18

Apalpei o chão e senti que pisava em um tipo de areia grossa, achei o corpo de Suzan e botei-a sobre meu ombro.

– Suzan? Cadê você? – perguntou Beatrice.

A falta de resposta foi constrangedor, assumir a morte de alguém não era fácil.

– Ela está aqui Beatrice... – respondi com um tom fraco. – Mas sem vida.

– Mas... – sua voz falhou, e bastou a notícia para que todos pudessem entender o acontecimento.

– Tudo bem galera, tentem fazer silêncio, não conversem, apenas seguiremos esse rumo. Se alguma coisa acontecer, por favor, corram! – alertou Daniel, falando a última palavra de um modo que não pude identificar se era ironia ou normalidade da parte dele.

Tentei achar Beatrice ou chamá-la baixinho para que ficasse ao meu lado, mas preferi ficar quieto e seguir as instruções do cabaço. Sarah se fora, mas suas expressões linguísticas ainda permaneciam na minha mente.

Seguimos constantemente reto, minha visão começou a se acostumar com a pouca luminosidade do ambiente, o peso de Suzan começou a incomodar meu ombro, então a troquei de lado, balanceando a dor.

– Gente, o que é isso? – murmurou Jessie.

– Calma, tenham cuidado aonde pisam! – disse Ben.

Não demorou muito para que Beatrice soltasse um grito, o susto foi tão grande que Jessie gritou logo em seguida e desequilibrou a concentração de todos. Tropecei em alguma coisa e caí com o rosto na areia, que precisamente era tão grossa ao ponto de machucar o suficiente.

– Meu Deus! Isso... São pessoas! – berrou Jessie.

Excluindo as meninas que se desesperaram e não seguiram as regras propostas por Daniel, tudo estava a mil maravilhavas no local. Realmente eram corpos jogados no chão, eram pessoas mortas, tentei não me preocupar com a descoberta e mantive a calma, caminhando em passos curtos.

– Peter, você está carregando a Suzan? – perguntou Ben.

– Sim. Peguei ela logo quando desci.

– É uma pena que... Enfim, ela era uma garota diferente.

– Com certeza.

– Achei que o meu aviso estava bem claro. – resmungou Daniel.

Parei de falar repentinamente, não gostei de seguir ordens vindas dele, mas respeitei o grupo para não arranjar encrenca.

Andamos mais ou menos uns trinta minutos, todos calados, apenas os barulhos das pedras sendo arrastadas para o canto pelos nossos pés podiam ser ouvidas, assim como a respiração alta de alguém.

– Esperem, o que é isso? – se perguntou Ben. – É uma porta. Galera, tem uma porta aqui. Não tem como passar!

– Como assim? Tem que haver um jeito. – falou Jessie.

Me aproximei vagarosamente tendo o máximo de cuidado para não tropeçar ou fazer alguma besteira. Coloquei Suzan no chão e apalpei a porta chegando até a maçaneta. Pus um olho pelo furo, mas tudo o que eu podia ver era escuridão.

– Acho que só uma chave deve abrir essa droga. – reclamou Daniel.

– Eu não acredito. Chegamos tão longe para isso? – disse Beatrice.

Quando justamente pensamos que as coisas não podiam piorar, elas pioraram. Ao meu lado esquerdo um ser disforme apareceu olhando fixamente para mim, esfreguei meus olhos para ter certeza que não passava de uma ilusão ou alucinação da minha cabeça, mas era tudo real. A ação seguinte foi impensável.

Jessie foi a primeira a perceber a pessoa de pé, seu berro ensurdecedor fazia a situação parecer mais assustadora do que já era.

– Peter, tente achar uma saída, tente achar outro túnel! – disse Ben, que agora estava ocupado lutando com mais pessoas que se erguiam do chão e nos atacavam.

Demorei demais para relembrar disso. Suzan era a resposta! A chave que ela carregara no bolso o tempo inteiro poderia ser a solução para todos os nossos problemas. Agachei e encontrei o corpo dela deitado de bruços, botei minha mão no bolso traseiro da calça dela e encontrei uma chave.

– Achei! – gritei alto para todos ouvirem. As pessoas que atacavam Beatrice, Jessie, Ben e Daniel se voltaram para mim, os dois segundos de silêncio foram praticamente cruciais para minha existência. Girei rápido meu tronco e tentei enfiar a chave na porta o mais depressa possível. Os diversos braços me agarrando e me puxando constataram que eu era realmente um idiota, meu aviso foi o ápice para eles que me matassem a qualquer minuto.

– Peter, abra essa droga de porta antes que a gente morra! – anunciava grosseiramente Daniel.

Eu consegui localizar novamente a maçaneta, mas as pessoas me arranhando dificultava minha ação de sobrevivência. Beatrice pulou encima de um suposto homem – foi o que pelo menos eu identifiquei – e abriu caminho para que eu finalmente abrisse a porta, e foi isso que eu consegui fazer.

– Vamos! – bradei, e fui o primeiro a atravessar a passagem para o que eu acreditava ser minha liberdade.