Sem Direção
21 O homem de paletó
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- Peter, essa não é uma boa hora. Deixe ela sozinha por um tempo. – aconselhou Beatrice.
Tentei me aproximar de Jessie, mas segui a opinião justa.
— Não acredito.
Daniel estava nervoso, jogou sua ficha no chão e bafejou. Desamassei o papel e li.
Daniel Smith.
16 anos.
Estudante.
Reside com os pais.
Imunidade incerta.
— Você está assim por causa da informação da imunidade?- questionei.
— Ah, cala a boca. Não falem comigo. – respondeu arduamente.
Olhei-o querendo quebrar aquele nariz torto, seus músculos não me faziam ter medo, apenas desgosto de conviver junto á ele.
— Finalmente, achei o meu.
Cheguei perto de Beatrice e lemos o papel juntos.
Beatrice Smith.
15 anos.
Estudante.
Reside com os pais.
Imunidade aprovada.
Ela me abraçou forte e começou a rir.
— Imunidade aprovada! Viu Peter? Somos imunes! – e gargalhava em um som divertido de se ouvir.
— Espera um minuto – interrompeu Daniel. – Smith? Você carrega o mesmo sobrenome que o meu? Eu não acredito.
Realmente, aquele pequeno detalhe passou despercebido por mim, isso queria dizer que eram parentes também, assim como Ben e Jessie.
— Acho que você é meu irmão mais velho. – falou Beatrice pulando nos ombros de Daniel e abrindo aquele sorriso lindo.
— Ah! Não enche o saco – replicou – te achava interessante até um minuto atrás. Peter, ela é toda sua.
Ignorei o comentário, afinal, eu sabia que Daniel no fundo tinha gostado de saber que talvez tivesse uma irmã. Olhei para Jessie, ainda reclusa num canto com a cabeça baixa, acho que o conselho que Beatrice me deu minutos antes só serviu para me afastar por um momento, me aproximei e sentei ao lado dela.
— Ei, você está chorando? – esperei alguns segundos pela resposta. – Vai me deixar falando sozinho, é isso?
— Peter, vai embora.
— Quem vai ser o único a estar do seu lado quando você precisar? O Daniel? – falei ironicamente. Ouvi um som abafado, talvez ela tivesse rido. – Vamos lá, levanta-se. Não gosto de te ver assim.
Ela ergueu a cabeça e continuou conversando comigo.
— A reação do Ben me machucou. Ele deveria ainda gostar de mim. Eu sabia que havia alguma coisa especial entre a gente no mesmo momento que pus meus olhos nele. Foi como se um fio de esperança tivesse sido entrelaçado novamente, a espontaneidade entre nossas conversas e a nossa convivência foram um aviso de que já nos conhecíamos, e agora tudo faz sentido.
— Sim, você está certa. Eu não entendo por que ele reagiu daquela maneira. Pare de chorar, ok? Lembra o que eu disse quando eu te conheci? – esperei por alguma replicação, mas ela apenas me olhava. – que ficaríamos juntos... Que devemos guardar forças pro que vier. Guarde-as, não gaste agora em situações vagas, tudo bem?
— Certo. – Jessie me abraçou forte, me deu um beijo na testa e me agradeceu.
No instante em que me levantei, uma porta muito bem disfarçada que estava atrás da mesa se abriu, um homem de paletó preto nos encarou e caminhou alguns passos em nossa direção, fiquei imóvel, esperando apenas pelo fim.
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