Selvagem
13 Lá - Diga não ao "quase"
Notas iniciais
Os olhos de Mitra tornam-se surpresos de forma doce quando abre seus olhos. Os olhos de Nicolau são admiração e promessa de proteção. São luz em sua escuridão e jovialidade, curiosidade. Infantis de forma experiente e surpreendente. Olhos que preenchem. Olhos castanhos que são vida e magia.
O estômago da morena pula num giro de trezentos e sessenta graus que diz mais do que deveria. Os pensamentos são sonhos distantes e ele é tudo o que sente, enxerga e respira.
Ele preenche seus pulmões e suas veias e seu coração. E ela não sabe se um dia sentiu algo tão intenso.
E ela é quase capaz de não ter medo.
Quase capaz de sorrir.
Quase capaz de lhe beijar novamente.
Quase capaz de abraçá-lo.
Quase capaz de dizer que jamais o deixará e que o fato de seu tio estar certo é mais do que encantador.
Ao invés disso, sai do cômodo como um fantasma. Atrás dela, o cacheado se sente confuso, assustado, e preocupado.
Será que tinha mesmo posto tudo a perder?
Será que o que viu era uma miragem?
Põe a mão sobre os lábios.
"O que eu fiz?"
•••
Entra no quarto, tranca a porta. Se joga na cama e olha para o teto.
Põe a mão sobre os lábios, e tenta não notar no quarto está enjoada, e nas mãos arrepiantes que envolvem seu crânio. Dos beijos malditos em sua cerne que causam a sensação eterna de um arrepio.
Tanto medo que fica desesperada.
Lágrimas rolam, e não sabe o que fazer.
Não sabe o que sente. Não sabe o que dizer.
Não sabe se virar para ele e contar o caos em que ele a transformou.
Ou que apenas ajudou a piorar.
Quer perguntar o que está acontecendo em seu estômago, o motivo de seu coração ter mergulhado em loucura indelével.
Quer perguntar que tipo de sensação é essa, e porque parece se mesclar com segurança e armadilha.
Quer saber, desvendar, o que é toda essa bagunça.
Todas as tintas que se misturam dentro de si.
Todos os livros que misturam suas páginas.
Todas as canções que fundem suas letras e seus tons.
Quer saber de onde vem toda essa dor que se mistura alegria. As sensações que lhe cortam a espinha.
Cai de sua cama, rola, os cabelos emaranhados, o farfalhar de seu choro.
Quer saber de onde vem tanta dependência. E toda a efervescência do que lhe transborda a alma.
Finge não escutar as batidas em sua porta, e o tempo que se passa.
E o amor que é tanto em si que vira ódio, apenas para amar e virar amor novamente. E depois se odiar.
Quer afundar os dedos em sua carne e não se render ao desespero.
Quer sentir sem medo. Mas é tão difícil.
Tão difícil.
Seus olhos ardem, um grito morre em sua garganta.
Não há dor tão esmagadora quanto o amor de Mitra.
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