Stephen estava treinando pesado na Ultra. Jedikiah estava pegando no seu pé pois, assim como o fundador, desconfiava de que Stephen estivesse ajudando Os Seres Do Amanhã. Além disso, a semana de provas na escola o estava matando. Astrid até se ofereceu para ajudá-lo a estudar, mas Stephen preferiu estudar sozinho. Astrid, desconfiada como sempre, achava que o amigo a recusou para passar um tempo com Cara, quando na verdade ele se encontrava com John.

As coisas para John também não estavam nada fáceis: Os Seres Do Amanhã não estavam satisfeitos com John como líder e pediram uma votação que ocorreria dentro de alguns dias, Russell era um dos poucos que o tratava como amigo e despistá-lo para ver Stephen, trazia à John um sentimento de traição. Como se isso não bastasse, John ouvia algo em sua mente o tempo todo. Alguém estava tentando entrar em contato com John telepaticamente. O garoto só sabia que não conhecia aquela voz, nunca a ouvira em lugar nenhum.

Cara chamou John e Russel. Tim havia localizado mais um da espécie deles. Era um homem velho, mendigo na verdade. Usava os poderes para ganhar dinheiro de forma errada e acabou chamando atenção da Ultra.

– O nome dele é Albert.

– Einstein? – Perguntou Russell levantando uma das sobrancelhas.

– Eu entendi a referência. Se eu não fosse um computador e tivesse emoções, provavelmente estaria rindo assim como John.

– Tim, sempre carismático!

– A Ultra já está atrás dele? – Perguntou John

– Ainda não, mas vai mandar alguém logo. Vou ver se Stephen sabe de alguma coisa.

John quis se oferecer e assim teria uma desculpa para ver Stephen, mas achou melhor Cara ir em seu lugar.

– Será que é ele que está tentando se comunicar comigo? – Disse John à si mesmo.

– Tentando se comunicar? – Russell se interessou.

– Eu tenho escutado uma voz na minha cabeça. Alguém me chamando, só não sei quem é.

– Eu posso ajudar você – Disse Cara – Mas a menos que isso comece a te atrapalhar, acho que devíamos pegar Albert primeiro. Não deve ser difícil pegar um mendigo.

– A menos que ele se teleporte.

– É por isso que temos você! – Disse Russell animado – Você é o melhor jumper entre nós. Daqui há uns tempos vai de um país à outro.

– Isso eu tenho que concordar. Você é o melhor, vai conseguir o rastro dele.

– Não sei não. O cara é velho e se não fosse pela Ultra ter descoberto ele, não tenho certeza se Tim também teria descoberto. Sem ofensas, Tim.

– Não me ofendi.

– O cara sabe se esconder.

– É, mas não podemos ficar de braços cruzados. Bom, você decide. Você é o líder. – Disse Cara, apoiando-se na mesa enquanto aguardava a decisão de John.

– Ok, você fala com Stephen. Veja se ele sabe de alguma coisa sobre Albert. Russell, preciso que você vá lá para cima. Eu e Tim podemos ficar de olho nele aqui usando os satélites, mas se ele desaparecer, vá atrás. Até os melhores jumpers deixam rastros.

Cara não esperou um segundo comando e tratou de desaparecer logo dali, o que deixou John triste.

Stephen não sabia nada sobre Albert e iria pesquisar no dia seguinte, quando fosse trabalhar. Achou estranho Cara tê-lo visitado, mas não questionou muito, pelo contrário: respondia Cara com as mais simples e curtas respostas possíveis. Queria que ela percebesse por si própria que ele já não sentia mais nada por ela.

Tarde da noite, Cara assumiu o posto de John em vigiar Albert e John trocaria com Russell.

Cara pediu a Tim que localizasse John na mesma rua onde estava Russell há um minuto atrás. Albert estava lá, deitado no chão sujo da parte esquecida da cidade, mas John não. Ou ainda não tinha chegado ou havia ido para outro lugar. Cara franziu a testa enquanto observava o mendigo.

Stephen estava deitado, lendo um dos livros da escola quando John apareceu em seu quarto, dando-lhe um susto.

– Ainda leva sustos? – Perguntou John com um largo sorriso. Estava feliz por poder ver o namorado novamente.

Stephen olhou para a porta que se encostou e trancou-se.

– É, eu levo! Custa avisar que está vindo? Você e Cara são iguais nisso.

– Desculpe. Eu não tenho muito tempo, tenho que ficar de olho em Albert.

