Segundas conclusões
1 Capítulo 1: One shot
Notas iniciais
Ela ainda estava escutando na sua cabeça o barulho dos tiros. Isso sempre acontecia quando o dia era intenso com isso. Ela nunca havia se acostumado. Outra coisa que ela não havia se acostumado eram os tiros no colete. Suas costas ainda ardia pelo tiro de algumas horas atrás. Ela não se deixava importar por aquilo porém. Ela só queria cumprir o trabalho dela, e se essas pequenas dores fossem o preço pra manter a cidade a salvo, era o preço que ela havia prometido pagar. Ela ia começar a organizar seus papéis, havia recém chegado, quando Weller a abordou.
— Você está bem? — Ele perguntou indo até a mesa dela.
— Sim. Bateu no colete. Eu estou bem. — Ela disse sem muita conversa, mas ele continuou ali no pé de sua mesa.
Escorando-se, ele cruzou os braços e olhou pra ela.
— Eu realmente estou bem. — Ela completou sem muito humor.
— Eu sei que está, mas quero que vá a enfermaria nem que seja pegar um gel, ou qualquer remédio pra dor. Esse trabalho lhe exige muito vigor físico. Você não pode brincar com isso.
— Eu não estou brincando. — Ela finalizou, mas como viu que ele ainda estava lá, ela se deu por vencida. — Eu já estou indo.
Ele enfim se desencostou da mesa dela.
— Irei verificar isso em breve. — Ele disse indo embora.
Ela largou o que estava fazendo. Sabia que Weller era extremamente protetor e ela preferia atravessar pelo inferno descalça a teimar com ele quando o assunto era cuidar da equipe. Ela foi sem muita pressa porém. Ao chegar lá, encontrou Mônica. Ela a conhecia e Mônica foi ao seu encontro.
— Eu tomei um tiro, foi no colete, mas Weller fez questão que eu viesse pra saber se ta tudo bem, talvez tomar alguma coisa pra isso doer menos. — Ela disse sem muita paciência. — Sabe como ele é.
Mônica balançou a cabeça e riu, pegando sua ficha.
— Você pode me mostrar onde você tomou o tiro? — Ela perguntou.
Tasha tirou a blusa e mostrou. A enfermeira assentiu com a cabeça e ela vestiu-se novamente. Ela escreveu algo em sua ficha até que se virou pra ela.
— Você pode me esperar lá fora? Eu vou pegar uma pomada pra você no outro estoque e você pode ir. — Ela disse séria.
Tasha deu de ombros.
Ela ia sentar do lado da porta, mas ao olhar, o irmão de Jane estava lá juntamente com dois seguranças. Ela sentou uma cadeira após ele e respirou fundo. Sua paciência pra esperar as coisas era mínima, pra não dizer inexistente. Ela suspirou e fechou os olhos, levantando sua cabeça e procurando relaxar. A enfermaria estava calma. Ela agradeceu mentalmente por isso. Ela se sentiu mais calma assim. Se permitiu abrir os olhos. Seus olhos pararam no irmão de Jane. Ele tava com uma marca no pescoço. Ela supôs que fosse do dia de hoje, mas parecia estar tudo bem afinal ele estava ali.
Ela observou seus seguranças e de repente lhe veio a lembrança das noites em bares com Jane e Patterson. Lembrou-se de Jane descobrindo as coisas e também de como era chato ela ter uma escolta toda hora ali. Era um saco que pessoas fossem sombras de outras.
— Mas ele merece. — Ela pensou consigo mesma. — Mesmo que ele não saiba.
— A Jane também não sabia na época. — O seu subconsciente lhe disse. — E você ainda acha que ela merece?
— Não é a mesma coisa! — Ela respondeu pra si mesma.
— Se você parasse de tirar tantas conclusões precipitadas de tudo talvez você parasse de julgar quem merece e quem não merece as coisas e pudesse ver quem realmente as pessoas são. — Seu subconsciente rebateu.
