Segunda chance
4 4. Tic, tac. Tic, tac. O tempo voa
Notas iniciais
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Mais um longo mês havia se passado. E a vida de Pepper, assim com seu apartamento, estava em constante mudança.
A primeira mudança que ela sentiu foi às faltas dos enjoos e tonturas, fato que ela comemorou com muito entusiasmo.
A segunda mudança foi o fato de que a partir daquele terceiro mês ela estava muito mais saudável, comendo bastante verduras e cereais e comendo até seis refeições ao dia.
E a terceira e brusca mudança é que ela se sentia linda. Não que Pepper não fosse bonita antes, mas agora, ela se sentia especial. Carregava vida dentro de si, sentia aquela áurea encantada, e conseguia ver pelo espelho que seus cabelos estavam mais sedosos e lisos. Ela se sentia bem consigo mesma.
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— Você está bem? – Era a terceira vez que Vega fazia aquela pergunta e mesmo Pepper amando a amiga, ela sentia vontade de lhe dar um enorme soco no nariz.
Mas, a única coisa que ela fez foi revirar os olhos.
— Estou te incomodando? – Ela perguntou rindo e enganchando seu braço no de Pepper, enquanto ambas passeavam pelo shopping.
— Um pouco, eu juro. Se eu sentir alguma coisa paramos e descansamos um pouco, tudo bem? – Ela disse já indo em direção ao uma loja de sapatos.
— Tudo bem Ginny, mas é que você é muito teimosa. – Vega parou durante alguns poucos segundos e quando Pepper voltou-se para o rosto da amiga, ela estava com os olhos fixos para uma loja de bebês. – Nó precisamos entrar. Por favor, vem Gin. – Pepper olhou novamente para a loja de sapatos e depois para a loja infantil. Ainda era muito cedo para se comprar algo para o bebê.
— O que vamos fazer? Eu nem ao menos sei o sexo do bebê. – Ela disse carrancuda apontando para a barriga ainda lisa. – Ainda estou de três meses.
— Não me interessa, eu só quero comprar algo simbólico para o bebê, afinal, menina ou menino, eu serei a madrinha, não é? – Ela disse alcançando Pepper e a levando pela mão até a loja colorida e infantil do outro lado do grande salão.
— Quem disse? – Pepper perguntou assim que adentrou a loja e se voltou para Vega.
— Você me prometeu, quando tínhamos 13 anos – Ela segurou em frente ao rosto um body amarelo e sorriu afetada para Pepper. – Combinamos que seriamos madrinhas dos filhos uma da outra.
— Então, porque você não tem um bebê também? – Pepper perguntou enquanto depositava toda a sua atenção para o macacão mais lindo do mundo, todo em vermelho, com detalhes em amarelo.
— Porque eu já vou te ajudar a cuidar do seu bebê. – Ela disse sorrindo e trazendo consigo, o body amarelo e um casaquinho de lã rosa. – O que você está fazendo, ein?
Pepper se assustou.
— Nada.
— Nada? Eu sabia! Pepper, por um acaso você já sabe o sexo do bebê?
— Você sabe que não, minha consulta está marcada apenas para a semana que vem.
— Caramba, mulher. – Ela disse apontando para as mãos de Pepper e a sua própria – Nós só pensamos em coisinhas de meninas.
— Não é verdade. Estou aberta as duas opções.
Mais uma vez, Vega apontou para o macacãozinho vermelho nas mãos da ruiva.
— O que você quer dizer com isso?
— Eu? Absolutamente nada. Mas não vou esconder a minha preferência por uma menina, se nem a mãe está.
— Vega, você está louca. – Vega Salgara riu da expressão de culpa de Pepper. Aos 33 anos, era uma mulher aberta as opções que a vida lhe dava. Conhecera Pep quando ambas ainda eram duas crianças, e tiveram que se afastar quando os pais de Pepper faleceram e ela teve que morar com os tios na Califórnia, sem nunca perderem o contato, se reencontraram novamente na faculdade e desde lá, nunca mais de desgrudaram.
— Eu não vou cair naquele papo do “O que vier é lucro”. – A morena rebateu voltando a sua atenção a pequenas peças de roupas.
— E se for um menino?
— O que não vai ser o caso...
Pepper revirou os olhos de novo.
