Sem Dó Nem Piedade
2 Cap. 2: O começo de uma Guerra
Notas iniciais
Dia 7 de fevereiro de 2012. Acordei num pulo, tive um pesadelo, não lembro o que foi, me arrumei muito devagar comparado ao dia anterior, não estava nem um pouco animado, havia passado o dia anterior todo estudando os casos com o Morte e não tive sucesso. Tomei uma boa caneca de café e parti rumo a delegacia.
Quando cheguei à delegacia algo me surpreendeu, um dos policiais me abordou desesperado e disse que eu estava errado, ele não disse EM QUE eu estava errado, então ignorando a atitude dele fui até a recepção. Dessa vez a recepcionista olhou para mim, ela tinha olhos azuis, pele clara e seu cabelo era loiro, mas seu semblante indicava que ela estava assustada, ela me entregou um arquivo e me disse:
–Parece que ele não ataca somente às sextas.
De início não entendi, mas quando olhei para o arquivo, compreendi porque todos estavam assustados, era um homicídio, e o assassino era o Morte. No mesmo momento corri para a sala de arquivos, não queria que ninguém soubesse o que estava escrito naquele caso, eu tinha o pressentimento de que ele tinha me deixado um recado. Eu estava certo. Quando eu abri o arquivo, eu li:
Dia 7 de fevereiro de 2012:
Homicídio, uma vítima, local do crime: residencia da vítima, hora de acordo com a necropsia: entre 3 e 4 da madrugada, arma do crime: uma foice, evidências: frase escrita com o sangue da vítima, “Te surpreendi? A guerra começou, eu estou ganhando, e meu nome não é Morte, meu nome é Mephisto!”, testemunhas: não há testemunhas, identificação do assassino: sem pistas, codinome: Mephisto
Ele estava brincando comigo, me desafiando, e usando vidas inocentes para isso. Me veio um pensamento, e como eu sempre penso alto, acabei dizendo:
–Inocentes? Será mesmo?
Um novo ponto a ser estudado, será que ele, o Mephisto, será que ele era mesmo um assassino? Será que ele não era apenas alguém tirado a justiceiro? Mas se ele era um justiceiro, por que estava brincando com a policia?Comecei a estudar as vítimas, pesquisei a ficha criminal de todas as vítimas, e eu estava certo, todos tinham uma ficha criminal, as fichas iam de simples furtos a grandes homicídios qualificados.
Uma felicidade me invadiu, consegui dar um passo na investigação, o Mephisto não era um simples assassino, o Mephisto era um “justiceiro”, mas, a partir deste ponto surge um problema, se ele era um justiceiro, ele podia ser um policial, e eu estava numa delegacia, todos ao meu redor passaram a ser suspeitos. O que fazer numa situação dessas? Eu não sabia o que fazer, então resolvi continuar do ponto em que parei, o meu dia desta vez não foi investigando os casos, mas as vítimas. Não evolui muito na investigação, mas só o fato de ter descoberto um porque do Mephisto estar matando já me deixou mais tranquilo, meu turno acabou e fui para casa.
Dia 8 de fevereiro de 2012. Era um sonho, eu estava em um imenso vazio, era um vazio branco, um rosto sombreado gigante apareceu, eu não sabia quem era, afinal o rosto não se identificou, e nem tinha rosto era só a silhueta de um rosto coberto por sombras, mas eu tinha certeza de que o rosto era o rosto do Mephisto, o rosto estava virado, mas ele percebeu minha presença e me fitou, quando olhou para mim eu ouvi um chiado e esse chiado se transformou em uma gargalhada, ele estava rindo de mim. Depois de muito rir ele me disse:
–Você nunca vai me descobrir, e se descobrir, será tarde de mais, todos vamos morrer algum dia, e essa investigação só vai aproximar este dia!
O sonho acabou, levantei intrigado, não sabia o que poderia representar, não dei muita bola, afinal, era um sonho, o que poderia representar? Eu devia estar ficando maluco, ou cansado, provavelmente maluco, mas cansado não deixava de ser uma opção, me arrumei e fui para delegacia.
Quando cheguei a delegacia nada de estranho tinha acontecido, ninguém me abordou, não tinha caso do Mephisto para mim na recepção (era uma quarta-feira), simplesmente fui até minha sala, a sala dos arquivos.
Estava tudo muito normal, e eu já suspeitava de algo, achei que alguém estava aprontando pra mim, pois eu era o novato da delegacia, mas foi bem pior. Quando eu entrei na sala dos arquivos, tinha um cachorro morto lá, o corpo estava em cima dos arquivos que falavam sobre Mephisto, o cachorro estava com um grande corte na barriga, e com sangue ( do cachorro, provavelmente) foi escrito nas paredes da sala:
“Siga meu conselho, não me obrigue a causar sua morte, isso tudo pode acabar se você estudar outro caso, você prende os meliantes, eu mato os meliantes, no final fazemos praticamente a mesma coisa, nós livramos a sociedade dos indesejáveis, nós podemos viver cada um na sua, ou, tentar um matar ao outro, mesmo que você não tenha coragem de matar nem uma mosca. O delegado tinha razão, você tem cara de frouxo!”
Aquilo me deixou com muita raiva, até o serial killer me achava frouxo, mas a raiva não fez com que eu perdesse a pista que ele deixou. Mephisto só podia ser alguém que presenciou o delegado me chamar de frouxo, e esse era meu próximo passo, saber quem estava presente naquele momento e investigar cada pessoa.
Mephisto cometeu um erro, ele praticamente me deu a pista, eu estava chegando na conclusão do caso, eu podia sentir que Mephisto estava por perto, a guerra estava acabando, e eu tinha certeza de que eu ia ganhar, eu estava na frente dele, de algum modo, mas estava.
Mas me veio um questionamento:
–Se o Mephisto consegue chegar perto de mim o suficiente para me deixar recados,por que ele ainda não havia me matado? O que impedia ele de matar? Eu tinha algo que ele queria? Se tinha, o que era?
Essas perguntas começaram a me intrigar, tinha que saber as respostas, mas resolvi estudar as prioridades, os suspeitos. Mas meu turno já estava acabando, esperei os dois minutos que faltava para eu poder sair do trabalho e fui embora.
Quando cheguei em casa eu estava exausto, tomei um banho, e fui dormir. Mas antes de pegar no sono, já deitado na cama, olhei pro teto do meu quarto e voltei a pensar no sonho que eu havia tido noite passada, não cheguei a nenhuma conclusão quanto ao sonho, mas acho que isso também seria resolvido quando eu conseguisse encerrar o caso.
Fale com o autor