Segundas Chances

7 Videogame, livros, pesadelos e um bom café


Notas iniciais
Me perdoem pela falta de atualização (de novo). As aulas começaram, tudo ficou mais corrido, tive um baita bloqueio na hora de escrever,... Enfim. Espero que gostem, nada muito refinado apenas para dizer que não sumi, haha.

Além de a comida estar excelente como sempre – e Regina, com certeza, se achava por causa disso – ela ainda precisava reestabelecer algumas regras em relação a colocar a mesa, lavar a louça e tirar o lixo. Por enquanto, ela estava contenta em deixar Henry ficar um pouco mais confortável, mas não por muito tempo. Em breve, ela instalaria regras, uma por uma.

Quando havia silêncio durante a refeição, não era tão desconfortável o quanto ela pensou que seria. Mesmo com Zelena proferindo não mais do que algumas palavras aqui e ali, Henry não parou de falar nem por um momento sobre as ‘aventuras’ em Nova York e as duas adultas prestaram bastante atenção nele. Regina fez alguns comentários, mas estava encantada apenas ao escutar seu filho. A voz dele já estava mudando, ele já não era tão pequeno...

Em geral, foi um evento agradável para a morena, ela não podia dizer ao certo se sua irmã havia gostado ou não, Zelena geralmente mantinha suas emoções guardadas com cuidado, assim como eu, pensou. Elas já começavam a se entender, embora na frente dos outros era claro que a ruiva não iria falar muito até que confiasse mais um pouco.

Enquanto Regina fazia a limpeza dos pratos, ela conseguia escutar os gritos de Henry, se gabando por ter terminado o nível antes de Zelena – de novo. Depois disso, os 30 minutos antes da hora de dormir do garoto tinham sido usados jogando mais Mario com sua... Tia. E até sua mãe. Regina nunca admitiria, mas ela realmente gostava de jogar videogames.

Ela havia conseguido transformar o jogo de cooperação em algo competitivo. Bem, ela cooperou, mas apenas com Henry. Mario e o Cogumelo Amarelo (se seu nome era esse ou não, ela não estava nem aí) se ajudavam enquanto o Luigi era morto toda hora por ficar para trás. Regina havia se divertindo muito com isso e nem se preocupava em esconder, se o sorrisinho arrogante permanente em sua face servisse como indicação.

Olhando no seu relógio, ela franzira o cenho e ficara surpresa ao perceber que já passava da hora estipulada. Ficara um pouco chateada ao saber que precisava acabar com a diversão, afinal Henry não podia cair em uma rotina errada. Então ela o lembrou:

– Bem, eu não sei como as coisas funcionavam em Nova York, mas aqui, querido, sua hora de dormir ainda é às nove e meia, e já passamos disso – ele definitivamente não ficou feliz com isso, murmurando coisas dentro das linhas ‘não é justo’ e ‘eu queria jogar mais’ e fez como pedido, indo para o andar de cima após desligar o jogo.

Regina deixou Zelena escolher um livro da imensa estante. Aparentemente, sua irmã também amava ler, mas nunca tivera tempo antes. Após uma inspeção rápida, a ruiva pegou o livro O Mágico de Oz, pois achou peculiar o fato do nome ser aquele. Por que um livro teria o nome do Mago mais falso de Oz? A morena ficou surpresa com a escolha, porém mordeu a língua e decidiu que seria uma boa ideia Zelena saber sobre uma das maneiras em que era interpretada nesse mundo.

Enfim, elas desligaram as luzes de baixo e foram se preparar para dormir.

Enquanto Zelena foi para o quarto de hóspedes sem pausa, Regina decidiu checar Henry.

O menino estava contente com sua mãe estar ajudando Zelena, e sabia que ela era uma boa pessoa se você parasse para conhecer o que tinha por trás da Bruxa Má. Foi assim com Regina, também. Ela concordou e agradeceu seu príncipe por ser tão inteligente e compreensivo da situação.

Enquanto isso, após sua rotina noturna, a irmã da ex-Rainha Má deitava-se na cama aconchegante, com os lençóis macios, cheirosos, limpos; junto a um cobertor quentinho, já que o inverno que logo terminaria decidira ter seus últimos momentos e atacara com um frio desgraçado.

Zelena brevemente pensou em como queria um chá, e suas meias de lã que ela mesma bordara em seus tempos de solidão aqui em Storybrooke... Rapidamente jogou o pensamento para longe, pois agora tudo se consertava e ela não estava mais só. Tinha sua irmã, que já podia dizer que am-. Gostava. Nunca, em um milhão de anos, Zelena imaginaria que ficaria amiga da pessoa que passara boa parte da sua vida odiando e, se fosse para ser sincera consigo mesma, sem motivo algum.

