Seize The Day...
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Espero que gostem
Uma vez disseram-me para não me envolver muito numa relação, por ser muito jovem. Bem…eu não dei ouvidos e cometi um erro. Talvez o maior da minha vida. Ou não.
Naquela altura, quando estávamos juntos, tudo parecia perfeito. Nunca imaginei que o que tínhamos pudesse acabar um dia, mas foi exatamente isso que aconteceu e fui eu quem estragou tudo, embora ele tenha tido um pouco de culpa, também. Podia ter sido diferente, eu podia ter sido mais compreensiva quanto ao seu ponto de vista, podia ter evitado tudo. No entanto, o medo que ele me causava impediu-me de o fazer e a única opção que me restou foi fugir. Deixá-lo sem pensar nas consequências dos meus atos.
Ele amava-me. Eu sabia disso, dava para ver nos seus olhos mesmo quando…o álcool lhe subia à cabeça e ele via coisas que fugiam à realidade. Por isso, quando o deixei os problemas agravaram-se.
Cortei contacto com ele e com os restantes membros da banda. Eles eram os meus melhores amigos, mas eu não suportaria falar com eles… Mesmo assim, ouvia as mensagens que me deixavam e lia as que me mandavam. Só não respondia. “O Matt está estranho…”. “Porque te foste embora?”, “Por favor, volta para mim! Não aguento estar longe de ti.”, “Ele está cada dia pior…”, “Sabemos o que aconteceu, mas ele está arrependido e muito mal. Não fala, não canta, não sai, não come…”, “Faz alguma coisa, por ele, por ti…”. As palavras que me diziam faziam o meu peito arder e o buraco, que ao início apenas incomodava, agora doía. Parecia que a qualquer momento eu despedaçar-me-ia.
Ele fez-me sofrer, mas nunca deixei de o amar. Mesmo estando longe dele continuo a amá-lo. E quando o perdi, o amor cresceu. Cresceu de tal forma que quase desisti de viver por não suportar não tê-lo. Eu sabia que precisava dele, mesmo que isso me magoasse, mesmo que isso me fizesse querer fugir de novo. Mas eu não iria voltar. Não um ano depois, o orgulho não o permitiria.
E porque é eu continuava a pensar nele após tanto tempo? Dúvida cruel. Eu queria parar. Queria esquecer. Queria que o tempo voltasse atras para fazer algumas coisas de maneira diferente. Queria estar entre os seus braços mais uma vez. Queria dizer-lhe o quanto o amava, o quanto estar longe dele era doloroso. Queria poder beijá-lo de novo. Queria sentir o seu amor. Contudo, eu tinha plena consciência de que isso não iria acontecer.
As memórias do passado eram boas e más. Lembrava-me dos primeiros anos de namoro, quando o que sentíamos era puro e verdadeiro. Fomos ambos felizes, um com o outro, durante quatro anos. Ainda conseguia ouvir as palavras que ele me disse quando completámos o quarto ano juntos: “prometo que nós seremos um só para sempre. Amo-te mais do que tudo na minha vida.” Eu respondi: “Para sempre. Também te amo.” Passado um mês começou a obsessão e logo a seguir a violência, que durou mais um ano.
Eu trabalhava num bar à noite e a banda dele, os Avenged Sevenfold, tocava lá. Muitos dos clientes, homens, “atiravam-se” a mim e ele começou a ter ciúmes. Não o censurei, era bastante normal, mas depois queria sempre estar a controlar-me. A partir daí, o que sentíamos era verdadeiro, não puro. Muito pelo contrário.
Ninguém sabia o que ele fazia. As marcas deixadas no meu corpo estavam sempre bem escondidas ou disfarçadas. Aos olhos de todos, eramos um casal normal. E depois eu fugi. Pensei que se o fizesse pararia de sofrer. Achava que era parva por me ter deixado envolver e que a culpa era toda minha e toda dele. Então fugi sem deixar rasto. Desapareci.
