Segunda Chance para Amar ( E o Vento Levou 2 )
58 Diagnóstico
Capítulo 58 : Diagnóstico
Quando Eulalie voltou pra casa, ela levou um susto, ao saber através de Nancy que Scarlett estava em sua casa e que foi encontrada desmaiada em sua porta. Nancy contou para a patroa, que sua sobrinha apareceu suja e com o vestido todo rasgado, além de estar ardendo em febre e toda molhada. Nancy também informou que com a ajuda de Brown, levou Scarlett para o quarto de hóspedes, onde conseguiu despi-la e limpá-la, além de vesti-la com uma camisola branca de algodão, que pegou no armário de Eulalie. Agora, Scarlett estava deitada na cama, mas estava praticamente delirando de febre e ainda não tinha recobrado a consciência completamente. Eulalie ordenou á Brown que fosse atrás de um médico imediatamente e seguiu para o quarto de hóspedes acompanhada de Nancy para ver sua sobrinha.
Uma hora depois, Brown entrou na casa acompanhado pelo Doutor Stuart, um velhinho franzino e careca, que carregava uma maleta pequena em uma das mãos. Ele estava sonolento e apenas colocou um sobretudo em cima do pijama para atender aquela emergência. Logo que o Doutor Stuart, entrou no quarto de hóspedes, Nancy retirou-se e deixou sua patroa sozinha com o médico e Scarlett. Eulalie contou para ele que Scarlett apareceu em sua porta , desmaiada, molhada da chuva e com febre.O doutor Stuart olhou para aquela bela mulher, que estava deitada na cama e percebeu que o caso era sério. Ele disse para Eulalie que teria que fazer uma sangria em Scarlett e abriu a maleta, que colocou cuidadosamente, em cima da cômoda, para tirar o estetoscópio para examiná-la.
Após fazer a sangria em Scarlett e examiná-la, o doutor Stuart, deu o diagnóstico para Eulalie. Algo que a tia de Scarlett não imaginava escutar sobre a sua sobrinha que sempre foi tão forte e cheia de vida.
" Senhora Eulalie, infelizmente o caso de sua sobrinha é muito sério e vai precisar de diversos cuidados."
" O quê ela tem, doutor? È muito grave? "
" Sua sobrinha está anêmica. Isso é possível perceber pela cor de sua pele e..."
" Mas, Scarlett sempre foi muito branca, doutor, e sempre foi saudável."
" Ela está com a pele pálida demais, e seus olhos estão amarelados, senhora Eulalie. Isso é anemia e teremos que cuidar muito bem. Não seria tão sério, se não viesse acompanhado por um princípio de pneumonia..."
" Scarlett, está com pneumonia?" Eulalie quase gritou apavorada.
" Praticamente. Está no início e ainda temos como reverter esse quadro. O problema é que a anemia e a fraqueza , acabam deixando o caso dela mais delicado."
" Ela pode morrer, doutor?"
" Não quero apavorá-la, senhora Eulalie, mas se não conseguirmos reverter esse quadro infeccioso imediatamente, ela pode morrer sim."
" Oh, meu Deus! Minha sobrinha, o senhor tem que salvá-la!" Eulalie pediu desesperada.
" Eu estou aqui para isso, madame. Mas, apesar dos remédios e dos cuidados que teremos que ter daqui pra frente, vamos depender do organismo de sua sobrinha reagir á doença. Virei aqui vê-la duas vezes por dia, e se acontecer qualquer emergência, é só me chamar que venho correndo. Vou passar a lista de remédios que ela terá que tomar e também uma dieta contra a anemia, para ela se fortalecer." explicou o doutor Stuart friamente, enquanto Eulalie, olhava angustiada para Scarlett que permanecia desacordada deitada na cama.
O Sol já aparecia no céu, quando Rhett apareceu em casa. Eleanor foi recebê-lo na porta de entrada e ficou assustada ao ver seu filho com as roupas molhadas, a calça suja de lama, o cabelo despenteado e os olhos fundos, inchados e sem vida. Ela correu para abraçá-lo, e Rhett chorou no ombro dela e apertou-a desesperado.
" Eu passei a noite toda procurando por Scarlett, mamãe. Mas, eu não a encontrei. Eu revirei cada canto dessa cidade, e nada! Ela desapareceu... e a culpa é toda minha..." disse Rhett soluçando.
" Vamos entrar, meu filho. Você precisa tirar essas roupas molhadas e comer alguma coisa."
