Segunda Chance para Amar ( E o Vento Levou 2 )
61 Um colar de brilhantes
Capítulo 61 — Um colar de brilhantes
Após a visita do Dr. Stuart, a febre de Scarlett abaixou novamente e a situação ficou controlada. Foram momentos de desespero para Eulalie, pois ela ficou com medo que sua sobrinha não suportasse a doença e pudesse vir á morrer. Enquanto ela e Nancy,davam um banho frio em Scarlett para abaixar a febre, Brown correu até a casa do Dr. Stuart e trouxe o médico até a casa de Eulalie o mais rápido que podia. Quando o Dr. Stuart foi examinar Scarlett novamente, percebeu que o pior já tinha passado. Ele alertou Eulalie de que a febre alta poderia voltar posteriormente, que ela tinha que forçar Scarlett á comer e que os remédios tinham que ser dados no horário certo. Apesar da febre alta e dos delírios, a doença estava estagnada, sendo assim Scarlett não piorou, mas também não melhorou. O médico informou que poderiam levar semanas e até meses para que Scarlett ficasse totalmente curada. Até quando, Eulalie iria conseguir esconder Scarlett em sua casa, com Rhett Butler revirando a cidade feito um louco para encontrá-la?Ela não tinha uma resposta para essa questão. Logo, que o médico foi embora de sua casa, prometendo uma nova visita na manhã seguinte, Eulalie sentou na poltrona e ficou observando Scarlett dormir um sono aparentemente tranquilo.Mais tarde, Eulalie levantou -se da poltrona e vendo que a febre não voltara até aquele momento, decidiu ir para o seu quarto dormir um pouco. Mas, ordenou que Nancy ficasse em seu lugar observando o sono de Scarlett. Ela precisava descansar e decidir realmente se iria continuar escondendo a sua sobrinha. No fundo, ela estava com pena de Rhett Butler. Eulalie lembrou-se do olhar angustiado e abatido daquele homem, e por mais que ele tivesse tido uma postura errada durante o baile, era perceptível o quanto ele amava Scarlett. Claro, que ela não entendia os motivos de Rhett ter pago um preço alto para dançar com Anne Hampton e expor Scarlett ao ridículo perante toda a velha guarda, mas o olhar triste daquele homem não conseguia esconder o amor que ele sentia pela esposa e ela percebeu isso, logo que o viu parado em sua porta, horas atrás.Rhett trancou-se na biblioteca e não quis ver ninguém. Ele chegou á noite em casa, totalmente derrotado e sem encontrar Scarlett. Prometeu para as crianças, que iria trazer a mãe delas de volta naquele mesmo dia e não conseguiu cumprir aquilo que tinha prometido. Não tinha coragem de olhar para Wade e Ella e confessar que tinha fracassado. Eleanor tentou trocar algumas palavras com ele, mas Rhett evitou conversar e seguiu direto para a biblioteca. A senhora Butler achou melhor deixá-lo sozinho. Ela procurava manter a calma na frente do filho, das crianças e da filha, mas estava desesperada também. Rosemary chorou novamente, quando soube que Rhett voltou para casa sem encontrar sua cunhada. Eleanor ficou um bom tempo abraçada com ela e soltou algumas lágrimas discretas. Ela agradeceu que as crianças já estavam dormindo, pois não tinha coragem de dar aquela péssima notícia para elas: que Scarlett continuava desaparecida.Rhett sentou-se na poltrona dentro da biblioteca e começou á beber um copo de uísque atrás do outro. Ele não queria acreditar no pior. Ele não podia acreditar no pior. Sua vida dependia da vida de Scarlett para continuar. Ele gostaria e muito que Scarlett estivesse escondida em algum lugar, rindo da cara dele, rindo de seu desespero, vingando-se por ele ter sido um tolo com ela no baile. Abaixou a cabeça e começou á chorar, soluçando como uma criança. Sem Scarlett, ele sentia-se morto, sem vida, sem rumo, imaginar que ela pudesse estar morta, era inadmissível para ele, porém por mais que tentasse afastar esse tipo de pensamento nefasto de sua mente, esse pensamento estava lá, torturando-o aos poucos, conforme as horas passavam e ele não tinha nem uma pista de onde ela pudesse estar. Rhett já tinha revirado aquela cidade inteira por duas vezes, até nos bordéis e bares ele foi ver se a encontrava. Foi no hospital, na polícia, na casa de Eulalie, no hotel onde Ross morava. Sabia que ela não tinha saído de Charleston, pois foi na estação de trem e no porto e pediu para verificar a lista de passageiros. No início da noite, antes de voltar para casa, foi na casa da tia Pauline, que morava bem afastada de Baterry, mas Scarlett também não estava lá. Depois passou novamente no posto do xerife, e foi informado que a polícia continuava procurando por ela, mas que até o momento não tinham nenhuma pista de onde ela poderia estar. Voltou para casa cansado e derrotado mais uma vez, e agora estava chorando e afogando-se na bebida novamente. Ele estava com o coração sangrando, a culpa, o medo, a dor e o amor torturavam-no sem que ele tivesse como reagir. Ele falhou com Scarlett. Sentia-se