Segunda Chance para Amar ( E o Vento Levou 2 )
23 Um casal quase normal
Capítulo 23: Um casal quase normal
Rhett Butler desceu as escadas e foi ao encontro de sua mãe e sua irmã, que ainda estavam na sala de jantar. Logo que, ele entrou na sala, ambas ficaram surpresas por vê-lo aparecer sozinho, sem Scarlett enganchada em seu braço.
" Onde está Scarlett, meu filho?" Eleanor perguntou.
" Ela foi descansar. Ficou muito emocionada com o nosso encontro." respondeu Rhett com seu sorriso sarcástico.
" Que pena! Esperava que ela voltasse com você para terminarmos o nosso chá." Eleanor lamentou.
" Ela vai descer mais tarde, mamãe. Com certeza, vai jantar conosco. Mas, tenho uma surpresa para vocês duas. Eu volto já. " disse Rhett saindo rapidamente da sala.
Eleanor olhou para sua filha e disse feliz:
" Olha Rosemary, como Rhett está feliz! Fazia tanto tempo que não via o meu filho sorrir assim..."
" È Scarlett, mama. O encontro entre os dois deve ter sido muito romântico." riu Rosemary corando as bochechas morenas.
" Rosemary, minha filha, tenha modos! Isso não é algo para se comentar." retrucou Eleanor sorrindo também.
Rhett voltou para a sala, sorrindo e carregando uma mala cheia de presentes.
" O papai Noel vai chegar mais cedo esse ano!!!" declarou Rhett aproximando-se das duas.
" Oh! Rhett! Você trouxe-nos presentes?" perguntou Rosemary encantada pulando como uma criança.
" Mas, é claro que sim! Como eu poderia esquecer da melhor mãe e da melhor irmã desse mundo?" ele respondeu dando um beijo na testa de sua mãe. " Comprei todos os presentes na Rue de la Paix."
Rosemary ganhou um chapéu azul escuro, um par de brincos de brilhantes, um colar de ouro com pequenas pedrinhas de rubi, três tecidos finos e de cores diferentes para fazer 3 vestidos novos, um xale azul marinho para combinar com o chapéu, um perfume francês e dois livros de autores ingleses renomados. Eleanor ganhou um jogo de chá e café de prata finíssima, tecidos finos para fazer vestidos, um par de brincos de ônix, um anel de diamantes, um xale florido, presilhas com pérolas para os cabelos, caixas de bombons e um perfume de lavanda importado. Elas se maravilharam com os presentes. Caixas ficaram espalhadas pela sala de jantar, ocupando toda a mesa grande de madeira maciça, onde estavam tomando chá.
" Acredito que você comprou um presente muito bonito para Scarlett também..." comentou Eleanor organizando as caixas de presentes uma em cima da outra, par desocupar a mesa.
" Bem , na verdade ainda não, eu não sabia que ela estaria aqui e..." Rhett respondeu encabulado.
" Oh, meu filho! Scarlett vai ficar tão triste. Toda a esposa adora receber presentes do seu marido e Scarlett gosta tanto de você. Os olhos dela até brilharam quando ela te viu voltar..."
Rhett fechou a cara. Essa admiração que sua mãe e sua irmã tinham por Scarlett incomodava profundamente. Ela tinha enfeitiçado as duas. Assim como fez com ele durante anos. Ele não tinha coragem de contar para elas quem era Scarlett na realidade. Não queria decepcioná-las e tinha vergonha de si mesmo, por ser casado com uma mulher tão cruel. Mas, ele não permitiria que Scarlett envergonhasse ou machucasse sua mãe e sua irmã. Ele a mataria se isso acontecesse.
" Não se preocupe, mãe. Eu vou comprar um presente especial para ela, logo que for possível." Rhett explicou pensando que o presente que podia dar a Scarlett eram os milhões de dólares para que ela aceitasse o divórcio. " E Scarlett vai amar o presente que vou dar." ele concluiu sorrindo triunfante.
" Que bom, meu filho! Eu fico tão feliz por vocês! Vejo que você está até mais feliz também! Compre um presente lindo de Natal para ela"
" Bem, não sei se ela vai passar o Natal aqui conosco, mãe!" Rhett planejava enviar Scarlett de volta para Atlanta antes do Natal. " Ela tem os negócios para cuidar e tem a loja também."
" Oh! Eu não vou aceitar essa desfeita, Rhett! Faltam 3 semanas para o Natal e quero Scarlett aqui conosco pelo menos até o início de janeiro." Eleanor reclamou. " Por favor, meu filho, peça pra ela ficar até o início do ano aqui em casa. Tem o baile de Santa Cecília que Scarlett não pode perder. E se ela for embora, eu e Rosemary ficaremos chateadas. E vocês dois, precisam de um tempo juntos em um lugar mais tranquilo e Charleston é um lugar perfeito. Scarlett terá o restante do ano que vem para cuidar da loja em Atlanta."
