Seize The Day
1 Capítulo 1: Capítulo único.
Notas iniciais
Boa Leitura.
Hoje parecia ser mais um dia comum, ou até mesmo um dia mais do que comum: Estou com a minha futura esposa; Valary — que está em seu nono mês de gestação.
— Não meu amor, pare com isso. — Falei me escondendo enquanto ela filmava — Esse DVD é para o nosso filho, não para mim.
— Mas é para ele saber que seu pai sempre foi lindo. — Valary ainda me filmava e ria.
— Eu não sou lindo não, a mãe dele que é. — Falei depois de pegar a filmadora da mão dela — Agora sim.
— Não meu amor. Não. — Ela dava sua melhor gargalhada.
Nós rolávamos no sofá-cama que tínhamos na sala, cada segundo ao lado da mulher da minha vida é único.
Eles estavam batendo à porta, e já sabia para o que era: Roubar a cafeteria.
— Não cara deixa disso, temos que fazer direito. — Disse olhando para um deles — Não podemos ir assim de mão abanando, que iremos sair de lá com nada.
— É cara! — um deles respira fundo nervoso — Vamos logo, estamos perdendo tempo. — colocou o capuz — Tchau Val. — saindo e assim fez os demais, mas pararam na porta —
— Meu amor, não vai. — Val me puxou — Não estou com pressentimento bom sobre isso. Irão te pegar. — quase chorava — Pense no nosso filho.
— Não, eu tenho que ir! — Falei firme — Ora, sempre teve esses pressentimentos, mas ninguém me pegou. Veja só. — falei levantando as mãos para o alto — Eu sempre penso, mas não irá me convencer.
— Vamos logo. — Falaram em grupo impacientes —
— Te amo. — Beijei a testa de Val e sai -
Quando sai sinceramente, eu senti uma apontada no coração. Ela segurava meu braço, quando eu sai, ela quase caiu no chão. Mas por fim, entramos no carro e fomos até essa cafeteria. Eles que nos aguardem.
Chegamos a tal cafeteria, estava tranqüilo, não tinha pessoas, horário perfeito para se roubar. Colocamos todas as tocas, saímos do carro correndo e entramos gritando no mesmo ritmo.
— NO CHÃO. — Gritei apontando a arma para o dono que no ato se deitou — Fez rápidinho hein. — Ironizei enquanto abaixei e dei leves batidas no ombro dele.
— Chega de blá blá blá e vamos logo, estão nos vendo porra! — um falou.
Não respondi, apenas me apressei. Dando um pulo, passei para o lado de dentro do caixa, colocando todo o dinheiro dentro da mochila e das calças, onde dava para colocar, eu colocava. Quanto mais, melhor!
— CORRE! CHAMARAM A POLÍCIA. — Avistei as viaturas chegaram à alta velocidade, pensei até que iriam entrar na loja com os carros.
Sai correndo, pulando tudo, saindo pelas portas do fundo. Eles já haviam corrido, estavam dentro do carro. Corri para entrar, estava com metade do corpo para dentro, mas não deu. Droga me pegaram. Debatia-me no chão para sair, mas o policial era mais forte do que eu. Fui preso.
Eu gritava para eles, eles olhavam para mim. Eles não iriam voltar, eu entendo. Eu não voltaria. Porra, por que não escutei a Val? Essa hora ela deve estar arrasada, tudo por minha causa, minha causa! Me sinto um inútil, ela está grávida, está esperando o meu filho e eu aqui... Estragando tudo.
Entrei lá na cadeia, me fizeram arrancar meus piercings, alargadores, raspou meu cabelo. Me fizeram tirar toda minha roupa. Tive que agüentar zoações, falaram que era "pequeno". Pequeno é o caralho!
Fiquei numa sela com um grandalhão lá, mas ele era "de boa".
— E ai, por que veio parar aqui? — Me perguntou.
— Roubo. — Respondi — E você?
— Furto, sequestro. Entre outros. — Olhou para mim arqueando a sobrancelha.
De boa até eu escutar isso. O louco. Me muda de sela! Esse cara vai me matar. Socorro!
— Tem visita pro novato. — O policial abriu a sela e me algemou.
— Quem é? — Perguntei.
— Você verá. — Falou, enquanto me dirigia até a sala de visita.
Era o meu amor... O meu amor estava aqui. Nossa como a barriga dela estava enorme. Nem parecia, já estava duas semanas aqui, esse bebê pode nascer a qualquer momento.
