Segunda Chance para Amar ( E o Vento Levou 2 )
17 Em Charleston
Capítulo 17: Em Charleston
Scarlett chegou em Charleston cansada e aborrecida. Ela não gostava daquela cidade, achava tudo muito parado e antiquado, sem charme algum. O sotaque das pessoas de lá, irritavam os ouvidos dela profundamente. Logo, que desceu do trem, avistou sua tia Eulalie que já esperava por ela na estação. Scarlett passou muitos anos sem vê-la e quase não a reconheceu. Ela tinha envelhecido e engordado bastante.
" Querida Scarlett ! Há quanto tempo? " a velha senhora correu para abraçar a sobrinha.
" Oi, tia Eulalie! Estou feliz em vê-la! Realmente faz muito tempo desde a última vez em que estive aqui, foi no início da guerra." Scarlett respondeu devolvendo o abraço.
" È verdade, você não ficou muito tempo, mas agora espero que fique mais. A sua tia Pauline está ansiosa para revê-la também."
Scarlett e tia Eulalie foram em direção á carruagem, enquanto Nancy, a criada , carregava as duas enormes malas que ela trouxe.
Durante todo o caminho até Baterry, Scarlett reparou que a cidade não mudou praticamente em nada após o final da guerra. "Cidade que parou no tempo, só amando muito Rhett para vir pra cá..." ela pensou suspirando. Tia Eulalie não parava de falar sobre a cidade, a vida dela, a vida dos parentes e Scarlett fingia que estava prestando atenção em suas palavras. Nada daquilo á interessava. Até que a velha senhora disse as palavras mágicas que Scarlett estava esperando escutar ansiosamente.
" A senhora Butler vai adorar saber que você está aqui!" tia Eulalie comentou atraindo a atenção de Scarlett completamente.
Scarlett sorriu timidamente, como fazia quando era a bela do Sul, escondendo sua ansiedade. Escutar o nome Butler fez seu coração bater desesperadamente.
" Eu gostaria muito de rever a minha sogra o mais rápido possível. A primeira e última vez que nos vimos não foi em um bom momento." Scarlett lamentou por lembrar da morte de sua filha.
" Eu fiquei sabendo e sinto muito. Mas, não vamos falar de momentos tristes. Olha minha querida, na próxima semana, eu, você e a sua tia Pauline, vamos encontrar Eleanor no bazar beneficente de Natal e assim, poderá revê-la em um momento mais tranquilo."
Scarlett sorriu, mas por dentro lamentou que ainda demoraria mais 7 dias para encontrar a senhora Butler. Mais uma semana aguentando suas tias enfadonhas.
A primeira semana de Scarlett em Charleston, passou lentamente e tortuosamente. Na sua primeira noite, ela aposentou o vestido preto de luto. Para atrair o marido, quando o encontrasse, precisava estar linda e aquele vestido preto não era atraente em nada. Trouxe alguns vestidos muito bonitos de Atlanta e alguns espartilhos que deixariam sua cintura ainda mais fina do que os antigos espartilhos que usava. Trouxe também alguns chapéus bonitos que combinavam com os pares de sapatinhos de pelica e seus xales de seda. Ela não esqueceu das camisolas e do roupão. As camisolas de seda eram mais ousadas e decotadas do que as que costumava usar em Atlanta, mesmo após o casamento, e o roupão de veludo importado agarrava todas as curvas do corpo dela perfeitamente, e tinha uma cor verde esmeralda que combinava com a cor dos seus olhos. Rhett não poderia resistir quando a visse. Ali, naquela cidade parada, onde nada de novo acontecia, ele não conseguiria resistir ao seu charme. Scarlett sorriu feliz, conforme ia tirando os vestidos da mala e arrumando-os cuidadosamente no armário do quarto de hóspedes. Durante dois dias, naquela semana, Scarlett foi passear no centro de Baterry, tão linda e estonteante, que chamava a atenção de todos os habitantes da cidade. Todos perguntavam quem era aquela mulher de olhos verdes e pele clara como a neve, que desfilava pelas ruas com sua beleza tão rara. Ela sorria orgulhosa e não podia deixar de se comparar com as moças locais, tão enfadonhas e sem graças. Não era á toa, que Rhett Butler nunca ficou atraído por nenhuma de suas conterrâneas. Scarlett era a vida, a selvageria escondida, a beleza torturante, o desafio e a paixão. Ela era diferente de todas aquelas moças, ela se destacava entre elas e isso a deixou mais confiante de reconquistar o marido naquele lugar.
Quando chegou no bazar beneficente acompanhada de tia Eulalie e tia Pauline, ela começou á tremer. Durante os últimos sete dias, ela não conseguiu encontrar Rhett Butler ou alguém da família dele. Esperou que os comentários que rolaram pela cidade, trouxesse Rhett ao encontro dela, mas isso não aconteceu. Por um momento, ela ficou com medo de que ele não estivesse em Charleston. Ele poderia ter sumido pelo mundo e esse pensamento á assustou e á deprimiu brevemente. Logo que ela entrou no local, uma senhora de cabelos grisalhos presos no alto da cabeça, olhos azuis e sorriso gentil apareceu para recebê-las.
" Bom dia , Eulalie e Pauline, que bom que vocês vieram" a doce senhora cumprimentou não percebendo a presença de Scarlett.
" Bom dia, Eleanor! cumprimentou Pauline. " Nós viemos e trouxemos alguém que gostaria de vê-la."
" Esta é a sua nora, Scarlett Butler. " disse Eulalie apontando para a sobrinha que estava ao lado dela.
