Segunda Chance

19 ♛ Ajustando-se à Família P. I ♛


Notas iniciais
Meninas, olá, olá rs, espero que gostem de mais um capítulo, boa leitura, boa noite, beijos ♥ ♥ ♥

Christian Grey

Anteriormente...

Quando sou jogado para frente o cinto me protege, mas isso é o de menos. Eu tenho que piscar muitas vezes para ter certeza do que estou vendo ali. Isso só pode ser brincadeira.

Desço do carro rapidamente e olho para os lados, procurando algo, mas não há ninguém, nenhum sinal de acidente. Não há pessoa alguma aqui, muito menos casas. Corro até a pequena menina que está sentada no meio da estrada, ela veste roupas imundas, seus cabelos estão soltos e bagunçados, e eu acho que ela deve ter cerca de um aninho. Abaixo em sua frente e ela para de chorar, para me dar um olhar curioso.

—Ei docinho. —Murmuro segurando seu queixo e ela sorri revelando quatro dentes em cima e quatro embaixo. —Que gracinha você. Onde está a mamãe?

A pequena menina de grandes olhos cinzas mexe a cabeça de um lado para o outro procurando alguém. Eu realmente não quero acreditar que alguém tenha largado ela aqui sozinha. Isso não é possível. Ela é só um bebê. Tiro meu blazer rapidamente e enrolo na pequena menina, ela começa a cheirar, então me olha com seus encantadores olhos cinzas, ela sorri e abraça o casaco me fazendo explodir de ternura. Caminho com ela até o carro e a coloco na cadeirinha de Gabriela, ela olha para a gatinha que está deitada no banco e começa a gungunar, no meio de tudo consigo entender um ‘miau-miau’. Deixo ela lá sentadinha e ligo para Taylor.

—Sr. Grey. —Ele diz de forma formal.

—Taylor, eu estou na estrada principal, perto do centro de adoção de animais.

—Sim, senhor.

—Eu... eu encontrei uma garotinha, ela deve ter um ano, cabelos castanhos, olhos cinzas. Está de vestido rosa, eu acho que ela pode ter sofrido um acidente, não sei ao certo, você pode vir para cá e checar isso?

—Eu estou chegando senhor.

Desligo o telefone depois de agradecer a Taylor, entro no carro e encaro a menininha, ela me olha e joga a cabeça para o lado, sorrindo. Seus olhos estão sujos, assim como o nariz, lembro-me então que tem alguns lenços umedecidos de Gabriela. Pego-os no porta-luvas e limpo a menina, ela não para de sorrir, mas... quando limpo seus olhos, percebo que eles não têm brilho algum. É como se ela não fosse, ou não estivesse feliz.

Vejo Taylor chegar e desço do carro; ele se aproxima com a arma em mão e eu estranho, mas acho que essa garota tem sérios problemas.

—Sr. Grey, o senhor pode entrar no carro. —Taylor diz olhando em volta e eu vejo os outros seguranças fazer o mesmo.

—O que houve? —Pergunto olhando em volta por instinto.

—Senhor, não houve acidentes aqui há pelos menos três meses. —Taylor diz seriamente. —Eu chequei os registros policiais. Há uma casa, há cinco quilômetros, uma mulher foi encontrada morta, vizinhos deram a descrição da criança que desapareceu.

—Pego a foto da mão de Taylor e vejo que realmente é a garotinha.

—Mas... o que tem?

—Sr. Grey, pessoas foram assaltadas próximas daqui, dizendo que encontravam a garotinha e logo depois o pai aparecia, pegava ela e roubava as pessoas. Eu acho que ele pode ser o mesmo que matou a mãe da menina.

—Desgraçado! —Murmuro sentindo ódio.

Como alguém pode fazer isso como uma criança? Ela é só um bebê;

—Vá para casa, Sr. Grey, leve a menina.

—Está bem, Taylor. Leve o Detetive Clark.

—Sim senhor. —Taylor diz. —O Sawyer irá te acompanhar.

—Está bem.

Caminho até o carro ainda olhando em volta. Isso não pode ser possível. Como alguém pode ser tão filho da puta à ponto de matar a mãe da própria filha e depois usar a criança para roubos? Isso não pode ser real. Ah, se eu encontro um desgraçado desses não sei do que sou capaz!