— Meu amor. — Logo peguei o aparelho.
— Oi amor. — Ela deu meio sorriso — Fiquei preocupada.
— Estou com saudade. — Coloquei a mão no vidro.
— Fez isso porque quis. — Olhou para baixo — Você sempre soube o que pensava disso.
— Você nunca me apoiou em nada. — Olhei para ela.
— O seu trabalho era o roubo. Mais cedo ou mais tarde você iria ser pego. E foi. — Me falou brava.
Eu a via brigando comigo, me repreendendo. Seus olhos estavam tristes, sua voz cansada e embriagada por causa do choro que estava entalado na garganta.
— Não vai prestar atenção? — Se levantou — Fica ai lamentando o dia que não aproveitou ao lado da sua mulher grávida de um filho seu. Tchau, te amo. — Largou o aparelho e saiu.
Fui para sela por contra própria, deitei, virei e fiquei pensando. "Seize the day or die regretting the time you lost." IDIOTA, IDIOTA!
Valary chorava enquanto dirigia, não enxergava muito bem, a vista embaçada, a chuva caindo, os carros fora de controles. Tudo. Valary foi entrar em uma rua, e um caminho a acertou em cheio.
Não estou com o pressentimento bom, não estou. Valary está bem? E o meu pequeno?
— O que tá acontecendo, cara? — Meu "companheiro" de sela me perguntou.
— Briguei com a minha mulher. — Respirei fundo — E ela não estava boa, acho que aconteceu alguma coisa no meio do caminho. Eu sinto isso.
— Sexto sentido? — Me perguntou e eu assenti — Coisa da sua cabeça cara, não aconteceu nada. Acorda ai.
Não tive um sonho bom, acordei assustado. Não foi legal. Era com Valary e nosso filho. Um amigo meu veio me visitar hoje, ele estava todo de preto e um chapéu. Não me pareceu legal.
— Meu quem morreu? Por que está assim? — Perguntei assustado.
— A Valary morreu, Matt. — Suspirou.
— Não está brincando, só pode. Ela não pode ter morrido. Não pode. — Gritei batendo no vidro — NÃO PODE.
— Eu sinto muito. — Falou baixo.
— Sentir muito não à trás de volta. PORRA. — Gritei mais alto e forte — Como aconteceu?
— Ontem quando ela saiu daqui, um caminhão a acertou em cheio. — Olhou para mim com pena — Ela não resistiu.
— Ela veio me ver, brigamos, e ela morreu? Está de zoação com a minha cara, não está? Cadê as câmeras? — Olhei para ele pedindo socorro.
— Não estou. Não tem câmeras... É verdade. — A voz dele engasgou um pouco — Mas o seu filho está vivo, e bem. — Não pude deixar de dar meio sorriso.
— Meu filho está vivo? — Deixei cair mais lágrimas — Vou ter um pedaço dela... Sempre comigo.
3 anos depois.
Hoje sai da cadeia, a primeira coisa que fiz, foi ver meu filho. Meu Deus, ele está lindo. Ele está enorme. Hoje mesmo faz três anos em Valary morreu. Irei visitar o seu túmulo hoje, pela primeira vez.
Foi todos meus amigos, todos os que estavam comigo no dia do roubo, o último roubo de nossas vidas. Bom pelo menos da minha.
— Três anos já. — Suspirei, tirei meus óculos escuros, olhando a lápide da minha mulher — Sinto tanto a sua falta.
— Fica firme cara. — Um deles deu uma leve batidinha no meu ombro.
— Papai... — Meu filho me chamava.
— Oi meu filho... — Olhei para ele e engoli minhas lágrimas, precisava ser forte, mas tava na cara que eu não estava conseguindo, meus olhos queimavam.
— Não pode chorar papai, mamãe está nos vendo, e está sorrindo. — Ele apontou para a árvore logo à frente — Ela está ali.
— Filho, mamãe está lá encima. — Apontei para o céu — Não ali. — Passei a mão no rostinho dele — Vamos? — Me levantei.
Todos concordam, peguei meu pequeno no colo e seguidos.
— Tchau mamãe. — Ele insistiu em falar.
Senti uma brisa suave no meu rosto, senti o cheiro do perfume dela... Ela estava lá. Olhando-nos.
— Te amo... — Falei baixo.
The End
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