Segunda Chance
18 ♛ Doce Família ♛
Notas iniciais
Remexo-me um pouco sobre a cama e sinto os pezinhos de Gabriela em cima da minha barriga. Estou deitada em um dos braços de Christian enquanto o outro repousa sobre meus seios, apertando-os um pouco. Abro meus olhos e levanto a cabeça procurando por Clarissa. Sorrio ao vê-la deitada sobre as pernas de Christian. Acho que ainda caberia mais umas duas crianças nessa cama. A ideia me faz sorrir, mas é melhor guardá-la só para mim.
Viro-me um pouco e Gabriela escorrega, tiro o braço de Christian e me levanto. Ajeito minhas filhas e depois vou tomar um banho. Enquanto estou no banho lembro dos três últimos meses que passei nessa casa... eu jurava que quando Christian voltasse eu simplesmente iria embora, mas não foi nada disso que aconteceu. Depois do susto, do seu sumiço, sua volta, tudo que eu consegui foi ficar mais presa aqui, a ele, e sinceramente eu não quero mais me afastar.
Kate está sempre com Elliot, e nós nos vemos todos os dias na empresa. Abigail escolheu morar aqui comigo, e isso me deixa muito feliz, eu adoro que ela esteja por perto. Tudo é ainda muito assustador... uma família de verdade, e eu morro de medo de alguém estragar isso, principalmente Mabel. Depois que Christian descobriu que sabotaram seu avião, a segurança de todos nós aumentou, e eu não me importo nenhum pouco, eu me sinto muito mais tranquila sabendo que ninguém pode chegar perto da nossa família.
Hoje é sexta, e está bem friozinho, dá uma dó tirar as meninas da cama, mas elas precisam mesmo ir para a escola. Eu fico feliz que elas gostem da escola, Gabriela principalmente. Ela ama seus amiguinhos e colegas. Eu fico feliz por isso. Nós criamos uma rotina maravilhosa, e isso torna tudo tão... real. De manhã eu deixo Abigail na escola e Christian deixa as meninas, depois vamos trabalhar, as quatro, nós saímos e vamos buscar as meninas, ajudamos elas com o dever, depois vamos jantar; de quarta na casa de Grace, as sextas na casa de Kate e Elliot, domingo é dia da pizza e outros dias vamos a restaurantes ou ficamos em casa.
É tudo tão... perfeito. Fora algumas coisas... meu pai tem insistido para falar comigo nos últimos dias, mas... eu simplesmente não consigo. Toda vez que ele tenta se aproximar tudo que eu lembro é a forma que ele rejeitou as minhas filhas. Elas não têm culpa de tudo que houve, e no fim... eu acho que um dos maiores culpados é ele. Eu simplesmente não me sinto pronta para tudo isso.
—Sonhando acordada?
Viro-me assustada e vejo Christian entrar no banheiro. Ele ri quando coloco a mão sobre o peito, ofegante pelo susto. Christian pega sua escova e começa a escovar os dentes enquanto me fita de baixo a cima.
—Apreciando a visão? —Pergunto semicerrando os olhos.
—Ah, sim. —Ele diz rindo. Balanço a cabeça e continuo meu banho, agora olhando-o escovar os dentes, e isso parece diverti-lo.
—Sabe... —Christian faz uma pausa e cospe a pasta da boca, depois continua. —Eu acho que eu posso levar a Aby hoje.
—Por quê? —Pergunto curiosa.
—Eu prometi o cachorrinho da Gabby há três meses. —Christian fala e eu solto um riso abafado. —Se eu demorar mais, ela vai ficar de mal.
—Vai mesmo. —Digo rindo. Desligo o chuveiro e pego a tolha começando a me enrolar. —Bom, tudo bem, assim eu chego mais cedo para a reunião.
—Ok.
Caminho até Christian e paro atrás dele, abraço suas costas e o sinto sorrir, ele repousa seus braços sobre os meus e alguns segundos depois se vira. Seus olhos prendem aos meus e eu me sinto hipnotizada por sua beleza e olhos cinzas. Lentamente ele se abaixa e toca meus lábios. Sinto seu hálito de menta invadir minha boca e todos os meus músculos abaixo da barriga se contraem em um gemido. Sua língua invade minha boca lenta e sensualmente. De forma experiente ele começa a mover seus lábios contra os meus, inebriando-me com seu cheiro, o cheiro que só ele tem.
Minhas pernas bambeiam e eu tenho que me apoiar em seus braços, ele sorri, mas não para. Sua mão que repousava em minha nuca escorrega e começa a descer. Ele toca minha coxa nua e todos os meus pelos se levantam... sinto o calor me invadir quando ele começa a subir a mão por debaixo da toalha, atiçando-me por completo. Eu estou prestes a entrar em combustão e ele nem se quer me tocou direito.
Minhas mãos viajam pelos seus cabelos enquanto ele sobe a mão lentamente, torturando-me.
—Mamãe?
