Segunda Chance

13 ♛ Sentimentos São Fáceis de Mudar... ♛


Notas iniciais
- Meninas, olá, olá, desculpem-me por não ter postado ontem, mas eu realmente não estava bem, espero que entendam, e gostem do capítulo de hoje. Queria pedir que não deixem de comentar, por favor, é importante qualquer opinião, okay? Capítulo dedicado a Brubs e Juh, obg por favoritarem, suas lindas ♥ Beijos meninas, boa noite e boa leitura ♥

Abro meus olhos lentamente sentindo Gabriela mexer nos meus cabelos. Ela ainda está dormindo, toda encolhidinha atrás de mim. Viro-me com cuidado e dou um beijo em seu rosto, minha pequenina sorri e se espreguiça, mas logo volta a dormir. Sorrio abobalhada com tanto amor que consigo ter por essa pequena garotinha.

Deixo Gabriela dormindo e vou tomar um banho, ela ainda está dormindo quando volto, e imagino que tanto sono deva ser por motivo de ter ficado até tarde mostrando sua nova mochila para Kate, e falando tanto. Saio do quarto já pronta para trabalhar, vestindo um vestido preto tubinho, saltos extremamente altos. Meu cabelo está solto em ondas, posto de lado, e eu estou um pouco maquiada.

—Ana, você está linda. —Kate diz quando entro na sala.

Kate está tão radiante, como sempre. Ela está usando calça preta de cintura alta, blusa de seda com estampa, saltos altíssimos e seu cabelo está preso em um coque rosquinha, e a maquiagem? Divina como sempre. Sorrio para ela e ruborizo quando vejo Ethan me olhando, ele está segurando Pietro que toma uma mamadeira animadamente.

—Olha só quem fala. —Digo pegando minha bolsa para checar se tudo está aqui. —Você viu meu celular?

—Não, você o trouxe? —Kate pergunta enquanto checa sua bolsa também.

—Não sei. Me empresta o seu, eu vou ligar para o Christian. —Peço e Kate joga seu celular, por um segundo acho que noto um olhar não muito satisfeito em Ethan, mas ignoro isso e ligo para Christian. —Oi, sou eu, Ana.

—Mamãe! —Clarissa exclama animada do outro lado.

—Oi meu amor. —Digo sorrindo e me afasto, com uma sensação estranha no olhar de Ethan. —Como você está?

—Bem, mamãe. —Minha pequena diz animadamente. —Mamãe, você vai vir me ver hoje?

—Bom, se você quiser eu posso ir. —Entro no quarto e sorrio para Gabriela sentada na cama, ela sorri para mim e deita novamente. —Querida, seu papai está por perto?

—O que você quer com ele? —Clarissa diz e eu acabo sorrindo. —Ah, papai!

—Ana, oi. —Christian diz e eu acho que ele tirou o celular de Clarissa. —Aconteceu algo?

—Não meu bem. —Digo rindo.

—Ok meu bem. —Christian repete para me provocar.

—Ok, você não viu meu celular por aí? Eu não estou encontrando-o. —Remexo as gavetas numa tentativa de encontrá-lo.

—Não, ele não está aqui. Agora entendo porque não atendeu minha ligação.

—Você me ligou? —Pergunto confusa enquanto deixo o quarto. Entro na sala e vejo Abigail com Pietro. —Desculpe, eu realmente não estou encontrando-o, mas o que você queria?

—Um almoço. Você, a Lis, a Gabby e eu.

—Eu vou adorar. —Digo sorrindo amplamente e Abigail me olha sorrindo.

—Eu te pego então, tenha um bom dia, meu bem.

—Você também. —Sussurro e desligo.

—Hm... —Abigail diz sorrindo sugestivamente.

—Fica na sua garotinha. —Falo e ela gargalha.

Abigail é uma ótima babá, ela realmente me surpreendeu, Gabriela e Pietro adoram ela. Ela é adorável e nossa vizinha. Pelo que Kate me contou, a garota tem apenas 16 anos, e está terminando a escola, ela mora com o pai e perdeu a mãe quando era muito nova. Ela é uma garota muito gentil e estudiosa, sempre que as crianças estão dormindo ela aproveita para ler ou estudar.

Sorrio para ela termino de arrumar me bolsa.

—Ana, vamos? —Kate diz entrando na sala. —Querida, cuide bem dos nossos bebês.

