Segurança Privada
16 XV - Décimo Quinto.
Aprenda como se você fosse viver para sempre. Viva como se você fosse morrer amanhã.
—Mahatma Gandhi
— Então, Gaara disse isso?
— Exatamente, meu amor. — Mebuki se aproximou do marido, enlaçando os braços ao pescoço dele. — Gaara prometeu trazê-la de volta.
— Temos que agradecê-lo por isso.
— Temos que dar uma lição na sua filha ingrata...
— Nossa filha, querida. Nossa filha.
Revirando as íris, Mebuki suspirou, retirando os braços do enlace no marido.
— Você a mimou demais. Onde já se viu, Sakura fugiu com um mero guarda-costas. — ela andou graciosamente até o sofá, sentando-se no estofado, cruzando as pernas elegantes. — Eu não entendo a mente daquela garota.
— Ela não gosta de receber ordens, nunca gostou! — afirmou Kizashi, seguindo o mesmo caminho da mulher. Ele parou de frente para a mesa de centro transparente. Ali, Kizashi pegou a garrafa de vidro, despejando o líquido malte no copo.
— Não me interessa o que ela gosta ou não. Ela deveria ter consideração por nós. — Mebuki ergueu o braço, incitando Kizashi a lhe dar o copo. — Ela só pensa nela mesma.
Kizashi entregou o copo a mulher, que bebericou o conteúdo, franzindo o cenho ao ardor do líquido deslizando por sua garganta.
— Sakura não é mais criança. Ela deveria saber que estamos em crise! Oras, demos sempre do bom e do melhor para ela, e olha como ela nos agradece...
— Ela sempre deixou claro sua opinião quanto a isso. — disse Kizashi, se sentando ao lado da esposa.
— Ainda assim, ela deveria estar aqui ao nosso lado. Deveria estar pensando nos preparativos para o casório!
— Eu sempre soube que ela não aceitaria esse casamento de bom grado.
— Ela não tem que aceitar nada, Kizashi. Aquela menina nos deve tudo e o mínimo que pode fazer é casar-se com Gaara para mantermos nossos bens intactos.
Suspirando, Kizashi apenas anuiu antes de se levantar e subir para seu quarto.
Ele sabia a injustiça que estavam cometendo para com a filha. Ele era contra o meio que sua esposa achou de salvar sua fortuna, contudo, ele não conseguia intervir quando se tratava de Haruno Mebuki.
A mulher era, de certa forma, dura na queda.
Jamais, em quaisquer circunstâncias, em qualquer hipótese, Mebuki deixaria Sakura escolher seu próprio caminho quando o assunto envolvia os bens e heranças da família Haruno. Ela que era a matriarca, que tomava grande parte das decisões; tomara a decisão de casar Sakura com o milionário prestigiado, Sabaku no Gaara.
Kizashi, ainda lembrava-se quando o Sabaku mostrou interesse por sua unigênita. Mebuki, todavia, jogou Sakura nos braços do milionário, independente dos sentimentos.
Kizashi sempre se considerou um homem de família, respeitoso, alguém prestigiado pelos muitos anos de administração da família Haruno. No entanto, haviam raspado em torno da falência. Haviam estado diante muitos imprevistos nos últimos anos. A queda na bolsa, acontecimento beirando meados de 2009, abalara sua fortuna. É claro, sua mulher enlouqueceu diante da possibilidade de falência e a única solução fora jogar Sakura nos braços do primeiro herdeiro renomado que surgisse.
Infelizmente, ou felizmente, Gaara fora o primeiro que apareceu. Kizashi, já havia feito negócios com a empresa do ruivo. Ele mostrou-se interessado em sua filha à primeira vista.
Ele não sabia o que aconteceria dali pra frente mas tinha certeza que Gaara daria um jeito de trazer Sakura de volta e, quando trouxesse, Mebuki a condenaria ao casório.
X
O som dos vagões se arrastando sobre os trilhos era quase inaudível. A locomotiva era moderna, e isso facilitava a audição de Sasuke, de modo que qualquer barulho suspeito ele vasculhava fora da cabine onde descansavam.
Ele tinha que admitir, estava tão cansado quanto Sakura. Além da viagem de avião, não que o fuso horário fosse de tremendo contraste, eles ainda tiveram um grande imprevisto ao serem perseguidos por guardas e capangas. Sim, Sasuke sabia que aqueles dois sujeitos suspeitos eram capangas do maldito que estava atrás da Sakura.
Ele não sabia quem era o mandante, mas tinha certeza que, para ele estar perseguindo Sakura, ou ela sabia de algo, ou tinha algo.
Mas o quê? O que poderia ser tão valioso a ponto de valer a vida dessa mulher, que lhe parecia tão inocente?
Ele não conseguia imaginar a mulher deitada no estofado da cabine guardando quaisquer segredos.