Entro no carro e olho para a menininha, ela está dormindo, como um anjinho, mas... sua expressão não é nada feliz. Por um segundo me lembro de Gabriela... ela passou por tantas coisas ruins, presa dentro de um buraco minúsculo na parede, apanhando do desgraçado do doador de esperma.

Respiro fundo e começo a dirigir, vejo meu celular tocar e imagino que seja Ana, mas prefiro falar com ela em casa.

Quando estou chegando já é quase noite, eu chego junto com Aby, imagino que ela tenha ficado na biblioteca estudando. Ryan abre a porta para ela que desce correndo e vem me abraçar.

—Como foi seu dia? —Pergunto e ela sorri.

—Bom, eu tirei A na prova.

—Parabéns, querida. —Sussurro e ela sorri.

—A Ana disse que você tinha... uma surpresa para mim.

—Ah, é... surpresa. —Digo sorrindo. Abro a porta do carro e tiro a gatinha. Abigail me olha boquiaberta. —Bom... não é laranja, mas...

—Ah, ela é tão linda! —Abigail grita e a bebê começa a chorar. —Tem... alguém aí? —Aby pergunta desconfiada e eu suspiro, abro mais a porta do carro e novamente ela olha boquiaberta. —Uau, ela está suja. Quem é?

—É... uma longa história, mas para início, ela precisa de um banho, e roupas limpas, e uma fralda limpa.

—Tudo bem. —Abigail diz olhando para a menina

—A Ana está em casa? —Pergunto pegando a bebê que para de chorar.

—Não, ela levou as meninas para ver a Kate.

—Tudo bem, acho que vou precisar da sua ajuda.

—Está bem, vamos. —Abigail diz animada, não sei se pelo gato, ou pela criança.

♛ ♛ ♛ ♛

Termino de dar um banho na bebê e a levo para sala, Abigail pede para trocá-la e eu deixo, fico apenas observando o cuidado que ela tem com a menina, que parece adorar Aby. Ela não para de tentar mexer nos cabelos laranjas de Abigail.

—Ela tem nome? —Abigail pergunta agora fazendo maria-chiquinha nos cabelos da pequena.

—Acho que sim, mas eu não sei qual é. —Murmuro confuso.

—O que houve com ela?

—Bom... —Abro a boca para falar, mas não consigo, Gabriela entra na sala correndo e me chamando.

A pequena bebê sem nome, se senta rapidamente com os olhos arregalados, ela procura até encontrar Gabriela e fixa seus olhos nela abrindo um sorriso gigante, então ela começa a falar animadamente como se soubesse falar tudo. Anastásia entra logo atrás, com Kate, Ava, Clarissa e Pietro. Todas param de falar e encaram a bebê, mas Gabriela em especial.

Ela começa a dar passos desconfiados, enquanto a menina fala seriamente com ela. Percebo que todos estão olhando as reações das duas; Gabriela para na frente da bebê, ela joga a cabeça para o lado e a menina repete, ri e a bebê faz o mesmo, encantada.

—Oi. —Gabriela diz com os olhos marejados e eu vejo Abigail se conter para não chorar. —Quem é ela, papai?

—Papa. —A bebê repete e Gabriela sorri acariciando o rostinho dela.

—Christian? —Ana pede e eu a encaro sem saber o que dizer. —Eu deveria me preocupar com isso?

—Eu acho... não sei. —Sussurro.

—Acho que alguém deve explicações então. —Ana diz se aproximando e a bebê começa a procurar pela dona da voz. Ela olha seriamente para Ana, parece se emocionar.

Seus olhos cinzas de enchem de lágrimas, o queixinho começa a tremer. Ana coloco a mão sobre o peito, tão emocionada quanto a criança, ela abaixa na frente da menina que explode em lágrimas.

—Ei docinho, não chore, está tudo bem. —Ana sussurra segurando as mãos da menina. Ela olha para a minha doce namorada e tenta se acalmar, mas novamente parece emocionada com Ana. —Isso, calminha, ok?

Levanto a cabeça ao ouvir o elevador, Taylor entra na sala acompanhado do detetive Clark, ambos me olham e depois olham para todos na sala. Suspiro e encaro Abigail, ela balança a cabeça e se levanta entregando a menina para Anastásia.

