Segundas Chances
5 Almoço, uma Zelena atrapalhada e novos problemas
Notas iniciais
A manhã do dia seguinte passou rapidamente, embora não antes de Zelena ter acordado com uma dor de cabeça infernal e náusea. O sol que atravessava as cortinas da imensa janela não tinha ajudado nem um pouco. Por que a janela é tão grande?, Zelena reclamou em seus pensamentos.
Além disso, a Bruxa teria usado sua irmã como travesseiro, aparentemente. Porém, o problema era que... De início, ela não sabia que era Regina.
Na realidade, ela não se lembrava de quase nada do outro dia depois de quebrar o espelho e outras coisas do andar de baixo (apesar de que Zelena não havia pensado duas vezes antes de fazer isso). Porém, ela se recordava sim de beber uma garrafa inteira de uísque que ela tinha encontrado. Pois bem. Definitivamente tinha algo a ver com a sensação de um caminhão que passou três vezes por cima dela. Zelena não entendia muito bem porque as pessoas recomendavam não beber muito, afinal, nunca tinha sido tão descuidada a ponto de alcançar esse esplêndido resultado: a ressaca.
Então, desorientada, Zelena abruptamente removeu-se do corpo que a segurava e suspirou em alívio ao notar que era sua irmã. Seus lábios foram comprimidos enquanto olhava com o cenho franzido para a morena, pois esta grunhiu de descontentamento absoluto pelo movimento repentino, fazendo com que começasse a acordar. A irritação da ruiva foi rápida, entretanto, porque a sensação de náusea aumentou e Zelena não teve escolha senão correr para o banheiro.
Quando Regina escutou gemidos de dor, o estado sonolento que se encontrava foi substituído por um de confusão. Ela bocejou e, quando finalmente levantou, saiu da cama e imediatamente foi para o lado de Zelena, passando a mão gentilmente pelas costas dela. A morena tinha sentido o quão tensa sua irmã tinha ficado, mas depois visivelmente relaxou enquanto Regina segurava seu cabelo e ela continuava a vomitar o restante do álcool.
Elas continuaram assim por mais um tempinho, e então Zelena encostou a cabeça na tampa do vaso, exausta. Regina puxou a descarga e deu uma mão para que a ruiva pudesse se levantar. Oferecer uma escova de dente deu à Regina um ‘obrigada’ murmurado quando saiu do banheiro para esperar por Zelena sentada na ponta da cama.
Zelena ficou surpresa ao encontrar sua sis lá e decidiu perguntar exatamente o porquê disso.
– Eu preciso que você me escute bem – a morena tinha uma expressão séria nas suas feições enquanto entregava à Zelena o copo com água e a aspirina da cabeceira – eu notei que você não deve ter comido desde, eu não sei, provavelmente anteontem, considerando tudo que aconteceu. Eu sei por fato que você não tocou no café-da-manhã que eu fiz, só acabou com meu uísque inteiro depois de ficar com inveja de novo de mim! Eu não vou dizer que eu não errei em de deixar aqui sozinha, mas por favor Zelena, poderia evitar destruir minhas decorações toda santa vez que algo não ocorre do jeito que você quer? É pedir muito?
Regina não esperou por uma resposta, imediatamente continuando seu monólogo:
– Eu estou preocupada, Zelena. Eu estou preocupada porque você não deveria beber aquela quantidade, agora você tem essa ressaca horrível e ainda precisa comer. Nós vamos ter que tratar essa raiva e inveja, caso contrário, eu ficarei desconfiada em te deixar sozinha aqui de novo! Eu também tive que consertar sua mão, depois que você teve a GRANDE IDEIA – ela movimentava as mãos no ar freneticamente – de amassá-la contra o espelho, pelo amor de Deus!
Zelena teve a decência de olhar envergonhada, apesar de, ao mesmo tempo, se perguntar desde quando que dava satisfação para os outros?
– Eu acho que terei que tratar mesmo... – ela disse, mesmo assim.
– Eu ACHO uma ova! – Regina riu secamente e respirou fundo para acalmar os nervos – Falando sério agora, eu acho, se você quiser, nós podemos planejar consultas com o Dr. Hopper, o psiquiatra da cidade, mas é só uma ideia – ela tocou na mão da sua irmã brevemente – agora, que tal um brunch para compensar ontem e depois decidimos o que fazer?
Zelena acenou com a cabeça, corando um pouco quando seu estômago roncou, embora tenha seguido Regina às escadas.
– Uau, eu fiz um baita de um estrago aqui... Eu... Eu sinto muito, sis. – Zelena disse quando desceram e olharam em volta.
– Nem se preocupe – Regina falou enquanto movimentou seu pulso e lentamente, porém com sucesso, tudo se remendou até que nada estivesse fora do lugar – Pronto. Só me prometa que você não vai fazer isso de novo, eu não serei tão indulgente.
– Eu prometo – Zelena murmurou, revirando os olhos.
– Você revirou os olhos, não revirou? – Mesmo com a ruiva logo atrás dela, quando elas chegaram à cozinha Regina podia sentir a revirada, por isso se virou e apertou os olhos, desconfiada.
– Não, é claro que não... – a bruxa riu, com uma falsa inocência – Por que você acha isso?
–----
Depois de um café-da-manhã + almoço deliciosamente preparado e comido, feito pelas duas, (sim, porque aparentemente Zelena cozinha tão bem quanto Regina), ambas se sentaram no sofá, contentes em só ficarem ali por um tempo.
– Então... – Regina começou – Eu tinha conversado com a Emma sobre fazermos um horário com o Henry depois da festa, mas isso não aconteceu ainda. Eu vou ligar pra ela agora e fazer isso... Ah, Henry provavelmente não vai querer vir por enquanto, já que você o assustou – a morena pausou com os olhos arregalados ao perceber o que disse – Me desculpe Zelena, não era para soar assim...