Os dois se beijaram demoradamente. Parecia que, quando estavam juntos, todos os problemas desapareciam, mas eles sabiam que todos estavam lá, esperando para serem resolvidos.

Stephen se sentou em sua cama e John o acompanhou.

– Achei que você viria aqui hoje mais cedo. Ao invés disso veio Cara.

– É, pra não ficar muito na cara.

Stephen suspirou.

– O que foi?

– É que... mentir pra eles me dá um sentimento de traição.

– Me sinto assim também. Acha que devemos contar à eles?

– Talvez pra Cara e pro Russell. Eles merecem saber.

– Nada de segredos.

Os dois sorriram um para o outro e se beijaram mais uma vez.

– Estou tão feliz que nem parece que passamos pelo o que passamos.

– E olha que não foi pouca coisa.

– Pois é! Bom, eu não posso ficar aqui. Tenho trabalho a fazer. Tchau, lindo.

John deu um selinho em Stephen e desapareceu, deixando o novo namorado com cara de “bobo-alegre”.

“Nós podemos falar com eles amanhã”

“Uma boa idéia, Stephen. Cara estava monitorando a rua em que estou, vai querer explicações”

“E com motivos.”

John só voltou para o subterrâneo quando se certificou que Albert estava dormindo.

No dia seguinte, Stephen e John se reuniram com Cara e Russell para contar-lhes a novidade. Ambos ficaram surpresos mas não foram contra o namoro dos dois.

– E eu achando que vocês estavam com ciúmes de mim!

– Nem me fale. – Disse Stephen se lembrando das brigas com John

– Bom, felicidades ao casal, mas John... – o rapaz se levantou da mesa em que apoiava e foi até Cara, que lhe tinha estendido as mãos – Vamos descobrir quem está na sua mente.

– Como assim? – Perguntou Stephen desconfiado.

– John tem ouvido alguém chamar por ele, mas não sabe quem é. Então Cara resolveu ajudar, já que ela é uma das melhores...

– Shh! Eu preciso me concentrar!

Cara fechou os olhos e deu as mãos para John, que se concentrou o máximo que pode na voz em sua cabeça. Cara e John viram rapidamente um homem encapuzado com tatuagens pelo braço e pescoço, a seguir a visão mudou para uma cidade destruída e o mesmo homem encapuzado conversava com John, que segurava alguém nos braços. No instante seguinte estavam em uma ilha com várias construções que lembravam a Grécia Antiga e, quase no mesmo instante, estavam em Nova Yorque.

Cara soltou a mão de John e ambos “voltaram”.

– O que foi? Descobriram quem é? – Stephen estava visivelmente preocupado.

– O cara está em dois lugares ao mesmo tempo. – Disse Cara assustada. – Não deu pra ver muito rápido, ele usa um capuz, é tudo o que eu lembro.

John se lembrou de quando estava no terraço com Stephen quando se beijaram pela primeira vez.

– O que mais? Só viram isso?

– Eu não sei quanto à John, mas eu vi uma cidade completamente destruída. John estava conversando com esse cara misterioso enquanto tinha algo nos braços. Provavelmente um corpo.

– O que diabos isso significa? – Perguntou John para quem quisesse responder.

***

Tarde da noite, naquele mesmo dia, John levou Stephen à um motel onde tinha “contatos”. Pegaram um quarto de um casal que só voltaria no dia seguinte, então tinham a noite toda só para eles.

– Você está bem? – Perguntou John

– Estou preocupado. Quem será esse cara de capuz?

– Eu não faço idéia.

– Você já o viu antes?

– Já. Quando te beijei pela primeira vez, no prédio. Eu não ia te pedir para te beijar, mas depois que ele apareceu, eu mudei de idéia e te beijei.

– Então ele é o nosso trevo de quatro folhas. – Stephen sorriu para John – Não vamos mais falar nele hoje, ok?

– Finalmente! –Disse John com um escandaloso sorriso.

John pôs a mão no queixo de Stephen e o puxou para um beijo. Um beijo lento e caloroso que só John sabia como fazê-lo. Stephen logo tratou de tirar o casaco e John o copiou.

Suas bocas se colaram novamente. Stephen e John tiraram suas camisas e , beijando-se, deitaram na cama de casal. Stephen abraçava John fortemente, pressionando-o contra seu corpo. John parou subitamente e, olhando para a calça de Stephen, abriu um sorriso que mostrava dentes e mais dentes.