Marlee acordou com sua mãe puxando as cobertas.

– Arrume-se querida, está quase na hora de sair!

– Só mais cinco minutinhos. – Resmungou.

Logo se lembrou de onde iria, deu um pulo e abriu um largo sorriso. Fazia meio ano que sua única irmã havia se mudado. Ela foi cursar a faculdade em outro estado e Marlee, junto de seus pais, estava indo visitá-la. Mas o que mais lhe agradava era o fato de que suas férias de inverno do colégio haviam iniciado e ficaria na casa da irmã mais um mês para curtir. Com certeza Amberly seria mais liberal que seus pais e elas fariam muitas loucuras juntas.

Quando chegaram ao aeroporto Amberly já estava sentada esperando. Marlee foi logo abrindo os braços e Amberly com um belo sorriso no rosto se levantou para retribuir. Como todos irmãos, elas costumam ter brigas de vez em quando, mas apesar disso eram muito parceiras. Marlee era apenas um ano mais nova e sempre quis se parecer com a irmã mais velha. Eram uma família tradicional, mãe fofa e pai sério, ambos não as prendiam nem liberavam demais.

– Oi!!! – Todos falaram ao mesmo tempo se abraçando.

– Como vão as coisas filha? – A mãe esperava por alguma novidade.


– Tudo como sempre mãe. – Disse forçando um sorriso.

– Qual o número desse? – O pai abriu a boca e apontou um dos dentes, queria ter certeza que a filha estava mesmo estudando.

– É o Pré-molar 14. – Ela riu.

Amberly cursava odontologia.

– E o gato do seu vizinho? Já pego? – Marlee não parecia se importar com a presença dos pais.

Amberly revirou os olhos. – Não, Marlee. E também não pretendo.

– Que bom. – O pai deu um sorrisinho malicioso e ao mesmo tempo agradecido.

Ele não gostava da ideia da filha morar sozinha por puro ciumes, mas não teve escolha dessa vez.

Para falar a verdade, bem que ela achava Kaio um gato. Ele devia ser uns 5 anos mais velho, mas não fazia o tipo dela, fora que ele era irmão de sua melhor amiga e ela nunca gostou da ideia de se envolver com alguém que caso um dia não tivessem mais nada, teria que continuar convivendo quase todo dia.

Chegando em seu apartamento o telefone começou a tocar. A mãe se ofereceu para ir preparando o almoço enquanto Amberly atendia.

– Alô?!

– Aonde você estava? Estou te procurando a manhã toda. – Era América, sua melhor amiga.

– Méri? Desculpa, meus pais chegaram de viajem hoje.

– Ah! Puxa, tinha esquecido. É que encontrei uma festa para ir hoje de noite, parece que vai ser boa. – Explicou.

– Ih... Acho que não vai rolar, tudo vai depender de como as coisas vão fluir aqui. Te ligo mais tarde, pode ser?


– Ok então. Mas tenta dar um jeito. Por mim! Ele vai estar lá... – América se referia ao estudante mais gato da Universidade, os dois cursavam Biomedicina e desde que fizeram par em um dos trabalhos América ficou caidinha. Ele mostrava certo interesse, mas América precisava ter certeza antes de tomar qualquer atitude.

– Você devia ter falado isso quando atendi o telefone. – Riu. – Vou fazer o possível, beijos.

Amberly devia muito a América, pois quando ela chegou a cidade, não conhecida ninguém, América além de ser sua vizinha, estudava na mesma Universidade e foi quem lhe apresentou tudo, foi sua primeira amiga ali e, agora, eram melhores amigas, como se já se conhecessem há anos.

O almoço foi tranquilo e passaram a tarde fazendo praticamente como nas outras visitas. Tv ligada, conversando, rindo. Amberly já havia mostrado a eles a cidade nos outros dias em que estiveram lá, gostava muito desse lugar, ainda não sabia se pretendia continuar lá depois da faculdade ou voltar para a antiga casa, sentia um aconchego quando estava lá mas se sentia realizada aqui. Talvez lá fosse bom para descansar, para passeios, viagens... só para matar saudade de onde cresceu. E aqui seria o lugar ideal para construir sua vida. E foi exatamente nesse assunto que sua mãe tocou.

– Querida, já sabe onde pretende morar depois de terminar a faculdade?


– Penso muito no assunto, mas ainda está cedo para decidir. – E realmente era cedo, ela estava ali desde o inicio do ano e tinha quase certeza de que queria continuar ali. Quando chegou a Cidade não gostava muito, provavelmente por se sentir sozinha, mas foi se acostumando e hoje não consegue imaginar sua vida em outro lugar. Mas também não queria pensar que seus pais poderiam ficar chateados em descobrir que ela não sente vontade de voltar para casa.

Da sacada era possível ver o por do sol. E foi isso que fizeram, ficaram todos admirando o cair do sol, encantados, até Marlee quebrar o silêncio.

– Quando a diversão vai começar? – Bufou.

– Para mim está bom assim, fazendo nada. – Falou Amberly fugindo da pergunta. – Mas... Méri me chamou para uma festa hoje, talvez você queira ir.

– E por que motivo ainda não estamos nos arrumando mesmo? – A pergunta confirmou que ela queria ir.

– Epa, mocinhas. Alguém pediu autorização? – O pai parecia sério.

– HAHAHAHAHA – Marlee soltou uma risada sarcástica.

– É Marlee, eu sou maior de idade e você? – Como se Amberly não soubesse.

– Só um ano – murmurou. — Bom, então... Posso? – fez biquinho e cara de anjinho.

– Quem vai, como vão, que horas acaba, vai ter bebida? – Parecia muitas perguntas ao mesmo tempo.

– Ai pai... por enquanto eu, Marlee e Meri. – Amberly só respondeu a pergunta que sabia a resposta.

– Você veio aqui para aproveitar. Vai lá! Mas juízo. – A mãe olhou para ver se o pai concordava.

– Não to gostando disso, tem certe... – O Pai foi interrompido por um “Shiuuu”.

– De qualquer jeito íamos voltar para casa ainda hoje, deixamos o Iup sozinho. – Iup era o cachorrinho.

Bem que ela tinha sentido falta mesmo, normalmente traziam ele junto quando viam de carro, mas preferiram vir de avião desta vez, para agilizar.

Não perderam tempo, não demorou para que América chegasse ao apartamento. Enquanto os pais das irmãs descansavam para viajar novamente, as meninas se arrumavam. Foi uma visita rápida e depois de uma longa despedida as meninas estavam prontas para ir, só tinha um probleminha... Como elas iriam? Só tinham dinheiro para o ingresso.

Notas finais
Aos poucos tudo vem...