Segurança Privada

24 XXII - Vigésimo segundo.


Notas iniciais
Capítulo bem light, boa leitura.

A grande finalidade da vida não é o conhecimento, mas a ação.
Thomas Huxley.

Sakura abriu os olhos lentamente, primeiro avistando um emaranhado de cabelos negros, depois sentindo suas pernas entrelaçadas a outra, que lhe aquecia. Ela ficou um tempo sem mexer-se e um esboço de um sorriso enfeitou seus lábios. Poderia permanecer assim o tempo que fosse, mas sua bexiga lhe alertava que precisava esvaziá-la, urgente.

Tentando não acordar o homem com quem passara a melhor noite de sua vida, ela fez os mínimos movimentos possíveis para levantar, aparentemente tendo sucesso ao se ver de pé de frente para a cama, completamente despida. Olhou rapidamente Sasuke, antes de tentar encontrar algo para se cobrir, mas suas roupas não estavam por nenhuma parte; o único lençol estava enrolado no corpo nu de Sasuke.

“OK”, disse a si mesma num sussurro, e, virando-se nas pontas dos pés, rumou até o banheiro, paralisando antes de chegar à porta.

— Aonde a senhorita vai? – a voz era ensonada e ela vinha escutando-a com frequência durante suas manhãs. No entanto, a atual situação era completamente diferente das outras, o que fê-la corar.

Ela ficou, ainda, alguns segundos travada, seus dentes mordiam seu lábio inferior e sua mente travava uma luta boba entre se virar despida na frente de Sasuke, ou correr para o banheiro igual uma tola medrosa. A primeira opção venceu, e ela virou-se devagar até estar de frente para a cama, onde Sasuke ainda permanecia deitado com a barriga para cima e os braços atrás da cabeça.

— Sou tipo uma viciada, preciso sempre ir ao banheiro fazer xixi ao acordar. – ela disse, meio sem jeito. Tentava tapar, inutilmente, sua intimidade e seus seios com a ajuda das mãos.

Sasuke sorriu de canto, ele parecia estar com um humor que Sakura nunca vira antes.

— Primeiro: sabe que eu já vi tudo isso, né? – perguntou tranquilamente, e Sakura corou ainda mais – se é que era possível – e, no entanto, continuou com as mãos tapando seu corpo. Ela não respondeu, apenas olhou para qualquer lugar do quarto que não fosse o homem. – Segundo: tem outra coisa que posso te fazer viciar pela manhã. – ele falou tão naturalmente que Sakura franziu o cenho em confusão. Ela só queria correr para o banheiro o mais rápido possível, porém também queria provar para si mesma que não era uma medrosa e que podia, e devia, não ter qualquer vergonha.

— Não entendi... – ela disse, percebendo que Sasuke não explicara nada mais sobre sua sugestão.

— Sexo matinal. – soltou tão espontaneamente, que Sakura se engasgou, e, no instante seguinte, a porta fora batida em alto tom. Ele permaneceu olhando para a porta do banheiro, o sorriso torto nunca deixando seu rosto.

Fazia tanto tempo que não acordava tão bem humorado, que se deixou permanecer por mais alguns minutos de olhos fechados apreciando aquela calmaria que há muito não sentia. Por outro lado, atrás da porta do banheiro, Sakura estava com as costas na madeira como se pudesse bloquear qualquer passagem. Ela escorreu até o chão, as mãos foram de encontro aos fios rosas e apertaram-no, enquanto seus lábios foram preenchidos pelo sorriso mais genuíno.

Ela voltaria para o quarto após realizar suas necessidades matinais e, por Deus, faria o que aquele homem maravilhoso quisesse. Ela só precisava tirar o sorriso bobo do rosto, o que estava se tornando quase impossível, e também precisava jogar uma água no corpo. Com os pensamentos mais ordenados, levantou-se e abriu o chuveiro. Lavou cada parte do corpo, inclusive os fios desbotados. Após o banho, enrolou-se em uma toalha e sem nem mesmo se olhar no espelho, destrancou a porta e entrou no quarto. Lá, pôde ver Sasuke, que ainda estava na mesma posição. Os olhos dele estavam fechados e ela se perguntou se ele havia pego no sono. Suspirando longamente, deixou a toalha cair e subiu na cama.