—Ei, quem quer ver o cachorrinho novo? Ah, e tem um gatinho também. —Aby diz ganhando a atenção de todos, menos Gabriela. —Vamos lá Gabby, é o seu cachorrinho.

—Eu não quelo. —Gabriela sussurra olhando preocupada para a menina.

—Deixe ela aqui. —Peço e Aby balança a cabeça. Ela pega na mão de Ava e Clarissa e sai da sala. Kate encara Ana e sai da sala levando Pietro. —Detetive Clark. —Digo me levantando e aperto sua mão.

—Sr. Grey, senhorita. —Ele fala formalmente.

—Detetive. —Ana diz olhando-o com cautela. —Por favor, sente-se.

—Obrigada. —O detetive fala sentando-se no sofá vazio. Sento-me ao lado de Anastásia e pego Gabriela no colo, enquanto ela fica acalmando a menina. —Bem, é Taylor, certo?

—Sim, foi ele quem o contatou sobre a garota. —Murmuro olhando para a menina que joga a cabecinha para o lado e sorri para Anastásia.

—Sim, ele me informou toda a situação... situação que você encontrou a menina. —Detetive Clark fala olhando para a pequena que sorri vergonhosa para ele, mas como sempre, sem brilho no olhar. —Ela se chama Melissa, Mel como era chamada pela. Ambas era muito gentil, e conhecidas por todos onde moravam.

—E o pai dela? —Ana pergunta curiosa.

—Ele morreu, antes mesmo dela nascer. A mãe da garotinha morava com um vagabundo, ele era dono de um pequeno negócio e se achava dono do mundo. Sua empresa faliu, mas ele conseguiu levar muito dinheiro antes disso. Ele estava sendo procurado já, por agressão.

—Agressão? —Pergunto e por instinto olho para a menina. Clark olha para Gabriela e suspira. —Tudo bem, ela entende.

—Bom, desculpe, mas ele era um monstro, ele agredia as duas, depois ele matou a mãe da garota, na frente dela, e a usava para roubar as pessoas em estradas, ou dar golpes... felizmente o senhor a encontrou Sr. Grey, ele havia abandonado a menina, para morrer na estrada.

—Desgraçado. —Anastásia sussurra baixinho e a vejo cerrar os punhos. —Onde ele está agora?

—Ele fugiu, para fora do estado, nós já mandamos alguém atrás dele, se tudo der certo ele será preso assim que desembarcar em Los Angeles.

—Certo, e a menina? Ela tem avós? Tios?

—Tem a babá. —Clark diz com uma carranca. —Me parece que a mãe deixou a guarda da menina com ela.

—E onde ela está? —Pergunto curioso.

—Eu pedi que ela viesse, ela deve chegar logo.

—Então ela vai levar a menina? Ela não deveria ser acompanhada primeiro? —Anastásia pergunta parecendo estar realmente brava. —Onde ela estava quando esse monstro levou a menina?

—Nós não sabemos, espero que ela explique. —Clark diz no mesmo momento em que Taylor entra na sala.

—Sr. Grey, Srta. Steele, a Srta. Lincoln está aqui. —Taylor avisa e logo uma mulher entra.

Ela é alta, corpo definido, cabelos loiros, olhos verdes e prepotentes. Ela tem um rosto sério, e não parece nada com uma babá, está parecendo mais uma mulher de negócios. Melissa olha a mulher e por um segundo seu olhar escurece, ela grita apavorada e agarra Anastásia começando a gungunar ‘nã-nã’.

Anastásia se levanta rapidamente com a menina, ela tenta acalmá-la, mas em vão, a menina está esperneando, e logo Gabriela começa a chorar assustada.

—Mel, sou eu. —A mulher sussurra com uma voz nada doce, e isso só faz a menina gritar mais. Ela tira um ursinho da bolsa, mas nem isso acalma a criança. —Olha, é o seu bichinho, lembra dele?

—Nã! —Melissa grita desesperadamente.

—Meu bem, por favor, leve-a daqui. —Peço e Anastásia saí da sala, coloco Gabriela no chão e ela corre atrás da mãe.

—Para onde ela levou minha menina? —Srta. Lincoln pergunta e eu quase deixo um riso escapar, mas me controlo.

—Ela não é sua, Srta. Lincoln. —Murmuro calmamente.