—Pode deixar, Kate. —Abigail diz sorrindo.

—Vamos, Kate. Aby, a Gabby está no quarto. Ela dormiu tarde e acho que vai demorar para levantar, você pode dar um banho nela?

—Claro. —Abigail diz sorrindo.

Kate dá um beijo em Pietro e nós corremos para mais um dia, e seja o que Deus quiser.

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Mia Grey

Sento-me à mesa e encaro a melosidade dos meus pais, mamãe revira os olhos quando faço uma careta e papai apenas sorri. Elliot e Ava logo se juntam a nós, e a faladeira da minha sobrinha começa animadamente, como sempre.

—O que você vai fazer hoje, querida? —Papai pergunta e eu o encaro.

—Não sei, acho que enrolar até dar a hora de ir para o bistrô. —Murmuro calmamente.

—Você não está contente? —Mamãe pergunta e eu a encaro confusa. —Você me parece desanimada.

—Eu não sei. —Sussurro. —Acho que estou bem, só cansada, eu fiquei até tarde ontem estudando para alguns pratos novos.

—E você pensou no que sugerimos?

—Mãe, não. Eu não quero ir para a França. —Falo impaciente. —Eu não quero isso agora.

—Mas é uma ótima oportunidade, a faculdade lá é muito boa. —Papai diz.

—Olha, já chega. —Levanto-me e jogo o guardanapo na mesa. —Eu perdi a fome, ok?

—Mia. —Ouço mamãe chamar, mas saio da cozinha sem paciência.

Eu não entendo porque meus pais insistem tanto nisso. Elas acham que só porque meus irmãos fizeram faculdade fora, eu também quero isso, mas eu não quero. Eu estou feliz aqui. Terminei minha faculdade, tenho meu próprio bistrô que é muito bem frequentado. É a vida que eu sonhei, e eu estou feliz com isso. No fundo, eu acho que eles só querem me proteger. Eu namorei uma cara há mais ou menos um ano. Nós ficamos noivos e ele simplesmente me traiu com uma ‘amiga’. Ele voltou ontem e na verdade foi por isso que eu passei a noite acordada.

É claro que eu o mandei embora assim que o vi, mas eu acabei lembrando de tudo.

Suspiro pensadamente quando passo pelo salão de entrada e ouço o telefone tocar, desço os degraus que eu houvera subido e atendo.

—Mia, sou eu, Kate. —Minha amiga diz com sua animação de sempre.

—Ah, olá Kate; —Digo sorrindo. —Quer falar com Elliot?

—Por enquanto não. —Ela diz e sei que está sorrindo. —Olha, você precisa me fazer um favor.

—Favor?

—Sim. A Ana e eu passamos a manhã inteira em reunião, e eu preciso pegar uns papéis lá em casa; a Abigail não atende, será que você pode dar uma passadinha lá?

—Claro. —Murmuro. —Eu vou lá agora.

—Ok, me ligue e eu te digo onde estão os papéis.

—Ok, tchau Kate.

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Saio do elevador com meus dois seguranças ao lado. Desde a visitinha do meu ex, papai começou a insistir nisso, e eu não quero brigas, não mesmo. Olho confusa pelo corredor ao ver a porta da casa de Ana e Kate aberta, sem pensar duas vezes eu corro até lá e empurro a porta. Os seguranças vêm atrás, com armas já em punho.

—Abigail? —Chamo, mas não tenho respostas. —Gabby.

Meus olhos por algum motivo começam a encher de lágrimas; corro pela casa tentando achar as crianças, mas nada delas. Congelo quando vejo alguém caído na cozinha, é um homem, não penso duas vezes, corro até ele e abaixo ao seu lado.

—Acorda. —Digo segurando seu rosto. —Por favor, acorda.

—Margo... —Ele sussurra confuso.

—Não. —Falo segurando algumas lágrimas. Ele abre os olhos lentamente olhando confuso para os lados.

—Quem é você?

—Onde estão as crianças? —Pergunto deixando as lágrimas caírem. Ele me olha espantado, então se levanta e soca o balcão.

—O que aconteceu com elas? —Grito levantando.

—Eu não sei ao certo, um cara, ele... ele chegou aqui e simplesmente as levou, eu tentei impedir, mas eu não lembro o que aconteceu depois.

—Ah, meu Deus. Meu Deus! —Grito e logo os seguranças estão na cozinha. —A Ana vai morrer. Ah, meu Deus.

