Segunda Chance - Porque Eu Tenho Que Amar Você?
14 Adrenalina
Cara abriu os olhos. Estava deitada em uma cadeira com amarras, olhando para o Fundador, que segurava uma seringa.
– Finalmente você acordou. Fiquei imaginando que seus amigos chegariam aqui mais cedo.
– Não se surpreenda se eles chegarem aqui neste momento. – Cara olhou para a porta imaginando-a voar enquanto John e Stephen fossem resgatá-la.
– É, mas isso não irá acontecer. Não agora.
“Cara”
“Morpheu”
“Eu preciso que você confie em mim. Sei que você já fez isso antes, mas você precisa fazer de novo.”
O Fundador encheu a seringa com um líquido transparente.
“Odeio quando você fala assim. Dá pra você me dizer o que é!?”
“Você vai ficar bem”
– Bom, podemos começar?
De volta ao covil, John apareceu no salão principal junto de um recipiente que parecia um freezer. Irene foi rapidamente verificar e ficou feliz por John estar de volta e vivo.
– Onde está meu grupo? – Ele perguntou. Apesar de ter encarado Jedikiah sozinho, continuou preocupado com os outros. Uma característica que sempre teve e a que mais lhe dava orgulho. – E porque o grupo da Cara está aqui?
– Stephen veio para cá e depois voltou para a Ultra. Nossa parte da missão foi bem sucedida, o seu grupo também se saiu muito bem, Morgan foi levada para o hospital. Tim fez uma identidade falsa para ela de última hora. Quanto à Cara... bem... O Fundador a pegou.
– Como assim? – John se desesperou. Se o Fundador a pegou, então todo o futuro pelo qual Stephen lutou para evitar ainda aconteceria.
– Aparentemente o grupo que deveria apoiá-la, fugiu enquanto ela o encarava. – Irene estava frustrada. Não conseguia imaginar como alguém abandonaria um amigo, um líder, para salvar a própria pele. – Infelizmente isso acontece muito em batalhas. – Ela segurou os braços com força.
– Eu vou resgatá-la. – John falou com convicção. – Mas o seu trabalho ainda não acabou. Preciso que você ache o jeito certo de descongelar alguém.
– Esse é... – A menina encarou o homem que estava no recipiente e logo percebeu as semelhanças.
– O pai do Stephen, sim. Antes de morrer, Jedikiah tinha algumas informações para me dar. Eu vou nessa.
– Eu vou com você! – Falou Russell. Ainda estava um pouco desnorteado por causa do sedativo, mas pelo tom de voz, John ficou até com medo de recusar.
– Eu não poderia esperar menos de você! – Falou com um sorriso. – Irene, vou pedir mais um pouco de você...
– Eu te guio telepaticamente até Cara e o Fundador. Todos os D-Chips do prédio foram desativados.
– Isso significa que ele também vai poder usar os poderes.
– Infelizmente sim.
– Então não podemos perder tempo! – Russell estendeu a mão para John e os dois se teleportaram.
Foram rapidamente atrás de Stephen, que estava na entrada da Ultra, expulsando Hillary e outros ex-agentes. John e Russell chegaram fazendo Stephen abrir um largo sorriso. O sorriso desapareceu quando o garoto fora informado sobre o sequestro de Cara.
– Então tudo ainda vai acontecer. – Ele falou frustrado enquanto ouvia ao longe o barulho de sirenes de policiais. – Eu fiz de tudo para que...
Stephen não conseguiu terminar a frase, pois o chão começou a tremer enquanto ouviram um barulho de explosão. “Cara”, pensaram em sincronia. Todos correram para dentro do prédio à procura de Cara. Irene guiava John telepaticamente para chegar até a sala onde a menina estava.
John, Stephen e Russell chegaram ao andar onde estava Cara. Ela jogou um agente pela janela usando telecinese. Tinha escapado do Fundador, mas os meninos não faziam ideia de como isso aconteceu.
– Cara, onde está o Fundador? – Perguntou Stephen
– No subsolo. – Ela disse com um sorriso no rosto. – Aparentemente, ele não me injetou outra substância. Morpheu conseguiu evitar aquele futuro.
– Morpheu? – Perguntou John, mas logo pareceu entender o que talvez tivesse acontecido. – O Fundador morreu?
– Não. Meus poderes estão elevados, mas eu não fui modificada. Sem ofensas – John deu de ombros – Eu não posso matar, mas posso...
O corredor onde estavam explodiu. O Fundador apareceu em meio à fumaça, com sangue cobrindo boa parte do rosto, dos braços e do tronco.
– Eu não tenho ideia do que aconteceu, mas isso não significa que vocês venceram.
Usando telecinese, Cara lançou o Fundador para o céu, quebrando o teto como se fosse isopor. Fez com que seu próprio corpo levitasse. Podia ver todos lá de cima, principalmente seu alvo. Ela o jogou de volta ao chão, mas dessa vez com muito mais força. Sua cabeça começou a doer, mas ela continuou.
“John”
John se teleportou para o chão e sacou a arma que tomara de Jedikiah quando o matou. Achou que o Fundador colidiria com o chão, mas um buraco abriu-se ali e ele perdeu velocidade. Caiu na cratera tão devagar que parecia uma brincadeira de criança para ele.
O Fundador não conseguiu criar uma barreira telecinética e as cinco balas disparadas por John penetraram seu corpo. Ele caiu para trás enquanto tentava absorver, entender o que acabara de acontecer.
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