Segunda Era Espacial
1 Capítulo 1: O início
Eram dez horas da noite e o céu era iluminado pelo fogo do motor, que elevava uma grande nave ao espaço, era um expresso a Marte, a colônia humana mais distante da Terra.
Atingindo a órbita superior terrestre, onde localizava-se as estações espaciais depois da invenção do motor por fusão nuclear, o foguete alinhou-se para o Sol e acelerou em sua direção, fazendo sua órbita aumentar no sentido oposto a órbita da Terra, quando chegou a ponto mais distante da Terra acelerou no sentido oposto ao Sol, fazendo a órbita extrapolar a velocidade de escape naquela altura, com alguns ajustes estavam em uma órbita que num ponto chegaria a aproximar-se do planeta vermelho.
Agora em curso de colisão com a órbita de Marte esperariam apenas que conseguissem acertar o ponto vermelho, não seriam os primeiros a errar, infelizmente, mas o capitão Izzy Walter acreditava em seus técnicos e nos computadores e a possibilidade de errar parecia nula, o capitão lavando-se de sua cadeira e falou:
–Vamos montar os anéis gravitacionais, James fique aqui e cuide de tudo e informe-nos caso haja a necessidade de uma mudança de órbita ou comunicações da Terra.
James virou-se junto a cadeira e falou:
–Entendido.
O capitão continuou:
–O resto vai me ajudar.
Clark Tulicov levantou-se, era uma engenheiro e perito em motores de fusão, orgulhava-se de ter sido aluno do criador do motor de fusão, August Levy, Clark possuía uma face séria, era de estatura média, não era muito forte e pele um pouco clara; Marta Smith levantou-se também, era a oficial de pouso, possuía cabelos negros que contrastavam com a pele extremamente clara e era consideravelmente bonita; por fim ficou apenas James Jenkins sentado na sala de comando, com sua baixa altura e pouco poder muscular poderia ajudar mais ali que na construção do anel, era aplicado em seu trabalho, sendo qual fosse este, excedendo obviamente os que necessitavam de força física, seus olhos não saiam dos paneis de controle, assim com suas mãos, era um físico de trajetórias.
Não apenas o capitão e seus três subordinados que estavam construindo o anel eram orientados por um engenheiro de estações, e ajudados por mais vinte e duas pessoas, uma boa porcentagem considerando a tripulação de cem pessoas, todos os construtores estavam amarados a nave e com chapas de nanotubos de carbono em suas mãos foram pondo-as em seus lugares, encaixando e eventualmente soldando certas partes, ligando cabos e outras coisas.
Após montarem os anéis, eles votaram para dentro da nave e pressurizaram o anel, toda a sala que comando foi recriada na gravidade de 0,5 vezes da Terra, para evitar qualquer rompimento de cabo.
Aquele anel gravitacional era apenas o primeiro outras vinte e cinco pessoas estavam construindo ao mesmo tempo um segundo, logo ao lado; a construção dos anéis ainda em órbita terrestre era necessário, pois após a saída desta não possuiriam campo magnético para protege-los.
Quando os anéis estavam montados e girando em sentidos opostos, o capitão informou ao comando com base na Terra que a montagem dos anéis havia sido bem sucedida e pediram permissão para começarem sua viagem ao planeta Marte, o comando liberou o início da viagem.
A nave aumentou seu pico orbital para o lado oposto a órbita terrestre em relação ao sol e esperou até chegar a este pico para acelerar a toda força, assim a órbita da nave não estava mais na terra e sim em uma órbita elíptica ao redor do sol, em que seu pico de distância do sol era cruzando a órbita marciana e o seu vale era a órbita da Terra.
Agora eram seis longos meses de espera, pelo menos possuíam as melhores tecnologias de entretenimento, realidade virtual, Personas, livros, filmes, músicas, impressoras 3d e outros equipamentos.
A Terra não era mais a mesma do início do século 21, agora ela muito menos habitada, possuía 4 bilhões de pessoas, os centros urbanos não ultrapassavam 500 mil habitantes e toda a comida era produzida ao redor da cidade, boa parte dos empregos eram automatizados e todos os robôs trabalhavam para as pessoas e não para empresas, após algumas revoluções armadas, a criação de governos novos a separação de estados, a superpopulação e a fome levaram a um governo que todos trabalhariam uma média mínima por mês para que sua comida fosse entregue, trabalhavam mais se quiserem alguns luxos, deu certo em várias partes do mundo e errado em outras, a reciclagem supria a maior parte da demanda de materiais.
