Notas iniciais
As partes em negrito são trechos traduzidos da música Love Is a Losing Game, de Amy Winehouse. Que tal ouvir enquanto ler? ;3

Os olhos verdes dela estavam fixos na TV. Tentavam a todo custo prestar atenção de fato na comédia que assistiam. Os lábios, por sua vez, faziam todo o esforço para acompanhar os risos de fundo. Mas só conseguiam uma imagem desfocada e umriso sem graça, já que o cerébro não colaborava. Ou talvez fosse o tipo de coisa que se pensa com o coração. A verdade é que, desde os pés até o último fio de seu cabelo ruivo, Jenny estava tomada pela saudade. Não havia outra coisa em que conseguisse pensar. Nada a distraia.

"Apesar de estar bastante cega"

Ela forçava um novo riso quando o telefone tocou. Não era a primeira vez que tocava naquela semana.Estava cansada de esperar sempre que fosse aquele que ela desejava do outro lado da linha. Mas sempre se decepcionava com propagandas e confirmações de consultas médicas. Houveram também ligações do escritório. Ela teria que voltar a trabalhar em dois dias. Afinal a vida não para só porque um ficante lhe deu um pé na bunda! E o atestado que Matheus lhe deu só tinha prazo para oito dias, ou seja, até aquela quarta-feira.

"O amor é um resignado destino"

O telefone continuava a tocar. Começando a ficar nervosa, a garota já batia o pé no chão, em ritmo cada vez mais acelerado. Pensou que seria um saco ter que ouvir reclamações da velha chata do andar de baixo, e resolveu usar de outro meio para aquietar os nervos e aquela curiosidade em saber quem estava ligando. Mas, antes que ela levantasse do sofá, o telefone parou de tocar.

"Lembranças denigrem minha mente"

Suspirou e começou a admirar o branco do teto da sua pequena sala. Nem o teto era tão vazio quanto ela se sentia. Tinha uma luz no teto, quebrando o vazio. Ainda era de dia, mas ela decidiu acender a lâmpada da sala, se perguntando se poderia também acender uma luz em si. O telefone voltou a tocar. Talvez alguém estivesse insistindo. Podia ser a ligação que esperava... Mas Jenny não atendeu.

"O amor é um resignado destino"

Foi até a cozinha e pegou alguns biscoitos. Depois de colocar um pouco de geleia de uva, comeu quase que compulsivamente. Como se estar de boca cheia lhe servisse de desculpa para manter-se firme na decisão de não atender o telefone. Já lhe bastava uma mancha vermelha na coxa por ter corrido para atender noutro dia. Uma mancha inútil, porque era só um telefonema de propaganda naquele dia...

"Acima de inutéis expectativas"

Guardava a geleia na geladeira quando o telefone começou a tocar pela terceira fez. Quase gritou de raiva, batendo a geladeira com tanta força que poderia ter feito a porta cair e indo atender a droga do telefone. Coisas inuteis não costumam insistir desse jeito. Jurou que, se fosse do escritório, iria mandar pararem de incomodar e deixarem ela descançar, ou ela precisaria de pelo menos mais oito dias em casa até estar melhor da sua "dengue". O que ela tinha mesmo era dengo, e o médico que lhe passara a receita sabia muito bem disso.

"Ridicularizado pelos deuses"

- Alô?

- Finalmente você atendeu!

- Matheus? — Ela perguntou, e confesso, seu tom era um tanto decepcionado — sim, ela ainda esperava que aquela insistência fosse do canalha que a deixara.

- Não! É o Erik! — Ele brincou, com desgosto.

- Não tem graça. — Jenny se manteve séria, um pouco irritada talvez.

"E agora o lance final"

- Desculpe. É que eu ligo na maior boa vontade para a minha melhor amiga, e ela acha ruim, porque preferia que fosse um canalha que a magoou! Sejamos realistas, Jenny, ele não vai voltar atrás. — Embora ele estivesse falando algo sério, ainda tinha um tom de brincadeiraem sua voz. Um tom que mostrava que ele não estava chateado com ela. Estava mais preocupado.

- Desculpe...

- Tudo bem, Jenny. Liguei para saber se você não quer ir naquele café aqui perto de casa. Eu vou te buscar, se você quiser.

-Não quero sair, Mat.

- Por favor, Jenny. Eu insisto!

- Posso esbarrar com aquela sua vizinha, a que trabalha lá no escritório. Vai acabar em problema.

- Pois o seu médico está dizendo que vai fazer bem para sua saúde! — Ele riu, conseguindo roubar um sorriso dela.

- Desculpe, eu realmente não quero sair, Mat. Tchau. — Talvez tenha sido um pouco grossa, mas não fazia por mal. Desligou o telefone antes que ele pudesse usar qualquer outro argumento, torcendo para que o melhor amigo pudesse perdoa-la por isso.

Sentou no sofá e ligou a TV de novo, procurando por qualquer filme idota que não tivesse romance. Era uma tarefa difícil...

"O amor é um jogo de azar"

Notas finais
Mande seu review, pliss =3