— Mas e se for...
— Podemos trocar todas essas roupinhas que escolhemos por cores azuis, verdes e brancas e nunca falaremos disso com mais ninguém.
— Você promete?
— Eu prometo.
— Moça? – Pepper chamou a vendedora. – Você pode pegar aquele macacãozinho na cor violeta para mim?
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O quarto mês chegou trazendo realmente muitas mudanças para Pepper. O trabalho na empresa havia aumentado consideravelmente e Obadiah era o representando legal das Industrias Stark.
Seu trabalho era tão frustrante que quando Pepper chegava em casa, tudo o que ela era capaz de fazer era tomar um banho e deitar, mania que foi rapidamente descartada e motivo de muitos “puxões de orelha” da obstreta, Drª Margareth.
Pepper estava exatamente igual a antes de engravidar, ainda muito magra, a pequena bolinha que se formava em sua barriga só era perceptível em Pepper se ela estivesse nua, em casa.
Vega não a deixava em paz. Ambas morando agora no mesmo prédio, facilitava 99% a vida de Vega para que a morena atormentasse Pepper referente aos seus remédios e vitaminas, e aos poucos o quarto no fim do corredor ganhava a atenção de Pepper.
— Você tem certeza que Alex ainda não chutou? – Pepper se afastou do notebook e meneou a cabeça negativamente para Vega que tinha um grosso livro em uma de suas mãos e na outra um enorme pedaço de pizza.
— Da onde você tirou esse nome?
— Você ainda não pensou com carinho no nome Alex?
— Pensei. Pensei muito e já tinha te falado que meu bebê não se chamaria Alex por mil motivos.
— Certo. Me de um. – Ela disse tomando um longo gole de sua cerveja.
— Hmm. Deixe-me pensar. Que tal pelo motivo de eu não gostar?
— Você é muito chata, Gin. – Ela terminou de comer a pizza e tomar sua cerveja, levou os pratos e os copos até a cozinha e voltou para a sala. – Estou indo embora, daqui a pouco minha série começa.
— Ei. Você pode assistir “America’s Next Top Model” aqui em casa também.
— Posso, mais não quero. Você fica toda a hora me perguntando sobre alguma das competidoras e sendo assim, eu não consigo prestar atenção ao capítulo. Fazemos assim, você precisa descansar, amanhã eu volto. Tive algumas ideias interessantes para o quarto do bebê. Amanhã te trago um esboço. – Ela disse se aproximando de Pepper e abraçando a amiga.
— Já te disse o quanto eu amo você?
— Você está apenas se aproveitando da minha posição de design para arrumar o quarto de Alex.- Ante a expressão enfurecida de Pepper, Vega riu. – Te amo.
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A sala da exigente e organizada Virgínia Potts estava um caos. Havia dezenas de livros e minúsculas peças de roupas espalhadas por todo o sofá. Embalagens de chupetas e mamadeiras, pequenos sapatinhos e toalhas para se bordar no outro e uma odiosa necessidade de tomar sorvete que Pepper não conseguia mais ignorar.
Vestiu rapidamente sua calça jeans que ficou um pouco apertada na barriga e uma blusa e saiu porta afora a procura do mercado mais próximo.
Quando voltou 2 horas depois, repleta de sacolas do supermercado e com um pequeno vira latas nos braços, Pepper viu que a secretária eletrônica apitava.
Estava cansada demais para ouvir Vega, e ainda precisava cuidar do pequeno cachorro que havia encontrado na rua.
Foi até a cozinha ainda com o cachorro no colo e deixou as sacolas lá.
Depois de meia hora, tempo o suficiente em que o cachorro já estava alimentado, limpo e seco. Pepper decidiu que era hora de tomar banho também. Colocou o pequeno na área de serviço e correu até seu quarto para tirar suas peças de roupas.
Quando Pepper ainda estava no banho, seu telefone tocou novamente. Ela continuou não se preocupando. Desceu para a sala cerca de 40 minutos depois, usando uma calça fina de pijamas contendo nuvens brancas e uma blusa de alcinha rosa, seus cabelos vermelhos estavam secos e limpos e Pepper trazia um livro consigo.
