Segunda-feira
1 Sobre as segundas...
Ela quase sempre estava querendo matá-lo, não era novidade para ele. Sempre que ele dizia "oi Lírio" sua resposta era "sai, Potter" e James já havia se acostumado com isso. Odiava as segundas-feiras, mas para ele, a melhor parte do dia era quando Lily Evans chegava com os olhos verdes preguiçosos e o cabelo laranja mal amarrado, ela sempre estava com algum cachecol, mesmo que fizesse um dia quente e ela sempre estava um livro nas mãos. James não entendia como ela lia tanto fora do trabalho já que o trabalho deles era justamente ler.
Mas toda vez que James a olhava por cima da divisória da cabine, Lily Evans estava lendo um livro diferente e James sabia que ela preferia os romances policiais, porque nunca viu nada parecido com Nicholas Sparks em sua mesa.
Bom, ele conhecia muita coisa de Lily e isso era meio assustador. Mas ele a observava com bastante frequência, sem nenhum interesse malicioso além do amor platônico que nutria por ela desde a faculdade. Lily Evans era um problema para James, ele tentou até mesmo esquecê-la com Emmeline Vance, a jornalista loira espetacular que tinha todos os homens aos seus pés. Mas James era um 'maricas' como Sirius não deixava de apontar. Nunca teve coragem ou desrespeito o suficiente para ir até Lily.
Mas ele a conhecia bem.
Sabia que ela tinha um noivo que era um babaca, sabia que sua melhor amiga era Marlene McKinnon, a gerente da revista de moda do andar de baixo, sabia que Lily tinha um gato, porque todo mês via faturas de produtos em cima da mesa, sabia que ela não se dava bem com a irmã, porque já a viu brigar com os pais por causa de Petunia Evans (mulher da qual, James particularmente já não gostava) e sabia que Lily tinha problemas.
Infelizmente sempre via as manchas nos pulsos ou nos braços, ou quando Lily erguia-se sobre a cadeira e a blusa subia, James podia ver uma ou outra mancha roxa na lombar. Assim como também podia ver o olhar de Lily para ele, pedindo silenciosamente por seu silêncio.
James sempre suspirava e balançava a cabeça, voltando para as suas atividades, esperando que um dia Lily descobrisse que havia mais e que ela merecia mais.
Naquela tarde de segunda-feira, uma das piores que James já teve, quando viu Lily se aprontar para ir embora, enfiando a bolsa sobre os ombros em um gesto nervoso com os lábios trêmulos e os olhos vermelhos, James tomou uma atitude impensada. Ele a ofereceu ajuda. Parou-a no meio daquele cômodo pequeno da impressora e falou sobre todos os argumentos que já ouviu e todas as matérias e o quanto seria fácil ajudá-la se ela ao menos o deixasse se aproximar.
Lily o olhou como se um crime estar ali expondo-a naquele cubículo fechado e partiu, não antes de James gritar o próprio endereço às suas costas.
Mais tarde, naquele dia quando estava se preparando para deitar a campainha tocou e foi uma surpresa para James encontrar os olhos verdes decididos encarando-o do outro lado.
Lily Evans tinha o nariz em pé, os olhos sem vermelhidão alguma e aos pés uma mala pequena junto da bolsa.
— Espero que sua ajuda não tenha sido da boca para fora, Potter. — James pode ver que ela parecia envergonhada, apesar de tudo. E mais do nunca, admirou sua coragem.
Ele sorriu. — Não foi, Lírio. — Deu um passo para o lado, afastando-se e Lily entrou, olhando o apartamento com curiosidade.
— Estou orgulhoso de você. — James fechou a porta, observando Lily olhá-lo seriamente.
Por fim ela abriu um sorriso pequeno mas que pareceu causar coisas estranhas no coração de James. Ergueu a mão sem aliança e balançou suavemente. — Eu também estou.
A partir daquela segunda-feira Lily Evans e James Potter começaram algo novo. E James que sempre odiou as segundas-feiras, descobriu que coisas boas também acontecem nas segundas.
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