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Era um lugar sujo, um círculo perfeito, do alto podia se ver toda a cidade, uma visão privilegiada. Os soluços de Suzan estavam frequentes, abracei-a com carinho, confortando-a em meus braços.
– Eu não acredito Peter, o que está acontecendo? – me apertou nas costas. – Eles não deveriam ter feito isso, criaturas nojentas.
– Eu também estou nervoso e muito assustado – repliquei. – mas se não mantivermos a calma iremos nos distanciar do nosso objetivo. Achar a saída desse lugar.
Ela me soltou enxugando as lágrimas. Foi para a borda da torre e espreitou os olhos. Acompanhei seu olhar vagarosamente, e pude ver que na cobertura do supermercado estavam Jessie, Ben, Beatrice e Daniel. Pulavam e mexiam as mãos para o alto, não conseguia ouvir ou entender o que falavam, porém estavam em apuros como a gente.
– Se tivéssemos pelo menos um celular para nos comunicarmos com os outros, seria melhor. – propôs Suzan.
– Será que conseguiram alguma comida? Não vejo sacolas ou alimentos junto com eles. – comentei.
– Peter, eles estão sendo atacados, assim como nós. Você acha mesmo que conseguiram tempo para pensar em pegar comida? – Suzan revirou os olhos, balançando a cabeça.
As batidas na porta começaram. Eram incansáveis, mas alguma coisa começou a acontecer através daquele ferro sólido. Me aproximei e tentei ver o que estava havendo pelo buraco da fechadura. Era uma adolescente, alta, ruiva, com uma espada, cortando ao meio cada monstro que devorara Ryan minutos antes da sua chegada. Ela cortou a cabeça da última pessoa do bando, guardou o objeto nas costas e se virou para a porta. Agachou e pôs o olho pelo buraco, eram verdes, grandes, mexeu na maçaneta e o recado estava dado. Abri a porta lentamente, ignorando o fato que mais de trinta pessoas estavam mortas logo na minha frente a não ser ela. Entrou me analisando detalhadamente, com as mãos na cintura, atravessou um olhar de aceitação para Suzan e então disse:
– Cabaços. É isso que vocês são – desaprovou alguma atitude nossa na qual eu não suspeitava qual era. Trancou a porta e nos encarou novamente. — Nomes?
Suzan ficou ao meu lado, demonstrava um pouco de medo, mas continuava com o queixo erguido mostrando valentia.
– Eu sou Peter e... – e antes que eu terminasse ela me interrompeu.
– Calado. Primeiro as damas. Não aprendeu isso na vida, cabaço? – falou num tom grosseiro, parecendo acostumada a agir daquela maneira.
– Quem precisa ser apresentada aqui é você – disse Suzan se impondo.
Ela nos olhou minuciosamente, pegou a espada, fez um giro acrobático com as mãos e apontou-a para nosso rosto.
– Meu nome é Sarah, trouxas. Quando chegaram aqui?
– Acho que ontem, não é? – perguntei a Suzan.
Sarah começou a rir freneticamente, agora era minha vez de analisá-la e perceber sua transmissão de estupidez.
– Cabaços, trouxas, novatos, bebezinhos – riu novamente. – Estou aqui há um ano. Um ano nessa porcaria de lugar. Precisam aprender muito. Precisam conhecer tantas coisas ainda.
Eu e Suzan nos observamos, e aposto que a mesma coisa passou na cabeça dela. Sarah estava há doze meses infiltrada e presa naquela cidade, dias, semanas, meses procurando uma saída ou algum sentido para tudo aquilo. Minhas esperanças ficaram vagas, e me peito broxou de infelicidade.