Segunda Chance para Amar ( E o Vento Levou 2 )
88 Um Sonho Diferente
Capítulo 88 : Um sonho diferente
" Rhett Butler olhou-se no espelho do quarto onde dormia. Era um espelho enorme, onde ele conseguia visualizar seu corpo todo. Ali, naquele quarto, ele não tinha 45 anos, era apenas um rapaz, um jovem rapaz que ainda não tinha passado dos 15 anos de idade. Rhett olhou-se de frente e depois de costas, totalmente boquiaberto e espantado. Seu bigode e algumas linhas de expressão em seu rosto haviam sumido. Sua pele morena era suave e sedosa como a pele de um bebê. Somente seus olhos negros e o seu nariz afilado ainda podiam ser reconhecidos. Os cabelos negros e lisos estavam cuidadosamente penteados e sua franja estava jogada para o lado esquerdo de sua cabeça. Olhou para as suas roupas. Ele não tinha mais os ternos e coletes importados, nem usava o seu famoso chapéu panamá. Suas habituais roupas foram substituídas por uma calça preta com suspensório e uma camisa branca com uma gravata de seda preta e muito bonita. Rhett percebeu que voltara á ser um menino. Olhou para o quarto onde estava. Aquele lugar era diferente do quarto onde dormia em Charleston. Os móveis e até o formato das janelas não condiziam em absolutamente nada com o lugar onde passou toda a sua infância. Escutou batidas na porta e ficou assustado. Ele estava em uma casa estranha, em um quarto estranho, na pele de um garotinho de prováveis 15 anos e alguém que ele nem imaginava quem podia ser, estava batendo na porta do lado de fora. Rhett gaguejou um pouco e estranhou até a sua própria voz levando sua mão a boca como se tentasse tocá-la. Ela era fina e grossa ao mesmo tempo, diferente de sua voz forte habitual.
" Pode entrar..."
A porta abriu e uma velha senhora entrou no quarto. Ela era uma negra magra, franzina e tinha cara de brava . Rhett automaticamente reconheceu-a. Era sua Mammy. Ele também teve uma Mammy durante a sua infância e juventude.
" Sinhôzinho Rhett, ocê vai continuá trancado aqui nesse quarto e vai perdê o sol que tá fazendo lá fora?" ela perguntou logo que viu o menino parado, olhando feito bobo em frente ao espelho.
" Eu estou assustado, Mama Flower, esse quarto está tão diferente...está tudo tão diferente...eu estou diferente...." Rhett falou ainda assustado.
" E o quê poderia tá diferente, sinhôzinho? Tá tudo igual como sempre teve! "
" Esse quarto. Ele não é o mesmo quarto de Charleston..."
" Sinhôzinho, ocê bateu cum a cabeça? Nóis nunca que moramo em Charleston." Mama Flower disse quase rindo de seu menino assustado.
" Onde nós estamos, Mama Flower? " Rhett perguntou preocupado.
" Sinhôzinho, estamo no mesmo lugar de sempre. No Condado de Clayton. Agora, saia já desse quarto e vá brincá lá fora, pois o dia tá muito bonito."
Rhett olhava para ela totalmente chocado. Ele nunca tinha morado em Charleston. Aquele lugar não era Dunmore Landing. Ele morava no Condado de Clayton, sul da Geórgia. Mas como aquilo era possível?
Rhett saiu do quarto e desceu as escadas achando aquela casa totalmente diferente de onde ele sempre viveu. Ele olhava para todos os cantos e paredes e não conseguia entender nada, quando chegou na porta da sala, ouviu duas pessoas conversando e escondeu-se em um canto da parede para não ser visto. Estavam falando dele.
" Esse menino só me traz problemas, Eleanor! Ontem arrumou briga com o filho do vizinho ! Alguém precisa dar um corretivo urgente nele! Eu já tentei, já bati nesse menino mal educado quinhentas vezes e não adianta! Ele está cada dia pior! Nunca vai ser um cavalheiro ou alguém decente nessa vida! " o homem com a voz grossa gritava descontrolado.
" Por favor, meu querido. Não fale isso. Rhett é um bom garoto e ..." uma mulher com a voz calma e frágil tentava ponderar a situação.