—Elena, por favor. —Elena sussurra, com uma voz calma e melosa.

—Srta. Lincoln. —Murmuro sem mostrar sentimentalismo, então me dirijo ao detetive. —Dr. Clark, como eu encontrei a menina, eu sei que posso mantê-la aqui, até a ordem judicial para ela ser levada, ou para um lar adotivo, ou para o guardião legal.

—Sim. —Clarck diz e eu vejo o sorriso de Elena se desfazer.

—Eu acho que a Melissa não está à vontade com essa mulher.

—Como assim? Eu sou a tutora dela, eu conheço tudo sobre ela. —Elena grita e eu a encaro com pena.

—Eu vou pedir que abaixe seu tom, você não está na sua casa, e sim na minha. —Digo sem um pingo de paciência. —Sr. Clark, eu vou entrar com uma petição, eu quero a guarda da menina!

—Quer? —O Detetive pergunta surpreso.

—Sim, quero. —Murmuro calmamente. —Eu vou conversar com meu advogado sobre isso, e logo ele te encontrará Srta. Lincoln.

—Você não pode tirar a Melissa de mim. —Elena diz, e por um segundo acho que ela não está falando realmente da menina. —Eu cuido dela desde que nasceu, você não vai conseguir.

—Eu... —Abro minha boca para falar, mas sou interrompido por Taylor, ele se aproxima e me entrega uma ficha com todos os dados de Elena e outra com os dados de Melissa. Leio as fichas e encaro Elena. Gargalho e suspiro. —Você já foi presa? Por sequestro.

—Isso não é da sua conta! —Elena grita. —Como você sabe disso?

—Ah, e você tem muitas outras coisas aqui. Eu não acho que um juiz prudente deixaria uma criança perto de você. Então Srta. Lincoln, eu sugiro que se retire, imediatamente. Meu advogado irá contatá-la. Dr. Clark, meu segurança irá acompanha-lo até a saída.

—Ok, Sr. Grey. —Clark murmura se levantando e encara Elena, ele balança a cabeça para ela, logo em seguida sai da sala. Elena me fuzila com ódio.

—Isso não vai ficar assim, Sr. Grey. Essa pestinha vai ficar comigo.

—Taylor. —Murmuro calmamente e Taylor se aproxima, ele segura o braço de Elena e a puxa para fora.

Balanço a cabeça com incredulidade. Essa menina não pode ter passado por tudo isso. Ela tem um ano apenas. Encaro a ficha de Melissa, que Taylor trouxe junto com a de Elena. Tudo sobre ela está aqui, data de nascimento, pais, avós. Tudo. Ela tem quase a mesma idade de Pietro, mas ele é dois meses mais velho. Aposto que ele vai adorar brincar com ela. Aposto que todas as crianças vão adorar com ela, ela é uma graça; eu só espero que Anastásia adore saber que eu decidi pegar a guarda de uma menina que acabamos de conhecer.

Olho para o lado e vejo Gabriela entrar na sala, faço um gesto com a mão para que ela se aproxime, e quando ela vem eu abaixo em sua frente.

—Papai... o pai da Melissa não gostava dela? Como o meu? —Gabriela pergunta sentando na minha perna.

—O papai da Melissa não está mais vivo, querida. E eu aposto que ele deveria adorá-la, assim como eu, que sou seu único papai, te adoro. —Falo de forma possessiva e ela sorri.

—O que vai acontecer com ela agora?

—Bom, eu acho que ela poderia morar conosco.

—É mesmo? —Gabriela me olha animada e sorri. —Ela vai ficar?

—Bom, eu acho isso muito bom, mas nós temos que ver o que a mamãe acha. —Levanto-me e caminho com Gabriela até a escada. —Vá brincar com seu cachorrinho, depois eu converso com você, docinho.

—Está bem, papai. —Gabriela sobe as escadas correndo e eu fico apenas olhando-a. Sorrio abobalhado, como eu amo essa garotinha. Viro-me e vou em direção ao meu quarto, Ana e Kate está lá. Pietro está na cama e Melissa está a sua frente, eles estão em uma conversa muito séria pelo que parece, e Kate grava tudo com o celular.

—Olá. —Murmuro ganhando a atenção de todos.

—Oi. —Ana diz me olhando. —Onde está a Srta. Lincoln?