Rhett sentiu vontade de gritar. Aguentar a presença de Scarlett até janeiro seria torturante para ele, que queria se livrar dela o mais rápido possível. Mas, ele não podia recusar um pedido de sua mãe. Prometeu a si mesmo, não aborrecê-la ou chateá-la com qualquer problema.
" Tudo bem, mãe. Scarlett fica aqui até o início de janeiro." Rhett concordou forçando um sorriso.
" Oh, meu filho! Assim eu fico tão feliz!!!!" Eleanor levantou a cabeça dando um beijo no rosto de Rhett.
Na hora do jantar, quando a família Butler estava sentada á mesa; Scarlett não apareceu para comer. Eleanor ficou preocupada, enquanto Rhett comia tranquilo e despreocupado. Ele sabia que Scarlett não se recusava á comer, que ela tinha um apetite enorme, mas preferia ficar o mais longe possível dela. E tentava convencer á si mesmo que nada vindo de Scarlett lhe causava preocupação. Ele não se importava mais com ela. Tinha enfiado isso na cabeça.
" Rhett, meu filho, eu estou preocupada. Scarlett não apareceu para jantar e..."
" Mãe, por favor, me passe a garrafa de vinho..." Rhett pediu procurando ignorar a preocupação de sua mãe.
" Rhett você me ouviu?" insistiu Eleanor. " Onde está Scarlett? Ela não pode ficar sem comer! Vai ficar fraca!!!"
" Tudo bem, mãe. Eu vou ver o que aconteceu..." respondeu Rhett levantando-se da cadeira.
Mas, antes que pudesse sair da sala, Nany, a empregada que cuidava exclusivamente de Scarlett, apareceu na porta.
" Me desculpem, interromper o jantar de ocês, mas a Dona Scarlett me pediu pra vim aqui, falar que ela num vai descê pra jantar."
" Por quê Nany?" Eleanor perguntou preocupada.
Rhett sentiu vontade de subir as escadas e tirar Scarlett de dentro do quarto á força. Qual era o novo truque que ela estava usando agora? Tudo oque Scarlett fazia era friamente calculado. Ela esperava fazer uma greve de fome como uma criança birrenta para conseguir reconquistá-lo? Ela que ousasse deixar sua mãe preocupada ou não ter o mínimo de etiqueta e educação em frente a sua família!
" A Dona Scarlett está cum dor de cabeça, Dona Eleanor. Ela pediu pra cumê no quarto." explicou Nany.
" Eu vou buscá-la!" disse Rhett nervoso dando os primeiros passos para fora da sala.
" Não, meu filho. Não! Deixe ela descansar..." pediu Eleanor.
" Mãe, isso é uma desfeita com a senhora e eu não vou tolerar essas atitudes de Scarlett!"
" Meu filho, não fique bravo com ela. Não é desfeita alguma. Ela está com dor de cabeça. Ficou andando de um lado para o outro dentro dessa casa, desesperada, esperando por você. Por favor, deixe Scarlett descansar. E Nany, leve uma bandeja para ela com o jantar, por favor."
" Tudo bem, Dona Eleanor. Com licença..." respondeu Nany retirando-se da sala.
" Mãe, você está mimando Scarlett e isso não está certo." disse Rhett procurando manter a voz calma." Ela não gosta de ser mimada e fica muito pior quando percebe que está sendo bajulada."
" Rhett, pare com isso! Não vou obrigá-la á vir aqui, se ela não está se sentindo bem! E vamos voltar á comer antes que a comida esfrie." retrucou Eleanor aborrecida.
Após o jantar, Rhett acompanhou sua mãe e sua irmã até a sala de estar. Acendeu um charuto, sentado na poltrona e contou para as duas sobre a sua viagem á Europa. Scarlett não apareceu na frente dele durante o restante da noite e Rhett tentava em vão, esquecer que ela estava debaixo do mesmo teto que ele. Mas, sua mente traiçoeira, o fazia pensar nela algumas vezes. Quando Eleanor pediu licença para retirar-se para dormir, ela comentou:
" Rhett, meu filho. Eu vou mandar Liz colocar as suas coisas no quarto de Scarlett. Eu até esqueci que você está em um outro quarto e...."
" E vou continuar dormindo onde eu estou!" Rhett retrucou categoricamente. Aquilo era demais para ele. Não aceitaria dormir no mesmo quarto com Scarlett de forma alguma. Nem que a mãe dele implorasse.
