Segunda chance

8 8. Ajuda inesperada


Notas iniciais
O amor é como a criança: deseja tudo o que vê. William Shakespeare

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Pepper acordou naquela manhã de sábado um pouco alarmada, senhor botinhas não estava deitado sobre seus pés como costumava dormir e havia barulho na cozinha. Sentiu cheiro de panquecas no ar e rapidamente se levantou, sentindo seu estômago roncar.

Provavelmente Vega estava preparando o café da manhã.

Foi até o banheiro e penteou os cabelos rapidamente e escovou os dentes. Não se importou muito com a roupa que usava, até porque Vega estava apenas de lingerie todas às vezes antes.

Em passos vacilantes e calmos Pepper adentrou a cozinha.

— Se você for um bom garoto, talvez ganhe uma tigela de leite, o que acha?- Senhor botinha estava sentado no chão, seu rabo batia descompassado de um lado para o outro e Tony cozinhava cantarolando uma música.

— O que faz aqui? — Pepper se assustou com a presença do seu chefe na sua casa e quase beliscou o próprio braço não acreditando no que seus olhos viam.

Tony tinha um sorriso brincalhão no rosto e terminava de colocar uma panqueca no prato.

— Preparei o café da manhã — Ele sorriu tomando um gole do seu café e olhando para Pepper.

De repente ela se sentiu nua, pensava que era Vega quem estava procurando algo na geladeira e então encontra o seu chefe preparando o café da manhã, usando uma calça jeans clara justa desgastada e uma camisa preta que lhe assentada muito bem os músculos definidos. Não que ela estivesse reparando.

—Hm...- Ela cruzou os braços sob o corpo. Não usava sutiã e a blusa branca era justa o suficiente para Tony poder ver algo, o shorts de algodão rosa que ela usava não passava de uma calcinha de tão curta e estava descalça. — Acho que vou me trocar p-primeiro.

— Eu realmente acho que não é necessário, você está muito bem vestida para o café da manhã -. O olhar que ele lançou comprovou o que ele pensava.

Ela deu um sorriso amarelo e sem responder seu chefe deu as costas para ele e rumou em direção ao seu quarto, ainda estava muito confusa.

O café que Tony havia preparado não passava de um liquido pastoso e extremamente ruim, se levantou e procurou dentro da geladeira de Pepper algum suco. Era óbvio que ele nunca havia cozinhado na vida, e o simples ato de esquentar a água fez Tony quase adquirir queimaduras de terceiro grau nas mãos.

Pelo menos a panqueca estava gostosa, crocante e adocicada do modo que o moreno gostava.

Pepper apareceu minutos depois usando um shorts curto branco e uma camiseta azul turquesa, estava muito bonita, mas Tony preferia o modo que ela estava vestida antes, praticamente nua, descalça, com as pernas longas e torneadas a mostra e os olhos comprimidos e investigativos, e ainda usava aquela camisa indecente, onde pode visualizar a pequena e arredondada barriga onde crescia Íris e os seios fartos e claros de Pepper.

— Vai me dizer o que faz aqui agora?- Ela perguntou se aproximando, se sentou ao lado de Tony e ele não pode deixar de sorrir quando viu a mesma já se servindo de suco de uva e panquecas com muito xarope de chocolate.

— Fiz o café.

— Hmm... Esta muito bom- Ela comia tudo havidamente. -E o que mais você está fazendo aqui?”

— Vim te ajudar a arrumar o quarto do bebê, ontem eu vi que faltava montar algumas coisas -. Ele olhou para Pepper, mas a mesma estava com seus olhos focados ainda na panqueca.

— Tudo bem...- Ela tomou mais um gole do seu suco e o olhou finalmente. — Obrigada Tony-. Sorriu genuíno. Céus, o que estava dando em Tony por ter vontade que querer beijar aqueles lábios vermelhos e sedutores?

— Eu também chamei Rhodes se não se incomoda, ele deve chegar daqui uns 5...- O som da campainha tocou e Tony rapidamente se prontificou a ver quem era.

— Hei, olha quem chegou!- Tony apareceu novamente na cozinha abraçado a James que se vestira praticamente igual a Tony, calças surradas e uma camiseta cinza.

— James, olá!- Pepper o saldou e sorriu quando o mesmo a abraçou e despreocupadamente acariciou sua barriga. Ela finalmente estava crescendo e ela gostava de exibir seu bebê.