Pegou o vira-latas e começou a fazer carinho nele. Amanhã levaria o “Senhor botinhas” para o veterinário, mas pelo o que Pepper podia ver, o cachorrinho era filhote e machinho, de pelos pretos lisos e com as patinhas de branco, Pepper havia rido ao pensar no apelido carinhoso para o pequeno animal. Ele era bem pequeno, e não devia ter mais de 2 meses. Os olhinhos eram da cor de mel e as orelhinhas nem ao menos ficavam levantadas. Ele era perfeito. Perfeito para ser o companheiro do bebê.
Pensar no bebê fazia Pepper pensar em Harry. Pensar que ele poderia estar ali ao seu lado agora, a ajudando a preparar o quarto do filho deles, a pintar as paredes do quarto, a comprar e montar o pequeno berço. Pensar em Harry fazia Pepper querer chorar.
Porque a felicidade era uma tão difícil para ela? Primeiro os pais faleceram quando Pepper ainda tinha 11 anos, indo morar em outro lugar com os tios, que a deixaram com os avós quando, Luise, sua tia, engravidara, alegando que seria demais cuidar de duas crianças. Depois os avós, Adriane e Paul eram os melhores avós que uma menina poderia ter, e entretanto, faleceram quando ela mais precisava deles. Aos 17 anos, Pepper se via entrando para o programa de adoções. Claro que ninguém quis uma moça já adulta para se adotar e Pepper viveu durante um ano todo num orfanato. Quando completou 18 anos, ingressava para a faculdade e tudo começou a finalmente dar certo para a ruiva.
No primeiro ano da faculdade de administração, durante uma festa no campus, Pepper conheceu Harry. E se apaixonou. E durante os últimos 9 anos tudo foram mágico.
Porque não seria agora? Com a última centelha da vida do homem que Pepper amou tão desesperadamente dentro de si?
Deslizando uma mão suavemente sob a barriga e a outra acariciando os pelos do “Senhor botinhas”, Pepper sentiu seus pensamentos fugirem para uma outra dimensão. Sua criança, como seria? Teria os cabelos castanhos e cacheados de Harry ou os seus lisos e avermelhados? E seus olhos? Seriam azuis como os seus ou verdes como do pai? Teria covinhas quando sorrisse? Como seria a personalidade do bebê? Seria calmo e organizado como Pepper ou seria extrovertido e risonho como o pai? Eram tantas as possibilidades.
Suas mãos continuavam calmamente espalmadas sob sua barriga ainda muito pouco proeminente quando atendeu o telefone despreocupada.
— Alô?
— Pep?
— Rhodey? Al-Alguma notícia?
— Pep, estamos com ele aqui. Pepper, encontramos Tony!— o grito animado de Rhodey aqueceu o coração desesperado de Pepper.
— Ele esta bem?
Houve alguns segundos de silêncio e excitação e então a voz de Tony soou alta através do telefone.
— Pep, carinho?
Antes que Pep pudesse dizer alguma coisa, muitas coisas aconteceram num curto espaço de tempo.
Pepper sentiu uma lágrima deslizar pela sua bochecha até chegar na sua boca.
Tony continuava a falar de forma exasperada e alegre do outro lado da linha.
E seu filho se manifestara dentro de si.
— Tony?
— Está tudo bem?— Ela continuava a chorar, sua mão pressionada ainda mais fortemente sob seu ventre estendido. Ela sentia, dentro de si, seu bebê, o fruto do seu grande amor me mexer. Algo como se um peixe estivesse dentro de si, se movimentando em seu limitado aquário. Ela queria poder compartilhar aquilo com alguém.
— Eu é que deveria estar fazendo essa pergunta para você.
Ele riu.
— Estou bem, carinho. Sinto saudades. Pronta para voltar ao trabalho?
— Pode apostar que eu não estava descansando enquanto você estava desaparecido.
— Posso acreditar que não.
Ela riu.
— Senti saudades.
— Eu sei que sim, carinho.— Antes que pudesse falar sobre mais alguma coisa. Pepper ouviu a voz de Rhodey. – Ah sim, tudo bem. Pep? Preciso desligar agora, amanhã, às 11h eu chego ao aeroporto. Espero encontrar minha assistente pessoal lá.
— Isto é tudo Sr Stark.
— Sim. Sim, isto é tudo Srta Potts.
Aquele sem dúvidas era um dos dias mais felizes da vida de Pepper.
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