—Ela foi embora. —Digo suspirando. —O Detetive também.

—Ela não levará a Mel? —Kate pergunta cautelosamente.

—Sobre isso... —Coço minha cabeça e encaro Melissa. —Eu decidi que nós vamos ficar com ela.

—Você o que? —Anastásia grita.

—O-ou. —Kate sussurra se levantando. Ela pega Pietro e Melissa e sai do quarto rapidamente. Anastásia se levanta e me encara furiosa.

—Querida...

—Não! —Ela exclama extremamente brava. —O que você disse?

—Que eu decidi que nós vamos ficar com ela.

—Você decidiu? Você decidiu sem me consultar. Nós temos três filhas, e você simplesmente pegou mais uma e decidiu que vamos ficar com ela. Você é maluco? —Ana grita andando de um lado para o outro. —Você não fez isso, Christian Trevelyan Grey!

—Ei, calminha. —Falo levantando as mãos. —Qual o problema? Ela precisa da gente.

—Não, ela precisa de alguém que vá ter tempo para cuidar dela. Se ela fosse maiorzinha, mas não! Ela é só um bebê.

—Meu amor, se acalma.

—Não me manda ficar calma! —Anastásia berra com todo seu folego. —Como você tomou uma decisão dessa sem me consultar?

—Ok! —Exclamo tentando manter a calma. —Então o que você sugere?

—Onde está a babá? Ela não ia ficar com a menina?

Encaro a Anastásia e reviro os olhos. Ela suspira e fecha os olhos contando de um até dez.

—Olha, meu amor, senta aqui. —Seguro suas mãos e a conduzo até a cama. Anastásia me encara impaciente. —Olha, eu deveria ter te consultado, eu sei, me desculpa, mas eu agi porque era o certo a se fazer. Olha a ficha daquela mulher.

—O que tem? —Pego a ficha e entrego em sua mão. Ela analisa por uns trinta segundos até seu rosto ficar vermelho de raiva. —Eu não acredito que aquela vadia, prepotente teve a coragem de vir aqui se fingir de boazinha! Ela tentou sequestrar uma criança. Foi presa por roubo. E era amante do padrasto da Mel! O que ela quer afinal?

—Provavelmente as duas empresas que a mãe da Melissa deixou para ela. —Murmuro calmamente.

—Ah, se aquela vadia pensa que vai ficar com a Mel, ela está muito enganada! Pode chamar quantos advogados for!

—Eu pensei que você estava brava.

—Eu estou furiosa. —Anastásia diz, se levanta e sai do quarto. Tento ficar sério, mas é impossível, minutos depois eu estou gargalhando.

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Anastásia Steele

Entro na sala ainda furiosa, não sei com quem mais, se Christian por decidir que vai adotar uma criança sem me consultar, ou com aquela vadia desclassificada. Ah, como eu queria colocar minhas mãos nela! Olho para o sofá e o chão e percebo que todos estão aqui. Kate está sentada no sofá com Aby em seus braços. Ava e Clarissa estão brincando com o Ipad no sofá e Elliot está babando em Pietro e Melissa, eles estão sentados no chão em frente ao sofá. Mia chega assim que entro na sala, ela vem me abraçar e logo começa a perguntar de Mel, e Kate explica o que sabe. Enquanto eu fico apenas parada encarando a Monstrinha. Por que ela tinha que ser absurdamente fofa?

—Ei. —Chamo e Melissa me olha atentamente. Seus olhos estão apagados, sem brilho algum, mas mesmo assim ela sorri. —Vem aqui mocinha. Agora.

Melissa me olha e ri amplamente, eu abaixo e ela começa a gatinhar em minha direção, ajudo-a a ficar em pé e analiso a monstrinha de cima abaixo. Semicerro os olhos franzindo o nariz e ela faz o mesmo, me seguro para não rir, mas ela está sorrindo amplamente. É difícil não sorrir quando há alguém com apenas oito dentinhos na sua frente rindo à toa. Mantenho-me séria. Então ela fica séria.

Ela é um pouco mais magra do que deveria ser, é baixinha, mas mesmo assim tem bochechas enormes.

—Olha só Monstrinha, eu espero que você se comporte, e coma legumes! —Digo cedendo e ela gargalha me levando a rir.

—Isso significa que ela vai ficar conosco? —Abigail pergunta e eu semicerro os olhos para ela.