Christian ri afastando-se ao ouvir Clarissa e Gabriela chamarem ao mesmo tempo. Fecho meus olhos e sorrio balançando a cabeça.
—Nós continuamos depois. —Ele fala sorrindo e dá um beijo na minha testa. —Eu vou para o banho.
—Ok. —Sussurro e vou atender as meninas. Entro no quarto e vejo as duas sentadas na cama. —Bom dia, pestinhas.
—Bom dia. —Elas sussurram roucas.
—Como vocês estão? —Pergunto checando a temperatura de ambas com a mão. —Vocês não estão mais com febre. Como se sentem?
—Bem. —Clarissa diz sorrindo.
—Bem? E você Gabby? —Pergunto e ela coça os olhinhos.
—Bem. —Ela diz calmamente.
—Ótimo. Então vamos, vocês têm que ir para o colégio.
Ajudo as meninas a descerem e depois me enrolo no robe, vou com elas até o quarto e começo a separar o uniforme enquanto elas vão escovando os cabelos. Sorrio boba ao olhar as duas. Elas são tão amigas. Christian e eu ficamos surpresos quando elas disseram que queriam dividir o quarto. Mas... acho que de uma forma foi tão bom. Elas não cresceram juntas, mas elas se tornam a cada dia mais amigas. Irmãs... e isso me faz tão feliz. Eu tive medo que elas se dessem mal, tivessem ciúmes uma da outra. Por mim ou Christian, mas acho que elas são mais compreensivas do que pensávamos.
Gabriela adora o papai, e ama quando ele brinca de boneca com ela, mas adora fazer biscoitos comigo, ou que eu trance seus cabelos. Já Clarissa adora que eu a ajude no dever e ajude-a a praticar violino. Só que com o papai ela adora dançar e vestir fantasias, tutus e asas de fadas... e tem Abigail. A menina mais doce de todas. Ela é um amor.
Acho que a tenho mais como filha do que irmã. Eu simplesmente a ajudo com quase tudo, e ela é minha companheira para toda hora, e Christian? Bom, ele ensina tantas coisas para ela, adora conversar com ela também, e eu acho que isso a encanta... ter um pai de verdade por perto. Nossa filha mais velha.
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Entro na sala de jantar e vejo Christian e Abigail conversando animadamente, Gabriela e Clarissa correm para beijar o pai e Aby, e depois vão se sentar. Dou um beijo em Abigail, outro em Christian e depois me sento para o café.
—Sobre o que falavam? —Pergunto servindo-me de suco.
—Eu... contei sobre a aula de dança. —Aby fala animada e eu sorrio com sua doçura. —O Christian me apoiou.
—Por que eu não o faria? —Christian pergunta e ela sorri vergonhosamente.
—Ah, querida, nós sempre vamos apoiar você, você sabe. —Sussurro calmamente.
—Mamãe, eu também posso dançar? —Gabriela pergunta. —A Lis também dança.
—O que você acha, papai? —Pergunto olhando para Christian, ele semicerra os olhos e ri.
—Mas é claro que pode, docinho. —Christian diz fazendo Gabriela ruborizar. —Bom, se nós vamos pegar o cachorrinho, nós temos que ir.
—Eba. —Gabriela grita pulando da cadeira. Meu coração dispara ao vê-la cair, mas ela levanta rindo e saio correndo. Clarissa ri e vai atrás da irmã. Abigail balança a cabeça rindo e se levanta. Ela pega sua mochila e a das mais novas, me dá um beijo e depois sai da cozinha.
—Te vejo mais tarde, Srta. Steele. —Christian sussurra se levantando, ele me dá um beijo e sai da cozinha deixando-me sozinha.
Sorrio boba. Ah, como isso é tão... bom.
Termino meu café sozinha e deixo a mesa. Cumprimento Gail quando vejo-a vir arrumar a mesa. Caminho pelo corredor em direção a sala e acabo parando em frente ao espelho. Eu não sou a pessoa mais... preocupada com beleza, mas... eu tenho me sentindo tão bem ultimamente. Poder usar as roupas que eu quiser, que não sejam vestidos. Soa tão bem.
Sorrio para a minha própria imagem. Sim. Eu sou uma mulher de sorte.
O telefone toca assim que eu entro na sala, e eu corro para atender, mas tudo fica mudo do outro lado, balanço a cabeça e o desligo. Pego minha bolsa, chaves, celular e saio. Sorrio quando o elevador chega a garagem e vejo Taylor e Sawyer tomando café, eles me olham envergonhados e quase engasgam.
—Tudo bem. Continuem. —Digo rindo e vou para o meu carro.
Como de costume eles me seguem até a empresa, chegando lá eu corro para ver Kate e colocar assuntos em dia, depois o trabalho de verdade começa.
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Christian Grey
Estaciono o carro em frente ao lar de adoção para animais. Desço do carro e dou a volta, abro a porta de Abigail e ela sorri em agradecimento. Ela olha para o portão, onde muitas pessoas entram e saem, e isso parece encantá-la. Sorrio e vou ajudar as baixinhas. Gabriela pula do carro e eu tenho que segurá-la para ela não cair, mas como sempre, ela ri e corre para segurar a mão de Aby.