Crônicas do século XXI e meio
O mundo viu-se em uma Segunda Guerra Fria, uma disputa entre América do Norte e a União das nações Euroasiáticas(china, Rússia, Vietnam, Coréia do Norte e Mangólia) uma guerra atômica parece inevitável, a União Europeia e os Países Unidos Sul-americanos são autossuficientes de energia e recursos e repudiam essa guerra fria, o custo da autossuficiência foi a perda de mercado de empresas Norte-americanas e da União Euroasiática, líderes dos dois blocos viram-se obrigados a travar uma disputa pelo mercado que ainda resta, pela África, Oriente Médio e Oceania.
Estava André Dumont em uma missão na África convencer o governante de Alútar(um pais recém criado) a fechar as portas de comércio para os participantes da guerra fria e receber ajuda apenas dos países autossuficientes, não ia ser uma coisa fácil, provavelmente cruel, mas com certeza a coisa certa a fazer, pelo menos era isso que André pensava, enquanto viajava no avião que o levava até o aeroporto da capital de Alutar, ainda estavam sobrevoando o Saara quando um aviso de míssil soou, o piloto rapidamente colocou o avião com a barriga para cima e esperou dois segundo e puxou o manche fazendo o avião descer, vendo o aviso de míssil apagar girou novamente o avião fazendo-o ficar novamente de barriga para baixo e puxou o manche levantando o avião apenas a meio quilometro do chão ativou o pós-queimador e o bloqueador de radar, estavam seguros.
Antes de entrar no território do país avisaram o comando aéreo e desligou o bloqueador e o pós-queimador, foi escoltado até o aeroporto por um caça da força aérea do país, pousando no aeroporto foi logo recebido por um comitê que o acompanhou até o hotel em que ficaria, durante a janta conversaram sobre algumas dificuldades econômicas e sociais em que o país estava, após a janta ele andou até seu quarto e abriu a porta e entrou, fechou-a.
Encostou-se a porta e pensou o quanto complicado iria ser convencer o governante a aceitar sua proposta, viu os hábitos e personalidades dos participantes do comitê, eram pessoas não apenas corrompíveis, pouco importava o fim do país se este fosse o seu caminho para a riqueza, não que ele próprio não toma-se uma vida, mas seria por sua missão. Andou até a cama sentou-se, olhou para a cabeceira da cama de casal e viu uma garrafa com suco de uva, pegou-a tirou a tampa, que saiu com facilidade, cheirou o suco, não tinha cheiro algum, falou em voz baixa:
–Bom veneno, deve ser potente, sem cheiro, perfeito para um assassinato.
Fechou a garrafa, deu uma olhada ao redor do quarto verificou todos os locais do quarto e viu que há apenas 30 centímetros de onde sentará havia uma agulha pequena e acoplada à uma seringa com um líquido transparente evitou tocar, pôs luvas e verificou com uma luz negra que seu celular possuía, viu algumas digitais, tirou fotos de cada uma delas, pôs uma pequena rolha macia na ponta da agulha e o conjunto dentro de uma caixinha. Trancou a porta e deitou-se.
No dia seguinte, levantou-se, guardou a garrafa e a caixinha, pôs os sapatos e saiu do quarto, viu o corredor vazio, andou até a rua, olhou para os lados e viu ao final da rua um restaurante, tirou o celular e foi andando, viu que o noticiário falava sobre a chegada do embaixador da União das Nações Euroasiáticas e outro da América do Norte, comparava a proposta dos dois. Chegou até o restaurante pediu um café e sentou-se numa mesa longe das janelas, pegou seu celular e continuou bisbilhotando alguns sites e vídeos.
Um reflexo no celular mostrava um homem perto da porta que olhava para ele, André mudou para umas fotos com menor brilho para que pudesse observar sem interrupções, por causa do alto brilho, o homem o olhava várias vezes seguidas para ele, André era paranoico, precisava ser ou teria morrido ainda no quarto, o garçom trouxe o café, ele pôs o dedo no café e em seguida deixou a gota cair em sua boca, fez uma cara como se o café estivesse muito quente, mas estava apenas testando para ver se estava envenenado, esperou alguns minutos para ver se havia o veneno ou não, como não sentiu nada de estranho bebeu uns goles e tirou uma foto do café quando este parou de girar, levantou-se e foi até o banheiro, voltou alguns minutos depois e sentou-se novamente à sua mesa, pegou o celular e comprou a foto antes e a agora do café e nenhuma mudança ocorreu, ninguém havia mexido nele, terminou de beber e levantou-se e andou até a porta quando passou pela mesa onde estava o homem que lhe observava antes deixou cair um anel que possuía no bolso que rolou até os pés do homem, que se abaixou ainda sentado para pegá-lo, enquanto isto André deixou escorregar por seu dedo um veneno que caiu dentro do café, o homem levantou logo em seguida e devolveu seu anel e André saiu do restaurante.
