Sem Direção

2 Novatos - Parte 1


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A casa possuía só quatro cômodos, uma cozinha, um quarto, um banheiro e uma sala. Verifiquei se tinha água nas torneiras, agradeci por estar certo, tentei novamente relembrar do meu passado, tudo aquilo que estava ocorrendo era muito surreal. No quarto havia um beliche e um guarda-roupa, o chuveiro do banheiro estava funcionando, na cozinha havia comida para mais alguns dias, organizei na minha mente quanto tempo poderíamos ainda viver naquela casa até nos mudarmos para outro local. Fui para a sala e vi Jessie e Ben ainda papeando, os dois estavam bem entrosados e demonstravam um clima de harmonia. Jessie arregalou os olhos daquele jeito que somente ela sabia fazer, me fitou cuidadosamente, desamassou a camisa e como um leão fora da jaula saiu correndo dali. Ben apenas deu uma risada sem graça, tomou um pouco de fôlego e falou:
– Então – ele coçou a cabeça – acho que a gente está se gostando.
– Sério cara? Nem percebi. – repliquei de um jeito irônico.
– Você estava tendo alguma coisa com ela? – Ben demonstrou preocupação – Peter, eu juro, se eu soubesse...
Interrompi de uma maneira brusca.
– Não, não, claro que não. Ela é uma criança ainda.
Ficamos nos entreolhando por alguns instantes, ele não exibia frustação, parecia que estava acostumado com aquela situação. Jessie entrou na sala gritando exasperada e aflita:
– Eu vi, eu vi mais uma pessoa, tem mais alguém lá fora!
Corremos todos juntos, Jessie desceu a rua, conseguimos encontrar um corpo jogado no chão, era uma menina, negra, usava uma jaqueta azul e calça jeans, chegamos mais perto para poder ajudá-la.
– Você está bem? – Ben perguntou.
– Acho que sim – ela deu uma grande tossida, pigarreando.
Se levantou sozinha, parecia meio tonta.
– Onde estou? Quem são vocês?
– Eu sou Peter, ela é Jessie e esse é Ben. Não sabemos onde estamos, queremos achar uma saída ou algum sentido para tudo isso.
– Eu sou Suzan – ela fez uma grande pausa, colocou a mão na cabeça, estava tentando lembrar-se de algo – Meu Deus. Acho que estou sonhando.
– Quem dera – eu disse – venha conosco, você faz parte do nosso grupo agora.
Suzan se levantou com o apoio de Ben, balançou os ombros e nos seguiu. Reparei em uma grande torre localizada no centro da cidade, era alta e no topo havia um farol.
– Eu não acredito! – sussurrou Jessie num tom de esperança.
Logo adiante apareceu um garoto, tinha uma pinta de galã, era forte, demonstrava ter em torno de dezessete anos, porém era baixo. Vestia roupas rasgadas e uma camisa sem mangas, exibindo ainda mais os músculos.
– Que bom achar vocês, onde estamos?
– Não fazemos a mínima ideia cara – retruquei a ele.
– Meu nome é Daniel – esticou o braço para apertar minha mão – acho que estamos no mesmo barco então.
– Pois é.
– Você aperta igual mulherzinha. – ele replicou, soltando a minha mão e limpando-as na calça como se tivesse tocada em graxa.
Suzan continuou andando, ela era não muito simpática, mas eu gostei da sua atitude, fui em direção para acompanhá-la. Ben e Jessie deram o ar de graciosidade e o trataram bem, chegando na casa ofereceram comida e água, fiquei no quarto deitado no beliche, não estava enciumado, mas eu sentia que Daniel não era alguém em quem eu podia confiar.