Pegando o livro que havia colocado anteriormente na cabeceira, mergulhou com uma agilidade no universo de Dorothy, pensava no nome com desgosto, era a garota a qual sentira raiva e inveja por roubar seu lugar entre as Bruxas. Esta Dorothy do livro, em contraparte, era mais doce, tinha uma estranha vontade de cantar algo com arco-íris – Zelena não mentiria, sim, ela pulou a parte que começava Somewhere Over the Rainbow sem pensar duas vezes –, amava a fazenda e seu cachorrinho Totó.

Será que Dorothy era, de fato, assim? Ao encontrá-la brevemente em Oz, nem quisera conhecê-la, por motivos mais do que óbvios. Até então, na parte onde estava no livro, tudo se encaixava, pois a menina aterrissava em Oz através de um tornado.

Ela teria continuado a leitura, se não tivesse percebido como sua visão já ficava borrada e não permitia que lesse nem mais uma palavra sequer. Olhando no seu relógio de pulso que, para dormir, estava na cabeceira, descobriu por que estava tão cansada: já era mais do que onze horas da noite. Ela sabia que, para que pudesse acordar cedo no dia seguinte, teria que parar de ler, infelizmente.

Desligando o abajur após colocar o livro na mesinha, ajeitou-se em volta dos cobertores e imediatamente encontrava-se em um sono profundo.

Não muito tempo depois, todos estavam dormindo pacificamente, ou quase todos, porque às 3 da manhã Regina foi acordada por choradeira. Tendo Henry perto desta vez, ela nem jogou um robe em cima do pijama e correu para o quarto dele. Ele estava esfregando os olhos e bocejando.

– Tudo bem, filho?

– Sim mãe... Tem alguém chorando?

Oh. É claro, os pesadelos da Zelena. Regina sempre os tinha para ser lembrada de cada um dos delitos que cometera no passado, mas rapidamente encontrara uma maneira de lidar com eles. E como havia dito em Neverland, ela não se arrependia por ter feito aquelas coisas horríveis, pois a deram Henry. De qualquer maneira, parecia que Zelena não tinha a mesma habilidade.

Balançando a cabeça para limpar sua mente desses pensamentos confusos, causados pela vontade de dormir ainda presente, ela arrumou as cobertas do garoto em volta dele e beijou sua testa, o assegurando que ela cuidaria do problema.

– Boa noite, meu pequeno príncipe – ele foi dormir bem rápido depois disso.

– Acorde querida, é só um pesadelo – Regina disse gentilmente, passando a mão pela testa úmida da moça. Ela parecia estar bem estressada.

Com um pouco de sacudida nos ombros dela, Zelena levantou-se com a respiração desregulada, arfando. Colocou a mão em seu estômago. A morena tinha visto sua irmã fazer isso no outro dia. O que estaria Zelena sonhando para causar essa reação? Ela foi retirada dos pensamentos quando a ex-Bruxa Má se atirou nela, soluçando. Regina sentiu uma dor em seu peito por ela, sentando-se na ponta da cama e a segurando em seus braços. Zelena estivera chorando muito ultimamente, e Regina não gostava nem um pouco. Sua irmã era alguém geralmente forte, decidida. Isso não estava certo.

– Você quer conversar a respeito? Talvez faça você se sentir melhor – ela não podia negar que estava curiosa, além disso.

– Eu estou na estação – Zelena começou, enquanto sua irmã moveu um pouco para trás, se ajeitando para que seus corpos estivessem mais próximos e a ruiva pudesse encostar sua cabeça no ombro da morena. – Aparentemente, eu não escolho a segunda chance. Eu estou virada de costas para a porta, na cela, encostada com o corpo na parede. Eu faço um comentário sobre você já estar de volta tão cedo, mas o que acontece é que não você, é o Rumple – ela respirou fundo. – Ele fala e fala sobre a adaga, e de repente ele a tem, já que mentiu para a Belle. Tudo parece tão real... Eu ainda posso lembrar-me do cheiro da colônia dele... – Zelena parou, pensando sobre isso.

– Que estranho... E depois, o que acontece?

– Ele diz que quer vingar a morte do filho dele. E então ele me apunhala com a faca – a voz dela tranca um pouco no final –, e é como se eu estivesse observando meu próprio fim. O Rumple remove a adaga de mim e então eu me transformo em porcelana e quebro – Zelena estava assustada, mas, ao mesmo tempo, confusa – Essa última parte eu não tive na última vez que tive esse pesadelo, e eu não conseguia cheirar as coisas.

Elas ficaram em silêncio por um tempo, tentando decifrar o que aquilo poderia significar. Quando não puderam chegar a uma conclusão, Regina sugeriu que voltassem a dormir e pensassem nisso de manhã, automaticamente beijando o topo da cabeça de Zelena antes que pudesse processar a ideia direito. As duas evitaram olhar nos olhos e a ruiva nem pediu para Regina se deitar com ela para garantir que os pesadelos ficassem longe, porque a situação ficou um pouco – muito – esquisita. Ela não estava acostumada em ter alguém cuidando dela.