Sasuke não se moveu, e ela teve que se debruçar sobre ele para ter certeza que ele estava dormindo. Num movimento rápido e inesperado por ela, ele a girou, ficando sobre ela enquanto prendia-a pelos pulsos acima da cabeça. Sakura soltou um gritinho surpreso, fazendo-o rir dela.

— Vejo que gostou da minha sugestão. – disse, e ela só conseguia sentir o membro na sua virilha. Ele aproximou-se ainda mais do rosto dela, sussurrando bem no lóbulo da orelha. – Eu vou te foder de um jeito que você nunca achou ser possível.

Por todo os Deuses, ela só conseguia se concentrar em três coisas após as palavras dele. Primeira: Seus corpos nus se tocando daquela forma; segunda: sua respiração e coração acelerados e terceira: o desconforto em seu íntimo; um desconforto bom, sufocante e excitante.

Ele voltou com o rosto até estar a centímetros da boca dela, que estava levemente aberta buscando por fôlego. Ela olhou para sua boca, desenhada perfeitamente e incrivelmente convidativa. Antes de beijarem-se, se olharam por longos segundos. Sasuke soltou a mão que segurava-a pelos pulsos, levando-as até a cintura da mulher, que entrelaçou as pernas em sua cintura tornando o atrito de suas intimidades quase enlouquecedor.

Sakura gemeu com cada toque, estes que foram mais breves pois suas necessidades precisavam ser, urgentemente, aplacadas pela necessidade de sentirem-se preenchidos. Ele por ela e ela por ele.

O sol matinal iluminava os corpos que se chocavam a cada estocada, dando brilho as peles quase translúcidas de ambos. Sakura sentira o clímax poucos minutos antes de Sasuke, mas permaneceu recebendo-o dentro de si ainda que o fôlego lhe faltasse. Sasuke, por outro lado, acelerou o ritmo, prendendo novamente os pulsos dela acima da cabeça dela, impossibilitando-a de reagir e só sentir. Ele fechou os olhos sentindo a onda de prazer lhe preencher, começando pelo baixo-ventre até lhe dominar todo o corpo. Deixando escapar um palavrão, libertou-se com uma última estocada.

Seu corpo caiu sobre o de Sakura. Ele sabia que poderia estar incomodando-a, mas não conseguiu se mover e ela também não reclamou, pelo contrário, as mãos foram de encontro ao seu cabelo, alisando-os ternamente.

Sasuke ainda respirou por mais alguns longos segundos antes de se retirar de dentro dela e tombar para o lado, de barriga para cima. Ele, primeiro, olhou o teto e as sombras que os raios solares formavam. Depois olhou para Sakura, que permanecia na mesma posição.

— Tudo bem? – perguntou, virando somente a cabeça para olhá-la.

Sakura sorriu, mas permanecera olhando para o teto assim como ele segundos antes. Ela gostou das figuras que as sombras pareciam formar.

— Sim. – respondeu depois de um longo tempo, este que Sasuke não ousou interromper. – Está tudo ótimo. – completou.

Sasuke olhou para o teto novamente. Ele ainda não sabia muito bem como isso tudo aconteceu, porém não queria pensar muito nisso.

— Vem cá. – disse, puxando-a para mais perto de si, de modo que ela ficasse de costas para si, com a cabeça sobre seu braço. Ele a envolveu com o outro braço, abraçando-lhe pelas costas. – Eu... Eu vou te proteger. – sussurrou no ouvido dela. Uma promessa firme, convicta e genuína, que ele precisou dizer não para cumpri-la, mas para reafirmá-la.

Sakura sorriu, anuindo enquanto segurava a mão dele firma à sua.

A manhã passou rápida, e Sakura agora estava de frente para a praia aproveitando os últimos raios solares; seus pés tocando a areia molhada. Eles foram até a cidade comprar um biquíni para aproveitarem o dia ensolarado, juntos. Agora, apreciavam o sol e a vista esplendida de Ibiza.

Ela olhava para além do mar como fizera ontem, admirando toda a beleza e a calmaria que aquele lugar lhe proporcionava. Sasuke, por outro lado, olhava para Sakura admirado. Ele viu e tocou todo o corpo dela e, ainda assim, não conseguia deixar de admirar aquela mulher. O biquíni era simples e ele nem sabia se existia algum outro modelo e isso nem lhe importou. O fato é que verde combina, em seu posto de vista, perfeitamente com esta mulher. E ela tinha o traseiro mais bonito que ele já vira. E a imagem dela, ali parada, completava aquele cenário de forma magnífica.

