intrigou, por que o Mephisto deixaria a arma de seus crimes na minha sala? Ele queria se entregar? Não deixei esse fato passar, peguei um par de luvas, apanhei a foice e levei para a recepção para os outros policiais poderem me ajudar com aquilo, afinal, eu só coleto as impressões digitais, não analiso, mando analisar.

Cheguei à recepção, a reação dos policiais não foi boa, todos apontaram suas armas em minha direção, aquilo me assustou, levantei às mãos e perguntei:

–O que vocês estam fazendo seus loucos?

–Cale a boca e solte a foice! –respondeu um dos policiais

–Esperem! Vocês entenderam errado, essa foice é a arma dos crimes do Mephisto, preciso que analisem as impressões digitais, assim descobriremos quem é o assassino.

–Não precisamos analisar nada, já sabemos quem é o Mephisto. –respondeu outro policial com um tom severo.

–Como assim já sabem quem é o Mephisto? –perguntei intrigado e continuei – Desde quando vocês sabem? Quem é o Mephisto?

Nesse momento algo me ocorreu, senti algo escorrer da minha bochecha até o queixo, sem pensar muito passei a mão para limpar, mas então, quando olhei para minha mão mme assustei:

–É sangue!? – quando terminei essa frase meu rosto começou a arder como se estivesse em chamas, era uma ardencia que ia dos cantos dos lábios ao meio das bochechas e então continuei –O que aconteceu comigo? O que vocês fizeram comigo?

–Nós não fizemos nada! –disse um dos policiais que já havia se pronunciado enquanto impulsionava com os pés um espelho na minha direção.

Eu ainda não tinha me olhado no espelho naquele dia, quando o espelho chegou perto de mim uma gota de sangue caiu do meu queixo no espelho e então olhei para baixo fitando o meu reflexo. Eu estava horrível, tinham cortes em meu rosto, e estes cortes formavam um grande sorriso sarcástico, aquilo me deixava com um olhar alucinado, um dos meus olhos ganhou um brilho de psicopata, e então lembrei do arquivo

Soltei a foice e chutei para os policiais, baixei as mãos e abri o arquivo. Não era um homicídio, era uma invasão, a cena do crime era a minha sala, a foice era uma das evidências, só que dessa vez a frase não estava na cena do crime, a frase escrita com sangue estava no fundo da delegacia, o sangue não havia sido identificado ainda de que era, e a frase dizia:

“Nós somos o Mephisto, nós, os opostos, o investigador e o investigado, o rosto marcado com sangue me representa, eu me avisei, mas eu não quis me ouvir, e agora nós seremos julgados”

O rosto marcado era o meu, eu entendi a situação e me rendi, virei de costas, me ajoelhei, pus as mãos na cabeça e me preparei para morrer, como eu havia me rendido era contra a lei me matarem, mas os rostos deles indicavam que eles estavam pouco se importando para a lei, eu não sabia o que dizer, mas me veio uma coisa à cabeça e disse:

–Fica mais, tu que és tão belo! Os meus vestígios dos meus dias na Terra não vão se acabar em éons! Ao pressentir tamanha felicidade, experimento agora o momento supremo! –eu estava citando um trecho do livro Fausto, era a última parte da fala de Fausto antes de morrer, naquele momento eu estava consolidando o Mephisto e o Fausto numa só pessoa, para qualquer leitor aquilo seria um momento épico se não fosse pelos assassinatos.

Então, mal tinha acabado de falar e ouvi o som de um tiro, e cai. Não, eu não havia morrido, se eu tivesse morrido como estaria escrevendo esse livro? Eu havia desmaiado, e nesse desmaio eu tive um sonho. No sonho, eu estava em um imenso vazio branco, estava em pé em algo sólido que eu não enxergava, vi uma silhueta ao longe, estava sombreada e se aproximava de mim, quando estava a apenas quase 2 metros de distância de mim as sombras se foram, a silhueta era minha, eu estava de frente para mim mesmo, só que eu estava sem corte algum e o outro eu estava com os corte no rosto e tinha um olhar destruidor e assombroso, eu estava com meu uniforme de policial e o outro eu usava uma roupa completamente preta e segurava uma foice, então ele se pronunciou:

–Olá! Eu sou o Mephisto.

–Não, você não é o Mephisto, não pode ser o Mephisto, você sou eu. –eu respondi.

–Então você é o Mephisto! –disse o outro eu.

–Eu não sou o Mephisto! –respondi severamente.

O outro eu deu um sorriso mais sarcástico do que os cortes lhe permitiam, e disse:

–Então nós somos o Mephisto!

Aquilo me paralisou, eu não queria acreditar mas no fundo eu sabia que era verdade, e só para ter certeza perguntei:

–Se você é o Mephisto, por que não me matou?

–Você é louco? Se eu matasse você eu estaria me matando, queria que você me descobrisse, mas você fez com que os outros me descobrissem e agora nós dois, que de certa forma somos um só, seremos julgados e morreremos.

Eu gelei, se o que ele estivesse falando fosse verdade nós certamente ganhariamos uma sentença de morte. Eu não sabia o que responder, e nem tinha mais o que responder, ele tinha razão, investigando ele eu só adiantei o dia em que eu iria morrer.

Ele baixou a cabeça, seu rosto foi coberto por fios muito escuros, por um momento não notei que meu cabelo era exatamente daquela cor, afinal, eu era o Mephisto, eu estava olhando para mim mesmo, mas depois dele baixara a cabeça, sua imagem foi se diluindo, o imenso vazio branco foi ganhando formas e cores e eu acordei.

Notas finais
Obrigado pela leitura!