Clarissa desce do cuidado e segura minha mão firme. Acho que ela não gosta muito de animais... na verdade ela tem um pouco de medo de cachorros. Acho que é por isso que ela está apertando tanto minha mão.
—Ei, não precisa ter medo, gatinha. —Murmuro fechando a porta e aciono o alarme.
—Claro. —Ela diz olhando assustada ao ver um casal sair com um cachorro um pouco grande. —Ai, meu Deus.
—Não tenha medo, pirralha. —Abigail diz rindo. Clarissa ri nervosa e aceita a mão estendida de Abigail.
Entramos no local e Gabriela parece enlouquecer com todos os cachorros, mas o que lhe chama atenção mesmo é o cercadinho com filhotes, e ela corre para lá. Clarissa acaba cedendo e vai junto com irmã, minutos depois ela está brincando com os filhotinhos.
Sinto meu coração disparar quando percebo que Abigail não está mais do meu lado, olho em volta procurando-a e vejo ela observando os filhotes de gato, um com pelos laranjas principalmente, sorrio, mas desfaço meu sorrio ao ver um garoto puxar assunto com ela.
—Lis. —Chamo e Clarissa me olha. —Não saia daqui, e não deixe ninguém se aproximar da sua irmã.
—Está bem, papai. —Clarissa diz olhando os filhos.
—Aby. —Digo parando ao seu lado e o garoto me olha assustado. —Pensei que tínhamos combinado de ficar juntos.
—É, e você deixou duas crianças sozinhas para correr atrás de mim. —Abigail diz rindo e olha para as meninas. —Eu estou bem.
—Sei, e quem é ele? —Pergunto encarando o garoto.
—Esse é o Jordan, ele é da minha turma. —Abigail diz sem dar atenção para o garoto.
—Me desculpe, Sr. Grey... —O menino diz envergonhado, mas acho que eu quem está estragando tudo aqui. —O Senhor tem uma filha muito bonita, e educada.
Abigail me olha ao ouvir o garoto dizer que ela é me filha. Ela encara o menino e parece brava, mas não a deixo dizer nada.
—Sim, minha filha é muito bonita. —Murmuro e ela sorri timidamente. —Nós temos que ir, docinho.
—Tudo bem. Tchau Jordan. —Abigail sussurra acenando com a mão.
Ficamos mais alguns minutos olhando todos os cachorrinhos, e as mais novas acabam escolhendo um Pug, com bastantes banhas. Abigail parece não dar muita importância para o cachorro. Ela está distraída, e acho que está se perguntando o porquê de eu não ter dito que ela não é minha filha, mas isso não tem importância, ela é como tal para mim, assim como Gabriela, e elas são parte da minha filha, eu jamais iria negá-la, fora isso, eu acho que ela também gostou do gatinho, por isso não falou nada. Talvez eu faça uma surpresa depois.
Assino tudo para adoção, e então nós vamos embora. Eu deixo as meninas na escola, claro que elas não querem ficar, por causa do cachorrinho, mas eu não posso deixá-las falta assim, Ana me mataria.
Depois de deixar as monstrinhas nos colégios, eu levo o cachorrinho para casa, peço a Gail que compre as coisas para ele, para eu conseguir ir ao trabalho. Ligo para Ana quando chego a empresa, nós conversamos pouco pois seu dia está agitado entre reuniões e novos contratos. Assim como o meu dia.
Por volta das três, eu decido ir... eu realmente acho que Abigail merece aquele gatinho, ela é uma menina incrível, e só de pensar em tudo que ela passou de ruim... assim como Gabriela, eu quero que ela seja feliz daqui para frente.
Decepciono-me quando volto ao lar de adoções e vejo que o gatinho laranja já foi adotado, mas... eu encontro outro gatinho que acabou de chegar, e acho que esse sem dúvidas alguma Abigail irá adorar... e espero que Ana adore também, porque eu não falei nada a ela.
—Amor, oi. —Ana diz ao atender. Eu estou na estrada, indo para casa.
—Oi meu bem. —Sussurro e sei que ela está sorrindo. —Será que você pode pegar as meninas na escola?
—Hã... claro. Você vai chegar mais tarde?
—Não, é só que... eu comprei algo para a Aby, e quero fazer uma surpresa.
—Entendo, tudo bem então. Eu pego elas.
—Ok. Eu te amo, querida.
—Eu também te amo. —Ana sussurra e desliga.
Desligo o celular meio desatento a estrada, aqui realmente não passa carros, mas a minha desatenção quase estraga tudo. Freio bruscamente o carro ao ver algo na estrada. Quando sou jogado para frente o cinto me protege, mas isso é o de menos. Eu tenho que piscar muitas vezes para ter certeza do que estou vendo ali. Isso só pode ser brincadeira.
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