Sinto meu celular vibrar e atendo rapidamente ao ver o número de Abigail aparecer na tela. Kate deu meu contato para ela, caso alguma emergência acontecesse. Atendo rapidamente com o coração disparado.

—Mia, me ajuda. —Ela diz chorando e posso ouvir Pietro e Gabriela também chorando.

—Aby, o que aconteceu? —Pergunto e ela chora mais.

—Eles disseram que iam nos vender. —Abigail diz desesperada do outro lado. —Eu consegui fugir, mas eles estão atrás de nós, por favor.

—Aby, calma, quem levou vocês? Aonde você está? —Pergunto tentando manter a calma.

—Eu não sei. Não sei quem eles eram. Nós estamos no parque, perto do colégio Nacional, eu estou com muito medo.

—Querida, não fique, eu estou indo. Não saia da linha.

—Por favor, venha logo. —Abigail implora.

Olho para o homem na minha frente, e suspiro apavorada, mas eu não posso temer, viro-me rapidamente e começo a ir em direção a saída seguida pelos seguranças e o idiota. Corro para o elevador, aperto o botão várias vezes até ele chegar, e não entro sozinha.

—Onde elas estão? —Ele pergunta e eu o encaro.

—Perto da escola Nacional, nós temos que pegá-las.

—Está doida? Nós temos que chamar a polícia.

—Não, não dá tempo. E eu vou com ou sem você. —Digo olhando para os seguranças.

Corro para fora do elevador quando ele abre e vou para o meu carro. Informo a situação aos meus seguranças e eles correm rapidamente para o outro carro. O idiota, que parece ser irmão da Kate, se chama Ethan, e ele vai no carro comigo. Coloco o celular no suporte e peço a Ethan que continue falando com Abigail. Ela dá gritos desesperados constantemente. Parece que agora ela está dentro da escola, que a diretora a deixou entrar.

Freio o carro rapidamente em frente à escola, os seguranças descem já atirando. Não há pessoas na rua, apenas alguns carros, todos iguais, em frente à escola. Os homens não parecem brincar, são uns seis, ou mais, eles estão atirando contra os portões, e logo a polícia está aqui.

Desço do carro quando eles começam a fugir, um deles tentam se aproximar de mim, mas eu puxo a arma da cintura e atiro em sua perna. Corro para dentro da escola com Ethan, a diretora nos leva rapidamente até as crianças, e eu fico aliviada ao vê-las sem nenhum machucado grave, apenas Abigail está machucada, joelhos ralados e uns machucados no rosto.

—Crianças. —Corro até elas e pego Pietro no colo. Abigail levanta e me olha apavorada, ela está com Gabriela no colo, e sem pensar puxo as duas para meus braços.

—Me desculpe, por favor. —Abigail implora.

—Está tudo bem. —Sussurro tentando tranquilizá-la. —Você está bem, querida. Tudo vai ficar bem.

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Anastásia Steele

—Minha filha! —Exclamo correndo pelos corredores da escola, apavorada que algo tenha acontecido a ela.

Christian, Kate e Elliot estão comigo, eles estavam na empresa quando Mia ligou dizendo o que tinha acontecido. Meu coração disparado e eu não consigo me acalmar nenhum pouco, eu só vou estar bem quando ver minha filha.

—Mamãe! —Gabriela grita de logo e eu corro para ela. Ajoelho recebendo-a em meus braços, afasto-a várias vezes checando se ela está bem, e ela está. Sem nenhum arranhão. —Você está bem?

—Sim, mamãe. —Gabriela diz e logo começa a chorar me abraçando. Levanto-me com ela em meus braços e encaro Abigail. Ainda em choque.

—Me desculpe, Ana, por favor. Kate. —Abigail diz apavorada enquanto soluça.

—A Mia disse que você bateu em um dos homens com um pedaço de madeira, para conseguir fugir. —Kate diz encarando-a. Ela entrega Pietro a Elliot e segura Abigail que chora ainda mais. —Não chore, está tudo bem agora, você é uma menina muito corajosa.

—Eu tive muito medo. Muito. —Abigail sussurra quando Kate a abraça.

—Está tudo bem. Tudo bem.

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Algumas horas mais tarde...