" Mas, filho? Por quê não?" Eleanor perguntou. Ela sabia que o filho e a nora dormiam em quartos separados em Atlanta, mas pensou que após o doce reencontro dos dois, ele gostaria de dormir no mesmo quarto da esposa.
" Porque não. Scarlett gosta de dormir sozinha. Em Atlanta ela tem seu próprio quarto! Scarlett gosta de espaço e não gosta de dividir o quarto com ninguém!"
" Oh!" exclamou Rosemary atraindo um olhar gelado de Rhett em sua direção. Rosemary não sabia que o irmão e a cunhada dormiam em quartos separados. Eleanor nunca lhe contou nada. Como um marido e sua esposa podiam dormir em quartos diferentes? Ela imaginou que o motivo podia ser a modernidade. Atlanta era moderna demais comparada á Charleston. Scarlett se vestia e se comportava de forma diferente. Ela era mais viva do que qualquer menina de Charleston E em vez de Rosemary criticar a atitude da cunhada, ela ficou orgulhosa dela. Imaginando que Scarlett era uma mulher moderna.
" Tudo bem, meu filho. Eu não vou me intrometer no casamento de vocês. Boa noite!"
" Boa noite, mãe."
" Eu vou subir com você, mama. Boa noite, Rhett"
" Boa noite, Rosemary. Tenham bons sonhos." Rhett respondeu sorrindo e abrindo uma garrafa de uísque. Ele planejava beber até pegar no sono.
Scarlett permaneceu trancada no quarto. Após a conversa terrível que teve com Rhett na biblioteca, ela trancou-se em seu quarto e chorou deitada na cama durante horas. Ela se sentia horrível. Rhett a humilhou demais com as palavras mais rudes que podia usar. Feriu o orgulho dela de todas as formas. Depois de chorar bastante, ela sentiu raiva, uma raiva doentia que á deixava com vontade de quebrar tudo e de matar o marido. Ela estava com tanto ódio de Rhett como sentia ódio de Charleston. Naquele momento, ela odiava o mundo inteiro. Recusou-se á descer para jantar. Estava com os olhos muito inchados e não queria que Eleanor e Rosemary á vissem daquela forma. Também não queria ver Rhett na frente dela com seu olhar frio e seu sorriso zombeteiro. Lembrou-se de Mammy. Ela tinha razão, quando pediu para Scarlett não aparecer em Charleston. Rhett não a queria lá. E iria maltratá-la muito se continuasse ali. Sentiu-se uma estranha dentro daquela casa, praticamente uma intrusa. Lembrou-se de seu pai, Gerald O' Hara, o irlandês teimoso e petulante que sempre manteve a cabeça erguida. Ela tinha sangue irlandês correndo em suas veias. Não iria mais humilhar-se para Rhett Butler. Ele era um bruto, canalha e insensível. Nunca mais, declararia seu amor por ele. Tinha que fazer jus ao sangue irlandês que corria em suas veias. Decidiu que deixaria aquela casa no dia seguinte. Ela sabia que a sogra e a cunhada ficariam chateadas, mas inventaria uma desculpa qualquer para deixá-las. Pediu para a criada Nany, levar seu jantar no quarto, mas nem tocou na bandeja. Não conseguia comer nada. Ela apenas queria sumir. Mais tarde, chamou novamente por Nany para ajudá-la á tirar o vestido. Colocou uma de camisola decotada de seda preta. Uma das roupas intimas que trouxe para seduzir o marido, mas agora não tinha mais importância. Rhett não desejava o corpo dela. Ele deixou isso bem claro. Ele nunca iria vê-la vestida daquela maneira. Scarlett voltou á chorar até adormecer. Ela só queria acordar no dia seguinte e voltar para Atlanta. Depois, pensaria se daria o divórcio para Rhett ou não. Ela amava demais o marido. Mas, não aceitaria passar uma vida sendo humilhada por ele daquela maneira.
Eram duas horas da manhã, quando Rhett Butler escutou gritos, gritos horríveis que vinham do andar de cima. Ele estava na sala tomando o último copo de uísque. Percebeu que os gritos eram de Scarlett. O desespero tomou conta dele. Rhett largou o copo de uísque em cima da mesinha e saiu correndo subindo as escadas de dois em dois degraus. Correu pelo corredor em direção ao quarto dela. Ele sabia que podia ser um pesadelo, mas estava com medo de que Scarlett estivesse passando mal. Os gritos cessaram de repente, mesmo assim, Rhett foi até lá. Chegando no quarto, ele encontrou a porta aberta. Ele entrou respirando ofegante e encontrou sua mãe, abraçada com Scarlett. Eleanor estava sentada na cama, agarrando carinhosamente Scarlett contra o seu peito, como se ela fosse uma criança assustada. Scarlett chorava e soluçava sem parar. Ela tremia muito e seu rosto estava escondido no colo de Eleanor. Rhett permaneceu parado olhando para as duas.
