Queria eu que todas as aulas de Natalie terminasse com uma simples redação que teríamos que fazer, mas estávamos na elite e relatórios e estatísticas militares eram nos dada todo dia, mas eu não podia reclamar, a futura rainha tinha que saber dessas coisas e eu me esforçava tanto que por miseras horas eu esquecia que Alya foi chicoteada e Nathaniel rondava pelo corredor do meu quarto, simplesmente por que todas as garotas da Elite tinham que ter um guarda na porta.

Quando finalmente Natalie parou de falar e começou a apagar a lousa da sala a rainha entrou sorridente, ela fez um sinal a Natalie que fez uma reverência e se retirou.

–Garotas, por favor me sigam. – fomos saído da sala de estudos e seguimos a rainha Alicia até o Salão das Mulheres, onde seu trono estava rodeado por quatro cadeiras – Sentem-se. – obedecemos – Queria muito falar com vocês elite, sobre algo que todas as garotas amam falar... Casamento. – disse num tom animado.

Desde que a Elite começou senti que a rainha estava mais falante e que realmente gostava das garotas em sua volta.

–Sei que ainda é cedo, já que vocês são quatro e meu filho só pode escolher uma, mas nada nos impede de conversar. Sabe selecionadas, eu já estive no lugar de vocês, eu nasci uma quatro e mesmo em três meses, que foi o tempo que a Seleção do rei durou, eu ainda não tinha senso de moda nem luxo. A rainha tentou me convencer de ter mais madrinhas no meu casamento, mas eu só queria três, minha irmã Odete, minha melhor amiga que conheci durante a competição – senti uma pontada no coração ao lembrar de Alya – e a prima do Gabriel.

–Quero muitas madrinhas no meu e como meus pais são de origem italiana, com certeza vou querer, se for a escolhida, alguns costumes do meu povo como banho de arroz e um concerto de buzinas. – disse Lila.

–Madrinhas? Com certeza vou ter, mas prefiro pensar nisso se for escolhida, penso mais na decoração, flores para toda parte. – disse Rose.

–Madrinhas só servem para tirar atenção das noivas, posso querer uma ou duas, mas não mais. – disse Chloé num tom de superioridade.

–Eu... Eu não sei. – todas olhavam para mim – Não era algo que eu tinha muito tempo para pensar sobre. Mas sempre imaginei quando meu pai me entrega ao noivo.

–Todas fazem isso Marinette, tente ser criativa. – disse Chloé com desdém, mas eu não liguei, pelo menos eu tinha dito a verdade.

–Não se preocupe Marinette, como eu, sei que vai adquirir um senso de luxo. – ela piscou para mim e senti minhas bochechas corarem – Sabem o que mais, eu e Odete... – a rainha rapidamente parou de falar e olhou para os lados ao ver as janelas serem fechadas por persianas de ferro – Que hora horrível para um ataque. Garotas, vocês já passaram por isso, vamos agora ao esconderijo.

“Pelo menos não tem bombas de gás!”, comemorei na minha cabeça. A rainha fez com que andássemos na frente dela, mas quando parei na frente da parede que tinha a entrada secreta parei automaticamente e andei em sua direção e passei a mão na lâmpada que abriria a parede. “Ladybug.”, murmurei. Senti uma mão pegar fortemente no meu braço, era a rainha.

–Precisamos da Ladybug. Não me decepcione! – ela me soltou e voltou a andar para o esconderijo.

–Tikki... Transformar!

O vestido rosa que eu usava foi mudando para o vermelho com bolinhas pretas, meu ioiô foi formado na minha cintura e minha mascara apareceu.

–Sabe my lady, você está sempre purrrfeita. – disse Chat Noir ao aparecer na escada com seu sorriso malicioso. Virei os olhos e ativei a passagem secreta.

A parte do castelo onde ficava o covil de Hawk Moth estava escura e o buraco da porta que Chat fez na nossa última missão ainda estava lá, ninguém se deu o trabalho de consertar algo que com certeza seria estragado de novo, fomos adentrando cada vez mais a sala escura e quando fui ver estávamos cercado por duas, ou melhor três garotas.