– Você não tem nada do que se desculpar. Bem, hmm, eu não vou te atrasar mais, vai lá – Zelena claramente ficara triste com o comentário, se os ombros levemente caídos ou os olhos azuis que se marejaram por um instante servissem como indicação, mas ela deixou suas feições sem nenhuma emoção segundos depois.
– Eu volto já.
–----
Já se passavam 30 minutos e nada da Regina. Ela podia escutar a conversa, abafada por causa da falta de proximidade. Algo com ‘Henry quer ficar aqui também’ e ‘Zelena não vai ser um problema se ele quiser ficar aqui’, mas conseguiu não cair na tentação de se levantar somente para ouvir na porta.
Embora que, quando se levantou, foi para olhar em volta com mais calma. Alguns dias atrás, Zelena esteve aqui, tocando nessas decorações da sala e fazendo ameaças e comentários rudes e, basicamente, brigando com sua irmã só para distrair ela por tempo suficiente para que Rumple pudesse roubar seu coração.
A faca que a morena jogara antes que Zelena desaparecesse ainda estava cravada no quadro.
Zelena se sentiu mal ao pensar nisso. As coisas ofensivas que as duas disseram uma para a outra... Também, ela quase conseguiu matar todo mundo com o plano e agora estava aqui, na mansão da sua suposta inimiga, finalmente tendo uma ideia do que uma vida boa era.
Tudo teria sido muito mais fácil se ela... tivesse conversado com sua irmã na Floresta Encantada. Bom, Regina dissera que foi por minha causa (tá, eu sei que não completamente, mas, gostei dos créditos...) que a gente tá aqui em Storybrooke, então... Zelena deu de ombros, resoluta. Ela definitivamente não trocaria nada por tecnologia e chuveiros e vasos sanitários com descarga agora.
Saindo dos pensamentos extremamente profundos, a ruiva puxou a faca do quadro e brevemente tocou no buraco que deixou na pintura, mas depois olhou para o objeto na sua mão.
Finalmente, ela podia ouvir ‘até mais’ e silêncio, o que significava que Regina estava voltando. Num momento de pânico, para que sua irmã não entendesse errado por ela estar inspecionando coisas novamente, ela tentou colocar de volta a faca no quadro, porém, não conseguiu, e a pintura começou a cair. Se alguém um dia perguntar para Zelena como isso aconteceu, ela ainda não saberá responder. A faca caiu no chão, (quase cortando o pé dela) e o tilintar ao bater no piso ecoou pela casa enquanto ela pegou o quadro. 10 pontos por essa, muito bem, Zelena.
– Ótimo, então-o que você está fazendo? – a morena perguntou apreensiva, pois isso realmente era estranho. Zelena deu um pulo de susto, pega com ‘a boca na botija’ e, com o espanto, soltou o objeto surpreendentemente pesado e se encolheu um pouco quando este derrubou coisas de vidro com ele e tudo ficou reunido em volta e em seus pés, ela só encarou aquilo, sentindo seus olhos marejarem-se sem que ela desejasse.
– Zelena!
Com suas costas viradas para Regina, ela começou a chorar silenciosamente. O que estava acontecendo com ela e suas emoções ultimamente? Ela tentou mover o pulso para consertar em puro instinto e, quando não funcionou, as lágrimas caíram mais rapidamente – não sabia se de alegria ou tristeza, os dois? Por um lado, lembrava de seu pai adotivo a chamando de monstro, então assim evitava que algo parecido acontecesse (ela nem parou para pensar que Regina também tinha magia), porém, por outro, estava triste, a magia fazia falta. De qualquer maneira, a ruiva esperou pela bronca que nunca veio, Regina apenas chegou mais perto para pegar a mão de Zelena, a removendo de perto do vidro.
– Mana, por que você está chorando?
– Me desculpe, me desculpe... Eu... Eu vou sair agora. Você vai ter que remover o feitiço de proteção pra isso.
– O quê? Por que você acha que eu te colocaria em perigo desse jeito? Sente-se aqui no sofá enquanto eu limpo isso, por favor.
– Bem, eu destruí suas coisas mais uma vez, não destruí? Você disse ‘eu não serei tão indulgente’ e eu te prometi que não faria isso de novo, então pensei...
– Que era para você sair – Regina concluiu por ela ao usar magia para que tudo voltasse para seu lugar, exceto o punhal, o qual ela pegou na mão e o levou ao lugar certo.
– Sim, eu estou me tornando um fardo para você, Regina – Zelena respondeu em um tom resoluto.
Essa não se parecia nem um pouco com a Bruxa Má que Regina havia encontrado milhares de vezes.
– Bem, querida, você vive aqui agora, não vive? Então não vou te impedir de olhar por aí. O que é meu, é seu. Você provavelmente não se lembra, mas ontem eu disse que tinha a chance te conhecer, e não vou desperdiça-la. É verdade, Zelena. – No olhar surpreso e cheio de esperança que ela recebeu, o coração da morena se apertou dolorosamente no seu peito. Era a primeira vez que sua irmã conseguia o que mais queria tão facilmente? Fazendo uma nota mental para dar mais coisas para Zelena, ela mudou de assunto – Eu falei com a Emma e o Henry.
Zelena apenas grunhiu para Regina continuar, a qual se agachou e curou um pé primeiro, e depois o outro:
– Uma semana ele fica aqui, a outra nos Charmings, o dia de Ação de Graças, Natal e outras festividades parecidas nós faremos um jantar todos juntos como família. Então... Henry quer vir aqui mais tarde, mais ou menos umas 5 da tarde, ele sente muito a minha falta, assim como eu sinto a dele, obviamente. Tem problema para você?
Fale com o autor