" Calma, minha filha, minha querida. Foi só um pesadelo. Eu estou aqui..." Eleanor sussurrava carinhosamente nos ouvidos de Scarlett
Scarlett agarrava desesperadamente Eleanor, á procura de proteção. Eleanor levantou a cabeça e olhou para a porta, encontrando o filho parado com o braço apoiado no batente da porta, procurando respirar. O coração de Rhett amoleceu completamente. Scarlett parecia uma criança inocente, completamente pura. Como ele gostava de acudi-la durante seus pesadelos. Era quando ele podia mimá-la, acarinhá-la e sentir que realmente estava protegendo-a. Mas, sua mãe chegou no quarto antes dele.
" Mãe, agora deixe comigo..." ele pediu dando passos largos em direção á cama.
Eleanor tentou soltar-se de Scarlett, mas ela agarrou a sogra gritando abafada, com a cabeça escondida nos braços dela.
" Não!!!! Não me deixe!!! Eu estou com medo!!!! A névoa!!! A névoa!!! " e soluçou ainda mais.
" Minha filha, Rhett está aqui, minha querida. Ele veio cuidar de você...." Eleanor tentou tranquilizá-la, dando um beijo em seu cabelo negro.
Scarlett tirou a cabeça do colo de Eleanor e olhou para Rhett. Ele parecia assustado e desesperado. Ela olhou rapidamente para a camisa dele que estava entreaberta, mostrando um pouco do peito musculoso, depois olhou para os olhos negros angustiados. Como ela o queria!!!! Mas, ela lembrou-se de que ele não a queria de forma alguma. Estava ali por pena ou para mostrar para a mãe que era um bom marido. Apenas isso.
Rhett aproximou-se mais um pouco. Ele ficou louco de vontade de pegar Scarlett em seus braços. Quando viu suas lágrimas, queria secar cada uma delas com beijos. Estendeu a mão, dando sinal para sua mãe deixá-la para ele, mas Scarlett começou á gritar e á chorar desesperada e implorou para Eleanor não abandoná-la. Ela não suportaria ser pisada por Rhett novamente.
" Por favor, senhora Eleanor fique, fique comigo!!! pediu Scarlett sentindo o cheiro familiar do perfume de Eleanor. Ela tinha o mesmo cheiro de sua mãe Ellen. " È como se eu estivesse nos braços de minha mãe."
" Oh, minha querida, eu não vou deixá-la até você dormir novamente." Eleanor apertou-a ainda mais contra si." È uma honra para mim ser comparada á Ellen Robillard. Só, por causa desse elogio, vou ficar o restante da noite aqui com você."
Rhett respirou aborrecido. Ele sentiu vontade de ordenar que a mãe saísse do quarto. Mas, não conseguiu. Não seria grosso com sua própria mãe. Se Scarlett preferia á ela, ele não podia fazer mais nada. Eleanor afastou-se um pouco de Scarlett e enxugou as lágrimas que escorriam pelo rosto dela.
" Calma, minha criança. Isso, assim, mais calma. Não vou deixar névoa nenhuma pegar você. Agora vou te deitar na cama, meu amorzinho e não sairei do seu lado até você dormir como um anjo..."
Os soluços desesperados de Scarlett cessaram e Eleanor a deitou na cama. Rhett quase derreteu quando viu a camisola da esposa. Seu coração quase saiu pela boca. Como seria difícil resistir a Scarlett!!! Era uma missão impossível e ele se convenceu disso. A camisola era transparente e moldava perfeitamente os seios, a cintura fina e o quadril dela. Tinha um decote que mostrava metade dos seios firmes. Ele ficou louco. Respirou fundo e virou de costas para a cama, quando sentiu o desejo controlar o seu corpo.
" Mãe, eu vou para o meu quarto. qualquer coisa me chame aqui imediatamente..." Rhett pediu, ainda de costas para as duas.
" Pode deixar, meu filho. Ela está mais calma, já está quase dormindo de novo..."
Rhett trancou-se em seu quarto e tirou a camisa jogando-a longe. Ele sentia um calor insuportável em uma parte bem distinta de seu corpo. Procurou recuperar o auto controle. Ainda bem, que sua mãe ficou cuidando de Scarlett, senão ele não teria resistido. Scarlett estava tentando-o desde o momento em que ele voltou de viagem. Estava cada vez mais difícil de controlar sua paixão animalesca e o seu desejo.
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