Sua conversa consigo mesma foi interrompida porém quando ele se mexeu de uma vez. Ele começou a sussurrar algo como se estivesse sendo torturado. Seus seguranças se assustaram e Tasha também, mas diferente deles, ela não recuou. Ele continuou sussurrando como se tivesse lembrando de algo, algo nada bom.
— Roman. — Ela chamou quebrando aquele colapso dele, mas ele não olhou pra ela ainda. Apenas se calou.
— Roman. — Ela disse pela segunda vez. Ele olhou sem jeito pra ela. — Você ta bem?
Ele a olhou assustado. Ele havia mesmo ficado louco ou aquela garota tava perguntando se ele tava bem? Ele não teve forças pra responder, então apenas acenou com a cabeça que sim. Ela se aproximou dele, fechando a distância de uma cadeira que havia antes.
Os seguranças observavam um pouco afastados os dois conversarem.
— Eu não lembrei de nada. — Roman disse quebrando o silêncio que havia cercado por alguns segundos. — Só dessa droga de orfanato. — Ele finalizou frustrado.
— Hey, — Ela disse chamando a atenção dele. — Sua irmã não lembrou de tudo todas as vezes que foi a campo.
— Ela me disse. — Ele respondeu sem muita paciência.
— Respire fundo. Tente se acalmar. — Ela disse olhando pra ele e depois tornou a olhar para frente.
— Eu estou cansado. — Ele disse suspirando. — Eu fico o dia inteiro sem fazer nada, no mesmo lugar.
— Não é fácil, mas você se colocou nessa situação. — Ela respondeu dando de ombros.
— Eu não lembro disso. — Ele disse rapidamente. — Eu não lembro sequer porque estou passando por esse inferno porque eu fico o dia todo naquela cela e não lembro de nada. Quando eu saio, só lembro das mesmas coisas, só me arrisco. Eu não tenho sido útil pra nenhum de vocês.
— Você é muito valioso pra sua irmã. Ela acredita em você, então tente acreditar um pouco. Se você ficar se julgando, sua mente vai se bloquear ainda mais.
— É fácil pedir calma quando você pode fazer o que quiser pra ficar calma. Eu não consigo. — Ele disse fechando suas mãos em sua calça.
Tasha percebeu que ele parecia apreensivo. Ela não estava ajudando-o, e mesmo ainda lembrando de todos os mortos ao olhar pra ele, ela não queria atrapalhá-lo. Se Jane, Kurt, ou quem quer que fosse acreditasse que ele poderia se recuperar, ela não queria atrapalhar isso. No fundo, ela sabia que queria que isso acontecesse. Ela sabia que no fundo queria que ele se tornasse alguém bom nessa chance que a vida deu a ele, assim como Jane havia se tornado.
— Desculpa. — Ela disse enfim.
Ele a olhou novamente assustado e ela finalmente suspirou, se entregando em comodidade aquela conversa.
— Deve ser um saco passar por isso. — Ela disse até que Mônica chegou com sua pomada. Ela pegou e agradeceu, mas antes de ir, algo a fez voltar. Voltar pro irmão de Jane.
— Se você não se permitir ter novas lembranças você nunca vai recuperar antigas, e mesmo que você se recuperar, você não vai saber o que fazer com elas. — Ela disse por fim. — Permita-se mais.
Ele sorriu pela primeira vez na vida dele pra ela, até que a enfermeira chegou e olhou pra ele.
— Obrigada. — Ele disse olhando pra ela até se levantar para seguir a enfermeira.
— Não tem de quê. — Ela disse sem nem sequer acreditar que enfim tinha chegado em um meio termo com o irmão de Jane.
Ela sorriu pra ele e ele sorriu pra ela. Eles estavam bem naquele momento. Ele pelo conforto que veio logo de onde ele menos esperava. Ela? Ela se sentiu melhor por finalmente ter sentido compaixão por ele, por ter enxergado de um outro modo depois de algum tempo, e por perceber que era bom rever suas conclusões precipitadas, às vezes.
Notas finais
PS: No carnaval sairá one shot de Jeller. Eu não abandonei meu #1 shipp.
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