— É lindo. – ela disse quase num sussurro.

— Sim... é lindo. – ele concordou, admirando-a por inteira, não percebendo que ela falava da paisagem.

Um tempo depois, ele colocou um lençol que trouxera consigo de casa, sobre os ombros dela. Sakura abraçou a si mesma, agradecendo com gesto mudo.

— Você sabia que o crepúsculo vespertino acontece quando a luminosidade aparece de intensidade decrescente, o que acontece ao anoitecer, quando o sol se esconde no horizonte e sua luz permanece visível?

Sasuke olhou-a como se ela tivesse falado algum outro idioma.

— Acontece que é diferente do crepúsculo matutino que a luminosidade muda de ângulo e pode-se até mesmo ver as estrelas e os planetas que possam estar sobre o horizonte. E também depende da época do ano, até porque o sol tende a mudar de posição com as mudanças de época. Já li em algum lugar sobre isso. – completa, dando de ombros.

Contudo, Sasuke a encara, paralisado. Sua expressão poderia ser cômica, se não tivesse a deixado preocupada.

— O que foi? – ela perguntou, confusa.

— Pode repetir o que disse? – ele pediu após longos segundos.

— Eu disse que o crepúsculo vespertino acontece quando a lu-

— Não, a outra parte. – interrompeu-a rapidamente.

Sakura olhou-o ainda mais confusa, mas repetiu o que dissera minutos antes. Ela esperou que Sasuke lhe dissesse o que estava acontecendo, o porquê de ele estar tão... chocado.

— Será que pode ser isso... – ele murmurava mais para si mesmo enquanto andava de um lado para o outro com uma mão no rosto, pensativo.

— O que foi, Sasuke? – Sakura aproximou-se ao perguntar, tentando tocar o ombro dele, porém, Sasuke andava de um lado para o outro sem parar.

Ele, então, correu para a varanda da casa e olhou para além do horizonte. Seus cabelos balançavam com a brisa do mar. Sakura demorou alguns segundos para segui-lo, mas logo o fez e também observou o horizonte afim de encontrar algo que explicasse o comportamento de Sasuke.

— Não estou entendendo... – ela murmurou, olhando do mar, para Sasuke, que agora olhou-a nos olhos.

— Itachi me disse que havia enterrado algo pra mim em algum lugar daqui. – ele começou dizendo, e Sakura concordou, lembrando-o que ele havia dito algo assim para ela. – Ele disse que eu deveria esperar o crepúsculo e andar quatorze passos à direita a partir da direção do pôr do sol. – ele parou e encarou-a, sério. – e se eu fiz isso quando a época do ano, como você mencionou, era diferente da qual Itachi previu e, por isso, não consegui achar nada?

Sakura, prontamente, deixou seus lábios levemente abertos em entendimento. Ela tornou a olhar para o mar e depois, olhou para à direita e começou a andar, deixando o lençol cair e contando mentalmente até quatorze. Ela até mesmo deu passos mais largos para projetar exatamente como um homem andaria por aquele local. Assim que terminou a contagem mental, ela parou e olhou para trás, para Sasuke. Ele mantinha os olhos fixos nela, mas não moveu-se um centímetro para segui-la.

Sakura olhou para o chão bem abaixo dos seus pés e se abaixou lentamente, colocando a mão sobre a areia branca.

— É aqui... – ela sussurrou e, por um momento, achou que Sasuke não a ouviu. Não esperando por ele, começou a cavar com as mãos. A areia entrava em suas unhas, mas ignorou e continuou cavando, jogando a areia para os lados. Em um determinado momento, olhou para trás e viu Sasuke esperando-a na varanda, estagnado.

Tornou a cavar, abrindo um buraco de mais ou menos 50 cm de largura. Ela não teve certeza se acharia algo, afinal de contas, já se passaram tantos anos e talvez alguma tempestade ou a maré alta fizera o suposto “tesouro” ir para o fundo do mar. No entanto não conseguiu deixar de cavar.