" Bom garoto, Eleanor? A culpa é sua por ele ser assim! Sempre mimou esse moleque insolente ! Rhett se comporta como um selvagem! Arruma brigas, trata os negros e criados como seus irmãos e me desrespeita até mesmo na frente deles ! " o homem retrucou rosnando com raiva.
Rhett reconheceu a voz de seu pai e sua mãe. Eles estavam discutindo na sala sobre o comportamento dele. Sempre discutiam sobre o seu comportamento como se Rhett fosse um ser de outro mundo. Rhett tinha raiva daquele homem e fechou suas mãos em punho ainda escondido em um canto da sala.
" Outro dia, eu fui castigar um negro que tinha tentado fugir e Rhett colocou-se na frente! Ele me desrespeitou na frente do negro colocando em risco a minha autoridade! Então, eu castiguei aquele moleque insolente na frente de todos os negros para servir como exemplo!" o pai de Rhett continuou a gritar furioso.
Rhett rosnou com ódio. Ele ainda podia se lembrar daquele episódio nitidamente e até mesmo sentir novamente a dor das chibatadas em suas costas. Quando preparava-se para entrar na sala e enfrentar aquele homem mais uma vez, uma mão puxou-o pelas costas fazendo-o virar-se para olhar.
" Que coisa feia, sinhôzinho Rhett! Escutando cunversa de adulto atrás da porta." Mama Flower falou sussurrando para que os dois não fossem vistos. Ela sabia que se o pai de Rhett encontrasse-os ali, escondidos escutando a conversa alheia, ambos seriam castigados.
" Aquele homem está falando de mim, Mama Flower..." Rhett sussurrou furioso.
" Aquele homê é seu pai, sinhôzinho. E ocê deve respeito pa ele."
" Ele não é meu pai! Ele é o diabo! "
" Cruz Credo, sinhôzinho! Num fale mais isso não! Deus castiga! " Mama Flower retrucou chocada, fazendo o sinal da cruz com a mão em si mesma.
Rhett ignorou-a e os dois ainda podiam escutar o pai dele gritar e reclamar.
" Eu vou beber. Só bebendo para aguentar você e o seu filho insolente!"
" Por favor, meu querido. Não beba, isso não vai te fazer bem." Eleanor tentava impedir o marido.
" Cale-se, mulher ! Vou beber o quanto eu quiser ! Quero esquecer pelo menos por algumas horas que vocês dois existem ! "
Rhett olhou para Mama Flower sem saber o quê dizer. A raiva e a dor consumia-o e ele sabia que apesar de não ser capaz de fazer algo realmente contra o seu pai, não iria lamentar-se nem um pouco se acontecesse algo de muito ruim com ele.
" Sinhôzinho Rhett, vá brincá, vá meu fio. Esqueça oque ocê escutou... "
" Impossível esquecer ! Olha só como ele trata a minha mãe ! Eu o odeio ! "
" Ocê num pode de tê ódio dentro do coração, meu fio. Ocê é um menino bão e meninos bão num têm ódio dentro de si. Agora, vá brincá, vá... antes que ele veja ocê aqui..."
Rhett saiu e seguiu em direção a grande varanda que ficava na entrada de sua casa. Avistou o Sol forte que fazia lá fora e os raios solares que iluminavam a grama verde e aparada. Aquele lugar era completamente diferente de Charleston ou de onde já tinha vivido. Quando saiu para fora de sua casa, um nome veio em sua cabeça de repente, deixando-o ainda mais atordoado e confuso : Scarlett O ' Hara.
Rhett montou em seu cavalo preto, que estava parado em frente ao gramado de sua casa, praticamente esperando-o e saiu da propriedade de seu pai em direção a Tara. Ele e Scarlett eram praticamente vizinhos, e Rhett fazia questão de ver com seus próprios olhos em que situação encontrava-se aquela menina atrevida que mexia tanto com sua mente.
Passou pela estrada de terra, debaixo do Sol forte, montado em seu cavalo que galopava á toda velocidade deixando um rastro alto de poeira pelo caminho.