— Pep querida, que linda você está hoje — sorria genuíno até reparar na cara feia que Tony tinha virado para ele — Hm... Tudo bem? — Senhor botinhas começou a latir aos pés de Tony e o mesmo não soube o que fazer.

— Tudo ótimo, muito obrigada por ter vindo ajudar Tony com o quarto de Íris.- Tony rapidamente perdeu a carranca e encarou Pepper boquiaberto.

— Você escolheu Íris como o nome da sua filha? — Ele sorriu e até se esqueceu do filhote que não parava de lhe puxar a barra de calça com os dentes pontudos.

— Escolhi. Decidi o nome dela no segundo em que minha obstetra havia dito que seria uma menina. É uma homenagem a Herry... Como você sugeriu -. O sorriso de Tony pareceu vacilar, mas voltou ainda maior no segundo seguinte quando ela lhe sorriu.

— É um nome muito bonito. — James disse.

— Obrigada.- Ela passou a mão distraidamente sobre a barriga. — Você aceita tomar café James, Tony que fez...

— Hmmm... Na verdade não, tomei café em casa. Tony vamos começar? — Ele olhou para Tony mas o mesmo estava entretido com o cachorro no colo. Tony odiava segurar as coisas.

Ele pareceu voltar a si e soltou novamente o cachorro no chão, tomou à dianteira e sem uma palavra atravessou a cozinha e tomou o corredor sentido o quarto do bebê.

— Eu vou ajudar -. Ela disse se encaminhando para o quarto de Íris com James.

— Realmente não precisa, Pep. Que tal você descansar mais um pouco? Logo terminamos -. James disse, Tony estava no meio do cômodo com o celular em mãos e analisando o espaço.

Pepper sorriu, nunca imaginaria que quem estivesse montando os móveis do quarto do seu bebê e quem estivesse ao seu lado durante sua gestação seria Tony e não Herry.

Sentiu-se triste segundo depois.

—x-

— Você é uma cretina. — Sussurrou Vega para Pepper, enquanto a morena levava aos lábios o café fumegante — E isso está horrível — Ela afastou a xícara de perto de si e se concentrou seus olhos escuros em Pepper enquanto a mesma terminava de lavar algumas xícaras.

— Tony quem fez...

— Tony quem fez...- Vega imitou a amiga e se levantou já com alguns alimentos na mão e guardando-os em seus devidos lugares. — Porque não me disse que tinha dois deuses gregos na sua casa?

— Achei que era irrelevante. — A ruiva se afastou da amiga e se encaminhou para a sala.

— Tony Stark e o coronel James Rhodes estão agora no quarto da bebê arrumando os móveis, Jesus, Gin... Irrelevante? Você viu o tamanho daquele moreno? Estou gozando só de pensar que neste momento ele está lá todo suado. — Vega se abanou com a mão e sorriu.

— Você é um nojo. — Riu Pepper.

— E você é uma virginal. — Pepper não pode deixar de revirar os olhos.

— Você precisa m...

— Pep? -Tony voltou à sala e bateu suas mãos uma na outra, tirando-as do transe. — Hmmm... Ola.- Ele disse neutro, se fosse em uma outra época teria reparado na morena estonteante sentada no sofá ao seu lado, mas só tinha olhos para Pepper. Não que ele tivesse notado essa transformação sutil. Ele não reparava em muitas coisas a não ser Pepper e em suas armaduras depois que voltou do Afeganistão. Não que alguém estivesse reclamando.

— Tony, oi. Tony, Vega. Vega, Tony — Ela apresentou os dois que rapidamente cumprimentaram-se. — Minha amiga...

— E madrinha de Íris — Vega respondeu sorrindo.

— Ei, porque estão demorando? — James apareceu pelo batente da porta e estancou no segundo em que viu Vega lhe sorrir.

— Olá, coronel! — Ela lhe estendeu a mão com unhas pintadas de vermelho e piscou os olhos. — Como vai?

— Perdeu a fala amigão? — Tony sorriu e se aproximou de Pepper que tinha em suas mãos dezenas de roupinhas, estava sentada no sofá e ria da confusão do moreno. — Está é Vega, madrinha de Íris. —

— C-claro que não, James ao seu dispor, senhorita Vega. É um prazer te conhecer... — Ambos se perderam durante aqueles segundos um nos olhos do outro.

Tony aproveitou a distração de ambos e se sentou ao lado de Pepper no sofá.

