Sem Direção
5 Explicações e ideias
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Eu precisava tomar um banho, Beatrice ainda estava trancada dentro do banheiro, Daniel dormiu no quarto junto com Suzan, ambos no beliche, Ryan estava com a cabeça jogada na mesa da cozinha, provavelmente dormindo, o cansaço dominava meu corpo, e todo esse dia desgastante me fez pensar em apenas uma cama aconchegante.
Ben parou de choramingar e reclamar de dor, finalmente obteve coragem para explicar o que tinha ocorrido horas antes.
— Eu nem sei por onde começar. Me dá vontade de vomitar só de lembrar. – insinuou uma careta nojenta.
— Comece nos contanto o que aconteceu com David, onde ele está? – perguntei.
— Acho que ele não conseguiu – fechou os olhos – estávamos no centro, a cidade não é grande, mas os prédios no meio eram altos, largos, haviam bueiros e tampas de esgotos no chão, e sim, tinha um supermercado, a porta dos fundos estava aberta, na esquina da mesma rua havia um hospital. No centro podemos encontrar quase tudo que necessitamos para viver, porém o que encontramos não foi nada agradável – mordeu os lábios, segurando o choro – eram pessoas. Pelo menos aquelas criaturas pareciam pessoas. Corcundas, tinham uma gosma esverdeada pelo corpo, e eram muito feias. Saíam dos buracos do chão, o fedor era enorme, estou com trauma de pisar novamente naquele chão.
Jessie logo se impôs.
— Teremos que procurar David, se ele ainda estiver vivo esperando por resgate?
— Realmente lá no fundo eu espero que ele esteja mesmo, só não sei onde alguém poderia se esconder nesse lugar à noite. Dentro de um carro talvez? – murmurou Ben.
— Galera, também temos que pensar sobre essa casa – comentei. — Não tem espaço suficiente para todos nós, precisamos encontrar uma melhor. Esses monstros, não sei se posso chama-los assim, podem estar nos vigiando, podem estar lá fora agora tentando entrar aqui.
— Vamos tentar dormir? Amanhã será um novo dia, estou muito cansada. Poderemos decidir essas questões com o grupo todo. Dorme comigo aqui no sofá, Ben? – perguntou Jessie acariciando o rosto dele.
— Claro – replicou ligeiramente.
Se confortaram no móvel com um lençol cobrindo-os. Ryan estava babando encima da mesa da cozinha, só faltava eu arranjar um bom lugar para passar aquela primeira noite. Lembrei-me de Beatrice trancada no banheiro, dei três batidas na porta, mas ela não respondia, insisti mais uma vez e escutei um burburinho de reclamação. Me certifiquei se a porta da casa estivesse fechada e dei mais um giro na chave, prendi as cortinas na lateral da janela tentando disfarçar os grandes furos do vidro, peguei um cobertor no guarda-roupa do quarto e me deitei no chão frio da sala.
Minha mente girava em torno de tudo o que tinha acontecido, eu somente esperava que tudo não passasse de um sonho, e quando abrisse meus olhos estaria de volta para minha vida normal.
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