Fitando os dois lados do corredor, o direito havia mais uma cabine antes do término do vagão, Sasuke tornou a fechar à porta. Sentou-se de frente para Sakura, colocando os pés sobre a mesinha de centro. Ali, um arranjo florido descansava. Sasuke teve certeza que estava colado à mesa.
Por sorte, o trem se locomoveria até Alicante, onde embarcariam direto para Ibiza. Ele havia, há pouco, feito uma rápida ligação do celular do vizinho de cabine, e comunicado a Kakashi sua localização. É claro, o sinal ali, com a locomoção do trem, era péssimo. Entretanto, ele conseguiu após muitas tentativas.
Tinha que assumir, interiormente é claro, estava extremamente ansioso para pôr seus pés novamente em sua terra.
Era satisfatório, nostálgico e até mesmo empolgante voltar para a Espanha e poder desfrutar do ar puro de seu país. Porém, ele tinha clara noção das reais intenções de estar ali novamente, e estas não eram nada alvas.
Distraído, fitando os borrões que passavam através do vidro da janela, Sasuke percebeu o minucioso movimento de Sakura. Ele desviou o olhar lentamente até encontrar a mulher olhando-o.
Ela, claramente, se encontrava aturdida, confusa. Suas íris trêmulas denotavam isso. Em um movimento rápido, percebendo estar deitada sobre o estofado, ela se ergueu, se sentando completamente ereta.
— Acho que adormeci. — sussurrou quase como se pedisse desculpas pelo cochilo. — Vo- — ela se interrompeu, coçando o olho direito com as costas da mão.
— Está tudo bem. — garantiu-lhe, após notar que ela não terminaria a frase.
A moça estava de cara limpa, sem um resquício de maquiagem, algo raro se pensasse nos dias em que a via na mansão.
Sakura agradeceu mentalmente por ele não questioná-la quanto à própria fala incompleta, e mais ainda por ele tê-la deixado cochilar, pois estava extremamente exausta. Ela virou o rosto na direção da janela, percebendo o matagal ao lado exterior.
— Falta muito para chegarmos? — a pergunta saiu num sopro. Seus olhos permaneceram fixos no lado de fora.
— Não muito. — ele respondeu, sem tirar os olhos um segundo sequer da moça.
Ela estava diferente, quase como se estivesse acanhada ou arrependida. Ele sabia que era muita coisa em pouco tempo para ela digerir, no entanto, ela tinha que fazê-lo para o próprio bem.
Suas intenções não eram leva-la consigo, visto que tinha planos e precisava pô-los em pratica. Mas ele não pôde deixa-la lá para ser capturada por sabe-se quem. Ele próprio queria respostas para todo aquele tumulto posterior.
— Quando chegarmos, embarcaremos num jatinho. — falou após alguns minutos de silêncio.
Sakura o fitou, a sobrancelha levemente arqueada.
— Meu amigo nos levará. — explicou-se após notar o desentendimento notório dela. É claro, ela não entenderia como embarcariam num jatinho.
— Ele é rico?
— Faz diferença? — retrucou.
— Não... É que estou me dando conta que não sei nada sobre você. — ela finalmente disse, diretamente, sem rodeios.
Sasuke pensou em deixar o assunto em aberto. Pensou em deixa-la no escuro e apenas ignorar como costumava fazer quando as perguntas não lhe favoreciam ou agradavam. Mas algo nos olhos de Sakura fê-lo hesitar, mordendo levemente a ponta da língua.
— Eu não sou Americano. — começou a falar, mas fora interrompido por ela, que afirmou já ter percebido isso há tempos. — Minha família e eu vivíamos aqui, na Espanha, e foi aqui que eu cresci.
Ele deu uma pausa olhando para fora da janela. A saliva em sua boca fora engolida com aspereza.
— Quando eu era adolescente, mi-minha família... Minha família partiu... — dizer cada sílaba, cada palavra, era doloroso. Ele não sabia porque Diabos estava dizendo aquilo, mas estava, e Sakura atentava a cada palavra dita.
Novamente, engoliu em seco, soprando uma longa lufada de ar.
— Desde então, vivo rodando o mundo. — sussurrou, muito rapidamente, de modo que Sakura teve que estreitar os olhos para entender.
— Eles partiram pra onde?
— Pro céu, ou inferno, eu não sei! — respondeu.
Sakura fraziu o cenho. Não entendera uma palavra sequer dita por ele. A família havia partido, certo, e ele fora criado por sabe-se Deus quem. Mas o jeito amargo que cada palavra saia da boca máscula era atormentador. De certo modo, triste.
— M-Mas nunca mais voltaram? — perguntou, quase hesitante.
— Não. Eles não vão voltar... Nunca mais.
— Por quê? Você nunca tentou procura-los?
