Segunda Chance
7 ♛ Aonde Nasce o Amor ♛
Notas iniciais
Encaro Katherine e sorrio semicerrando os olhos. Sem dúvidas ela ficou encantada com Elliot, ele pouco falou, apenas respondia pergunta de Grace ou da filha, está sempre a ajudando a comer e parece disperso em pensamentos a maioria do tempo.
—Mamãe? —Clarissa chama e eu a encaro. —Eu posso ter um irmãozinho?
—O que? —Pergunto engasgando com o vinho e todos em volta da mesa ficam tensos. —Querida, você já tem uma irmãzinha.
—Mas eu e a Gabby queremos um irmão, como o Pietro, não é mesmo?
—Sim. Irmãozinho. —Gabriela diz sorrindo.
—Filha, eu não posso te dar um irmão. —Sussurro seriamente.
—Por que não? —Ela pergunta ofendida. —A tia Kate tem um bebê.
—Mas é o bebê dela. —Digo tentando fazer Clarissa compreender. —Eu não posso de ter um irmãozinho.
—Por quê? Você já tem a Gabby e eu, aposto que o papai adoraria ter um menino.
A perplexidade toma conta de mim com a conclusão de Clarissa. Eu não posso ser cruel com ela, mas como vou explicar da melhor forma que seu pai e eu não podemos ter outros filhos. Primeiro ele nem sabe que eu estou viva, e segundo que nós nunca tivemos nada realmente. Estamos separados há anos. Ela terá de entender que eu não posso dar um irmão a ela. Eu não quero filhos. Eu tenho duas ótimas filhas.
—Querida, esse não é assunto para o momento. —Grace diz calmamente.
—Por que não? —Ava pergunta curiosa. —Por que a minha prima não pode ter um irmão?
—Gatinha, a Lis já tem uma irmã. —Mia diz na tentativa de ajudar.
—Mas eu não. —Ava fala olhando para Gabriela. —Eu posso ter um irmãozinho, papai?
—Ava, por favor. —Elliot diz encarando a filha.
—O que? —Ela diz semicerrando os olhos. —Você nunca me disse que eu não poderia pedir um irmãozinho, e eu quero muito. O bebê da tia Kate não tem pai, ele poderia ser meu irmãozinho.
Katherine se encolhe ao meu lado enquanto Mia explode em uma gargalhada que faz Gabriela rir também. Elliot encara Katherine com um olhar frio e semicerra os olhos, ele se levanta e sai da mesa deixando-nos sozinhos. Grace lança um olhar reprovador para Clarissa e Ava.
—Está vendo? Você chateou seu pai. —Grace diz calmamente. —E envergonhou a Kate.
—Tudo bem, Grace. —Katherine tenta dizer, mas o rubor ainda está nela. —São apenas crianças.
—Não, as meninas têm que entender que certos assuntos devem ser esperados. —Grace diz calmamente.
—Eu só queria um irmão. —Clarissa diz fazendo beicinho e me encara. —Isso não acabo.
—Claro que não. —Digo semicerrando os olhos para ela que franze o nariz.
—Vovó, o papai está bravo comigo? —Ava pergunta chateada e empurra seu prato.
—Claro que não, querida. —Grace diz acariciando seu rostinho. —Meninas, eu vou pegar a sobremesa, não saiam daqui.
Grace se levanta e sai da cozinha. Mia me olha e morde o lábio, mas segundos depois está gargalhando e me leva junto. Nós encaramos Kate que esconde o rosto entre as mãos se encolhe na cadeira. Ela é salva e aproveita para correr para fora da cozinha quando ouve Pietro chorar.
—Vocês são as melhores crianças do mundo. —Mia diz rindo enquanto toma um gole de vinho. —O Christian deveria estar aqui para... Oh, Ana...
—Tudo bem. —Digo calmamente. —Eu entendo.
—Eu também queria que o papai estivesse aqui. —Clarissa murmura.
—Ana, quantos anos a Gabriela vai fazer? —Mia pergunta para desviar o assunto.
—Três. —Murmuro acariciando os cabelos de Gabriela que sorri.
—Meninas, aqui estão. —Grace entra na sala sorrindo e coloca o bolo de chocolate no meio da mesa, enquanto algumas empregadas retiram os pratos e taças.
—Ana. —Ouço Kate chamar e o desespero em sua voz me faz temer. Levanto-me rapidamente e corro até a sala, onde encontro Pietro chorando muito e Katherine desesperada balançando-o.
—O que houve? —Pergunto me aproximando.
—Ele... ele está muito quente. —Ela diz gaguejando com um soluço preso.