Rhett ficou apreensivo. Talvez Tara não existisse, talvez Scarlett não existisse e esses pensamentos deixaram seu coração apertado. Mas, logo, respirou aliviado, quando avistou a enorme casa branca e as plantações de algodão. Tara era mais bonita do que ele jamais tinha visto. Puxou as rédeas do cavalo para diminuir a velocidade. Não queria fazer alarde, pois nem sabia o que ou quem encontraria por ali. Queria observar em silêncio e a distância. Chegando mais próximo da entrada da fazenda, Rhett puxou novamente a rédea parando o seu cavalo e desceu calmamente dele, com o seu coração batendo forte. Amarrou o cavalo em uma árvore próxima e entrou em Tara sem ser visto. Em meio aos arbustos, escutou risadas juvenis vindas da varanda da grande casa branca. E logo avistou, Scarlett. Seu coração quase parou. Era impossível não reconhecê-la, não somente pela aparência que não tinha modificado tanto, mas pela situação em si. Scarlett estava sentada em um banco de madeira com seu vestido cheio de laços e babados e seus cabelos soltos e caídos sobre os ombros delicados. Ela fazia o seu habitual sorriso coquete e piscava seus lindos olhos verdes, fazendo questão de mostrar os cílios curvados e enormes. Ela não aparentava ter mais que quatorze anos e conversava alegremente e despreocupada com quatro rapazes que rodeavam-na fazendo de tudo para chamarem a sua atenção. Como sempre, a bela do Sul estava rodeada de admiradores que fariam qualquer coisa para receber em troca um sorriso ou um elogio. Rhett quase riu ao ver aquela cena. " Como são patéticos! " ele pensou sarcástico e permanecendo escondido atrás de uma árvore. " Tolos! Ela faz pouco caso de todos eles e eles acham que estão agradando ! " e segurou-se para não rir daqueles rapazes tão enfadonhos. Ainda ficou um bom tempo observando aquela cena tão engraçada. Scarlett só faltava mandá-los rastejarem aos seus pés e eles obedeceriam com um sorriso no rosto se ela assim ordenasse. Rhett olhou em direção da janela do quarto dela. O quarto onde ele tinha certeza que ela dormia. A janela estava aberta e não seria muito trabalhoso subir e entrar naquele quarto. Tinha uma enorme árvore cheia de galhos onde ele poderia escalar para entrar lá. Mas, decidiu deixar para fazer aquilo naquela noite, quando todos estivessem dormindo. Por enquanto, ele iria deixá-la se contentar em ter a companhia daqueles admiradores insossos, logo mais tarde quando a lua estivesse no céu, ele faria questão de ser a companhia dela. Saiu rapidamente de lá e foi atrás de seu cavalo para voltar para sua casa onde teria que aguentar durante o restante do dia a agressividade daquele homem que era o seu pai.
Eram dez horas da noite, quando Rhett retornou á Tara. Ele sabia que era arriscado demais. Saiu de casa escondido e sabia que alguém podia vê-lo por ali e isso iria gerar um problema enorme ou até a sua morte, principalmente se fosse pego pelo pai de Scarlett. Gerald O'Hara nunca iria aceitar encontrar um rapaz escondido dentro do quarto de sua filha, mas a adrenalina, a paixão pelo risco e pelo perigo, além de Scarlett chamaram-no ali para tentar a sorte.
Rhett entrou dentro da propriedade dos O'Haras como uma sombra, se escondendo atrás das grandes árvores, se esgueirando pelos arbustos, pisando calmamente e minuciosamente para não fazer o mínimo barulho. Quando chegou próximo da grande árvore que podia levá-lo até o quarto de Scarlett, olhou para cima e percebeu que a janela estava apenas com o vidro fechado, mas vinha luz de dentro do quarto e com isso Rhett deduziu que Scarlett estava ainda acordada, apesar de ser tão tarde. As velas estavam acesas e ele respirou aliviado ao mesmo tempo em que estava bastante apreensivo, pois não sabia no que a sua loucura iria resultar.
Subiu a grande árvore com facilidade. Rhett conseguia escalar árvores enormes desde os sete anos de idade. E fazer aquilo não foi nada difícil para ele. Agarrou-se no parapeito da janela e observou através do vidro o quarto onde Scarlett dormia e avistou-a sentada na cama, vestindo uma camisola infantil de algodão com mangas longas, cheias de babados e os cabelos amarrados em duas tranças grosseiramente feitas apenas para dormir. Scarlett estava sentada abraçando os joelhos e olhava em direção da porta, totalmente sem sono e entediada. Rhett tentou levantar o vidro da janela para forçar a sua entrada, mas não conseguiu. Tentou novamente, mas dessa vez atraiu a atenção de Scarlett que olhou para o estranho totalmente apavorada. Rhett conseguiu abrir a janela e entrar no quarto rapidamente, em questão de segundos antes que ela conseguisse gritar e chamar a atenção. Quando Scarlett ameaçou abrir a boca para gritar, Rhett correu, pulou em sua cama e encostou o dedo indicador em sua boca.