Logo em seguida, enquanto voltava até seu quarto de hotel, já estava no meio do caminho quando viu uma aglomeração de pessoas na frente do restaurante, chegou ao quarto e esperou até a hora em que chegou o carro para levá-lo ao encontro do governante, recebeu a ligação para descer e entrar no carro e isto ele fez.
Quando chegou à mansão do governador acompanhou os seguranças até a sala do governante, cumprimentaram entre si, logo o governante falou:
–Sente-se – Apontou um sofá ornamentado e continuou – Vamos direto ao ponto, o que o seu lado pode fazer por mim?
–Oferecemos auxílio em toda a infraestrutura das cidades até atingirem a autossuficiência nos setores mais importantes, como tecnologia, tanto de entretenimento como hospitalar; construção de industrias; hospitais; abrigos para os desabrigados; usinas nucleares e não nucleares; locais de ensino e pesquisa científica.
–Querem construir o país ou ajudá-lo?
–Ambos.
–Muito bom, mas se eu ficar ao lado de vocês, o que evita eu ser atacado pelos participantes da Segunda Guerra Fria?
–Serás um protetorado dos Países Unidos, atacar-lhe é como atacar-nos.
–Diz isto, mas a República de Angola vem sofrendo ataques constantes.
–Até onde sei, estes ataques são de terroristas, não dos participantes da Segunda Guerra Fria.
–Mas é óbvio que estes contrataram os terroristas.
–O que podemos fazer? não sabemos qual deles atacou e guerra é o que menos queremos, iremos esperar até ambos os lados quebrarem.
–Isto vai demorar muito, o povo de lá é muito patriótico.
–Não muda o fato de que irão quebrar.
–Como saberemos que a quebra não virá com múltiplas explosões nucleares no país adversário?
–Temos satélites armados para evitar que estes cheguem até seus objetivos ou gerem a reação nuclear.
–A proposta parece boa, por isso mataram seu segurança, para chegarem até você.
–Aquele tumulto no restaurante era isso?
–Sim e você seria o próximo.
–Quando não podem apresentar nada melhor matam aquele com a melhor proposta.
–Vamos voltar o assunto, o que há de ruim na sua proposta, além da faltas de incentivos a mim?
–Como assim?
–O que ganho com isto?
–Ganharás prestígio com seu povo.
–Eu gosto de prestígio, mas não preciso dele.
–Vou falar que precisará, pois todos precisam em uma eleição.
–Para que eleição?
–Seu país deverá adotar a república.
–Quer dizer que não posso continuar sendo governante? – Falou com uma voz agressiva.
–Claro que pode, o prestígio lhe dará como grande candidato a eleição.
–Foi o que disseram ao antigo governante de Angola, ele perdeu a eleição.
–Ele era odiado.
–Como se eu fosse deixar esta chance de perder existir.
–A chance de perderes o governo é menor nesta eleição do que a chance de perder a vida se escolher um dos lados em guerra, podemos dar-lhe proteção, eles apenas trocarão o morto por alguém que eles gostem. – André deu uma respirada e continuou – Sem falara na chance de revolução popular.
–Duvido que estas sejam menores que a de perder a eleição feita por um monte de imbecis.
–Tenha respeito com seu próprio povo.
–Eles tem que respeitar-me, eu sou o governante e eles meus súditos. – O governante levantou-se e andou até a porta do banheiro e disse. – Não deixe a porta bater em suas costas quando sair e mande entrar o embaixador da União das Nações Euroasiáticas. – Quando terminou de falar entrou no banheiro.
André Pôs um luva, levantou-se e levantou a almofada do acento onde o governante havia sentado e pôs a seringa com veneno, abaixou a almofada e saiu da sala e disse. – Embaixador da UNE boa sorte com as negociações é sua vez. – falou com um tom de raiva.
Sentado em sua cadeira no jato que o levava até os Países Unidos, uma hora depois da conversa que tivera com o governante, recebeu a notícia que o governante estava morto, aparentemente pelas mãos do embaixador da União das Nações Euroasiáticas. A tela do celular escurece e o foco torna-se cada vez mais perto da tela, quando apenas o celular é visto, aparece a frase “Filme baseado em fatos históricos”.
O capitão Walter desliga a televisão.
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