— Sakura, eles estão mortos! — ele finalmente disse. As palavras pegaram-na desprevenida, e todo o corpo esguio se arrepiou com o choque. Um impacto. Direto, objetivo, tão objetivo...
Ela apenas abriu a boca. Uma, duas, três vezes até que tornou a fechá-la e só voltou a abri-la novamente para sussurrar num tom quase inaudível: eu sinto muito.
E Sasuke sequer agradeceu pelas palavras de consolo.
Óh. Grandes palavras eram aquelas. Exatamente iguais as que ele ouviu repetidas vezes, como um mantra. Tão vazias e iguais, quase como se fossem um hino que deveria ser repetido a cada tragédia contada por alguém. Era fato que o ser humano era excessivamente monótono.
Dali adiante o silêncio se impregnou, como praga, dentro da cabine.
X
O carro freou abruptamente num encosto de uma velha estrada. Do lado interior do veículo, o corpo de Hinata fora lançado para frente, seus cabelos caindo em cascata em seus olhos.
— Argh. — bronqueou.
— Essa porcaria de carro. — disse Naruto, deixando o automóvel com uma forte batida na porta.
Ele andou até a borda da ponte, debruçando os cotovelos ali. Seus olhos acompanharam a água abundante, esta que trajava um percurso até um pequeno riacho.
Hinata, que acompanhara com os olhos cada passo do loiro, saiu do carro e parou alguns centímetros das costas másculas.
— Caralho. — Naruto sibilou. Sua atenção focada na água e sua mente no ocorrido horas antes.
— Dá pra ser mais educado? Não precisa ficar xingando! — ela reclamou, revirando os olhos enquanto cruzava os braços ao peito.
Dessa vez, Naruto virou-se para fita-la cara-a-cara. — Ca.ra.lho. — separou cada sílaba ao proferir as palavras.
Ele estava pouco ligando para os bons modos. Na verdade, sua perna mal sustentava o peso do tronco. Estava tremendo.
Porra, ele acabara de sair de um tiroteio onde ele próprio era o alvo. Como caralhos ele deveria estar? Paciente, calmo, fugaz?
Uma ova!
Uzumaki Naruto estava apavorado — em todos os modos, sentidos e definições da palavra.
Apavorado por ter estado no meio do fogo cruzado; por estar longe de sua casa, do seu carro, até mesmo do seu peixinho de estimação. O coitado morreria sem comida.
— Você é um grosso! — Hinata reclamou novamente, se afastando do loiro e tornando a entrar no carro.
Ela não estava com cabeça para escutar um homem daquele tamanho tendo uma atitude infantil.
Qual era a dele? Ela era uma mulher e ele deveria ter modos enquanto estivesse por perto. Mas o idiota só sabia xingar e resmungar sobre um tal peixinho colorido...
Ridículo!
Encostando a cabeça no encosto do banco, ela fechou os olhos e tentou respirar com mais calma.
Como horas antes havia feito desse mesmo jeito enquanto esperava acordar do pesadelo, e acabou não acordando, perdera as esperanças de que fosse apenas um pesadelo e passou a tentar raciocinar com mais prudência.
Ela estava encrencada graças a sua melhor amiga, e nem sabia onde Sakura estava.
Será que Sakura conseguira fugir daqueles homens maus? Será que estava no nada assim como ela, e sem respostas para exatamente tudo?
Ela temia por sua amiga, e mais ainda por ela mesma.
Com tais pensamentos, Hinata deixou o carro novamente e andou até o homem, parando bem ao lado dele e focando no que quer que fosse que ele estivesse olhando.
— Pra onde vamos? — perguntou após alguns minutos. O desafio de falar era abrasante, e ela quis, por algumas frações de segundos, jogar-se da ponte e não ter que fazer a própria mente trabalhar a mil.
Naruto ponderou em responder, suspirando longas vezes antes de crispar as mãos e fitar o rosto de Hinata. Ele acabou percebendo a grande tensão dentro dos olhos índigos. Tão quanto à dele.
— Eu não sei. — respondeu sincero. — Sasuke me deixou um bilhete, outro na verdade. Ele disse para irmos até o aeroporto, no armário sessenta e nove, que encontraríamos algo.
— Você sabe o que é?
— Não faço ideia. — admitiu.
— E se... E se eu quiser ir embora? — ela hesitou, e não soube dizer o porquê. Mas, interiormente, não conseguia imaginar o homem ao seu lado andando por aí sozinho.
— Não vou obriga-la a me seguir. Sinta-se livre pra ir quando bem quiser. — Naruto tornou a fitar a água.
Ele não obrigaria ninguém a estar ao seu lado. Ele próprio sabia que se meteu na maior furada da sua vida. Porém, não era ele que vivia reclamando da vida pacata que levava? Não era ele que, por diversas vezes, ponderou entre suas escolhas e crenças? Chegava a ser patético no quão medroso se tornara com o tempo.
