Notas iniciais
Bem, já avisei tudo antes, mas vale lembrar que o final desse capítulo eu admito ser mancada. Mas estou com sono e preciso postar antes de dormir, então peço perdão.
Espero que gostem~

O quão longe você iria para realizar um desejo?

O quão longe você iria para salvar alguém importante?

Estaria disposto a sacrificar o desejo único de uma vida pela pessoa que ama?

Ela estava.

Ela o fez incontáveis vezes, de todas as formas possíveis até… Até que não era mais possível. Não podia salvar alguém que não mais existia no seu mundo, não? Não podia salvar uma entidade, e ser a única que se lembrava dela era tão… Doloroso.

Era como morrer aos poucos, mesmo fingindo que estava vivendo por ela.

Todas as noites se focava em lembrar seu rosto e o som de sua voz. Era um ritual sagrado, não podia se esquecer, não se permitiria esquecer dela. Tinha lutado muito… Feito muito para se esquecer. E mesmo que não soubesse bem expressar o que sentia, nunca se perdoaria se, por qualquer motivo, encontrasse alguém mais especial. Isso não aconteceria.

Nunca.

O dia seguinte era importante.

Deveria ser o aniversário de Madoka, se ela existisse naquele mundo.

Todos os anos nessa data que só ela lembrava a importância, colocava as fitas vermelhas no cabelo e sentava no café que costumava frequentar com ela. Comia seu parfait e olhava fixamente para o lugar a sua frente, como se a qualquer momento a garota de cabelos rosas fosse aparecer, se desculpar pelo atraso e sentar a sua frente.

Tola esperança sem sentido.

Nessa noite em especial o sono não vinha. Pela primeira vez em meses, reparou que não conseguia lembrar os detalhes do rosto dela. Não conseguia lembrar sua voz direito, como se o ritual de sempre tivesse aos poucos falhado e criado outra voz no lugar.

Tudo parecia errado.

Como podia? Como podia estar esquecendo dela? Não, não estava esquecendo dela. Estava perdendo a nitidez de sua memória, e só isso era o bastante para a assustar.

O que faria?

Como poderia desembaçar essas lembranças?

No meio de sua obsessão por ela, começou a chorar. Como podia.. Como ousava?

Se tivesse mais uma chance… Só mais uma chance de a encontrar, sem morte, sem garotas mágicas, apenas… Apenas garotas normais, indo para escola, se conhecendo e sendo amigas…

Se pudesse fazer mais um, um único desejo, seria esse.

Queria viver num mundo onde ambas estivessem vivas.

Quando conseguiu dormir o sol já ameaçava nascer, e o sono que teve nem de longe a relaxou. Várias imagens lhe ocorreram em forma de sonho, muitas delas com cabelos rosas e sorriso inocente, ingênuo alguns diriam. Mas nenhuma cena completa, nada que lhe fez sentido ou enredo quando acordou com o sol no rosto. Tinha esquecido de fechar a janela, de novo.

Levantou, tomou um banho longo e colocou seu vestido preto de babados. Era uma data de luto. Prendeu o cabelo em duas longas tranças, as pontas presas pelas fitas. Passou quase cinco minutos parada depois de pronta, apenas se olhando no espelho. Ainda tinha um corpo quase infantil, mas seu rosto aparentava ser tão cansado… Como ninguém reparava? Talvez fosse impressão sua, influenciada pelo que havia passado e como se sentia.

Saiu de casa sem pressa, se dirigindo para o café sem nem ao menos reparar nas pessoas à sua volta. Elas não eram importantes, não passavam de borrões e o barulho da rua parecia abafado e distante. Sentou no lugar de sempre, pediu o de sempre e esperou. Como sempre, esperou por algo que não aconteceria.

Olhava para a mesa sem focar em nada em especial, a mente vagando entre tudo e nada ao mesmo tempo. Entorpecida, essa era palavra.

E então uma voz quase esquecida a despertou.

-Me perdoe, Homura-chan. Acabei não ligando o despertador e dormi demais.

Ali estava ela.

Cabelo rosa.

Lacinhos vermelhos.

Sorriso infantil.

A morena perdeu belos dez segundos sem acreditar, pensando que talvez estivesse louca. Talvez esses anos de obsessão finalmente tivessem acabado com sua sanidade, e agora ela via e ouvia os fantasmas de seu passado.

Mas parecia tão real, queria com todas as suas forças que fosse real.

-Hum… Homura-chan? Aconteceu alguma coisa?

Abriu a boca para responder, mas as palavras simplesmente sumiram, evaporaram antes mesmo de se serem pensadas. Balançou a cabeça, como se isso fosse fazer a visão sumir e parar de torturá-la. Mas continuava ali.

-Homura-chan, você está bem? Está doente?

Finalmente, respirou fundo e resolveu acreditar no sonho. Nunca sonhava, e se estava sonhando… Ia aproveitar.

-E-eu… Senti sua falta.

Saiu sem querer, assim como as lágrimas que se seguiram.

A de cabelos rosas entrou num pequeno estado de pânico, levantando e indo até o lado da amiga.

-Homura-chan! O que aconteceu?

Colocou a mão sobre o ombro da morena e isso foi o suficiente para que esta a olhasse de forma intensa, desesperada quase. Era ela. Era esse o rosto que estava quase esquecendo, era essa voz que a levava a loucura. Colocou a mão sobre a da garota, sem se atrever a desviar o olhar.

-Me diga que você é real. Por favor, me diga que você é real…

-D-Do que está falando? É claro que sou real, aconteceu algo com você?

Parecia realmente preocupada, um tanto aflita agora que percebeu que todos a olhavam. Corou, mas não saiu do lado da amiga. Tomou um pouco mais de coragem e a abraçou da forma que dava naquela posição, afagando os longos fios morenos.

-Está tudo bem, viu? Vai ficar tudo bem, Homura-chan.

A morena respirou fundo e assentiu, tentando controlar as lágrimas enquanto a outra se afastava e sentava a sua frente novamente.

Logo em seguida a garçonete veio com o pedido da morena e um copo d’água. Todos tinham visto o drama estranho, e ela julgou que era bom trazer água e anotar o pedido da recém chegada. Uma vez feito isso, um silêncio estranho se instalou entre as duas enquanto a morena segurava o copo de água sem beber.

Não aguentando o clima, teve de perguntar.

-H-Homura… Chan? O que aconteceu?

Respirou fundo e olhou no fundo daquelas orbes rosas. Repentinamente sentiu aquela calma que só Madoka podia lhe proporcionar.

-Eu… Tive um sonho ruim. Um longo sonho ruim que pareceu de verdade.

Queria acreditar nisso, e nesse momento se agarrou a isso.

-Sonho? E você quer… Falar sobre ele?

Houve uma negação muda enquanto o parfait começou a ser comido.

-Está tudo bem. Contanto que você esteja aqui, está tudo bem.

Notas finais
Não me matem! Se pedirem eu continuo, I swear.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.