Seja O Que Parece Ser
4 O Gato e o Chá da Tarde
Alice não sabia o que sentir. Estava feliz, confusa, surpresa e nervosa ao mesmo tempo. Fora enxotada da casa do Coelho por uma criada parecidíssima com ela. Falou com o Coelho e recebera ordens dele. E fora chamada de tola por uma rosa. Tudo isso depois de cair por uma toca de coelho bem espaçosa e cheia de mobílias. Ela observava o portão da casa se fechar até que ouviu uma voz grave: "-Perdida?" Alice deu um pulo para trás. Ao virar-se, ela se deparou com um gato risonho. Ele podia estar sorrindo, mas ela foi cautelosa ao falar com ele, pois este tinha garras e dentes bem afiados. "-Gato...de Cheshire?" "-Olha! Parece que a senhorita já me conhece. Vou refazer a pergunta: estás perdida?"
"-Não...sim. Quer dizer, mais ou menos. Tem mais algum lugar aonde eu possa ir?" "-Tem a Lebre. E a Chapeleira." "-Chapeleira? Não era O Chapeleiro?" "-Claro, tem ele também. Mas, você sabe, ele tinha que deixar uma herdeira. Para os negócios. Hoje em dia é ela quem cuida dos negócios. Mas Tarrant pode estar tomando já com os dois, sim, é uma possibilidade. Ah! E a Dormindonga sempre faz companhia. Mas saiba que todos são malucos." "-Não me importo com isso. Me chamam de maluca no Orfanato, também." "-A propósito, senhorita, qual é o seu nome?" "-Alice. Alice Liddell, senhor" "-A...Alice. A última que esteve aqui não queria 'ver gente maluca', segundo ela mesma." Alice deu de ombros. "-Apenas me leve à Casa da Lebre. É lá que eles tomam o chá da tarde, não é?" "-Exato, venha, me siga" O Gato desapareceu do galho de árvore aonde estava e reapareceu no caminho. Alice o seguiu, mesmo que ele ficasse aparecendo e desaparecendo diversas vezes. "-Pode parar com essa coisa de ficar sumindo? Deixa a gente com vertigem!" O Gato sorriu, como de costume, e ficou mais sólido do que gasoso, como o pedido. Então, eles chegaram à uma clareira enorme, a qual estava uma casa com o formato da cabeça de uma lebre. Era a Casa da Lebre de Março. No jardim, estava disposta uma mesa de chá com as comidas mais variadas. "-NÃOOO TEEEM LUGAAAR!!!" — gritou a Lebre. "-Como assim não tem lugar? Veja a quantidade de cadeiras vazias!" Então Alice notou a existência de um vulto na ponta da mesa. Era uma menina de uns dezesseis anos. Esta levantou a cabeça. Seus cabelos eram vermelhos como o fogo, e eram relativamente curtos. Usava uma cartola verde-escura, com uma faixa circundando-a. Tinha uma inscrição com o preço pendurada nela. Além disso, usava um sobretudo da mesma cor da cartola, e por baixo uma blusa escura e uma calça, mais uma meia listrada de preto e branco tal como a de Alice e botas pretas. Seus olhos verdes fitaram Alice, friamente. Então, para o espanto dela, a menina sorriu e falou: "-Bem-vinda de volta, Alice!" A Lebre deu uma gargalhada macabra e tacou um bule de chá em direção a Alice, que desviou por pouco. Alice não conseguiu conter um sorriso. "-Perdão...mas, você me conhece?" "-Talvez não a você. Mas à sua...bisavó, não é, Lebre?" "-Bisavó, tataravó. Que seja!"-respondeu a Lebre. "-Bom, espero que saiba a razão do sr. White ter trazido você de volta à Wonderland."- falou a Chapeleira, tomando um ar meio frio. Alice olhou ao redor. A Lebre estava séria, o Gato de Cheshire também e até a Dormindonga, que estava dormindo dentro de um bule, parecia mais séria. "-Não faço a mínima" "-Ah, Alice. Estamos com sérios problemas. E acho...bom, todos nós achamos que só uma descentende da Alice antiga poderia resolver. De acordo com Absolem!"
Notas finais
Bom, espero que estejam gostando!
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