" Eu preciso encontrar Scarlett, mamãe. Não tenho vontade de comer, nem de fazer nada. Só quero encontrar a minha esposa." Disse Rhett relutante em entrar dentro de casa.
" Mas, se você não se cuidar, irá ficar doente, meu filho. Você precisa estar forte para continuar procurando-a e encontrá-la."
" Vou apenas entrar para mudar de roupa, mamãe. Vou até a polícia e o hospital." Rhett disse exausto e cabisbaixo, enquanto sua mãe o guiava para dentro de casa segurando sua mão pesada.
Logo, que passou pelo corredor do hall de entrada e avistou a sala. Viu que Rosemary estava sentada no sofá, abraçada com Wade, que soluçava alto como uma criança medrosa. Ella também estava com eles. Ela estava sentada na poltrona e olhava assustada para os dois. Foi a primeira á ver que Rhett tinha retornado.
" Tio Rhett! Tio Rhett! " a menina gritou levantando da poltrona e correndo em direção do seu padrasto. Wade soltou-se dos braços de Rosemary e ambos enxugaram as lágrimas com as costas das mãos. Wade levantou do sofá e foi ao encontro de Rhett também, enquanto Rosemary permaneceu sentada e olhava para o irmão com raiva e tristeza.
" Onde está a mamãe, tio Rhett ? Você conseguiu encontrá-la?" Ella perguntou aflita ao abraçar bem forte a cintura de Rhett.
Rhett passou carinhosamente a mão cansada nos cabelos ruivos da menina e sentiu-se pior. Ver o desespero dos filhos de Scarlett pelo sumiço da mãe, deixou-o quebrado. Não tinha o que dizer para seus enteados. A culpa do sumiço de Scarlett era dele e inteiramente dele.
" Minha querida, o Tio Rhett não conseguiu encontrá-la ainda, mas vou fazer de tudo para trazê-la de volta o mais rápido que eu puder."
" Eu quero a mamãe, Tio Rhett ! " Ella murmurou chorando." Você tem que trazê-la de volta!"
" Eu prometo, minha querida, que vou trazê-la de volta. Prometo !" Disse Rhett se segurando para não voltar á chorar.
Eleanor resolveu tomar á frente da situação. Ela precisava levar Rhett até o quarto dele, pois seu filho estava debilitado demais. Sem dormir, sem comer , todo molhado e desesperado. Eleanor temeu pela sanidade mental dele. Também estava com medo de que ele pegasse uma gripe forte.
" Ella, minha querida, vamos subir para o quarto com Prissy e esperar a mamãe voltar? Lá tem as suas bonecas para brincar e logo, quando você menos esperar, a mamãe irá no seu quarto te ver." disse Eleanor para a menina, fazendo um sinal de cabeça para Prissy que estava ali por perto.
" Vamô, Dona Ella, que o Senhor Rhett precisa mudá de roupa para continuar procurando a Dona Scarlett." disse Prissy tirando a menina de perto do padrasto.
Ella largou Rhett contra sua vontade, mas acompanhou Prissy e subiu as escadas até o quarto. Rhett levantou a cabeça e olhou para os olhos tristes e inchados de Wade, que estava parado na frente dele, sem dizer uma única palavra até aquele momento.
" Wade, eu prometo, que irei encontrar a sua mãe e ... "
" Por quê você deixou ela fugir, Tio Rhett? Por quê? Ela está doente!"
" Wade, eu sinto muito. Eu te prometo que hoje ainda irei encontrar a sua mãe e iremos cuidar dela."
" Você só sabe brigar com ela, tio Rhett. Por isso, ela fugiu! Você pensa que eu não vejo, que eu não sei de nada, mas eu sei sim."
" Wade, meu filho, eu sei que você está chateado e desesperado, mas eu vou te pedir para não se meter entre eu e sua mãe. Você ainda é muito novo para entender muitas coisas. Eu estou tão desesperado quanto você e te prometo que irei revirar essa cidade novamente, mil vezes se for preciso e os arredores também até encontrar a sua mãe."
" Me desculpe, tio Rhett. Eu estou com medo de não ver mais a minha mãe e ..." soluçou Wade chorando novamente. Rhett correu para abraçá-lo.
" Não diga isso nem brincando, meu filho. Eu vou encontrar a sua mãe. Quando foi que eu prometi algo para você que não cumpri? Agora , pare de chorar e vá fazer companhia para Ella, por favor. "
Wade não queria subir e ficar perto de Ella. Ele achava sua irmã chata e chorona, mas decidiu obedecer sem reclamar. Abaixou a cabeça e subiu as escadas lentamente em direção ao quarto.