Tudo bem que viver radicalmente não incluía um fuzil sendo disparado em sua direção, mas até que a adrenalina do momento fê-lo sentir-se vivo por alguns minutos. Fê-lo temer pela vida, não só a dele, mas a da mulher ao seu lado. Fê-lo pisar fundo naquele acelerador e só olhar pra trás para constatar que estava tomando distância, e não se aproximando dos malditos.
E, no exato momento em que pegou a arma que Sasuke deixara consigo, ele sentiu todo o sangue ferver. Sentiu todos os músculos enrijecerem e seus olhos brilharam em deleite.
Ele não era um fanatista por tiro, perseguição e corrida. Não, ele estava longe de ser alguém assim.
Contudo, ele sempre viveu sob os cuidados de um exemplar cidadão. Ele sempre ansiou por algo mais e nunca obteve. E nesse exato momento, ele sentia-se o maior egoísta do mundo, mas seria egoísta se precisasse disso para viver sua vida sem saber o que esperar do amanhã.
— Se você partir não terá mais notícias da sua amiga. — cada palavra cuspida ao vento fora intencional. O maior gesto de egoísmo praticado por ele. Ele tinha plena consciência disso quando as elaborou, quando as mentalizou e as disparou pela boca sedenta por viver.
Ele não precisou olhar para o lado para constatar que fizera a mulher desistir de partir, optando por seguir com ele nessa estrada sem volta.
X
O ruivo observava o lado exterior da janela do seu escritório. Sua sala era localizada no décimo segundo andar do Sabaku’s Business Building. O edifício era um dos mais altos num raio de quilômetros, e o que Gaara podia ver àquela altura eram outras construções em miniaturas.
A cadeira preta giratória era sustentava pelo peso másculo, e os pés envoltos aos sapatos de couro preto estavam sobre o parapeito da janela. Ele era o dono, afinal, e fazia o que bem entendesse.
Seu computador sobre a mesa estava ligado, a tela mostrava fotos de Sakura e o maldito segurança. Os dois no aeroporto de Barajas, de mãos dadas.
Aquela cena havia feito o estômago de Gaara se revirar. Seu enjoo se alastrou por todo o corpo e agora ele precisava de ar fresco para recuperar os sentidos. Fora por isso que se virou para a janela aberta e passou a observar o lado de fora.
Sua noiva havia fugido com outro. A maldita havia preferido fugir com outro a ficar ao seu lado. O que ele teria que fazer para ela quando a encontrasse? O que Sakura merecia como castigo por ser tão mimada?
Maldita Mebuki, que não tinha controle sobre a filha e a mimou a ponto da Haruno ter a capacidade de fugir com um empregado qualquer!
Da porta, Kiba irrompeu, fazendo Gaara olhar rapidamente na direção dele. O ruivo trincou os dentes ao constatar Kiba olhando-o com a testa franzida e a respiração em alta.
— Vamos lá, me diga o que quer. — enquanto falava, girou a cadeira totalmente na direção do outro. Com um suspiro, tentou manter a calma.
— Minha noiva... — Kiba pausou as palavras, arfando pela corrida posterior, pondo as mãos nos joelhos. Ele havia desistido de subir de elevador e usado às escadas para chegar ao último andar. É claro, estava no vigésimo quinto andar ao optar pela corrida. Ainda assim, havia sido cansativa. — Minha noiva fugiu. — completou.
Gaara ergueu a sobrancelha. A mão direita passou a tamborilar sobre a mesa enquanto observava Kiba falar.
— Não é nenhuma novidade.
— Como disse? — Kiba rodeou a mesa, parando próximo a janela bem ao lado do Sabaku. — Você sabia...?
— Sim. — assentiu. — Meus homens me informaram sobre a fuga da Hyuuga. Pensei que você, como o marido atencioso que é, soubesse que sua noiva também escapou.
Kiba estreitou os olhos, suas narinas dilatando-se a medida que fitava o ruivo, que estava inteiramente calmo.
“Maldito seja esse homem”, amaldiçoou-o mentalmente.
— Você não teve a capacidade de me avisar? Você sabia esse tempo todo que não só Sakura, como também Hinata haviam fugido, e não me avisou?
— O que queria que eu fizesse, Inuzuka?
— Me avisar, Gaara. Me avisar que Hinata também estava metida nesse rolo.
Gaara gargalhou, parando de tamborilar os dedos na mesa, levantando-se e parando de frente para o outro.
— Eu não te devo satisfações, meu caro amigo. Saiba que aqui as coisas funcionam como eu bem entender!
Kiba rosnou.
— Maldito! Você é um maldito, filha da puta, Gaara!
— Eu sei, Inuzuka. Eu sei. — concordou pacatamente. O asteísmo sorriso nos cantos dos lábios surgiu inconscientemente.
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