Seja Meu, Romeu
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Capitulo um – Apenas mais um Trote
A manhã parecia normal, minha mãe me acordou por volta das seis da manhã pra eu ir pra escola, levantei sonolenta, tomei meu banho, vesti o uniforme escolar e tentei domar meus fios ruivos, sem sucesso!
Meu pai me levou de carro pra escola antes de ir trabalhar, ele sempre fazia isso, era como nosso momento juntos, deixávamos o radio ligado, sintonizado em uma estação qualquer, enquanto ele perguntava coisas da escola, dos meus amigos, também contava coisas do trabalho, e depois me deixava no portão da escola, me dava um beijo na testa e acenava alegre.
Eu me arrastei pelos corredores, encarando meu All-Star vermelho e arrumando varias vezes uma mecha de cabelo que insistia em sair do lugar. Caminhei mais alguns metros e cheguei ao meu armário. Coloquei a combinação e quando abri a porta uma bomba de tinta explodiu de lá de dentro bem na minha cara, sujando meu rosto, cabelo e minha camiseta. Passei as costas da mão nos olhos, tirando um pouco da meleca, ao mesmo tempo em que os alunos do corredor explodiram em gargalhadas.
Ótimo, agora sou a piada da vez, pensei, ainda tentando tirar a meleca do rosto.
Três meninos pararam atrás de mim. Pedro, Jean e Lucas, eles eram um ano mais velho que eu. Pedro era loiro e baixo, mas tinha um porte atlético definido. Jean era o mais alto dos três, bem forte e os cabelos escuros davam a ele um contraste assustador com a pele branca de seu rosto. E Lucas, meu maior pesadelo, ele era alto, com cabelos pretos cobertos por um boné vermelho, os olhos azuis veio verdes me fitaram, com um sorriso brincalhão.
— Cuidado Faísca, essas tintas são perigosas – e saiu rindo, sendo acompanhados pelos amigos, ah, e pela escola inteira.
Bati a porta do armário, e corri para o banheiro feminino. Joguei minha mala no balcão da pia, liguei a torneira e tentei tirar a tinta do rosto. A porta abriu e Ana, minha melhor amiga, entrou.
—Me contaram o que aconteceu e eu vim correndo pra cá – ela sorriu solidaria – Foram aqueles babacas...
—Eu sei muito bem quem fez isso, não precisa perder seu tempo falando isso. – o que era verdade, pois estava na cara que havia sido Lucas.
— Bela não fica com raiva eu só quero ajudar – seu olhar era sincero.
—Ai, desculpa eu estou nervosa, só isso. – deixem que ela limpasse meu cabelo, mas não ajudou em nada só piorou, sem contar que meu rosto começou a ficar vermelho e pinicar – Meu rosto... Tá... Ardendo – disse entrecortando as palavras.
Esfreguei minhas bochechas freneticamente. Ana ficou desesperada balançando as mãos na frente da minha cara, numa tentativa falha de fazer vento.
Corremos pra enfermaria quando meu rosto já estava quase bordo, e já começava a sair sangre das bolhas que se formaram na minha cara e pescoço. A diretora Clara foi chamada e assim que meu pesadelo começou...
Estava eu, as oito da manhã, sentada, sendo observada por uma mulher baixinha, com cabelos grisalhos. Mirna, a enfermeira do colégio examina meu rosto com as mãos enluvadas.
—Olha, não é algo tão grave, mas também não é tão simples. É bem provável que você tenha alergia a essa tinta. Melhor sua mãe vir te buscar, e te levar ao medico, querida. Não coce pode piorar. Tá bem? – Mirna disse.
—Obrigada – saí sendo seguida pela diretora.
—Venha, tenho três delinquentes na minha sala e você poderá ligar pra sua mão agora mesmo. – Seu cabelo negro, que antes estava preso em um coque, agora estava praticamente solto de tanto ela passar as mãos por eles enquanto eu era examinada.
Apenas andamos em silencio pelos corredores azuis claro até chegar a uma sala pequena, depois em uma maior com prateleiras cheias de livros, uma mesa com uma cadeira de um lado, provavelmente da diretora, e outras três cadeiras do lado oposto que estavam ocupadas pelos três garotos que passaram por mim mais cedo, e que também vinham fazendo brincadeiras de mau gosto comigo há algum tempo.
Dona Clara me estendeu o telefone, e eu o peguei sem falar nada e sem dirigir nenhum olhar para os meninos. Meu rosto devia estar um horror, sem contar que meu cabelo e minha camiseta estavam azuis.
—Vem me buscar, por favor, mãe! – Disse assim que ela atendeu.
—Por quê? O que aconteceu? Espera. Eu estou dirigindo. – ouvi buzinas e um grito abafado da minha mãe “Passa por cima, idiota”.
—Mãe, vem logo! – implorei sentindo meu rosto queimar de dor.
—Aguenta aí, que eu já chego. – então ela desligou, e eu soube que ela estava vindo.
Virei pra diretora, coloquei o telefone no gancho e disse antes de sair da sala:
—Ela está vindo.
Sentei na salinha de espera. Não demorou nem vinte minutos e minha mãe chegou, os cabelos loiros soltos e um vestido floral que ia até os pés.
—Meu Deus, o que aconteceu com você? – ela me olhou assustada.
—Uns meninos babacas colocaram tinta no meu armário, e acabou que eu tenho alergia – suspirei, tentando conter um soluço – Eles são uns babacas que vivem fazendo isso – comecei a chorar, ela sentou ao meu lado, passou um braço pelos meus ombros e murmurou contra meu cabelo, perto do meu ouvido:
—Vai ficar tudo bem, eu estou aqui.
Minha mãe entrou pra conversar com a diretora Clara e os meninos saíram e se sentaram ao meu lado.
Meu rosto ainda pinicava, mas eu estava me segurando para não coça-lo.
—A gente não sabia que você tinha alergia – Pedro começou.
—E eu não sabia que a Terra é redonda – rebati com sarcasmo, revirando os olhos.
—A gente nunca mais vai fazer de novo – Jean – A suspenção foi pros três.
—Eu não me arrependo, foi hilário – Lucas se pronunciou pela primeira vez caindo na gargalhada logo depois, mas foi interrompido por uma cotovelada do Pedro – Quê? Eu achei legal.
—Claro, um idiota, faz coisas idiotas e acha legal. Eu já devia saber disso – falei quando minha mãe abriu a porta com uma expressão de raiva e desgosto.
—Vem Isabela, vamos ao médico!
Fomos até o carro em silencio, e assim permanecemos até chegarmos ao consultório de um medico amigo da minha mãe.
—Acho que podemos resolver o problema dela com antialérgico e pomada, Dona Sara. Não é nada grava, como a enfermeira falou, ela é alérgica a tinta usada na brincadeira de mau gosto dos colegas, mas ficara tudo bem! Está dispensada da aula por quatro dias!– Disse o Doutor.
—Obrigada, Dr. Silvio. – agradecemos e nos despedimos.
Passamos na farmácia, ao lado do consultório, depois fomos pra casa. Eu estava um pouco melhor, meu rosto já não pinicava tanto, mas a raiva que eu sentia era enorme. Mas as coisas não ficariam por isso. EU mesma ia cuidar do castigo, principalmente do Lucas. Ah, o castigo dele seria especial, muito especial!
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