" Shhhhhh, por favor, não grite, eu não sou um assaltante."
Scarlett deu um tapa na mão dele e logo reconheceu-o.
" Como você ousa entrar no meu quarto , no quarto de uma dama, em uma casa de respeito , Rhett Butler?" ela perguntou furiosa com os olhos verdes brilhando.
" Você, você lembrou-se de mim? Você me conhece? " Rhett perguntou chocado e quase gaguejando.
" Mas, é claro que sim! Você é o meu vizinho insolente e mal educado ! Como eu iria esquecer uma figura tão desagradável!?" ela disse com desdém e levantou-se da cama, afastando-se dele.
Rhett reparou na vestimenta de Scarlett. Sua camisola de algodão deixava apenas os seus pés de fora, mas moldava quase que perfeitamente o seu corpo que já apresentava algumas curvas. Seus cabelos amarrados em duas tranças que chegavam até a altura dos seios, praticamente cobrindo-os passavam um ar totalmente inocente e angelical, apenas os olhos selvagens entregavam que Scarlett não era tão inocente assim.
" Agora, retire-se daqui, antes que eu grite ! " Scarlett ordenou olhando para ele, logo que chegou próxima da janela.
" Bom, eu posso dizer para o seu pai, que você me chamou aqui, senhorita O'Hara, e eu acho que ele não vai gostar... " Rhett replicou sarcástico desafiando-a.
" Você não faria isso, não teria coragem.... " Scarlett disse enfrentando-o.
" Ah, eu teria sim, vamos, grite e verá se eu não tenho coragem. " Rhett disse calmamente, sentado na cama e olhando para ela com seus olhos negros brilhando com expectativa.
Scarlett bufou nervosa e derrotada.
" O quê você quer aqui? Por quê veio? "
Rhett sorriu e disse sem rodeios :
" Vim aqui roubar-te um beijo. "
" O quê? " Scarlett perguntou chocada, fingindo que não tinha escutado aquele absurdo.
" A senhorita escutou muito bem. Eu quero te dar um beijo. "
" Nunca ! " Scarlett quase gritou batendo o pé no chão. " Eu prefiro morrer do que te beijar, entendeu? "
Rhett levantou-se da cama, rindo baixinho e foi em direção de Scarlett, que estava muito nervosa e com vontade de jogar-se pela janela para fugir dele.
" Diga-me a verdade, Scarlett. Você já foi beijada? " Rhett perguntou divertido.
Scarlett afastou-se dele, dando alguns passos para trás e afastando-se um pouco da janela.
" Eu não vou ficar conversando sobre essas coisas com você! Eu sou uma dama e esse tipo de assunto não é decente ! "
" Como eu imaginava : nunca foi beijada antes."
" Como você sabe? "
" Dá para perceber, minha querida. Mas, sempre existe uma primeira vez, não é mesmo? "
" Não me chame de querida ! E vá embora daqui ! " Scarlett ordenou, tremendo dos pés a cabeça, mas não era de medo ou pavor, era algo que ela não conseguia entender.
" Não vou embora, antes de te dar um beijo. E pelo que eu vejo, você está praticamente receptiva. " Rhett disse ao perceber que Scarlett estava tremendo.
" Oras, como ousa, seu verme? "
" Diga-me a verdade : a senhorita acha-me tão repulsivo assim? " Rhett perguntou quase rindo novamente.
" Acho muito pior do quê isso ! " Scarlett respondeu gaguejando. Ela não conseguia entender por quê estava tão afetada por aquele rapaz. Talvez pela beleza morena dele, o rosto parecido com o de um jovem pirata. Talvez fosse o seu físico. Ele era mais forte do que qualquer um dos rapazes galanteadores que ficavam no seu pé. Talvez pela sua ousadia. Só um louco iria invadir o quarto de uma moça decente durante a noite daquela forma, arriscando até a sua própria vida.
" Pois, não parece. Olha que eu acho que no fundo a senhorita me acha bastante interessante."