—Ei, calma. —Falo tomando Pietro do colo de Katherine que senta no sofá assustada. —Ele nunca ficou tão quente.
—Calma, calma. —Peço enquanto vejo Grace entrar na sala com Mia.
—O que houve? —Grace pergunta se aproximando e encosta em Pietro. —Mia, pegue meu termômetro. Peça a alguém que prepare um banho morno.
—Está bem. —Mia diz e sai correndo.
Grace toma Pietro dos meus braços, mas o choro só continua mais alto e assustador. As meninas veem à sala, mas a empregada as leva para o quarto, já que as três se assustaram com o choro do bebê. Mia volta minutos depois com o termômetro, que mostra que a temperatura está muito acima da média.
Com a ajuda de Grace e Mia, Katherine vai dar um banho em Pietro e eu fico na sala esperando, esperando muito nervoso, porque pelo que sei, já são quase cinco horas, e esse é o horário que Christian sai da empresa.
—Não se preocupe. —Levanto-me rapidamente com a mão sobre o peito e encaro Elliot.
—O que? —Pergunto assustada. —O Christian não passará aqui hoje. Ele foi para Nova Iorque.
—Ah, tá. —Murmuro me sentando novamente ele senta no outro sofá.
—Ele me falava muito de você. —Elliot diz tentando puxar assunto.
—Elliot, por favor, não faça isso. —Digo balançando a cabeça. —Sua mãe, ou a Mia devem ter falado tudo, com certeza. Você deve saber, sem dúvidas, como a Clarissa chegou aqui, deve saber que o Christian acha que estou morta. Mas você realmente não precisa tentar fazer isso.
—Ser educado? —Ele diz rindo.
—Não, puxar assunto, saber como ruim foi, e depois me contar como foi ruim para ele. —Digo deixando Elliot mudo. —Eu estive presa por anos, apanhando, fisicamente e psicologicamente. E o Christian? Ele estava aqui, com a família dele, com a nossa filha, eu imagino como deve ter sido ruim.
—Você sente raiva dele, por isso?
—Você acha isso? —Digo rindo e ele balança a cabeça. —Não, eu o conheci por três dias, e ele mexe comigo até hoje, eu nunca poderia sentir raiva dele. Eu sinto raiva de mim, da vida, das pessoas que me prenderam. Elas me privaram de tudo isso.
—Entendo. —Elliot sussurra calmamente. —E sua amiga... Katherine?
—O que tem ela? —Pergunto sorrindo.
—Onde está o pai do filho dela.
—Fugiu, assim que soube da gravidez. —Murmuro calmamente. —O Pietro só tem ela.
—E você. —Elliot diz num tom malicioso e eu semicerro os olhos para ele que sorri.
—Quantos meses ele tem?
—Cinco. —Sussurro olhando Kate descer as escadas com Pietro enrolada em uma toalha e atrás Mia e Grace vem. Levanto-me e pego a bolsa com as coisas do bebê. —Como ele está.
—Chorão. —Kate diz fungando e já consigo perceber que ela também chorou. —Eu vou trocar ele para nós irmos.
—Ok. —Sussurro ajudando-a com Pietro. Kate o coloca no sofá e eu vou lhe passando as coisas.
—Kate, se ele não melhorar, você tem que levá-lo ao médico. —Grace diz colocando alguns remédios na bolsa. —Mas dê esses remédios a ele.
—Tudo bem. Obrigada. —Ela sussurra ainda chorosa e pega Pietro abraçando-o enquanto balança. —Ei, pare de chorar, por favor.
Encaro Kate tentando não chorar enquanto balança Pietro que chora ainda mais, ela vai um pouco para a cozinha, e eu fico na porta encarando-a enquanto ela tenta acalmar o filho. Grace vem algumas vezes, assim como Mia, nós tentamos de tudo, mas de nada adianta.
Enquanto observo Kate e Pietro, acabo tirando uma foto dos doidos, em um momento que Pietro está mais calmo, mas logo ele volta a chorar e eu começo a imaginar como deve ser difícil para Kate, e foi para Christian, e Elliot. Estou só estou sendo mãe agora. Nunca tive que cuidar realmente das minhas filhas, mas eles três... eles cuidaram dos seus filhos, e lutaram por isso. Pelo que Grace me contou, a mulher de Elliot morreu no parto, e ele cuida da filha. Mas ele não desistiu, nem Christian, nem a minha amiga, e eu nunca lutei realmente pelas minhas filhas.
Encosto minha cabeça no batente da porta e suspiro, pronta para pegar Pietro um pouco, mas então, vejo Elliot passar do meu lado e simplesmente tomar Pietro dos braços de Kate, então, como mágica, o bebê encara Elliot e segundos depois para de chorar aconchegando-se no seu peito. Elliot sai da cozinha deixando-me estática, assim como minha amiga.
