–Acorda Marinette. Vai, acorda. – Tikki me chamou com uma voz deprimida.

–Só mais cinco minutinhos. – me aconcheguei para o outro lado e a kwami tirou minha coberta – Tikki! Que ideia é essa?

–É sério Mari, se arruma rápido.

Levante da cama ainda sonolenta e tirei o vestido novo que estava pendurado na porta.

–Parou de olhar no meu caderno de desing? Não gostei. – falei mostrando o vestido todo preto com poucos detalhes.

–A ocasião exige isso, agora se vista.

Obedeci e Tikki me puxou para a penteadeira, ela começou a puxar meu cabelo sem piedade e o prendeu no mais preso coque que já a vi fazer. Me levantei e fui até o espelho, eu estava lindamente deprimida.

–Sério? Sem acessórios nem maquiagem? Onde está a Tikki que conheço?

–Já disse, a ocasião exige isso. – abri a porta e saímos do quarto – Agora vamos. É um evento sério.

Diferente de qualquer tipo de evento ou festa que o castelo já tinha feito, dessa vez tivemos de ir ao lado de fora do palácio. Lá tinha um palco hexagonal de madeira rodeado por grades, num lado desse palco tinha as cadeiras das cinco garotas da elite, da família real e da imprensa.

Me sentei ao lado de Rose, que assim como eu e as outras selecionadas também vestiam um vestido preto, nenhuma delas parecia saber o que estava acontecendo. Até aquele momento o que mais me deixava ansiosa era ver que Alya ainda não tinha chegado e a cadeira ao meu lado continuava vaga.

–Alya ainda não chegou senhorita Natalie. – disse quando ela tentou tirar a cadeira vaga, ela me olhou no fundo dos olhos e parecia escolher bem as palavras, mas acabou indo embora sem dizer nada.

Passaram-se dez minutos e todos jornalistas, repórteres e alguns curiosos chegaram. O rei Gabriel começou a falar.

–Quero que todos os presentes aqui entendam que não me agrada ter de fazer isso. – a imprensa anotava cada palavra – Mas meu ato mostra meu poder e o que acontece a quem ousa desafiar a família real. Tragam a senhorita Cesárie e o guarda, traidores do príncipe, traidores meus e da minha esposa, traidores da França.

Senti que meu sangue parou de circular, minha visão ficou turva e eu tonta, não sentia mais que conseguia me mover, e isso só intensificou quando a garota morena de vestido de gala com orelhas de panda e o garoto moreno que usava o uniforme real entraram na arena. As roupas deles estavam rasgadas e o rosto de Alya estava cheio de lágrimas. Só voltei a me movimentar quando um carrasco entrou no palco com um chiconte ajoelhou os dois.

–Vinte chicotadas cada! – gritou o rei.

Um! Dois! Foi na decima segunda vez que ouvia Alya gritar que minha ficha caiu, eu pulei da minha cadeira, segurei as grades e gritei, pedi para que parassem, mas tudo foi em vão e felizmente acabou. Rose me consolou e me levou a sentar de novo.

–Espero que todas tenham aprendido uma lição. – o rei disse nos olhando – Leve-os para o calabouço, meu filho e príncipe vai deixa-los na rua a própria sorte. Agora Alya Cesárie e Nino Haliffe são casta 8.

Alya e Nino saíram de mãos dadas e suas roupas estavam abertas nas costas que pingavam sangue. A dor sumiu no rosto da morena quando teve a chance de olhar o menino nos olhos.

Me ajoelhei na beira cama quando cheguei ao meu quarto, nem me dei o trabalho de fechar a porta e Tikki não pareceu se importar.

–Quer cor de vestido quer agora Mari? Não pode ficar com esse... – a olhei amaldiçoando-a.

–Eu não vou sair do quarto, a família real mandou minha melhor amiga para a morte e o pior... Adrien deixou que isso acontecesse.

–Marinette, não é a primeira vez que isso acontece, você tem que esquecer.

–Não dá Tikki, simplesmente não dá... Me deixa sozinha.

Ela respirou fundo.

–Tá bom Marinette. – ela foi embora.

Desabei em lágrimas, um sofrimento enorme me invadiu e não existia nada que eu pudesse fazer, aí senti uma mão no meu ombro. “Adrien?”. Olhei por cima do meu ombro e não vi os cabelos loiros do príncipe e sim os cabelos vermelhos do guarda. Ficamos naquela posição por muito tempo.