um homem miserável e fraco. Sabia que toda aquela situação era culpa somente dele e de mais ninguém. Virou mais um gole de uísque que desceu arranhando a sua garganta, enquanto as lágrimas escorriam pelo seu rosto bronzeado. Finalmente, após 12 anos, Scarlett entregara-se para ele, de corpo, alma e coração, ela entregara para ele tudo o que tinha, e ele jogou tudo fora, pela janela. Só de imaginar que aquela menina teimosa que conheceu no churrasco em Twelve Oaks, poderia amá-lo de verdade, dava-lhe vontade de gritar como um animal ferido. Ela estava triste, ela estava doente e estava em algum lugar, talvez precisando de ajuda, talvez apenas brava e rindo da cara dele e tudo isso angustiava-o demais. Ficar trancado naquela biblioteca, vendo as horas passarem, sem saber nada sobre sua esposa,estava matando-o aos poucos. Bebeu uma garrafa de uísque sozinho, chorou, parou de chorar e chorou novamente. Ele não queria comer, não iria conseguir dormir e logo que amanhecesse, iria sair de casa novamente para continuar procurando por ela. Ele iria encontrá-la, ele tinha que encontrá-la de qualquer jeito. Rhett tentava consolar á si mesmo, enfiando na cabeça que Scarlett era forte, que ela enfrentou a guerra e a fome e que não iria deixar-se abater tão facilmente. Ela estava em algum lugar, e ele apenas precisava localizá-la e trazê-la de volta para casa e para os braços dele. Perdido em seus pensamentos esperançosos, consoladores, temerosos e sombrios, Rhett escutou alguém batendo na porta. Ele levantou-se da poltrona com dificuldade, pois já estava um pouco embriagado. Enxugou as lágrimas com as costas da mão, colocou o copo de uísque em cima da mesinha e foi abrir a porta.
Era Eleanor que ao vê-lo tão destruído e cheirando a bebida, segurou-se para não desabar e chorar. Rhett estava com os olhos vermelhos, rodeados por olheiras e seu rosto estava cansado. Ele apoiou-se na maçaneta da porta e olhou para sua mãe, querendo saber o que ela queria com ele naquele momento em que queria ficar sozinho,remoendo a sua dor e a sua culpa." Rhett, meu filho, o xerife está lá na porta e quer falar com você. Ele tem notícias sobre Scarlett..."Rhett respirou fundo e saiu da biblioteca correndo, ainda cambaleando um pouco pelo corredor. Desceu as escadas feito um louco e chegou na porta de entrada, que estava aberta, onde encontrou o xerife e dois policiais que o acompanhavam." Boa noite, Capitão Butler. " cumprimentou o xerife com um semblante sério." Boa noite, John. Você encontrou Scarlett?" Rhett perguntou respirando profundamente e procurando manter a calma." Não encontrei sua esposa, mas encontramos uma pista, algo que pertence á ela." disse o xerife, retirando do bolso da calça um colar de brilhantes e entregando-o para Rhett." Sim, esse é o colar que a minha esposa estava usando no baile, onde vocês encontraram?" perguntou Rhett angustiado, segurando o colar com cuidado." Alguns policiais fizeram uma varredura pelo bosque de Baterry e encontraram o colar no chão, parcialmente coberto pela terra e folhas secas. Eles me entregaram o colar agora á noite e eu vim entregá-lo para o senhor."" Obrigado, John. Além do colar não encontraram mais nada?" Rhett perguntou ansiando por mais respostas." Não. Mas, isso significa que sua esposa passou pelo bosque e estava vindo pra cá. Tem alguém que ela conhece e que mora perto de sua casa?"Rhett olhou para o xerife e olhou para o colar novamente. Aquele colar de brilhantes era um dos preferidos de Scarlett. Ele comprou-o para ela durante a viagem de lua de mel em Nova Orleans e mandou que o joalheiro gravasse o nome dela com o sobrenome de casada na parte de trás do maior pingente. "Scarlett estava em Baterry, perto da casa de minha mãe, perto da casa de Eulalie...sim, Eulalie! Como eu não percebi que a tia dela poderia estar mentindo?"pensou Rhett arregalando os olhos com a sua recém descoberta." Vejo que o senhor, lembrou-se de mais alguém..." concluiu o xerife, percebendo o olhar chocado de Rhett." Sim, John. Scarlett tem uma tia, que é praticamente vizinha de minha mãe, além de ser uma amiga de nossa família. Eu fui hoje á tarde na casa dela, que me garantiu que minha esposa não estava lá..."" E agora, o senhor está achando que a tia dela mentiu e está escondendo-a ..."" È possível. Eu conheço a minha esposa. Ela está brava comigo e pode ter intimidado e obrigado sua tia á escondê-la. Eu vou agora mesmo para a casa da senhora Eulalie. Mais uma vez, muito obrigado, John. E tenha uma boa noite!" Rhett se despediu correndo, pois não queria perder tempo. Ele queria ir logo atrás de Corn para ele levá-lo até a casa de Eulalie." Qualquer coisa que precisar estamos á disposição, Capitão Butler. Tenha uma boa noite também." despediu-se o xerife colocando o chapéu na cabeça.
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