Comecei a trabalhar num restaurante do outro lado do país e por vezes tomava conta de crianças. Quando estava sozinha, pensava em como não tinha sido um erro envolver-me com ele e em como seria bom vê-lo outra vez. Mas nunca consegui reunir coragem suficiente para olhar para uma foto, muito menos para voltar.
Uma melodia, uma memória ou apenas uma foto. Tudo isto fazia o meu peito encolher. Mas eu podia olhar para uma foto. Que diferença fazia? Eu sonhava com ele todas as noites, se olhasse para algo mais concreto que um sonho não faria mal. Ou pelo menos era o que eu achava. Logo que peguei nela, o meu coração deu um pulo e acelerou. Comecei a chorar incontrolavelmente. Aquilo era mais difícil do que tinha imaginado. Eu queria-o tanto. Foi então que percebi que estava na hora. Fiz as malas e apanhei o primeiro avião que me levaria a casa, que me levaria a ele.
Não fazia a menor ideia do que lhe iria dizer quando o visse nem o que faria. Tudo o que eu queria era tocar-lhe, abraçá-lo, pedir-lhe desculpas e assumir o meu erro. Não seria fácil, no entanto eu tinha de o fazer. O resto viria depois.
Estava à frente da porta dele há cinco minutos. Questionava-me se deveria bater ou não. Entretanto, uma pergunta assombrou-me a mente: e se ele tivesse seguido em frente? Nunca tinha pensado nisso. Talvez não quisesse aceitar essa ideia, mas era bem provável. Então virei-me para sair dali, mas quando o fiz a porta abriu-se.
– Kasey? – Voltei-me para trás.
– Syn… — Sussurrei.
– Que fazes aqui?
– Eu… — Não lhe consegui responder.
– Agora é que decides aparecer? – Gritou, o que fez os restantes que estavam na casa irem até à porta para ver o que se passava. – Depois deste tempo todo desaparecida sem dares notícias? Porque é que voltaste, agora?
– Syn…calma! – Disse Zacky.
Eu tinha ouvido tudo de cabeça baixa. As lágrimas ameaçavam cair, mas consegui segurá-las e levantei o rosto para os encarar. O “dele” não estava lá e todos os olhos expressavam incompreensão e fúria. Não me deixei intimidar e prossegui.
– Onde está o Matt?
– Interessa-te? – Perguntou Jimmy com sarcasmo.
– Sim Jimmy, interessa-me! Ouçam, eu preciso de falar com ele, digam-me por favor onde é que ele está. – Implorei.
– Para quê? Para o fazeres sofrer mais? – Foi a vez de Johnny falar.
– E o que ele me fez a mim não conta? – Eles ficaram a olhar pra mim durante uns segundos.
– Kasey é melhor ires embora. Não queremos que o Matt volte a ficar como ficou quando o deixaste. – Zacky, apesar de furioso, era o que estava mais calmo, mas quando eu ouvi aquelas palavras senti uma vontade avassaladora de chorar.
– Ok… — Baixei os olhos e a voz e deixei que uma lágrima caísse. – Eu vou e não volto. – Saí dali.
Passei a noite numa pensão barata e no outro dia fui caminhar pela cidade. Já tinha saudades daqueles tempos. Eu tinha 22 anos e estava livre. Eu estava, o meu coração nunca mais estaria. Ele pertencia única e exclusivamente a M. Shadows, mas ele não o queria.
Andava distraidamente pelas ruas quando ouvi uma melodia encantadora, uma voz pela qual eu me tinha apaixonado também e segui-a.
Entrei num bar nocturno. Provavelmente eles usavam aquele espaço para ensaiar durante o dia.
– “Seize the day, or die regretting the time you lost. It’s empty and cold without you here, too many people to ache over…” – Ele cantava de olhos fechados. Aquela música vinha do fundo do coração. Quando me viu parou e ficou tipo estátua a olhar para mim como se eu fosse um fantasma.
– Kas… — Murmurou e, depois de fechar os olhos com fora e de os abrir novamente para se certificar que era mesmo eu, explodiu. – O que raio estás aqui a fazer? – Caminhou na minha direcção, rapidamente. Aquilo assustou-me, fez-me recordar o último ano que passei com ele. Recuei dois passos.