Encaro Abigail deitada no sofá, enquanto Mia faz carinho em seus cabelos. Ela ainda está muito assustada, mas conseguiu contar para a policial tudo que aconteceu. Pelo que parece, o idiota do pai dela foi quem ajudou os capangas a chegarem até o nosso apartamento. Ele é um bêbado viciado em jogos, e precisa de dinheiro, então aceitou entregar os nossos filhos e até a própria filha. Eu não tenho dúvidas que isso foi coisa da Mabel, nenhuma. Eu não consigo me conter ao pensar no que eles poderiam fazer aos nossos bebês, e Abigail. Me dá um aperto só de pensar que além de perder a mãe ela teve que ficar com o pai, um homem tão ruim, que agora está preso.

Suspiro encarando Kate, ela deve ter as mesmas preocupações. Elliot está ao seu lado segurando firmemente sua mão e Pietro está deitado entre os dois. Christian está ao meu lado e Gabriela está me agarrando firmemente, mesmo dormindo.

—Eu vou ter que ir para um orfanato? —Abigail pergunta chorando e todos ficam em silêncio.

—Claro que não. —Digo e todos me encaram. —Você salvou os nossos bebês.

—A Ana tem razão. —Kate diz olhando Abigail. —Nada mais justo do que nós cuidarmos de você.

—Vocês estão falando sério? —Abigail pergunta se sentando.

—É claro que sim. —Christian diz manifestando-se. —Nenhum de nós deixaria você sozinha. Você foi uma garota muito corajosa.

Depois que todas as crianças dormiram, nós a levamos para o quarto. Confesso que a cena de Christian carregando Abigail foi muito fofa. Ela levou muito tempo para se acalmar, e apenas conseguiu dormir. Agora que ela não tem para onde ir, Christian, Elliot, Kate, eu, e George que chegou a pouco depois de descobrir tudo, estamos decidindo o que fazer.

—Acho que a primeira coisa a se fazer é mudar de casa. —George diz.

—Isso não é o principal, e sim o que vamos fazer com a menina, papai. —Kate diz segurando a mão de Elliot. —Ela é só uma criança e está sozinha.

—A Kate tem razão, padrinho. —Murmuro. —Nós não podemos deixá-la, ela salvou nossos filhos.

—Eu entendi essa parte, e não quero que a deixem, eu entro em contato com meu advogado se esse for o problema, posso pedir a guarda dela, mas eu quero que vocês estejam todas seguras, a partir de agora. Seu irmão quase morreu, Kate.

—Papai, eu sei disso. —Kate diz revirando os olhos. —Quem manda ele ser idiota?

—Obrigada, irmãzinha. —Ethan diz entrando cozinha com uma mala no ombro.

—Aonde você vai? —Meu padrinho pergunta surpreso.

—Essa vida aqui, cheia de armas e tiros para todo lado, não é para mim. Isso já me causou mal o suficiente. —Ethan diz com um olhar impassível. Ele me olha e suspira. —Eu vou ficar em algum hotel, ou o que for.

Olho para Kate e vejo-a levantar rapidamente e correr atrás do irmão, ficamos em silêncio à mesa, esperando sua volta. Alguns minutos se passam e ela está de volta, com uma cara nada feliz, minha amiga se senta e cruza os braços encarando o pai.

—Eu não tenho culpa. —Meu padrinho diz e eu acho que todos à mesa estão confusos.

—Não, não é. —Kate fala encolhendo os ombros. —Voltando ao assunto... eu sei que você vai embora de novo, e logo, então, apenas resolva as coisas com a Aby, eu e a Ana podemos escolher uma casa, com a ajuda dos garotos. Eu não quero que ninguém saiba nosso endereço, nem mesmo meu padrinho.

Fico boquiaberta com Kate, ela normalmente é tão... brincalhona, e vê-la assim, tão reservada, me assusta. Eu sei que tem mais, muito mais. Eu ainda estou assustada com o fato de que as nossas crianças quase se machucaram, e que isso pode ser coisa da Mabel, aliás eu não tenho dúvidas. Eu também sei que isso é só o começo.

Horas mais tarde, quando Christian e Elliot vão buscar Ava e Clarissa na escola, Mia, Kate e eu sentamos com Abigail no sofá, e lhe contamos que ela vai ficar com nós duas daqui para frente. A ideia a deixou feliz, e ela ficou animada em morar conosco, e acho que vai ser legal, Kate e eu já somos como irmã, e ela será nossa pequena irmã.