" Não acho não. E eu não gosto de morenos ! " Scarlett bateu o pé no chão mais uma vez tentando negar para si mesma o interesse súbito que brotou por aquele rapaz tão impertinente e convencido.
" Eu posso fazê-la mudar de ideia, senhorita O' Hara. Posso fazê-la apaixonar-se por um rapaz moreno, o quê acha? " Rhett perguntou divertido, tentando aproximar-se dela novamente.
" Você é muito convencido e abusado! E eu sou uma dama ! Não vou permitir que você me beije como se eu fosse uma qualquer ! "
" Longe de mim, considerá-la como uma qualquer, senhorita O' Hara. Mas, eu planejo me casar com a senhorita no futuro, e acho que já podemos começar a nos familiarizar desde já..."
" Você só pode estar louco! Eu nunca vou me casar com você ! Nunca ! "
" Ah, vai sim. E vamos ter muitos filhos. " Rhett retrucou calmamente chegando ainda mais perto dela, sentindo o seu cheiro familiar de águas de rosas. Scarlett bateu as costas na parede e percebeu que não tinha mais para onde fugir. Ela pensou mais uma vez em gritar, pois agora estava encurralada. Rhett tinha encostado seu corpo no dela, fazendo-a tremer mais ainda.
Scarlett olhou para aqueles olhos negros, tão escuros como a escuridão e o breu. Ela podia perder-se se continuasse olhando para eles. Os lábios de Rhett eram perfeitamente desenhados e ela tinha que evitar em olhar para aquela boca também. Sentiu falta de ar, pois agora o ambiente ficara pequeno e pesado demais e os dois estavam com o rosto tão próximo um do outro que podiam respirar o mesmo ar. Scarlett virou o rosto para não olhar mais para aqueles olhos e aqueles lábios. Mas, Rhett percebendo que aquela menina estava tão entregue, ainda que tentasse mostrar o contrário, segurou o seu rosto delicado com as duas mãos, uma de cada lado e forçou-a a olhar para ele novamente.
" Por favor, me deixe em paz..." Scarlett implorou choramingando e sussurrando ao mesmo tempo, enquanto Rhett carinhosamente deu um beijo na testa dela. Scarlett tentou empurrá-lo, mas não teve forças. Ele rapidamente, deu um beijo na ponta de seu nariz e Scarlett tremeu mais uma vez.
" Não...por favor...." ela implorou sem forças para continuar lutando.
E Rhett sem pensar duas vezes ou esperar mais tempo, beijou seus lábios, dando-lhe o primeiro beijo de sua vida. Scarlett sentiu uma corrente elétrica percorrer todo o seu corpo de menina quando sentiu aqueles lábios nos seus e ficou chocada, quando sentiu a língua de Rhett forçar a entrada dentro da sua boca. Ela tentou desvencilhar daquele beijo tão ousado, mas Rhett segurou-a mais forte e Scarlett acabou abrindo a boca, permitindo-o apossar-se dela. "
Rhett acordou quase dando um pulo da poltrona. Aquele foi o sonho mais louco que ele teve em toda a sua vida. No fundo, ele sabia que seu maior desejo era ter conhecido Scarlett desde menino, que eles tivessem mais ou menos a mesma idade, que tivessem dado o primeiro beijo e que tivessem crescido juntos. Mas, Rhett era ainda mais velho do que Ellen Robillard, a mãe de Scarlett. Ele tinha 45 anos, enquanto sua esposa não chegara ainda nem na meia idade. Rhett respirou profundamente procurando por ar. O sonho ainda estava vivo e fresco em sua mente. Após tantos anos, sonhar também com Mama Flower, que foi a sua Mammy durante sua infância e adolescência, e até mesmo sonhar com o demônio do seu pai e lembrar-se do episódio em que aquele homem amarrou-o no tronco em Dunmore Landing e surrou-o na frente de todos os escravos para impor respeito. A morte de Mammy deixou-o mais sentido do que ele chegara á imaginar que ficaria.
Percebeu que os raios de Sol estavam entrando através do vidro da janela. Já era de manhã e o dia estava bastante ensolarado, apesar da noite anterior ter sido tão fria. Esfregou os olhos com ambas as mãos e olhou em direção da cama. Ela estava vazia. E Scarlett não estava lá.
Fale com o autor