Sem Direção
13 Plano B
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- Por que demorou tanto? O que está havendo lá encima? – perguntou Ben.
Não consegui responder sua questão, a rua estava infestada de pessoas, me certifiquei de que a saliva era o modo transmissor da doença, me virei para eles e falei:
— Não vamos perder tempo – pausei para respirar – teremos que correr o mais depressa que pudermos – meu coração estava realmente acelerado – não entrem em becos, não fiquem próximos dos bueiros, se encontrarem uma casa, se escondam, fechem a porta e não façam barulho. Corram!
O recado estava dado, todos juntos saímos em correria pela rua, o sol já desaparecia no horizonte, a noite logo iria começar a cair, precisávamos de um lugar para ficar. Ao meu lado Beatrice, Daniel e Suzan me acompanhavam, enquanto Ben e Jessie ficaram para trás. Pensei em Sarah e no seu estado, esperava profundamente que ela estivesse viva e encontrasse um jeito de nos achar.
Entramos numa rua cheia de carros, em passos lentos vinham as pessoas babando um líquido verde que escorria pela boca, testei cada porta dos automóveis para tentar entrar, contudo estavam basicamente trancadas. Daniel então exclamou:
— Aqui! Achei um aberto!
Nos agachamos e disfarçadamente sentei no banco traseiro com Beatrice, Suzan no de carona e Daniel no de motorista, ele enfim encostou o acesso de entrada compassadamente, nos encolhemos o máximo que podíamos. As pessoas eram horrendas, passaram ao lado do carro e não perceberam nossa presença, eles nos procuravam em todas as direções, o asfalto parecia uma passeata de doentes, confesso que tive algumas ânsias de vômito, fechei bem os olhos e apertei a mão de Beatrice.
Esperamos em torno de cinco minutos ainda abaixados nos certos lugares, levantei a cabeça para averiguar, não havia mais ninguém. Suzan foi a primeira a comentar:
— Eu jurava que desta vez não iríamos escapar.
— Cale essa boca, não confia nas minhas táticas? – respondeu Daniel.
— Primeiramente que a ideia não foi sua, foi de Peter. – rebateu Suzan com um sorriso.
— Pessoal, falem baixo. Querem que eles voltem? – alertou Beatrice. – Não sei por quanto tempo vou aguentar aqui. Precisamos urgentemente pensar em uma saída.
Plausivelmente ela estava certa, tentei captar ou relembrar em que ponto precisamente estávamos. Não sabia explicar se minha mente estava ou não me desviando do caminho, porém eu achava que dobrando aquela mesma rua, iríamos parar na casa que ficamos logo no inicio da nossa vinda. Contei aos outros sobre isso e tal fato nos rendeu uma grande ideia. A noite já tinha caído e particularmente o medo começou a subir pelas minhas veias, o carro era grande, por sorte os vidros estavam fechados e o que me assustava era o aparecimento de algum ser no lado de fora, justamente ao meu lado.
— Esperaremos por apenas mais uma hora, se Jessie, Ben ou Sarah não aparecerem, partiremos para a casa. – eu disse quase sussurrando.
— Mas e aquele homem? – retrucou Suzan. – Que atacou Ryan e.. – não conseguiu terminar a frase.
— Eu sei, eu também pensei nisso – respondi cautelosamente. – mas quem aqui acha que ele ainda esteja vivo? É praticamente impossível. – realmente eu não acreditava na sua sobrevivência.
— Tudo bem, contanto que se ele ainda estiver lá, quem vai morrer vai ser você Peter, com as minhas próprias mãos. – falou Daniel, me ameaçando.
— Ok, já chega, não comecem. Acho que deveríamos descansar um pouco, talvez essa seja uma longa noite. – murmurou Beatrice.
Mais uma vez ela estava correta, falava pouco, mas quando exibia suas opiniões eram concretas e verdadeiras. Meus olhos ficaram pesados de uma hora para outra, uma leve tontura entorpeceu meus músculos e me deixei levar pelo cansaço do dia. Senti a cabeça de Beatrice se encostar no meu ombro, relaxei as pernas e enlacei meus braços no corpo dela, desde o momento de minha chegada nunca me sentira tão bem. Era uma mistura de prazer e agonia, combinadas de forma incoerente, mas quando finalmente eu me senti flutuando no mais puro sono, um barulho me acordou.
Sarah estava de pé ao lado da porta do motorista, de frente para Daniel. O automóvel só dispunha de duas portas, eu abriria sem problemas para não acordar os demais, porém ela expressava dor e rancor no rosto, desconfiei de que algo tinha acontecido, e era relativamente grave.
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