Quando são por volta das dez horas, nós ainda estamos acordadas, só nós duas. Mia já foi. Há seguranças por todos os lados, por ordens do meu padrinho. Meu pai tentou falar comigo mais cedo, quando descobriu o que houve, mas eu preferi não o ver, não agora. Eu ainda estou magoada.

Começamos a conversar sobre Ethan, em algum certo momento, e Kate me conta como seu irmão era alegre e tão carinhoso, e depois a pessoa fria que se tornou, após a morte da mulher. Eu não sabia que Ethan era policial, ele seguiu a carreira por incentivo do pai, e foi por isso que sua família morreu. Eles estavam sendo seguidos por algum inimigo, e então...

Passo o resto da noite pensando nisso. Ethan não me pareceu muito carinhoso, ele me olhou algumas vezes de uma forma estranha, e seu olhar não me parecia de uma pessoa carinhosa... não, nenhum pouco, mas há algo nele, eu sinto, que precisa ser visto, e talvez eu queira ver isso.

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Duas Semanas Mais Tarde...

Subo as escadas rapidamente e olho para os lados com cuidado. Caminho vagarosamente pelo corredor, olhando cada quarto, e logo estou com o coração disparado.

—Aby! —Grito e Abigail gargalha.

—Você perdeu Ana. —Abigail diz rindo.

Reviro os olhos e volto para o andar de baixo, frustrada. Só faz uma semana que nos mudamos, e eu confesso que estou achando tudo isso incrível. Como eu pedi, nós não fomos para fora da cidade, fizemos melhor, somos vizinhas de Grace agora, e é adorável morar perto dela.

A casa é grande, tem um jardim enorme, e todos, até mesmo Pietro parecem ter gostado. Mia, Elliot e Christian sempre estão aqui, então nós acabamos fazendo a vontade das crianças, como hoje, brincando de polícia e ladrão, e como sempre, eu perdi.

Jogo-me no sofá ao lado de Mia e Kate e elas riem. Abro a boca para puxar assunto, mas o barulho de alguém caindo me faz congelar, e tudo só piora quando ouço o choro de Gabriela. Levanto-me com o coração na mão e subo as escadas correndo. Christian, Elliot e Abigail estão na porta do quarto, mas eu empurro eles e entro vendo minha filha no chão chorando desesperadamente por ter caído da cama.

—Gabby, calma, calma. —Repito ajoelhada no chão com ela em meus braços. —Está tudo bem, querida, a mamãe está aqui.

—Mamãe, está doendo! —Gabriela grita com as mãos na cabeça.

—Por favor, filhinha, está tudo bem. —Sussurro quase chorando.

—Mamãe, a Gabby está bem? —Clarissa pergunta da porta e eu a encaro sem saber o que dizer.

—Ana, vem. —Christian diz me ajudando a levantar. —Vamos levá-la ao médico.

Christian me ajuda a pegar meus documentos e os de Gabriela e depois nós vamos; deixando todos muito aflitos. Grace é quem atende minha filha, ela tira um Raio-X, e eu fico muito mais aliviada quando fico sabendo que Gabriela está bem, e que foi só um susto, mas mesmo assim Grace diz que eu tenho que ficar de olho.

Já é quase noite quando chegamos, Gabriela está chatinha no carro, sem falar nada. Pego-a, e como sempre, ela vira o rosto para Christian. Entramos em casa e todos estão na sala, esperando impacientemente.

—Mamãe, papai! —Clarissa grita e vem correndo abraçar-nos. —Gabby.

—Querida, a Gabby está um pouco chatinha agora. —Sussurro.

—Ela está bem?

—Está sim, foi só um susto. —Christian fala pegando a filha no colo. —Acho que nós temos que ir.

—Ah, mas... tudo bem. —Clarissa diz compreendendo a situação. —Nós vamos nos ver amanhã, não é mamãe?

—É claro que sim, filha. —Dou um beijo em Clarissa e ela sorri. —Bom, eu já vou por a Gabby na cama, com licença.

Saio da sala com Gabriela e vou para o meu quarto, ao invés de deixá-la no seu, eu quero ter certeza que ela vai ficar bem. Coloco-a sobre a minha cama e me sento ao seu lado, acariciando seu rostinho enquanto ela lentamente pega no sono. Sorrio ao olhar para a porta e ver Christian parado. Levanto-me e cubro minha filha deixando-a dormir.