– Matt…
– Responde!
– Podemos falar noutro sítio? Por favor? – Não tinha a certeza se aquilo era uma boa ideia, mas eu queria mesmo falar com ele.
– Em minha casa. – Disse mais calmo e eu concordei. – Pessoal vou para casa.
– Matt?
– Na boa Syn. Sabes que eu mudei, não lhe vou fazer nada. – Ele tinha mudado.
– Mas…
– Não te preocupes. Eu fico bem. – Quando disse isto, olhou para mim e depois desviou o olhar para o chão.
Quando chegámos a casa eu ainda pensava em explicações para lhe dar, eu devia-lhe isso. A viagem do bar até lá foi curta, mas o silêncio era desconfortável e não consegui raciocinar direito.
– Fala! – A voz dele era fria, não parecia a mesma que eu tinha ouvido há uns minutos no bar. Eu realmente tinha feito uma má escolha. Em vez de ficar e tentar reparar as coisas, eu fugi e deixei que ambos sofressem. Sim, ele estava a sofrer, apesar de se mostrar irritado.
– Matt…eu…eu sei que já passou muito tempo, mas…
– É verdade! Então porque voltaste? Não percebo.
– Deixa-me falar. – Ele revirou os olhos e voltou a encarar-me. Desta vez os olhares foram profundos e eu perdi-me na imensidão daqueles olhos verdes. Como é que eu tinha aguentado tanto tempo sem eles e sem a pessoa mais importante da minha vida? A expressão dele mudou por uma fração de segundo, ficando carinhosa, mas voltou a ficar indiferente. – Eu voltei porque não consegui aguentar estar longe de ti. Demorei muito tempo a engolir o meu orgulho, mas voltei. Aceito se não me quiseres de volta. Eu só queria que soubesses que eu te amo, apesar de tudo e que fugir não foi, de todo, a melhor escolha. Porque sofri mais no último ano do que em toda a minha vida. Peço desculpa por todo o sofrimento que te causei e se não me perdoares agora, espero que um dia o possas fazer. – Fiz uma pausa.- Lembras-te do que te disse quando fui embora?
– Que tinha sido um erro, o maior da tua vida, teres-te envolvido comigo? – Deu uma gargalhada triste. – Como posso esquecer?
– Agora digo-te: não foi um erro. Foi a melhor coisa que eu poderia ter feito. Nunca teria conhecido o verdadeiro amor se não me tivesse envolvido. Nunca teria sido completamente feliz. Eu fui a primeira a quebrar a promessa que fizemos. Eu deixei-te e arrepen…
– Pára! Kasey não fales assim, por favor. – Ele olhava-me angustiado. – Não assumas as culpas, porque o verdadeiro culpado sou eu. Eu maltratei-te, eu é que errei. Tu só fizeste o que qualquer pessoa faria. Desculpa Kasey, por tudo. – Peguei-lhe nas mãos, não o queria ver sofrer mais por minha causa, nem por causa de ninguém.
– A culpa é dos dois, ok? – Sorri-lhe sincera. – Vamos esquecer isto. Eu amo-te.
– Eu também te amo. – Olhámo-nos profundamente e sorrimos. Aquele era o dia que eu tinha imaginado durante o último ano.
– Quero aproveitar os dias contigo. Quero ser feliz ao teu lado, Matt. Sabes porque voltei? Por te amar mais do que tudo na minha vida... – Repeti as palavras que ele me dissera há uns tempos. — …e porque não queria morrer a lamentar o que não fiz. A lamentar a falta de coragem.
– Ainda bem que vieste. A música que me ouviste cantar…escrevi-a quando te foste embora, mas por mais vezes que a cantasse nunca conseguia arranjar coragem para te procurar. Eu simplesmente pensava que não me querias ver por causa do que te fiz.
– Sh… Não penses mais nisso. É passado! O importante é o agora.
– Eu estou diferente. Nunca mais te magoarei. És a minha vida.
E selámos os nossos lábios num beijo cheio de saudade e amor.
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