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Tranquei o pescoço de Josh e envolvi minhas pernas no tronco dele, prendendo-o e deixando ele sem movimentos. Daniel pegou a arma que estava no chão e apontou em nossa direção, os gritos de Jessie não tinham parado, foi então que notei Ben a atacando como um ser selvagem.
— Tirem-no daqui! Socorro Peter, ele quer me comer!
Beatrice empurrou Ben para a parede e tirou Jessie da emboscada.
— Me largue seu idiota, eu estava tentando ajudar – disse Josh com a voz falhando. – eu tentei atirar nele assim que o vi a agarrando.
— Cale-se! Quem dá as ordens agora sou eu, sou o líder, não foi isso que você disse? – apertei ainda mais o seu pescoço.
— Tudo bem droga, você é o líder! Mas se você não me deixar viver, seu grupo nunca sairá daqui.
— Onde é a saída? – mas antes que ele pudesse responder, Ben correu em direção de Daniel, babando um líquido verde, saltou e mordeu o ombro dele com voracidade.
— Seu lixo, eu vou acabar com você! – Daniel deu três tiros certeiros no peito de Ben, fazendo-o cair e revirar os olhos várias vezes, a baba tornou-se espuma e uma breve convulsão tomou conta do seu corpo.
— Não! O que você fez seu estúpido? Você o matou, eu não acredito! – berrou Jessie colocando a mão sobre a cabeça.
— Cala a boca! Você estava em perigo sua idiota , tentei apenas lhe ajudar. – respondeu Daniel berrando também.
— Seu escroto, ele era meu irmão, eu tenho sentimentos, você não deveria ter feito isso – ela partiu pra cima dele dando tapas no rosto – seu pedaço de bosta!
Beatrice a pegou pela cintura e tentou acalmá-la.
— Me solta! Me deixe acabar com ele! – as lágrimas escorriam pelo rosto de Jessie enquanto ela batia no peito e no rosto de Daniel.
— Já pode parar criancinha, ele já está morto, não tem mais volta. – pegou o pulso dela e a jogou no canto da sala.
Me distraí com a situação e Josh me deu um soco no nariz, conseguindo se levantar e fugir por um atalho falso, escondido ao lado da primeira maca, parecia uma porta transparente que levava á escuridão.
— Droga, agora esse desgraçado escapou! Ele seria o próximo! – disse Daniel colocando a arma no bolso e, em seguida, botou a mão no ferimento e logo depois verificou seu pé, expressando dor no olhar.
— Peter, a gente precisa fazer alguma coisa pelo Ben.
Não havia nada a ser feito. Infelizmente meu único amigo estava morto. Apesar de já estar consciente de que seu corpo não o respondia mais, assim como suas emoções, Ben não se rendeu. Não se entregou em nenhum momento. Cada minuto vivido foi uma grande vitória. A doença que percorria por suas veias o fazia chorar, tremer, agonizar de dor, e mesmo assim lutava pela vida, apenas para sobreviver e conseguir enfim, ter a chance de desfrutar um pouco mais do mundo que o esperava.
Beatrice se ajoelhou, abraçou Jessie que estava jogada no chão aos prantos. Meu nariz ensanguentado e as feridas da luta ardiam cada vez mais. Daniel jogou a arma no chão, ficou imóvel, apenas estralou o pescoço como se nada tivesse acontecido, caminhou até a passagem onde Josh havia escapado e verificou minuciosamente.
— Peter... Vem aqui, por favor. – chamou Jessie.
Cheguei perto dela, dobrei minhas pernas, passei uma imagem positiva e prestei atenção nas suas palavras.
— Peter... Vem mais perto.
Me aproximei.
— Eu não estou me sentindo bem. Eu quero morrer.
— Não. Não fala isso.
— Peter me mata. Pega aquela maldita arma e me mata.
— Jessie! Pare! – peguei a cabeça dela e fixei meus olhos nos dela. – Você não quer isso. Eu nunca faria isso.
— Deixa de ser teimoso, deixa de ser tão perfeitinho. Me mata logo. Faz em mim o que você queria fazer com a Sarah. Me destrua, termine logo com isso.
— Jessie, você não tem o direito de pedir uma coisa dessas! Você está fora de si. – comentou Beatrice.
Pensando bem, ela de fato estava fora de si. O branco do seu olho começou a ficar vermelho, suas costas se moviam sozinhas, e um líquido verde foi expelido pela boca como uma tosse boba.
— Droga, ela é um deles agora. – falou Daniel de longe, parando sua ação.
— Jessie. Olhe pra mim! – dei batidas na cara dela, ela parecia chapada. – Jessie! Não me deixa. Ei, olha aqui. Achamos. Achamos a saída. Podemos voltar pra casa. – depois de tanto tempo, após passar por tantas coisas e momentos tensos, eu não pude aguentar e desabei em lágrimas. Eu estava cansado de tudo, não queria desistir nem jogar tudo para o alto, mas estava tudo tão difícil. Beatrice encostou sua cabeça no meu ombro e chorou também, apertou minha mão e sentei no chão soluçando.
Daniel deitou, colocou o braço em cima do rosto e virou de lado para não mostrar que também tinha desabado. Nosso mundo não era mais o que estávamos acostumados. Era tudo diferente. Mesmo não lembrando absolutamente nada da minha vida passada, eu sabia que existia carrinhos de sorvete, cinemas, restaurantes e outros lugares divertidos para ir. Mas quando finalmente eu me aprofundava nos pensamentos, tudo ficava branco, vago, sem sentido.
Comecei a me questionar se o que estávamos percorrendo não era uma estadia no inferno. Se o arrependimento de todos os pecados fosse a liberdade desses acontecimentos, eu seria capaz de quebrar minhas próprias pernas só para conseguir o perdão.
Depois de tantas ideias e emoções sentidas ao mesmo tempo, percebi que tinha caído no sono. Meu corpo estava pesado, parecia chumbo. Meus olhos ardiam, fiz um grande esforço para poder abri-los, fiquei nauseado repentinamente e percebi que tinha acordado em outro ambiente, nada comparado ao que eu vivi alguns dias atrás. Eu estava dentro de um avião.