–Bem vindos. – disse a garota de pele extremamente branca vestida e maquiada de rosa choque – Eu sou Reflecta.

–Eu sou Temporizadora. – disse a garota patinando entre nós em seu uniforme e capacete combinando.

–E eu sou Desaparecida. – uma voz feminina ecoou pelo salão.

Reflecta e Temporizadora, e provavelmente Desaparecida, vieram correndo na nossa direção. Chat me pegou pela cintura e fez seu bastão subir, desse modo ficamos uns três metros acima das garotas.

–Podemos fazer isso ser rápido? – disse com desdém.

–Claro my lady, mas achei que gostava de ser a Ladybug.

–E gosto, mas a Ladybug não quer ficar muito tempo ao lado do Chat Noir. – no momento eu estava confusa, eu sentia amor e ódio ao mesmo tempo.

Puxei meu ioiô e desci para longe, longe de Chat, pois eu estava literalmente um metro de Reflecta, ela se virou para trás e tentava me pegar a cada passo que dava e eu tentava me esquivar andando para trás, até que me desequilibrei no vestido e tive de abaixar. Golpe de sorte, eu diria, pois atrás de mim estava Desaparecida que foi atingida por Reflecta e se transformou em alguém idêntica a garota. O broche de Desaparecida caiu no chão e se quebrou liberando o akuma, “Peguei”, disse ao pegar a borboletinha.

–Boa Bugboo, podemos conversar depois? – neguei com a cabeça e fugi de Reflecta que fazia cara feia para a garota, Sabrina! A menina que já serviu de serva da Chloé desmaiou.

Rapidamente vi Temporizadora passar pela cópia de Reflecta e tocar sua mão, logo Sabrina desapareceu.

–Só dois minutos?! – ela reclamou e mirou Chat – Bem, quem não tem cão caça com gato.

–Cuidado Chat! – puxei ele com meu ioiô.

–Se importando comigo?! – sorriu malicioso.

–Não se acha não gatinho. Já sei! – comecei a cochichar – Eu vou para frente da Temporizadora e coloca seu bastão no pé dela, quando ela estiver caindo você arranca os patins.

Não esperei ele concordar e quando vi já estava a poucos metros de distancia da patinadora, depois só vi ela no ar, caindo e depois estava no chão sem os patins. Chat os jogou no chão e uma borboletinha saiu deles. “Te peguei!”, pensei ao pegar o akuma.

–Posso falar com o príncipe antes de acabar com vocês? – disse Reflecta num tom divertido.

–Estou ouvindo, mas fica um pouco distante de mim tá.

–Por acaso não me pôs na elite, por que minha aparência não agrada a todos?

Me encostei na parede, talvez aquela conversa seria a coisa mais interessante do meu dia.

–Acredite em mim quando falo que a Elite não foi ideia minha Julekka, tudo aconteceu tão rápido e tive de escolher quem eu mais tinha afinidade... Não podia colocar falsas esperanças em ninguém, eu não penso só em mim e na minha futura esposa quem quer que ela seja, mas eu também penso em todas as garotas que foram embora e podem achar o verdadeiro amor.

Senti que minhas lágrimas logo molhariam minha mascara então passei a mão nos olhos, foi quando vi o espelho na mão de Reflecta, era a única coisa diferente nela. O peguei e quebrei.

–Tchau Tchau Borboletinha.

As três meninas antes akumatizadas, estavam no chão, Sabrina estava assustada, Alix reclamava que tinha sido muito fraca a ponto de ser akumatizada e Julekka sorria, apesar das lágrimas no rosto ela estava feliz. Elas saíram da sala e foram diretamente para casa, mas agora sem ressentimentos.

–My lady, eu... – Chat viu que eu estava saindo e me segurou pela mão – Venha comigo, por favor.

Já era a quarta escada que eu e Adrien, já havíamos deixado de ser Ladybug e Chat Noir, descíamos. Ele não me falou pra onde estávamos indo e isso não me irritou, ainda estava brava com ele e apenas tinha o deixado pegar minha mão.