Rhett foi até a sala, atrás de um copo de uísque. Serviu-se no bar e sentou na poltrona, gemendo angustiado, enquanto Rosemary permanecia sentada no sofá, olhando para ele com raiva. Ele acendeu um charuto e encarou a irmã, que olhava para ele com os olhos inchados de chorar e a cara fechada, sem conseguir esconder a raiva.
" Está com raiva de mim, Rosemary?" Rhett perguntou respirando fundo.
" O quê você acha? È lógico que estou morrendo de raiva! Scarlett sumiu! Ela está doente e sumiu por sua causa! E só Deus sabe onde ela está! " respondeu Rosemary se esforçando para não gritar.
" Eu não preciso de suas acusações, Rosemary. Sei que sou o culpado de tudo..." Rhett disse derrotado, reconhecendo o seu erro.
" Você deveria ter deixado ela ir embora, mas prendeu-a aqui, para humilha-la daquele jeito no baile ! " Rosemary gritou levantando do sofá.
Rhett olhou para sua irmã boquiaberto, pois Rosemary nunca tinha gritado com ele.
" Não levante a voz pra mim, Rosemary! Não vou aceitar essa forma de desrespeito! Scarlett é minha esposa e eu ficaria agradecido se você não se metesse no meio do meu casamento! " Rhett disse firmemente enquanto apagava o charuto no cinzeiro.
" Eu adoro Scarlett! Ela é como uma irmã pra mim! Vou defendê-la sim, você querendo ou não! Se você não gosta dela, devia ter deixado ela ir embora! Mas, iludiu-a com presentes e até um jantar chique, subindo escadas para invadir o quarto dela! Pra quê? Para fazer mal para ela depois! " Rosemary acusou gritando mais alto e chamando a atenção de Eleanor que acabava de entrar na sala.
" Cale-se Rosemary! " Rhett gritou levantando da poltrona. " Eu já estou nervoso, não me faça perder a cabeça com você!"
" Vamos, filha. Deixe seu irmão sozinho um pouco. Por favor, não quero que vocês briguem. As crianças já estão sofrendo e a situação aqui em casa já não está boa. Não precisamos piorar. Deixe seu irmão em paz." pediu Eleanor segurando o braço de Rosemary e puxando-a para fora da sala.
" Sabe por quê eu nunca quis me casar, querido irmão?" perguntou Rosemary com o nariz empinado e os olhos cheios de lágrimas.
Rhett não respondeu nada. Ficou parado no mesmo lugar, rosnando de raiva pela petulância de sua irmã. Suas mãos estavam fechadas em punho e ele segurou-se para não dar um soco na parede. Eleanor continuou puxando Rosemary para fora da sala. Mas, antes que as duas deixassem o lugar, Rosemary não perdeu a oportunidade de cutucar Rhett pela última vez.
" Para não correr o risco de me casar com um homem como você! " ela gritou fazendo Rhett pegar o copo de uísque e jogar longe contra a parede de tanta raiva.
Scarlett passou o restante da madrugada delirando. Ela gritava, ás vezes se debatia, chorava. Eulalie cuidou dela durante todo o tempo. Ela e Nancy usaram panos molhados para abaixar a febre que consumia Scarlett. Quando o dia amanheceu, a febre tinha abaixado e Scarlett dormia profundamente. Eulalie sentou na poltrona, totalmente exausta e olhou para a sobrinha que aparentava dormir pacificamente. Ouviu batidas na porta do quarto.
" Pode entrar."
Era Nancy trazendo uma bandeja com o café da manhã para ela. Colocou a bandeja em cima da pequena mesa que ficava ao lado da poltrona.
" Bom dia, Dona Eulalie."
" Bom dia, Nancy."
" Eu trouxe o seu café da manhã, senhora."
" Obrigada, Nancy."
" Algo mais, senhora?"
" Preciso que você fique aqui, cuidando de Scarlett. Eu vou precisar sair. Tenho que ir até a mansão dos Butlers. Tenho que comunicar o marido de Scarlett que ela está aqui em casa."
" Tudo bem, senhora, eu vou cuidar dela."
Foi quando as duas ouviram a voz chorosa de Scarlett. Ela tinha acabado de acordar, e conseguiu escutar a conversa de sua tia com a criada. Sem pensar duas vezes, se intrometeu na conversa e fez um apelo angustiante.
" Não faça isso, tia Eulalie! Eu não quero ver o meu marido nunca mais..." e tossiu bastante
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