— Estou dobrando algumas roupinhas — Ela lhe sorriu.

Tony pegou uma daquelas peças nas mãos e lhe parecia tão irreal que uma criança pudesse ter aquele tamanho que até se assustou com a intensidade do desejo crescente em seu peito de cuidar cada dia mais de Pepper e do bebê.

— Quer ver o quarto de Íris? — Ele perguntou se levantando.

— Já está pronto? — Tony não pode deixar de sorrir quando Pepper abriu o sorriso mais bonito do mundo em sua direção. Deu um rápido beijo na testa dela e lhe tomou a mão.

Vega e Rhodes não estavam mais ali, mas ambos sequer notaram.

— Tony! — Os enormes e expressivos olhos claros agora possuíam lágrimas e Pepper se agarrou a Tony num abraço de urso, querendo expressar o quanto estava grata ao homem por tudo o que ele estava fazendo a ela e a sua filha. — Ficou tão lindo, ai meu Deus. — Ela passou os dedos sob a placa lilás com uma bonequinha onde se lia no nome Íris que estava pregado na madeira da porta. Nem havia visto quando Tony pregara aquilo.

— Gostou?

— Se eu gostei? Esta tudo perfeito. Perfeito! Obrigada. — E riu ainda mais quando encostou seus dedos sob o berço de madeira grossa na cor branca. — Íris também está agradecendo. — E sem dar tempo de Tony ter alguma reação, tomou sua mão na dela e encostou-se à barriga discreta de cinco meses.

Nunca na sua vida, Tony havia tocado a barriga de uma mulher grávida e até mesmo ele teve que se segurar ao máximo para não chorar tamanho a alegria que irradiava de todos os poros de Pepper.

— Dói? — Ele fez aquela pergunta idiota e no segundo seguinte sentiu que Pepper apertava ainda mais os dedos dele contra o tecido fino da camisa dela.

— Não. — Ela tirou a sua mão de cima da dele, mas Tony não tirou sua mão da barriga dela.

O contato era tão superficial que Tony teve vontade de tirar a camisa do caminho e poder espalmar sua mão diretamente na pele morna da barriga da Pepper. Íris. Agora era real para ele também, dentro de quatro meses nasceria uma criança parecida com Pepper.

Ele queria poder dar seu nome para a criança. E até mesmo gostava da sonoridade do nome, Íris Potts Stark era como ela deveria ser batizada. Era como ele gostaria que acontecesse.

— Tudo bem? — Tony afastou contrariado a mão da barriga dela e sorriu amarelo para a ruiva, não gostaria de ter quebrado o contato.

— Me desculpe. — Ela ainda tinha nos lábios o sorriso mais sincero e bonito incrustado.

— Obrigada Tony, mais uma vez, muito obrigada. — Ela se afastou dele e começou a dedilhar todos os móveis que via na sua frente. O guarda roupa branco com desenhos moldados e pequenos espelhos incrustados era clássico e bonito, o criado mudo, o abajur em formato de flor, a estante de livros e brinquedos de pelúcia, o trocador, tudo, tudo estava perfeito. Como em um conto de fadas.

— Você é definitivamente o meu herói — Sorriu.

Tony não pode evitar abraça-la.

“Estou atrapalhando?” Ambos de afastaram corados e sem palavras.

— Um pouco — Tony respondeu de cara feia.

— Vega está com fome, que tal se fossemos almoçar? — James se aproximou de Pepper e a abraçou pelo pescoço.

— Eu posso cozinhar para vocês...- Ela disse olhando diretamente nos olhos de Tony.

— Não queremos te dar trabalho, e se fossemos comer no Joe’s?- Rhodes perguntou afastando-se e indo até a porta.

— Você gosta de fast food? — Ele perguntou a Pepper.

— Eu adoro.

— Estamos saindo daqui a 10 minutos então. — E sumiu porta a fora.

— Você vai querer se trocar? — Tony perguntou, estava com as mãos nos bolsos e parecia um pouco acanhado.

— Acho que sim.

— Tudo bem, te espero na sala. — Mas antes que Tony pudesse deixar Pepper ali sozinha, ele entrelaçou seus dedos ao dele.

Ele ficou durante alguns poucos segundos admirando o modo como às mãos de ambos pareciam feitas para ficarem juntas.

— Você gostaria de ser o padrinho de Íris?

Ele definitivamente queria ser muito mais que o padrinho da pequena Íris, mas como externar seus sentimentos?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.