Regina imediatamente saiu depois daquilo, mas estava contente em ter tido o poder de oferecer conforto para sua irmã. Elas estavam se conhecendo mais e mais a cada dia que passava.

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Pela hora em que a manhã chegou, Regina foi a primeira a acordar, como sempre. Ela só podia funcionar com cafeína, ao contrário ela passaria o dia com mais mau humor do que o normal – até ela podia admitir isso. E com a interrupção do sono de beleza às 3 da manhã, ela precisava ainda mais. O quanto Regina amava o café preto, bem, ela não trocaria sua máquina cara por nada. Enquanto esperava ficar pronto, a morena lembrou-se que hoje teria que trabalhar, sendo segunda-feira. Não funcionaria ficar mais um dia longe do escritório, por mais que quisesse.

O problema era Henry. Ela confiava o suficiente em Zelena ao redor do garoto para deixá-los sozinhos na casa? Ela grunhiu frustrada.

Trazendo a xícara de café perto dos seus lábios, o cheiro maravilhoso invadiu suas narinas e ela fechou os olhos. Tomando um gole, se apoiou contra o balcão da ilha e simplesmente escutou aos sons em sua volta. Os pássaros cantando, alguns carros passando... E passos. Seu relógio de pulso lhe avisava que eram 7:15. Zelena levantava cedo como ela?

– Bom dia. Café? – sua voz ainda estava rouca por causa do sono remanescente.

A ruiva aspirou fundo, com um sorriso pequeno:

– Eu gostaria sim, por favor.

– Só um minuto.

Ela fez um para Zelena, a qual pegou com um aceno da cabeça e repetiu o mesmo ritual que Regina antes de beber.

– O café está ótimo, mana.

– Eu não consigo viver sem café – Regina comentou –, não posso agradecer o suficiente por essa máquina ter vindo junto com a maldição.

– Você já sabia fazer? – a curiosidade de Zelena não pode ser evitada.

– A Prefeita em mim já sabia como fazer, então sim. Mas levou um tempinho para acertar completamente. Apesar disso, eu costumava pegar minha comida do Granny’s o tempo todo porque eu era longe de uma boa cozinheira... – ela parou por ali, franzindo o cenho ao relembrar o doce menino que havia sido brusco e basicamente a disse que sua lasanha era horrível. Uma das memórias tristes de Regina Mills era ter assustado Owen, pois, mais tarde, ele se tornara uma pessoa louca e completamente diferente como Greg.

Ela quase estremeceu ao beber mais um pouquinho. Aqueles choques elétricos haviam sido poderosos.

Zelena sabia, tinha certeza de que algo tinha acontecido para ela melhorar suas habilidades culinárias ao ponto da perfeição, mas decidiu não se manter no assunto, trocando-o:

– O que vamos — quer dizer, você vai fazer hoje?

– Eu tenho que trabalhar hoje – Regina deu um sorriso arrogante antes de responder.

– Ah.

– O quê?

– Nada – Zelena escondeu a cara na xícara, bebendo um gole.

– Você é uma péssima mentirosa, você sabe disso, não sabe?

– Eu queria pegar minhas roupas, só isso.

– Vamos esperar mais um dia. Vou tentar conseguir informação pela cidade; se alguém notou seu sumiço – era agora ou nunca. – Eu preciso que você fique aqui com o Henry, pode fazer isso para mim? – perguntou Regina, brevemente pensando que se as pessoas de Storybrooke ainda não haviam notado que Zelena sumira do mapa, bem, ela não podia culpá-los: eles eram idiotas mesmo.

– Então agora vou servir de babá?

– Você quer um pagamento, por acaso? – Regina devolveu sarcasticamente, enquanto bebia mais um pouco.

Silêncio.

– Eu só estava perguntando – Zelena revirou os olhos, terminando o café delicioso.

– Demora um pouco para o café fazer efeito – Regina murmurou para si mesma. – Me desculpe Zelena. De qualquer maneira, você pode fazer esse favor para mim ou não?

– É claro, eu ganho um tempo com meu sobrinho – Zelena sorriu.

– Ótimo. Ele provavelmente vai acordar às 9, então você avisa ele. Eu vou terminar meu café e me arrumar, estarei de volta lá pelas... 4 da tarde – Regina disse, mas antes de sair da cozinha, lembrou-se de um detalhe. – Ah, ainda temos que falar sobre o pesadelo, Zelena. Vou dar uma passada na livraria, ver se acho algo sobre o assunto.

Zelena apenas assentiu com a cabeça.

Notas finais
Espero que tenham gostado, deixem seus comentários e sugestões de que atividades entre Zelena e Henry que vocês gostariam de ver, haha. Beijos ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.