–Sabe Mari, eu sei o que você ouviu quando Alya e Nino foram chicoteados, mas acha mesmo que eu iria fazer aquilo, acha mesmo que eu iria joga-los na rua sendo eles agora casta oito? – senti meu rosto corar, Adrien foi o garoto mais doce, carinhoso e verdadeiro que já conheci – Eles estão aqui Mari.

Chegamos, parecia ser uma prisão, mas tinha uma cortina de seda que tampava a cela, Adrien me deixou abri-la. Senti que ficaria tonta de novo, achei que mais uma vez meu mundo cairia, mas agora para melhor. Meus olhos marejaram quando ouvi a risada alta da morena, ela ria da piada que o garoto, Nino, acabara de contar, eles estavam vestidos tão simples e pareciam tão felizes. Alya me viu.

–Mari... – ela abriu a porta da cela que parecia nunca ter sido fechada – Eu não acredito, achei que nunca mais te veria. — abracei ela mais forte e ela se contorceu de dor — Os cortes nas costas ainda doem, mas graças ao príncipe, logo eu e Nino ficaremos ótimos. — sorri para Adrien.

–Achei que nunca mais escutaria sua voz. – nos abraçamos, o desespero por estarmos juntas fez com que chorássemos, desabássemos uma em cima da outra numa explosão de risos.

–Obrigada príncipe Adrien. – disse Alya – Achei que eu passaria sem nenhuma amiga meu casamento.

A olhei assustada.

–Casamento? – olhei para Nino que apenas concordou com a cabeça, ele também parecia tão feliz – Você está linda, é a noiva menos tradicional e mais maravilhosa que já vi.

Adrien bateu as mãos com Nino.

Foi fantástica a cerimonia de casamento da Alya e do Nino, apesar das alianças serem feitas de cordas o amor deles era forte e verdadeiro. As horas passaram voando, parece que quanto mais você fica com as pessoas que ama, mais o tempo passa, Adrien e Nino se despediram e deixaram Alya e eu a sós.

–Ganhe o coração dele Mari, quer dizer ele já é seu. Você será a melhor rainha de todos os tempos. – nos abraçamos de novo e Adrien me levou embora.

Chegamos no meu quarto e nem a infeliz figura de Nathaniel na minha porta podia estragar o dia mais feliz da minha vida.

–Eu achar que você estava no seu quarto quando cheguei pra vigiar me faz o pior guarda do mundo. – disse Nathaniel e, infelizmente, Adrien riu.

–Faz mesmo. – murmurei.

Puxei Adrien para dentro do meu quarto. Eu estava de costas para ele, escolhendo bem as palavras que ia usar, foi ai que percebi que palavras não serviriam para expressar o que eu estava sentindo. Me virei e num impulso fiz nossos lábios se tocarem. Não foi nada de mais, não passou dos lábios se encontrando, mas foi mais romântico do que qualquer coisa que eu já tinha passado.

–Obrigada Adrien, muito obrigada. – disse ao me apoiar na minha penteadeira.

–Qualquer coisa por você, my lady. Te vejo amanhã. – ele saiu.

Mordi meu lábio e corei quando vi o reflexo de Tikki no espelho.

–Você viu... Isso?

–Claro que sim majestade. – ela brincou — Tenho que ir buscar toalhas no andar de baixo, me espere acordada.

Ela saiu pela porta, mas só a encostou. Depois de uns trinta segundo ouvi alguém entrar, era Nathaniel. Me virei para vê-lo e quando me dei conta ele estava perto de mim, eu senti sua respiração e sua mão no meu rosto, pensei em todas as coisas que podia lhe falar naquele momento. “Eu te amo.” “Me leve embora.”. Mas não! Falaria isso no começo da Seleção quando não conhecia o príncipe, no momento estava apaixonada verdadeiramente, tirei sua mão do meu rosto e sem vacilar disse:

–Se tocar em mim mais uma vez... Eu juro que grito. – ele recuou – A porta hoje ficara trancada, não preciso que me avise quando tiver uma invasão. Eu sou Ladybug e posso me cuidar sozinha, não preciso do guarda, mas preciso de um parceiro, Chat Noir.

Ele saiu.

Sorri para mim mesma quando me dei conta do que tinha dito. “Olá princesa Marinette”, pensei.