Seleção da Sorte
8 Capitulo 8
Acordei desesperada, levantei rapidamente minha cabeça, mas uma forte dor me forçou a deitar de novo.
—Tikki. — grunhi.
—Que bom que acordou Mari. — disse a pequena joaninha que me olhava de cima.
—Que horas são?
—Oito e dez. — pulei da cama e comecei a andar desesperadamente pelo quarto nem me importando com a dor que cobria meu corpo — Calma Marinette, a família real pediu que você não comesse com eles hoje. Você tem que descansar. Mas o príncipe prometeu vir aqui a tarde!
—É mesmo?! Ele deve vir daqui uma hora, enquanto isso... — peguei duas liguinhas e fiz minhas marias-chiquinhas, que há muito tempo sentia falta, peguei meu caderno de desenhos e voltei a sentar na cama. Relaxando, algo que há muito tempo eu não fazia — O que aconteceu ontem a noite?
—Você se transformou em Ladybug e lutou ao lado de Chat Noir, a dupla de heróis que defenderam Paris há muito tempo! — ela disse animada, ri e comecei a desenhar.
Uma hora havia se passado desde que eu acordei, tomei um banho, vesti um vestido longo que não era estufado, terminei dois modelos e nada do príncipe. Uns dez minutos mais tarde foi quando bateram na minha porta e o príncipe entrou. Levantei e sorri um pouco tímida enquanto lembrava da noite passada, seus olhos encaravam os meus até passarem para os meus cabelos, vi que ele riu e passei minhas mão por eles, foi ai que parei de sorrir. Ele havia me visto com cabelo daquele jeito, me redirecionei a penteadeira.
—Que vergonha. — murmurei enquanto soltava meu cabelo, mas ele me impediu.
—Não, você está linda. — ele se explicou e voltou a sorrir — Vim te levar para fora do castelo. A Torre Eiffel certo?! De fato ela é indestrutível. — ele olhou pela janela e reparei algo que nunca tinha visto, dava para ver um pedaço da torre pela minha sacada.
—Então vamos! — de qualquer jeito, soltei meu cabelo.
Paris era linda e miserável ao mesmo tempo, alguém que nunca tinha visto o sofrimento apenas veria a arquitetura e as pessoas bem vestidas, mas eu via os moradores de rua, as crianças que passavam fome, a maldição das castas, Já não olhava mais com o olhar encantado a cidade e parece que Adrien tinha percebido isso.
—Algo de errado?
—Se pudermos dizer que a realidade é algo. — percebi que falei de maneira grosseira, mas vi que o príncipe se interessou, então continuei — As pessoas passam fome mesmo aqui na capital, as crianças aprendem a roubar desde cedo, não é atoa que o número de pessoas açoitadas cresce a cada ano mais e... — Natalie me olhou reprovando tudo que eu disse, então parei de falar. Parece que não queriam que o príncipe soubesse a situação do próprio reino.
Era maravilhoso olhar Paris de cima da Torre Eiffel! Mais maravilhosos ainda era Natalie ter deixado eu e o príncipe Adrien finalmente a sós. Estávamos apreciando a vista quando ele finalmente resolveu falar.
—Você já passou fome? — afirmei com a cabeça — Já... Roubou?
—Sim, mas vamos dizer que a vida no crime não era pra mim. Na primeira vez fui pegada e os guardas me açoitaram cinco vezes... Eu tentei roubar uma maça alteza. Os tempos estavam ruins para meus pais, somos a única família de classe tão baixa que teve a coragem de abrir uma padaria, espero que os negócios estejam bem agora...
—Sei que estão Mari... — ele percebeu que me chamará por meu apelido — Marinette, eu quis dizer Marinette! Minhas desculpas.
—Tudo bem Adrien. — arrisquei. Ele sorriu — Você lembra de ontem, né?!
—Como não? Foi incrível eu lutei contra a Tormenta, você a salvou... — nunca tinha visto o príncipe tão animado, seu sorriso ia de um canto do seu rosto ao outro — Foi incrível... Menos a parte que que você desmaiou e Hawk Moth fugiu.
—Está tudo bem agora, Chat Noir. — corei e sorri. Ele colocou sua mão em cima da minha.
—Sim, está Ladybug.
Nossos rostos chegaram mais perto, nossas respirações se entrelaçaram e nossos narizes se tocaram, eu nunca tinha tido um momento tão perfeito.
—Nathaniel... — sem querer, murmurei da forma mais baixa o possível, apenas eu escutei. Recuei, me apoiei na grade da Torre e olhei pro outro lado envergonhada — Desculpa, eu só acho que... Não dá.
—Tudo bem, Mari. — ele parecia triste, mas continuava sorrindo — Temos que ir. — entrelacei meu braço no dele.
Fale com o autor