Scarlett permaneceu parada, olhando para a mãe de Rhett com toda a sua superioridade. Ela não se lembrava muito bem de Eleanor Butler. Chegou á ver a sogra durante o funeral de Bonnie, mas não se concentrou em guardar na memória a fisionomia dela. Eleanor era uma senhora simples, usava um vestido sem babados ou fitas, sem adornos, era uma típica senhora chalerstoniana, mas tinha um sorriso simpático e um olhar agradável. Isso desarmou Scarlett, que sorriu gentilmente ao vê-la.
" Oh, Minha querida Scarlett! Como você está bonita! È realmente uma das mulheres mais bonitas que já vi em minha vida." elogiou Eleanor, dando um beijo em cada bochecha corada de sua nora.
Eleanor ficou hipnotizada com os olhos verdes de Scarlett. Olhos de um verde esmeralda, tão vivo que brilhavam deixando a velha senhora Butler entorpecida. Realmente, ela concluiu que Scarlett era mais bela do que sua mãe Ellen e sua avó Solange Robillard. E entendeu perfeitamente, o motivo de seu filho Rhett ser tão enfeitiçado por ela. Nenhum homem poderia resistir aquela mulher tão atraente.
" Senhora Eleanor, estou muito feliz em vê-la" Scarlett sorriu genuinamente. O coração parecia que ia sair pela boca, batia loucamente dentro de seu peito, por debaixo do espartilho hiper apertado.
" Minha querida, eu estou lisonjeada em vê-la. À partir de agora, você terá que deixar a casa de suas tias e ir para a minha casa, e eu não aceitarei desfeitas. Você é minha nora e o seu lugar é na residência dos Butlers."
Era tudo o quê Scarlett queria e esperava. Ela olhou para as tias em sinal de aprovação e recebeu um sorriso largo das duas.
" Você pode ir com Eleanor, querida. Não será uma desfeita para mim, eu entendo que você ficaria mal vista por estar em Charleston, e não ficar na casa de sua sogra..." explicou tia Eulalie.
" E poderemos nos ver enquanto você estiver aqui na cidade. Podemos visitá-la na casa de Eleanor e sair para passear pela cidade e você poderá ir em casa quando quiser..." concluiu tia Pauline.
Scarlett tinha vontade de pular e gritar de tanta felicidade. Mas, apenas sorriu timidamente para as três senhoras, sem mostrar o furacão de emoções que girava dentro dela. Ela veria Rhett Butler talvez naquela noite. Quantas saudades sentia dele! Quanta paixão e amor sentia por aquele homem ! Ela não queria saber de mais nada, nem das tias, nem de bazar beneficente, tinha vontade de sair correndo para a casa de sua sogra naquele instante. Mas, teve que se conter. Tinha que mostrar doçura e polidez. Precisava agradar á senhora Butler. Não sabia até aonde Eleanor estava ciente sobre o casamento fracassado de Rhett com ela e se o marido tinha lhe dito coisas ruins ao seu respeito, mas ela precisava ganhar aquela doce senhora como sua aliada. Qualquer coisa ruim sobre ela que o marido pudesse ter compartilhado com a mãe, ela iria lutar para mudar a opinião de sua sogra. E para isso, Scarlett tinha que se comportar decentemente e até demonstrar uma certa ingenuidade.
Eleanor Butler queria ver a felicidade de seu filho. Ela sabia que o casamento dele não estava bem, que dormiam em quartos separados e que a morte de sua neta, só piorou as coisas. Mas, ela sabia que o filho amava Scarlett e torcia para que os dois se entendessem e continuassem juntos. Ela sentia que Scarlett estava ali por ele. E se ela podia ajudá-los, não dispensaria em fazê-lo.
" Minha querida, você ficará em casa até Rhett voltar. Ele ficará feliz em vê-la quando chegar da Europa..."
O semblante de Scarlett caiu, seu sorriso coquete sumiu. Rhett estava na Europa? Foi viajar para longe sem levá-la? Foi se divertir com jogos, bebidas e principalmente outras mulheres? Aquela informação matou seu coração. Ela quase chorou. Como ele ousou deixá-la sozinha, sofrendo e ir divertir-se?
" Ele...ele está na Europa? ela perguntou quase engasgando com as próprias palavras.
" Sim. Mas, me enviou um telegrama e vai voltar na próxima semana. Provavelmente, Rhett já está no navio, á caminho de Charleston, querida. Não se preocupe, você irá vê-lo em breve..." Eleanor a tranquilizou.
Mais uma semana sem ver Rhett Butler e Scarlett sentia que ia enlouquecer. Seu coração pegava fogo de tanta raiva. Ela queria matá-lo ao imaginá-lo rodeado de prostitutas em cada bordel que ele pudesse ter ido. Ela sentiu um ciúmes mortal e feroz. Ela sorriu novamente para a senhora Butler, disfarçando seus verdadeiros sentimentos. Eleanor segurou as duas mãos dela, com suas próprias mãos e disse:
" Rosemary também vai adorar conhecê-la. Ela ficou em casa, não quis me acompanhar no bazar hoje. Em relação á suas malas, não se preocupe. Pedirei para Corn, o meu cocheiro, ir buscar suas coisas mais tarde na casa de Eulalie. Você pode ir pra casa comigo, logo que terminarmos nossos afazeres aqui..."
Scarlett aceitou, balançando a cabeça, mas com o coração triste e revoltado. Rhett Butler ia ver-se com ela quando voltasse da viagem!
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