—Sim, e eu espero que você prepare suas mãozinhas para trocar fralda. —Falo seriamente e todos riem. —Eu estou falando sério.

—Ah. —Aby diz ainda rindo. Ela levanta e vem me abraçar. —Vai ser ótimo ter outra pirralha para provocar.

—Ouviu isso? Você vai ter que lidar com ela enchendo o saco. —Digo para Melissa que ri.

—Ah, Ana, você a adorou, ela é linda, confessa. —Mia diz sorrindo amplamente. —Olha Pietro, você tem uma futura namorada já.

—Nem pense nisso. —Christian diz entrando na sala. Ele pega Melissa forma possessiva e eu acabo rindo.

—Como assim, Christian Grey? Você acha que meu filho não é bom o suficiente para a sua Monstrinha? —Elliot provoca.

—A primeira regra para filhas, é namorar só depois dos trinta, fim. —Christian diz levando todos a rirem, inclusive Mel. Ela olha para todos, com cuidado, então sorri e deita a cabeça no ombro de Christian.

Por um segundo acho que entendo isso. Acho que entendo esse gesto. Acho que entendo seu olhar sem brilho. Ela... ela passou por coisas horríveis, tudo que está escrito na sua ficha... então, ver que ela está em um lar de verdade, com pessoas que se amam, e que vão cuidar dela, eu acho que ela entende e sente isso. Talvez ela saiba que vai ficar tudo bem. Eu sou uma boba por não a aceitar, mas no fundo, eu só quero vê-la bem. Ela merece.

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Três Semanas Nos Tribunais Depois...

Fico estática após o juiz dar a sentença. Sem reação; eu passei as últimas três semanas me descabelando, acordando no meio da noite para fazer ‘mamá’, comprando chupetas novas porque monstrinha resolveu morder as outras. Comprando roupinhas, arrumando um quarto todo rosa, me ajustando aquela... bebê maravilhosa que bagunçou a minha vida por completo, e... agora ela é minha, minha e de Christian. Ela é nossa filha!

Christian me puxa e me abraça, rodando-me pela sala do juiz; quando ele me coloca no chão posso ouvir o juiz dizer que nós temos que nos casar no prazo de um mês, para a adoção ser oficialmente legalizada. Mas... eu estou tão... atônita. Eu só quero chegar em casa e abraçar minha Melissa... minha Mel. Minha doce menina.

Assim que assinamos tudo, e Melissa passa a se chamar Melissa Steele Grey. Quando finalizamos tudo, eu simplesmente saio correndo de lá, sem dizer nada. Christian está super empolgado ao meu lado, falando um monte de coisas. Mas eu não consigo ouvir nada concretamente.

Eu acho que levei cerca de três horas para me apegar a ela no primeiro dia, então, os dias começaram a se passar. Tudo que ela tinha passado com a tal da Elena e o padrasto foi exposto perante o juiz. Os vinhos foram chamados para depor, e eles contaram tantas coisas, tantas barbaridades que Melissa e sua mãe passaram. Elas sofreram tanto, e eu comecei a temer que eles conseguissem levá-la de mim, de nós. Eu só quero abraçá-la e lhe dizer que tudo vai ficar bem, que ela é nossa agora.

As portas do elevador se abrem e eu ouço as crianças, mas o principal é o gungunar de Melissa. Corro para ela. Meus olhos se enchem de lágrimas quando a vejo, ela está com uma calça cinza, uma blusa de mangas preta, e lacinhos azuis prendendo suas maria-chiquinha.

Suas bochechas estão maiores, ela está mais gordinha, e seus olhos... eles estão tão brilhantes.

Tiro meus saltos e corro me ajoelhando, Melissa se levanta me surpreendendo, ela começa a dar passinhos cambaleantes. Fico ainda mais emocionada, e eu não vejo nada além dela, além dessa criança que chegou aqui sem brilho algum, e hoje tem os olhinhos mais brilhantes que eu já vi.

Melissa se joga para os meus braços e eu a seguro, apertando-a contra meu peito. Ouço as comemorações e imagino que Christian tenha contado a novidade. Sinto meus outros docinhos me abraçarem, então essa é minha calmaria, esse é meu porto-seguro. Eu sinto que tudo está tão bem.

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Mel ♥