Sem A Primavera.

2 Desintegro um mendigo a pauladas.


Notas iniciais
Espero que gostem!

Estava muito atrasada,então não me deixaram entrar na escola. Voltei ao meu apartamento e como tudo estava trancado,imaginei que meu pai estaria no ateliê.Tinha muito orgulho de ser filha de Jonathan Poisen,um renomado artista contemporâneo.

Vasculhei minha mochila à procura da chave,tive de tirar tudo de dentro dela,sprays de tinta para cabelo azul,pantufas de coelhinhos,calçinha fio-dental dos smurfs,uma bandeija de enroladinhos de salsicha crocantes indestrutíveis do Bargain Mart e um pouco de cimento,tudo muito normal para uma adolescente americana usar no dia-a-dia.

Encontrei várias coisas mais que prefiro não comentar,menos a maldita chave. Já se passara algum tempo desde que comera alguma coisa e meu estômago zumbia feito louco!Tinha alguns trocados no bolso e decidi ir àquela padaria que tanto gostava,devorar alguns muffins.

A padaria ficava a apenas algumas quadras de meu apartamento,então resolvi ir andando mesmo.Enquanto andava,as palavras gélidas ecoavam em minha cabeça,"Logo,logo você e a sua querida mamãe serão destruídas!" Me preocupava mesmo com a mulher dos lindos olhos que vira,que se parecia tanto comigo mesma.

Já era a quarta vez que sonhava aquilo em quatro dias.Mas tudo aquilo não poderia ser real,lembrava da conversa que tive com meu pai quatro anos antes,quando ainda tinha dez anos.

Flashback ON

Era noite de natal,minha casa estava toda enfeitada de verde e vermelho,várias luzes e enfeites dourados,um peru assava no forno,meias estavam à vista nas lareiras e janelas.Se eu e meu pai fôssemos uma família normal,estaríamos abrindo os presentes,mas como "normais"não definia em nada nossa família,estávamos enfeitando nossa árvore de natal.

Tínhamos uma árvore de três metros de altura,com os galhos todos respingados de diversas cores de tinta.Incomum.Mas legal!

Ele estava colocando a estrela no topo,em cima de uma escada qualquer enquanto eu pendurava bolas multicoloridas nos galhos mais baixos.Colocávamos vários enfeites até ela estar cheia de bolinhas e estrelinhas que brilhavam à luz do luar.Não paramos até estarmos satisfeitos.Sentamo-nos em baixo da árvore em meio aos presentes.

Eram pilhas e pilhas de presentes espalhados por toda a nossa sala oval natalina.Pegara o primeiro presente nas mãos e o chacoalhava esperando que fosse oque eu queria.Meu pai ria com minha expressão...determinada,talvez?

Desfiz facilmente o laço branco de bolinhas pretas e abri a caixinha vermelha encontrando meus chocolates prediletos.Não era oque eu queria,mas fiquei muito grata. Abracei meu pai e continuei abrindo os presentes,tentando encontrar uma foto,ou qualquer outro vestígio de minha mãe.

Não encontrei nada.

Enquanto ceava com meu pai a insatisfação,as dúvidas,as milhares de perguntas,sentimentos e raiva tomaram conta de mim.Em meio à um turbilhão de pensamentos senti meu rosto ficar quente e as lágrimas rolarem sobre meu rosto.Meu pai não parecia notar.Não aguentei e explodi:

– Pai,quem é a minha mãe?Onde ela está?Qual o nome dela?Por que você não tem fotos dela?-dizia em meio às lágrimas.

O sorriso desapareceu de seu rosto e foi substituído por lágrimas e um olhar de dor.Ele se levantou e se dirigiu à bancada onde havia um belo vaso de tulipas vermelhas.Pegou uma delas e a entregou a mim:

– Isto é a única lembrança que tenho dela.Ela desapareceu depois que você nasceu.Sabe,você se parece muito com ela.Ela estaria orgulhosa.-dizia ele com dor-A única coisa que sei é que ela foi a única mulher que eu realmente amei.

Lembro de ter corrido para o meu quarto e chorado até adormecer.

Flashback OFF

Tudo isso passou por minha cabeça enquanto caminhava pelas ruas de Manhattan até chegar à padaria.Parei em frente à porta para assimilar os pensamentos. Entrei.

O lugar estava vazio exceto por um mendigo sentado à uma mesa e dois garotos dando instruções à recepcionista,um deveria ser um ano mais velho que eu,talvez uns quinze anos anos,usava uma camiseta preta,um casaco de aviador e um anel de caveira no dedo,o outro bem alto com dentes tortos e olhos...espere,reprimi um grito.pois o segundo garoto só tinha um único olho no meio da testa.Um ciclope!

Minhas pernas me obrigaram a avançar contra a minha vontade.

– Isso...preciso de um bolo gigante,umas dez camadas....que dê para mais ou menos seiscentas pessoas e ah,o mais importante,tem que ser azul!-dizia o garoto de preto.

– Azul?-a recepcionista perdida perguntava.

–Azul!Azul!Percy gosta de azul!-dizia o garoto ciclope batendo palmas.

A recepcionista nem parecia notar algo de diferente nele,sumiu atrás da bancada para realizar o pedido. Aconteceu muito rápido,o mendigo se levantou e vinha em minha direção se transformando em um monstro horrível,com garras e asas demoníacas.

– Agora semideusa,é o seu fim-disse o monstro avançando para mim.

–Alectó-disse seco o garoto de preto enquanto puxava uma espada preta e investia para o monstro.

Eles lutavam mas eu sabia que ele não aguentaria muito.Corri para o balcão e peguei a primeira coisa que vi.Um bastão/rolo de madeira.Quase tive vontade de rir.Mas teria de servir.

Atravessei o lugar derrubando várias mesas e cadeiras.O garoto já imobilizara o monstro,eu lhe dei uma paulada na cabeça e o monstro virou um monte de pó amarelo.

O garoto se levantou indiferente se aproximando de mim com uma expressão ,como se oque acabara de acontecer fosse a coisa mais normal do mundo.

– Calma,vai ficar tudo bem.Esse é Tyson e eu sou Nico di Angelo-disse ele em uma tentativa falha de me tranquilizar-Temos que sair daqui.AGORA!

Notas finais
Aceito críticas e comentários.Mandem reviews!