Quando já estava por desistir, sentindo a ansiedade de Sasuke por suas costas e a decepção que ele sentiria, afinal, ela viu a esperança nos olhos dele. O que quer que o irmão dele tivesse deixado aqui, era muito importante para Sasuke e ela tinha plena consciência disso. E a partir disso, ela quis com todas às suas forças achar e poder entregar só para vê-lo feliz. E foi quando ela iria tirar a última mão cheia de areia que sentiu algo diferente. Ela não pôde deixar de arregalar os olhos, e começou a tentar desenterrar ainda mais desesperada. Em um determinado momento, tentou puxar o que parecia ser um mini baú, mas não conseguiu e olhou para trás só para ver Sasuke ainda mais apreensivo que si. Porém, ele não a seguiu, estava travado naquela varanda como se os pés tivessem sido colados.

Puxando ainda mais forte, ela conseguiu desenterrar, finalmente, o baú da areia, caindo sentada para trás. Só então Sasuke conseguiu forças para mover seus pés. Ele correu até ela, abaixando-se ao seu lado; olhando-a nos olhos, ambos surpresos.

— Eu achei... – ela sussurrou, e Sasuke anuiu, olhando para o pequeno baú nas mãos da moça.

Ele não ousou pegar, e Sakura teve a primeira atitude, tentando abri-lo. Ela puxou, porém estava trancado e ela não conseguiu abrir.

— Parece que precisa de uma chave para abrir. – ela disse, e só então Sasuke reuniu coragem para pegar o objeto em suas mãos. Ele observou a fechadura e concordou com ela. Mas onde ele arrumaria a chave para abrir aquilo? – Você não lembra se o seu irmão comentou algo a respeito?

— Não, ele apenas me deu instruções para achá-lo, mas não me disse nada sobre chave alguma.

— E você, por acaso, não tem qualquer chave? Talvez ele deixou em algum lugar e te avisou, mas você não se lembra.

— Não, Sakura. Ele não me deixou chave alguma. Ele só disse que enterrou algo aqui na areia e depois ele sumiu. A única coisa que tenho dele, é o isqueiro que carrego comigo.

— Ele está aqui? – ela perguntou.

— O isqueiro? Sim, sempre o levo comigo. – respondeu. Sakura levantou-se, limpando a areia do corpo.

— Podemos dar uma olhada nele? Se ele deixou apenas isso pra você, pode ser que tenha algo ali que você não percebeu. – Sasuke concordou, se levantando. Andaram até a casa, lado a lado.

Sasuke foi até o andar de cima procurar o isqueiro que estava no bolso da bermuda que viera no dia anterior. Assim que achou, desceu para o encontro da mulher.

— Aqui. – disse, entregando-a o objeto. – Você acha que pode ter algo aí?

— Sim... Talvez... – ela respondeu. Sakura começou a observar o isqueiro, mexendo-o e remexendo-o afim de encontrar qualquer coisa, no entanto não achou nada além do botão para acendê-lo. – Parece que não tem nada.

— Me deixe vê-lo. – Sasuke pediu, estendendo a mão esquerda para pegar o objeto prateado. Ele revirou-o, mas também não encontrou nada. – Droga. – praguejou.

Sakura pôs a mão sobre o ombro dele, que a olhou um pouco ressentido por não ter encontrado.

— Fique tranquilo, se não achar a chave, pode levar em algum lugar e pedir para abrirem. – ele concordou, mesmo sabendo que agora que achou o que tanto buscou, não conseguia manter-se calmo.

Ele ainda olhou e tocou por longos minutos o baú, e Sakura apenas observou em silêncio. Depois de longos minutos, Sasuke deixou o baú sobre o aparador da sala de estar e tornou a olhar para Sakura. Ele precisava se distrair ou enlouqueceria, e seu estômago acabara de roncar, lembrando-o de que precisava por algo comestível para dentro.

— Você quer sair pra comer alguma coisa? Conheço alguns restaurantes que são muito bons. – finalizou a pergunta com o elogio aos restaurantes que fizeram parte de sua infância, fazendo-a salivar com a ideia de um bom jantar. Passaram o dia todo aqui e, bem... nem Sasuke, nem ela, sabiam cozinhar muito bem. Comeram apenas algumas porcarias ao longo do dia, e Sakura queria muito uma comida de verdade.

— Vamos. – concordou, não antes de abraça-lo, ficando nas pontas do pés para selar seus lábios. Ele sorriu, envolvendo-a pela cintura, aceitando o contato físico de bom grado.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.