—Pensei que você já estava indo. —Digo quando estamos no corredor.

—A Aby está ajudando a Clarissa a arrumar as coisas dela. —Christian diz me abraçando e me encara com um sorriso torto. —Como você está?

—Bem, fora o susto.

—Eu falo de tudo. A mudança, o que houve há duas semanas...

—Ah, estou bem, mais tranquila confesso.

—Que bom. —Christian sussurra. Ele encara meus lábios e eu sinto meu coração disparar... então ele começa a se aproximar, mas apenas raspa o canto dos seus lábios nos meus e beija minha bochecha. —Acho que é melhor eu ir.

—Claro... —Murmuro apavorada.

—Não esqueça, eu vou deixar a Lis aqui amanhã, e venho pegá-la na sexta à noite quando voltar de Noiva Iorque. —Christian fala depois de me soltar. —Até logo, meu bem.

—Até logo, Christian. —Digo sorrindo e balanço a cabeça.

Christian desce as escadas e eu encosto na parede apavorada e com as pernas bambas. Por que ele fica fazendo esses joguinhos? Ele ficou bem próximo as duas últimas semanas, e está sempre fazendo isso, me abraçando, fazendo carinhos, dando ‘quase beijos’. Eu estou começando a achar que ele faz de propósito.

Suspiro e balanço a cabeça. Claro que não! O que eu estou pensando? Ele nunca faria isso, nós somos amigos, certo?

—Ana?

Viro-me e vejo Abigail subindo as escadas.

—Oi, amor. —Digo tomando folego.

—Uh. —Ela diz arqueando a sobrancelha. —Isso tudo é efeito Christian?

—Cala a boca, pirralha! —Exclamo e ela gargalha me fazendo rir. —O que você quer, chatice?

—Ajuda no dever, álgebra, por favorzinho?

—Está bem, vamos logo. —Falo para esquecer o assunto Christian.

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Quarta à noite, dia 05

Chego do serviço um pouco mais cedo do que de costume. Kate foi jantar com Elliot e pediu para eu vir ver as crianças. É claro que agora Abigail não cuida mais delas, ela ajuda, mas quem cuida realmente é uma das empregadas, e há seguranças na casa.

Entro em casa e coloco minha bolsa e chaves na mesa do hall, ouço as crianças na sala, e é para lá que vou. Surpreendo-me completamente ao ver Ethan no sofá, em prantos e Abigail tentando acalmá-lo com uma xicara de chá.

—Aby, está tudo bem? —Pergunto preocupada. —Onde estão a Gabby e o Pietro?

—Dormindo. —Ela diz olhando Ethan. —Ele chegou a pouco tempo, está completamente bêbado e não para de chorar.

—Ok, querida, eu cuido dele, vá fazer suas coisas.

—Ok, Ana. Com licença. —Abigail se levanta e saí da sala. Aproximo-me de Ethan e ele me olha secando suas lágrimas.

—Me, desculpe, Anastásia, eu sou um completo idiota. —Ethan diz. Sento-me ao seu lado e seguro sua mão.

—Ethan, está tudo bem ok? Se acalme. Aconteceu algo?

—Sim. Não, eu não sei. —Ele diz confuso. —Eu... eu achei uma foto dela, e... e tudo veio à tona, eu não conseguir me conter.

—Ei, Ethan, se acalma. Ei, Ethan, se acalma. —Aproximo-me mais e Ethan me olha, começo a secar suas lágrimas e ele começa a se acalma. —Está tudo? Você não precisar se fazer de durão, eu sei que você sente falta dela.

—Ás vezes é tão... difícil. —Ethan murmura me olhando profundamente e eu sinto meu coração acelerar. Minhas mãos começam a suar quando ele olha para os meus lábios e depois meu pescoço. —Você... se parece tanto com ela... eu não conseguia me lembrar dela, acho que eu queria esquecer, mas quando eu estou perto de você... tudo parece tão vivo novamente.

—Ethan... —Sussurro ruborizando. Tento me afastar, mas Ethan se aproxima mais e segura meu rosto com uma de suas mãos, prendo a respiração quando ele começa a se aproximar, mas... eu acho que quero isso. É tão...

—Ana?

Viro-me apavorada ao ver Christian na porta da sala, com Clarissa ao seu lado. Ele olha de Ethan para mim, seu olhar acaba comigo, é como se eu estivesse traindo-o, mas... eu estou?

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Abigail