—É impressão minha ou o Elliot estava segurando o Pietro, super calmo. —Mia diz parada atrás de mim. Viro-me e encaro Mia e quando percebo Kate já foi atrás deles. Corremos para a sala também onde encontramos Elliot fazendo Pietro gargalhar enquanto Grace sorri boba. —Não é impressão.
—O que você fez? —Kate pergunta encarando Elliot que dá de ombros.
—A Ava costumava ficar assim. —Elliot explica. —Eu só balançava ela e fazia isso. —Ele mostra fazendo movimentos circulares na barriga de Pietro que sorri.
—Entendo. —Ela diz sentando-se.
Sento-me no sofá com Mia e Grace senta ao lado de Kate, enquanto encaramos Elliot fazendo Pietro gargalha e chorar de tanto rir. As três pequenas garotas chegam na sala. Clarissa e Gabriela vem para o meu colo, e Ava fica parada franzindo o cenho ao ver Elliot brincar com Pietro. Ela caminha até a avó e senta emburrada com ciúmes do pai, é muito evidente.
Katherine começa a puxar assunto com a menina que logo se derrete e minutos depois está nos braços de Kate. Encaro esses dois, com filhos trocados, e quando encaro Mia, acho que tivemos o mesmo pensamento.
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—Kate, eu acho melhor nós irmos. —Sussurro vendo que já são sete horas.
—Ana... —Kate sussurra olhando Elliot deitado no chão com Pietro. —Você tem razão.
—Nada disso. —Grace diz entrando na sala com uma bandeja cheia de biscoitos. —São sete horas da noite, está chovendo que só, e vocês acham que eu vou permitir que vocês saiam assim? Vocês vão dormir aqui.
—Grace... é melhor não. —Digo incomodada.
—Ana, para com isso. —Mia diz revirando os olhos. —O Christian está em Nova Iorque, ele não vai chegar aqui, acredite. E eu posso emprestar uma roupa para vocês. E a Gabby pode usar algo da Clarissa.
—Por favor, mamãe, fica. —Clarissa pede.
—É, por favor, fiquem. —Ava também insiste. —Nós todos podemos assistir um filme.
—O que você acha? —Kate pergunta encolhendo os ombros.
—Ah... tudo bem! —Exclamo levantando as mãos e todos comemoram, até mesmo Pietro dá uma gargalhada. —Eu quero só ver isso.
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Depois de tomar um banho, eu fico na sala e vejo, Mia e Clarissa desenhando. Gabriela e Clarissa pulando, Elliot torturando Gabriela e Pietro com cócegas, e depois foi a vez de Kate torturar o próprio filho que parecia muito mais calmo, Gabriela ensinando Pietro a fazer besourinho com a boca. Eu presencie Grace jogar um monte de almofadas e cobertores na sala, e sobre eles, Gabriela e Clarissa dormirem abraçadas, Kate e Ava pegarem no sono juntas, e Elliot dormir perto de Kate com Pietro em seu peito.
—Ana, você ainda está acordada? —Grace diz entrando na sala e só agora vejo que são duas da manhã.
—Desculpe, eu me distraí vendo toda essa alegria. —Digo rindo ao ver Kate e Elliot abraçados com Pietro no meio enquanto as outras crianças dormem abraçadas.
—Eu quero só ver quando eles acordarem. —Mia diz entrando também na sala.
—Eu também. —Grace diz rindo. —Vem Ana, vamos tomar um chá.
—Tudo bem. —Digo me levantando. —Eu só preciso ir ao banheiro, cinco minutos.
—Tudo bem, nós vamos preparando. —Mia diz indo para a cozinha com Grace.
Subo as escadas e vou até o banheiro, e logo após usar, decido ir realmente tomar um chá. O dia hoje foi super agitado, mas eu estou muito feliz. Feliz por me dar tão bem com Grace, Mia, e até mesmo Elliot, que no fim, é um grande bobão. Eles são ótimas pessoas, e a família que eu escolheria para mim, sem dúvidas.
Ando pelo correr sentindo o frio intenso entrar pelas janelas. É meio difícil lidar com frio quando o pijama que Mia me emprestou é um short e uma regata. Balanço a cabeça sorrindo quando passo pela sala e encontro todos ainda dormindo. Ouço as vozes de Mia e Grace e entro na cozinha sem penar, então, ele está lá, todo molhado de chuva, e em pouco segundos seus olhos cruzam os meus.
—Anastásia?
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Melhores Momentos
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